O supremo fetiche da modernidade: o senso comum científico emocional e dogmático

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Luiz Filipe Pondé [1] abriu o seu artigo “O fetiche da modernidade” na seção TENDÊNCIAS/DEBATES da Folha de São Paulo, Opinião A3, de 5 de fevereiro de 2007, com a seguinte afirmação incisiva: “O que resta à modernidade é seu senso comum científico, normalmente dotado de grande carga emocional e dogmática”.
[Requer assinatura do UOL ou da FSP].

É justamente esta posição dogmática emocional arrogante do ‘núcleo duro’ da ciência — a Nomenklatura científica, que denuncio desde 1998 junto às editorias de ciência da Grande Mídia, e agora neste blog. Essa posição é mais ideológica do que científica: eles confundem o naturalismo metodológico com o materialismo filosófico. Utilizam erroneamente o naturalismo metodológico para respaldar uma filosofia naturalista. Ou ideologias como o ateísmo, ou um ceticismo globalizado e fanático.

Pondé abre o seu artigo afirmando que a ciência ‘é o supremo fetiche da modernidade’. Quando olhamos um espelho, devemos saber que a imagem refletida não é a verdadeira representação da realidade: são apenas imagens aproximadas da realidade. Conhecemos em parte, e em parte somos conhecidos, disse certo sábio judeu com uma pitada de ceticismo sábio.

Eu discordo de Pondé aqui — não é a ciência que se olha no espelho como supremo fetiche da realidade pós-moderna, mas são os cientistas que se olham o espelho e falam pela ciência nos seus melhores momentos: ‘o brilho redentor da tecnologia e seu sublime ídolo, o progresso, essa face contemporânea da "natureza atada" de Francis Bacon’, mas fecham os olhos para os seus horrores como as bombas atômicas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki, células-tronco embrionárias [com a maior cara de pau e desfaçatez de não saberem definir quando começa a vida humana], fraudes nas pesquisas e otras cositas mais.

Como construção humana, a ciência, oops os cientistas vêem o ‘fracasso de grande parte de suas utopias’ — o racionalismo político [a intelligentsia define a realidade], a administração da vida [a intelligentsia diz o que é melhor], a resolução científica da existência [a intelligentsia diz que somos meramente química e eletricidade], a reformulação do humano [a intelligentsia usa o nome pós-moderno de bioengenharia, mas é eugenia pura] e deixa para nós mortais ‘a organização eficaz da agonia’.

E o que restou à modernidade [sic]? Tão-somente o ‘senso comum científico normalmente dotado de grande carga emocional e dogmática’. Por que Pondé chegou a essa conclusão sobre a pós-modernidade? “A prova evidente desse senso comum é supor que qualquer crítica à ciência significa alguma forma de heresia epistemológica ou mera falta de conhecimento científico por parte de quem levanta a questão”.

Alô, Amabis, até parece que Pondé assistiu ao encerramento da V São Paulo Research Conference em 20 de maio de 2006, auditório da Fac. de Medicina da USP, onde contraditei publica e respeitosamente ao eminente cientista: toda a crítica à evolução seria uma crítica à ciência. Muito pelo contrário, Amabis, as críticas às insuficiências epistêmicas fundamentais da teoria geral da evolução ajudam no progresso da ciência. Não há ‘theoria perennis’ em ciência. Todo o construto teórico está sujeito à revisão ou simples descarte. Paradigma morto, paradigma posto! Que venha a nova teoria geral da evolução!

Realmente, o que a ciência [na verdade o cientista] descobrir, as tais modas científicas, os ‘novos paradigmas’ e seu frenesi pseudo-religioso superficial em nada mudará a nossa condição cósmica qua Homo sapiens sapiens.

A estrutura do átomo, suas partículas e cordas, para além de um panteísmo de iniciantes, nada muda em nossa condição cósmica. Tampouco as modas científicas, os “novos paradigmas”, e aqui vou além de Ponde, e o seu superficial frenesi pseudo-religioso e de neo-ateísmo pós-moderno chique e perfumado.

Apesar de citar a limitação de Aristóteles sobre se o genoma desvendaria (?) todos os segredos do humano, mesmo com Craig Venter e Francis Collins e toda a tecnologia que o Projeto Genoma utilizou, os segredo humanos que descobrimos foram muitos a ponto de Venter afirmar que nós sabemos ‘bullshit’ de biologia.

Pondé toca num ponto nevrálgico e controverso: as idéias têm conseqüências e podem derivar ideologias. Ele diz que a única forma de ateísmo filosoficamente séria é o darwinismo, na sua tentativa de responder a Aristóteles e sua herança (o primeiro motor inteligente): “Como do acaso cego chegamos à ordem e ao design visíveis no universo? Pela repetição (e reprodução) mecânica daquilo que não pereceu, vítima da agressão do meio ambiente, em sua inércia ancestral, surge a aparência de ordem. A dança macabra entre o agredido e a agressão mimetizaria essa ordem”. Por que isso levaria alguém ao ateísmo, Pondé não declina.

Geralmente os cientistas do ‘núcleo duro’ da Nomenklatura científica afirmam que a crítica ao dogmatismo do senso comum científico seria devido ao “desconforto” diante da possível insignificância da vida, de não ser mais o ápice da criação. Pondé pondera que mais provavelmente este pânico se daria diante da possibilidade de “descrença” na ciência. E aqui eu arremato, descrença na ciência ideologizada, é que seria um indício desse suposto “desconforto”. EMPIRICA, EMPIRICE TRATANDA. Nem mais, nem menos. Do jeito que está é IDEOLOGIA.

Concordo plenamente com Pondé que a ciência mudou não somente a face do planeta, mas até a nós mesmos. Como construto humano, não devemos demonizar a ciência, mas tampouco canonizá-la. A realidade nua e crua da ciência é que, segundo ele, é ‘uma adolescente furiosa, às vezes generosa, normalmente arrogante quando bem-sucedida’.

Temos destacado aqui neste blog que a ciência não é um método puro, mas é também, e aqui o lado humano nos traí a todos, inclusive nós do Design Inteligente, há sim teias de interesses, laços institucionais que tendem à fantasia do absoluto, quando, na realidade cotidiana, nós agentes sociais podemos estar vivendo ‘no pântano do relativismo ético e do totalitarismo econômico’.

Será que ‘a estratégia do senso comum científico é desconstruir a incerteza ou dissolvê-la numa incerteza meramente estética’? Poderia a “precisão” científica andar lado a lado com a ignorância acerca da realidade? Seria um método poderoso de falseá-la, como sugere Pondé?

Qual a resposta científica ao Eclesiastes? Credo quia absurdum est ou Credo ut intelligam? [2]

[1] Filósofo, professor do programa de pós-graduação em ciências da religião do Departamento de Teologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e da Faculdade de Comunicação da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado). É autor de vários livros, sendo “Crítica e Profecia, Filosofia da Religião em Dostoiévski”, o mais conhecido.

[2] Creio porque é absurdo e Creio para entender.

Os neo-idólatras secularistas vão adorar a Darwin no Rio de Janeiro

JC e-mail 3199, de 06 de fevereiro de 2007
RJ comemora o Dia Darwin com palestra sobre evolução

Muito interessante a idéia da Livraria da Travessa do Shopping Leblon trazer o biólogo Diogo Meyer para falar sobre “O que é a Teoria da Evolução” na próxima terça-feira, dia 13, às 20 horas, para a celebração do Dia Darwin pelo terceiro ano consecutivo. A Livraria da Travessa do Shopping Leblon fica na Rua Afrânio de Mello Franco 290 - 2º piso. Fone: (21) 3138-9600.

Esta data celebra em todo o mundo os 198 anos do nascimento de Charles Darwin, naturalista inglês do séc. XIX. Darwin esteve no Brasil em sua viagem a bordo do HSM Beagle e co-autor junto com Alfred Russel Wallace da teoria da seleção natural, a teoria evolutiva. Será que Diogo Meyer vai falar de que há fortes indícios de que Darwin plagiou as idéias de Wallace e de Edward Blyth sobre a seleção natural?

Por que o site http://www.darwinday.org não aborda as dificuldades fundamentais da teoria geral da evolução conforme proposta por Darwin em 1859, e as críticas científicas que vêm sendo feitas desde então? É simplório demais essa polarização de que as únicas objeções à teoria geral da evolução sejam apenas ‘ondas fundamentalistas e criacionistas que ocorrem no mundo’. Nada mais falso. Meyer sabe, mas omitirá isso em sua palestra: Darwin sofre de objeções desde 1859: escreveu 1/3 do seu Origem das Espécies tentando rebater objeções. De religiosos? Não, de cientistas seus pares na Academia.

O parágrafo a seguir eu chamo de ‘tese de conspiração’ e de ‘demonização’ dos oponentes, e da ‘canonização’ da ciência:

“Como se sabe, em pleno século XXI, grupos religiosos ainda consideram a teoria da evolução uma ameaça a seus dogmas. Estes grupos combatem a ampla disseminação das conquistas da ciência, fator de promoção da democracia e da evolução das sociedades, com o discurso pseudo-científico do design inteligente”.

Grupos religiosos consideram sim a teoria da evolução como uma ameaça aos seus dogmas, mas não somente por razões de fé, mas razões científicas: a teoria geral da evolução não fecha a conta epistemicamente. O discurso do Design Inteligente é derivado da natureza: sistemas biológicos de complexidade irredutível (Behe) e informação complexa especificada (Dembski).

Eu sou um iconoclasta, e vou estragar o quanto puder esse ‘culto à personalidade’ a Darwin que se alastra nas tabas tupiniquins, porque este evento organizado pelos biólogos Isabel Landim e Cristiano Moreira, não é ‘uma celebração ao conhecimento científico e à valorização da diversidade’, mas a imposição de uma camisa de força epistemológica, um convite ao suicídio intelectual que leva à ‘síndrome do soldadinho-de-chumbo’: o pensamento uniforme. Ora, se todos estão pensando a mesma coisa, ninguém está pensando em nada!

Eu espero que a palestra “O que é a Teoria da Evolução?” a ser proferida por Diogo Meyer, doutor pela Universidade da Califórnia, UCLA e co-autor dos livros de divulgação científica “O que é vida?” (Relume Dumará) e “Evolução: o sentido da biologia” (Unesp) [Vamos fazer uma resenha deste livro neste blog], aborde as seguintes questões:

Em primeiro lugar, definir o termo ‘evolução’. Razão? Evolução pode significar muitas coisas. Falando amplamente, evolução pode simplesmente significar mudança ao longo do tempo. Isso nenhuma pessoa em sã consciência pode negar. Em biologia pode significar pequenas mudanças dentro das espécies existentes, algo que nós vemos acontecer diante de nossos olhos.

Mas Meyer sabe, e talvez vai abordar justamente isso, a teoria de Darwin afirma muito mais — isto é, que todos os seres vivos descendem de um ancestral comum, e que suas diferenças atuais são devidas a processos naturais não guiados tais como variações randômicas e a sobrevivência do mais apto. Meyer não vai falar sobre a evolução em geral, mas a teoria particular de Darwin (Darwinismo) que será celebrada nesse Dia Darwin.

Sem dúvida que a celebração da teoria da evolução e das idéias de Darwin deve ter acontecido de forma organizada e não organizada muitas vezes desde a publicação do “Origem das Espécies”. A primeira que me vem à mente é a de 1909 quando a teoria geral da evolução de Darwin estava uma bagunça e a seleção natural era questionada por biólogos evolucionistas de peso como William Bateson. Vide RICHMOND, Marsha L., “The 1909 Darwin Celebration” ISIS 2006, 97:447-484.

Quando o folder exalta as idéias de Darwin como tendo extrapolado em muito os limites da biologia, e influenciando várias outras áreas do conhecimento humano, como a psicologia, a filosofia e a antropologia, seus autores estão elevando as especulações transformistas de Darwin em ‘theoria perennis’. Não existe isso em ciência.

O esforço dos atuais discípulos de Darwin para que o seu aniversário seja uma data símbolo, através de atos públicos, beira a ‘idolatria secularista’, e essa ‘adoração ecumênica internacional’ começou na Stanford University em 1995 (EUA), um dos berços da Razão.

A organização “Darwin Day celebration”, deveria sim incentivar, organizar e auxiliar eventos públicos de divulgação da ciência abordando as seguintes questões impertinentes, e que Meyer sabe, mas não abordará em sua palestra:

As experiências têm falhado consistentemente em apoiar com evidências a hipótese de que as variações (inclusive aquelas produzidas pela mutação genética) e a seleção (natural ou artificial) possam produzir novas espécies, órgãos e planos corporais.

Para contrariar a palestra de Meyer sobre o que é evolução, o que antes parecia ser uma sólida evidência de ancestralidade comum universal (fósseis, embriões e comparações moleculares) agora está sendo solapada por crescente inconsistências. Vide o blog Darwin ‘Quixote de la Mancha’ e a Árvore da Vida: um moinho de vento?'

Então cara-pálida, se essas coisas não são divulgadas em eventos assim, quem é que combate ‘a ampla disseminação das conquistas da ciência’? Na verdade, são os darwinistas que varrem essas conclusões para debaixo do tapete epistemológico, e não falam publicamente sobre esses fatos tenebrosos que contrariam a projeção de suas mentes. Quem é que impede realmente o avanço da ciência? Quem é que prefere manter o grande público cientificamente ignorante dessas questões?

Eu espero sinceramente que Meyer não sirva a tão escusos e velados interesses: a manutenção de ‘dogmas científicos’ não baseados na ciência, mas em preferências ideológicas do naturalismo filosófico que posa como ciência.

A maioria dos grupos religiosos rejeita o darwinismo por boas razões: ele não se encaixa com a evidência científica. O Dia Darwin seria melhor celebrado se os pontos fortes e fracos da teoria geral da evolução fossem apresentados objetivamente.

O que vai acontecer dia 14 de fevereiro, e por essa Darwin não esperava, é mais um ‘dia santo de guarda’ no calendário dos crentes em Pindorama. Só que dessa vez é para honrar a Darwin, que apesar de agnóstico, está enterrado na Abadia de Westminster.

Quanta ‘santa’, oops secular ironia...

Delenda Darwin Day!

Dia 12 de fevereiro será comemorado o ‘Dia de Darwin’ [argh, isso é como cometer idolatria!]. Seus organizadores dizem que esta é uma data celebrada internacionalmente com a exclusiva ‘oportunidade para a divulgação científica em geral e da Teoria da Evolução em particular’.

Li atentamente a programação do Museu de Zoologia da USP (10 e 11 de maio de 2007). O que percebi nitidamente é: muito pouca divulgação científica e muita louvaminhice a um cientista cuja teoria se encontra nos seus estertores paradigmáticos.

Um estranho e despudorado caso de ‘culto a personalidade’ em pleno século 21. E promovido por cientistas! A nata, o supra-sumo da racionalidade... Onde está naquela programação a divulgação científica? Por que as loas exageradas sobre os fatos circunstanciais favoráveis à Teoria da Evolução? Por que não considerar racionalmente as insuficiências epistêmicas fundamentais contrárias à Teoria da Evolução? Elas existem desde 1859.

Segundo Gould (1980) e Margulis mais recentemente (2005) na conferência sobre evolução nas ilhas Galápagos, o neodarwinismo já está morto há muito tempo, mas persiste como ortodoxia em nossos livros didáticos. Por que William Provine (2005), Cornell University, mencionou naquela mesma conferência a necessidade de outra teoria da Evolução? Por que a Grande Mídia não destaque a tudo isso? Uma despudorada relação incestuosa com a Nomenklatura científica.

Por que destacar Darwin em particular a ser celebrado e não outro cientista? Newton, por exemplo, deu muito mais contribuições à ciência do que Darwin. Por que não Einstein, para sermos mais contemporâneos, que deu maior e melhor entendimento sobre a realidade do que o naturalista inglês? É impressionante o caráter de beija-mão e beija-pé de Darwin nestas celebrações polarizadas ideologicamente como sendo ‘criacionismo vs evolucionismo’, e tudo isso patrocinado com o nosso suado dinheirinho.

A questão não é ideológica, ela é estritamente científica. Darwin impôs a si uma gigantesca tarefa — explicar a origem das espécies através de um mecanismo estritamente material: a seleção natural. Bem que ele tentou, porque a História da Ciência nos conta o seguinte — ele acertou no varejo e errou no atacado:

A versão Darwin 1.0 (1859) durou até a sua ‘eclipse’ epistêmica em 1909. Uma bagunça e a seleção natural atacada pelos próprios darwinistas.

A versão Darwin 2.0 vem estropiada e sofregamente, aos trancos e barrancos, resistindo como paradigma desde os anos 1930 e 1940. A Nomenklatura científica impede qualquer dissensão: inquisição sem fogueira contra os dissidentes destruindo e impedindo o avanço em suas carreiras acadêmicas.

O VISTA da Microsoft foi lançado nesta semana, mas a versão revista e atualizada Darwin 3.0, uma teoria da evolução mais robusta, ainda não será lançada para não estragar as comemorações internacionais do ‘culto à personalidade’ de Darwin-ídolo de 12 de fevereiro de 2007 a 2009.

Esta data seria uma grande oportunidade para a divulgação científica dos seguintes tópicos: Problemas com a mutação e o mecanismo de seleção natural; o registro fóssil e as origens humanas; que o DNA Lixo tem função; a complexidade integrada da vida; problemas na elaboração de filogenias (recentemente abordado neste blog, mas não foi destacado pela Grande Mídia e nem tampouco pelo JC e-mail).

A informação científica que vem sendo sonegada intencionalmente aos nossos alunos nos livros-texto de Biologia do ensino médio e ao público em geral através da abordagem da Teoria da Evolução na Grande Mídia é esta:

Questões de Padrão  diz respeito à grande escala geométrica da história
biológica: Como os organismos são inter-relacionados, e como que nós sabemos isso?

Questões de Processo  diz respeito aos mecanismos de evolução, e os
vários problemas em aberto naquela área, e

Questões sobre a questão central: a origem e a natureza da complexidade biológica  a “complexidade biológica” diz respeito à origem daquilo que faz com que os organismos sejam claramente o que são: complexidade especificada da informação biológica.


O pior e o mais grave de tudo nessa celebração tupiniquim, é que haverá oficinas para crianças, e os animais de Galápagos vão ser utilizados como sendo exemplos de evolução em ação. Nada mais falso. O que temos ali com os tentilhões de Darwin é meramente oscilação. Neca de pitibiriba, oops de evolução total.

Uma leitura objetiva em História da Ciência sobre o status epistêmico da atual Teoria da Evolução está muito menos para um ‘Feliz Aniversário, Darwin’! e muito mais divulgação sobre o verdadeiro status de uma teoria científica do século 19, que vem sendo a cada 50 anos ‘recauchutada’, e não consegue explicar como se deu a evolução. Isso, a Nomenklatura científica não ousa abordar. Há muita coisa em jogo: perda de status como aquela que descreve a realidade para nós meros mortais!

Pro bonum scientia, o dia 14 de fevereiro deveria ser celebrado internacionalmente, sem remorsos, como ‘Delenda Darwin Day’!

Darwin morreu! Viva Darwin!

Evolução: o mito da ‘Theoria perennis’ ou o besteirol pós-modernista de um editor da VEJA – Parte 1 de 3

domingo, fevereiro 04, 2007

Li cum granum salis e rigor cético o especial “Como a fé desempatou o jogo”, de Okky de Souza, a ciência explica como o cérebro produz o pensamento mágico. (Veja 1994, de 7 de fevereiro de 2007, pp. 78-85).

Quase não prossegui com a leitura pelo reducionismo epistêmico absurdo de Okky de Souza: “Os antepassados humanos que desenvolveram a capacidade de crer foram os únicos a sobreviver à Idade do Gelo. Isso explica por que a fé resiste mesmo quando a ciência prova que o sobrenatural nada mais é do que química e eletricidade”.

Além disso, eu prometi a Darwin neste blog que não permitiria a deturpação de sua teoria pelos seus atuais discípulos com elementos estranhos à teoria da evolução pela seleção natural, bem como alerto aos de concepções religiosas que os atuais darwinistas estão tentando cooptá-los para uma adesão às teses transformistas de Darwin sem nenhum comprometimento com as suas cosmovisões. Nada mais falso, e que precisa ser veementemente denunciado.

Não pretendo fulanizar essa questão aqui à la Diogo Mainardi, mas a imprensa precisa ser mais objetiva e apartidária quando a questão é Darwin e a sua teoria geral da evolução ainda não substanciada pelas evidências e a sua insuficiência epistêmica. Darwin 1.0 (1859) durou até a sua ‘eclipse’ em 1909; Darwin 2.0 vem estropiada e sofregamente resistindo desde os anos 1930 e 1940. Darwin 3.0 ainda não foi lançado para não estragar as comemorações do ‘culto à personalidade’ de Darwin-ídolo (12 de fevereiro de 2007 e em 2009).

As chamadas teorias de longo alcance histórico sofrem de uma grave dificuldade epistêmica e heurística, e a teoria geral da evolução é uma delas: não podem ser falseáveis. No caso aqui dos nossos antepassados que sobreviveram à Idade do Gelo, não temos como falsear essa hipótese absurda. Que vantagem evolutiva teria a crença, a projeção da mente numa divindade inexistente para um indivíduo ou toda uma população? Nenhuma. Explico, a teoria da evolução pela seleção natural não teve o ser humano em mente, é um processo cego e aleatório, e não teleológico. É um processo de erro e acerto, e seja o que Deus, oops Darwin quiser.

Será que os ‘antepassados humanos que desenvolveram a capacidade de crer’ numa divindade foram realmente ‘os únicos a sobreviver a Idade do Gelo’? Como Okky de Souza e os cientistas sabem disso? Como ele não propôs falsear a hipótese, sou forçado a imaginar uma possível situação escatológica daqueles nossos antepassados diante do iminente cataclismo. Drawink, o mais apto e brilhante deles, teve um insight evolutivo brilhante, e do alto do cume do monte Branco apresentou diante de todos uma tábua de pedra com os seguintes dizeres: “Credo quia absurdum, mas se não crermos na projeção de nossa mente — uma divindade inexistente, nós não escaparemos do iminente cataclismo da Idade de Gelo”.

Houve uma tremenda confusão lá embaixo no arraial de nossos antepassados. Alguns tiveram ataques esquizofrênicos de choro e ranger de dentes. Outros simplesmente zombaram de tamanho absurdo: “Idade do Gelo, que idade do gelo coisa nenhuma, se nós nem sabemos o que é gelo?”. Os que resolveram ‘acreditar’ nessa muleta psicológica foram para suas cavernas resignados esperando a chegada da tal Idade do Gelo. Em suas cavernas eles ‘representaram’ essa divindade inexistente e, pela primeira vez na história de nossos antepassados, eles prestaram culto à projeção de suas mentes.

A Idade do Gelo veio inesperada e rapidamente. Triste sorte tiveram os que resolveram permanecer ateus, agnósticos ou céticos da divindade inexistente: pereceram todos no GCC (Grande Cataclismo Criogênico). Alguns fósseis desses ateus, agnósticos e céticos foram encontrados em perfeito estado de conservação. Alguns expressando no rosto o desespero da luta pela sobrevivência... Um deles com um panfleto surrealista na mão: “Credo quia absurdum vai nos salvar”!

E não é que a ‘muleta psicológica’ da Idade do Gelo anunciada por Drawink, um profeta que enxergou além dos seus pares, sobre como entrar na Arca de Drawink, oops na Idade do Gelo, funcionou! Salvou não somente a Drawink e aos nossos antepassados, mas a todos nós seus descendentes pós-modernos ateus, agnósticos, céticos e teístas.

Após vários anos, e bota ano nisso, Darwin, o descendente mais brilhante e mais apto de Drawink, teve um outro insight evolutivo e contou para nós uma história sobre a nossa origem e evolução, mas não sem reservas: a de estar visivelmente errado e de ter possivelmente dedicado sua vida a uma fantasia! Como acreditar numa hipótese derivada de uma mente de origem tão primitiva??? [1]

Diante desta superficialidade reducionista explicativa — ‘a fé resiste mesmo quando a ciência prova que o sobrenatural nada mais é do que química e eletricidade’, quase larguei o artigo especial. Seria perda de tempo. Razão: a ciência não explica o ‘sobrenatural’, e aqui nós temos um editor da revista VEJA, a mais importante do Brasil, afirmando que a ciência ‘explica’ sim o sobrenatural porque nós humanos somos puramente química e eletricidade. Como ‘explicar’ o ‘sobrenatural’ se a ciência não se propõe explicar isso? A ciência é EMPIRICA, EMPIRICE TRATANDA — as coisas empíricas são empiricamente consideradas. O que passar disso, e é o caso do subtítulo de Okky de Souza, é metafísica pura!

Uau! Stanislaw Ponte Preta, onde você estiver, com sua devida licença, acho que vou abrir neste blog uma seção de FEBEDAPÁ: Festival de Besteira Darwinista que Assola o País.
NOTA:
[1] DESMOND, A. e MOORE, J. “Darwin: A vida de um evolucionista atormentado”, São Paulo, Geração Editorial, 3ª. ed., rev. e ampliada, 2000, p. 497. Dedicatórias nos exemplares de cortesia.

The Dawkins Delusion – A ilusão de Dawkins

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Eu disse que iria ‘evoluir’ no meu estilo literário nest blog, mas parece que eu tive uma súbita recaída. Culpado disso é o Richard Dawkins, o apóstolo fundamentalista do neo-ateísmo. Alguém aí se lembra qual foi o último artigo ou pesquisa científica realizada por ele? Ué, o refrão da Nomenklatura científica — ‘publish or perish’ como é que fica? Não se aplica a este ‘cientista’??? Todos são iguais, mas há quem seja mais igual do que os outros...

Nós sabemos que as idéias têm conseqüências, e que seus autores não podem controlar a má utilização ou implicações derivadas de suas idéias ou teorias. É o caso de Darwin, apesar de sua subjetividade extremamente complexa: ele é mais ‘liso’ do que quiabo. Profunda e convenientemente circunspecto.

Dawkins é o antípoda de Darwin. Ele afirmou categoricamente: “... penso igualmente que, antes de Darwin, o ateísmo até poderia ser logicamente sustentável, mas que só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito”. [1] Quer dizer, derivei a minha subjetividade ateísta nas idéias de Darwin. Talvez Richard Dawkins não saiba, mas o seu ‘ídolo’ Charles Darwin, na sua autobiografia, discorda diametralmente dele nesse sentido:

“O que os meus próprios pontos de vista possam ser é uma questão de nenhuma conseqüência para ninguém a não ser eu mesmo. Mas, como você pergunta, eu posso declarar que o meu juízo flutua freqüentemente… Nas minhas mais extremas flutuações eu nunca fui um ateu no sentido de negar a existência de um Deus. Eu penso que geralmente (e mais à medida que envelheço), mas nem sempre, que agnóstico seria a descrição mais correta de meu estado de espírito.” [2]

Está mais do que na hora de alguém escrever o livro “The Dawkins Delusion” [A ilusão de Dawkins], e chamá-lo à chincha por usar indevidamente a ciência para a defesa e promoção de suas preferências ideológico-subjetivas.

Fui, sem nenhuma ilusão a respeito de Dawkins, profeta fundamentalista do neo-ateísmo chique e perfumado da pós-modernidade.

Vade retro Dawkins! Lá pros quintos do pré-Cambriano!

[1] in O relojoeiro cego. São Paulo, Companhia das Letras, 2001, pp. 24-5.

[2] “What my own views may be is a question of no consequence to any one but myself. But, as you ask, I may state that my judgment often fluctuates… In my most extreme fluctuations I have never been an Atheist in the sense of denying the existence of a God. I think that generally (and more and more as I grow older), but not always, that an Agnostic would be the more correct description of my state of mind.”

Nenhuma estimativa de filogenia está livre de pressuposição

Nenhuma estimativa de filogenia está livre de pressuposição

David Tyler 11:32:25 am

As hierarquias encaixadas que emergem dos estudos taxonômicos freqüentemente têm sido usadas como evidência apoiando o conceito de descendência comum (i.e. todos os organismos evoluíram de uma única célula ancestral). As hierarquias emergem dos estudos de morfologia, das semelhanças genéticas e de outros dados. Todavia, como foi destacado recentemente, “para criar-se uma árvore evolutiva de relações, é preciso fazer pressuposições sobre o processo evolutivo que produziu os dados observados.”

Isso realça um dos principais problemas que nós temos na área de biologia evolutiva: as pressuposições estão tão profundamente embutidas que qualquer abordagem alternativa que procure ficar fora do paradigma convencional é considerada com suspeição. Esta pesquisa tem o mérito de explorar essas questões, ainda que o faça sem desafiar o modo de pensar evolutivo da filogenética.

Para aqueles que duvidam da afirmação de que “Nenhuma estimativa de filogenia está livre de pressuposição”, este estudo merece a máxima atenção. Assim que se reconhece que “as pressuposições” são críticas para a produção de filogenias, a evidência contra a descendência comum, identificada por alguns (mas nem todos) defensores do Design Inteligente, pode então ser considerada nos seus méritos. Isto é uma questão científica, digna de amplo debate.

Uso de modelo em filogenética: nove perguntas importantes
Scot A. Kelchner e Michael A. Thomas
Trends in Ecology & Evolution, Volume 22, Issue 2 , Fevereiro de 2007, pp. 87-94

Abstract:

Os modelos de características de evolução sustentam todas estimativas de filogenia, assim a adequação do modelo permanece uma questão crucial para a filogenética e as suas muitas aplicações. Embora progresso tem sido feito na seleção de modelos apropriados de estimativa em filogenia, ainda há preocupação sobre o seu propósito e uso adequado. Como que nós interpretamos os modelos num contexto filogenético? Quais são os seus efeitos na estimativa de filogenia? Como que nós podemos aumentar a confiança nos modelos que nós escolhemos? Que a comunidade da filogenética está fazendo tais perguntas denota um estágio importante no uso de modelos explícitos. Aqui, nós examinamos estas e outras perguntas comuns, e concluímos sobre como a comunidade está usando e escolhendo modelos, e aonde este processo nos levará depois.

Modelos em filogenética

Nenhuma estimativa em filogenia (vide Glossário) está livre de pressuposição. Para criar-se uma árvore evolutiva é necessário fazer pressuposições o processo evolutivo que produziu os dados observados. Consideradas como um todo, estas pressuposições formam um ‘modelo conceitual’ de característica de evolução com o qual são feitas estimativas de relações evolutivas. O modelo conceitual pode incluir um ‘modelo formal’ matematicamente explícito de mudança de característica, que é parametrizado quando aplicado ao nucleotídeo ou aos dados de seqüência de aminoácidos. É este modelo formal que é referido como o ‘modelo’ na literatura filogenética (como o é aqui).

A filogenética não pode evitar o uso de modelos conceituais. Mesmo aqueles métodos que não formalizam um modelo, e por isso afirmam ser livres de modelo (ex.: a parcimônia), fazem pressuposições significantes e algumas vezes incorretas sobre a característica de evolução quando calcula a quantidade de mudança entre os organismos 1, 2, 3 e 4. O crescimento do uso de modelo formal na filogenética, contudo, criou um nível de preocupação perceptível na comunidade. Em particular, nós pensamos que a confusão sobre certas qualidades de modelo está contribuindo para controvérsias sobre a ‘exatidão’, complexidade e desenvolvimento de modelo. [1]

NOTA

[1] Model use in phylogenetics: nine key questions
Scot A. Kelchner and Michael A. Thomas
Trends in Ecology & Evolution, Volume 22, Issue 2 , February 2007, Pages 87-94

Abstract:

Models of character evolution underpin all phylogeny estimations, thus model adequacy remains a crucial issue for phylogenetics and its many applications. Although progress has been made in selecting appropriate models for phylogeny estimation, there is still concern about their purpose and proper use. How do we interpret models in a phylogenetic context? What are their effects on phylogeny estimation? How can we improve confidence in the models that we choose? That the phylogenetics community is asking such questions denotes an important stage in the use of explicit models. Here, we examine these and other common questions and draw conclusions about how the community is using and choosing models, and where this process will take us next.

Models in phylogenetics

No phylogeny estimation (see Glossary) is assumption free. To create an evolutionary tree of relationships, one must make assumptions about the evolutionary process that produced the observed data. Taken as a whole, these assumptions form a 'conceptual model' of character evolution with which estimates of evolutionary relationship are made. The conceptual model could include a mathematically explicit 'formal model' of character change, which is parameterized when applied to nucleotide or amino acid sequence data. It is this formal model that is referred to as the 'model' in phylogenetic literature (as it is here).

Phylogenetics cannot escape the use of conceptual models. Even those methods that do not formalize a model, and thus claim to be model-free (e.g. parsimony), make significant and sometimes incorrect assumptions about character evolution when estimating the amount of change between organisms 1, 2, 3 and 4. The growth of formal model use in phylogenetics, however, has created a noticeable level of concern in the community. In particular, we think that confusion about certain model qualities is contributing to controversies about model 'accuracy', complexity and development.

NOTA DO BLOGGER MAGNA CUM LAUDE: Todos os meses eu faço o levantamento dos meus leitores para saber o público que estou atingindo. No ano de 2006 este blog passou a ser objeto de busca no Google, e vem sendo lido por vários professores e pesquisadores em universidades públicas e privadas. Até no exterior.

Isso me deixa deveras envaidecido, e com uma baita responsabilidade. Talvez vocês vão ser os responsáveis pela ‘evolução’ do estilo literário deste blogger. Mas, como pode o leopardo mudar as suas pintas? Eu habito o meu estilo, mas acho que valerá a pena uma ‘evolução’ literária pro bonum publico. Aguardem, não será um 'longo tempo evolutivo' de estase literária, oops eu sou incorrigível!

Haldane ‘falou e disse’: a teleologia é a amante do biólogo

“A teleologia é como uma amante para um biólogo: ele não pode viver sem ela, mas se recusa ser visto publicamente com ela”. [1]

Não seria isso uma das razões de os biólogos evolucionistas não quererem lidar com a questão de design inteligente? Afinal de contas, nós entendemos que o acaso, a necessidade, as mutações filtradas pela seleção natural [mais quaisquer outros mecanismos evolutivos de A a Z], as causas naturais não explicam certos eventos no universo como a origem e a evolução da complexidade e diversidade da vida. Nós propomos causas inteligentes télicas. Empiricamente detectáveis!

No dia-a-dia nos laboratórios, nas salas de aula, nos artigos e pesquisas, os cientistas e biólogos usam conscientemente de ‘linguagem teleológica’, especialmente descrevendo a ação de uma célula, mas se recusam ser vistos ‘publicamente’ defendendo a teleologia, um dos aspectos da teoria do Design Inteligente.

É que essa ‘amante’ não pode ser vista publicamente pelos agentes da KGB da Nomenklatura científica [peer-reviewers é mais chique] que não permitem esse deslize moral, oops epistemológico de seus pares. Mas eles não podem deixar de usar linguagem télica e de design inteligente nos seus trabalhos sobre as coisas bióticas. Por quê? Design aparente ou design real???

Fui, sem medo de ser feliz, de braços dados e enrabichado com a minha amada amante ‘Teleologia’!
NOTA:

[1] Teleology is like a mistress to a biologist: he cannot live without her but he's unwilling to be seen with her in public.

in http://www.phil.uu.nl/HPS/theses/AriGross.pdf

Haldane, J.B.S. in Bedeau, Mark A. Norman, Packard H. “Measurement of Evolutionary Activity, Teleology, and Life.” Langton, C. Taylor, C. Farmer, D. Rasmussen, S. (Eds.) Arti¯cal Life II. SFI Studies in the Sciences of Complexity, Proc. Vol. X. Redwood City, CA: Addison-Wesley, 1991, 1.

Bertrand Russell ‘falou e disse’: o protozoário é mais confiável do que o filósofo!

“A vida orgânica, nós somos informados, desenvolveu-se gradualmente do protozoário ao filósofo, e este desenvolvimento, nós somos assegurados, é indubitavelmente um avanço. Infelizmente, é o filósofo, e não o protozoário, que nos dá esta certeza”. [1]

Pra quê esse ar de espanto com frase tão ‘brilhante’ de um dos maiores intelectuais do século 20? Afinal de contas, Darwin numa crise de desconfiança sobre a validade científica de sua teoria já não tinha dito que era meio difícil acreditar nas asserções de uma mente que evoluiu de seres tão primitivos???

Como aplicar essa Lógica Darwinista 101? O protozoário pode dizer alguma coisa relevante sobre a questão das origens e da evolução da vida? Se pode, por que não é ‘ouvido’ sobre tão importante questão? E para sermos ‘fiéis’ a Darwin, nós podemos confiar nas teorias científicas derivadas por mentes evoluídas de seres tão primitivos?

Pano rápido que a Lógica do crioulo doido darwinista deixa um mais do que ‘epistemologicamente encucado’...
NOTA:

[1] “Organic life, we are told, has developed gradually from the protozoon to the philosopher, and this development, we are assured, is indubitably an advance. Unfortunately it is the philosopher, not the protozoon, who gives us this assurance”.
Bertrand Russell (1872—1970), filósofo britânico e matemático, in Mysticism and Logic, ch. 6 (1917).

Darwin ‘Quixote de la Mancha’ e a Árvore da Vida: um moinho de vento?

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Nota da Nomenklatura científica: Este artigo pode provocar danos extremamente fatais para a manutenção epistêmica do fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução. Todos os esforços devem ser envidados para que ele não seja divulgado amplamente. Recomenda-se veementemente aos peer-reviewers a não aceitarem a menção deste trabalho controverso em futuras pesquisas e trabalhos.

A Grande Mídia, nossa garota-propaganda fiel, inocente útil, também já foi alertada para não dar destaque às implicações do artigo por razões óbvias: vai municiar os oponentes com evidências científicas devastadoras às especulações transformistas de Darwin. O nosso talão de notas promissórias epistemológicas está acabando, e não temos mais avalistas de renome para endossá-las.

Bem, chistes à parte, vamos ao que realmente interessa. O PNAS publicou no dia 29 de janeiro de 2007 o artigo “Pattern pluralism and the Tree of Life hypothesis” [Pluralismo padrão e a hipótese da Árvore da Vida – PDF gratuito] como parte da série especial de Artigos Inaugurais por membros da National Academy. Os autores são W. Ford Doolittle e Eric Bapteste.

Artigo Inaugural
Evolução
Pluralismo padrão e a hipótese da Árvore da Vida

(transferência lateral de gene | filogenia )
W. Ford Doolittle * e Eric Bapteste

Departmento de Bioquímica e Biologia Molecular, Dalhousie University, Halifax, NS, Canada B3H 1X5

Esta contribuição faz parte da série especial de Artigos Inaugurais por membros da National Academy of Sciences eleitos em 30 de abril de 2002.

Contribuído por W. Ford Doolittle, 5 de dezembro de 2006 (enviado para revisão por pares em 11 de novembro de 2006)

“Darwin afirmou que um padrão único inclusivamente hierárquico de relações entre todos os organismos baseado nas suas semelhanças e diferenças [a Árvore da Vida] era um fato da natureza, para o qual a evolução, e em particular o processo de ramificação de descendência com modificação era a explicação. Todavia, não há nenhuma evidência independente de que a ordem natural seja uma hierarquia inclusiva, e a incorporação dos procariotos na Árvore da Vida é especialmente problemática. As únicas séries de dados das quais nós podemos construir uma hierarquia universal incluindo os procariotos, as seqüências dos genes, freqüentemente discordam e raramente podem provar concordância. A estrutura hierárquica pode sempre ser imposta ou extraída de tais séries de dados por algoritmos planejados para assim fazerem, mas na sua base a Árvore da Vida universal repousa numa pressuposição não provada sobre o padrão que, dado o que nós sabemos sobre o processo, é improvável que seja amplamente verdade. Isso não significa dizer que as semelhanças e as diferenças entre os organismos não devam ser explicadas pelos mecanismos evolutivos, mas a descendência com modificação é somente um desses mecanismos, e um padrão de uma única árvore não é o resultado necessário (ou esperado) de sua operação coletiva. O pluralismo padrão (o reconhecimento que modelos e representações evolutivas diferentes ou em escalas diferentes ou para propósitos diferentes) é uma alternativa atraente para a busca quixotesca de uma única e verdadeira Árvore da Vida”. [1]

Traduzindo em miúdos e graúdos, Doolittle e Bapteste estão dizendo que não há nenhum padrão de árvore da vida nos genes. O melhor, oops o pior de tudo é que parece que as nossas mentes é que são responsáveis pela ‘imposição’ de padrões que, necessariamente, não está na natureza. Remando contra a síndrome dos soldadinhos-de-chumbo, os autores negam que o mecanismo proposto por Darwin seja o ‘explanandum’ para o ‘explanans’ do fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução. Então o que temos? Meramente um artifício heurístico que lançou os biólogos numa busca pelo estabelecimento da Árvore da Vida desde os tempos de Darwin.

Empirica, Empirice Tratanda. Não temos boas notícias aqui nesta área científica. Os dados em biologia molecular se recusam terminantemente a serem reunidos num padrão de Árvore da Vida conforme antecipado por Darwin. Os autores admitem isso com exemplos. O que Darwin queria associar — padrão e processo, a natureza se recusa em demonstrar: não pode ser feito. Para embolar o meio de campo evolutivo, os genomas de procariotos em particular, mostram grandes quantidades de transferência lateral de genes.

Uma acusação grave feita pelos autores é que as ferramentas utilizadas pelos filogenistas moleculares são ‘preparadas’ para produzirem árvores onde não existem árvores.

Por favor, me entendam. Não estou afirmando que agora Doolittle e Bapteste deixaram de ser evolucionistas de carteirinha. Muito pelo contrário. Eles continuam darwinistas ortodoxos, e como sempre em artigos assim, para livrar a cara dos autores perante a KGB da Nomenklatura científica, lá vem a famigerada macro Ctrl + críticos de Darwin = ignorantes que merecem ser criticados sem dó nem piedade: eles intencionalmente não entendem a questão.

Parem o bonde da Lógica Darwinista 101 que eu quero descer. Será que eles ‘intencionalmente’ não entendem as implicações do que acabaram de escrever? Se o padrão é imposto sobre os dados pelas nossas preconcepções, então não há razão para se pensar que os dados apóiam melhor a descendência comum do que uma ancestralidade limitada a partir de um ‘gargalo de garrafa’ genético recente.

Eis um trecho selecionado do meio do artigo:

“...Darwin não testou e nem podia testar a realidade do padrão de árvore. Na verdade, uma pessoa é pressionada a encontrar algum corpo de evidência livre de aspectos teóricos de que esse único padrão universal relacionando todas as formas de vida existe independentemente de nosso hábito de pensar que deveria existir. A noção de um padrão de árvore é o produto da indução, óbvia para qualquer observador inteligente, é desmentido pela maior parte do início da história da sistemática, durante o qual esquemas diferentes pareciam ser plenamente defensáveis.” [2]

Eu não sei o que a Nomenklatura científica e a Grande Mídia tupiniquins farão com essas implicações. Uma coisa eu sei — há sérias questões, estritamente fundamentais para a nova teoria geral da evolução que substituirá o neodarwinismo terá que considerar cum granum salis — uma delas é a Árvore da Vida de Darwin, o fato, Fato, FATO da evolução, oops a hipótese do ancestral comum FOI IMPOSTA e NÂO DERIVADA DOS DADOS, e isso precisa ser cientifica e objetivamente considerado. Pro bonum scientia!

Sem EXPLANANDUM, não há EXPLANANS. Darwin ‘Quixote de la Mancha’, e nós todos perseguindo um moinho de vento, oops uma miragem de Árvore da Vida???
[Sobre os ombros de dois gigantes, mais o Doolittle e Bapteste]

NOTAS:

[1] http://www.pnas.org/cgi/content/abstract/0610699104v1
Inaugural Article
Evolution
Pattern pluralism and the Tree of Life hypothesis
( lateral gene transfer | phylogeny )

W. Ford Doolittle * and Eric Bapteste
Department of Biochemistry and Molecular Biology, Dalhousie University, Halifax, NS, Canada B3H 1X5

This contribution is part of the special series of Inaugural Articles by members of the National Academy of Sciences elected on April 30, 2002.

Contributed by W. Ford Doolittle, December 5, 2006 (sent for review November 11, 2006)

“Darwin claimed that a unique inclusively hierarchical pattern of relationships between all organisms based on their similarities and differences [the Tree of Life (TOL)] was a fact of nature, for which evolution, and in particular a branching process of descent with modification, was the explanation. However, there is no independent evidence that the natural order is an inclusive hierarchy, and incorporation of prokaryotes into the TOL is especially problematic. The only data sets from which we might construct a universal hierarchy including prokaryotes, the sequences of genes, often disagree and can seldom be proven to agree. Hierarchical structure can always be imposed on or extracted from such data sets by algorithms designed to do so, but at its base the universal TOL rests on an unproven assumption about pattern that, given what we know about process, is unlikely to be broadly true. This is not to say that similarities and differences between organisms are not to be accounted for by evolutionary mechanisms, but descent with modification is only one of these mechanisms, and a single tree-like pattern is not the necessary (or expected) result of their collective operation. Pattern pluralism (the recognition that different evolutionary models and representations of relationships will be appropriate, and true, for different taxa or at different scales or for different purposes) is an attractive alternative to the quixotic pursuit of a single true TOL”.

Author contributions: W.F.D. and E.B. wrote the paper. The authors declare no conflict of interest. *To whom correspondence should be addressed: W. Ford Doolittle, E-mail: ford@dal.ca

[2] “...Darwin did not and could not test the reality of the tree pattern. Indeed, one is hard-pressed to find some theory-free body of evidence that such a single universal pattern relating all life forms exists independently of our habit of thinking that it should. The notion that a tree pattern is the product of induction, obvious to any intelligent observer, is belied by most of the early history of systematics, during which quite different schemes seemed
fully defensible.”

Explorando as formas evolutivas intermediárias tão-somente agora???

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Quando afirmo peremptoriamente neste blog que a teoria geral da evolução é um fato, Fato, FATO cientificamente ainda não bem explicado e não tão certo quanto a lei da gravidade e de que a Terra é redonda, a galera ultradarwinista esperneia, especialmente os meninos de Darwin. A Nomenklatura científica e a Grande Mídia Tupiniquim na sua relação incestuosa ficam na sua: mudas como pedras.

Alguns teóricos e proponentes da Teoria do Design Inteligente, inclusive este blogger, não temos, a princípio, dificuldades com a hipótese da ancestralidade comum. Michael Behe é um exemplo público disso [vide “A caixa preta de Darwin”, Rio de Janeiro, Zahar, 1997] [1]. Mas, a quantas anda realmente a questão dos elos imaginários, oops intermediários??? Darwin disse que isso era fatal à sua teoria da evolução pela seleção natural.

Vamos dar uma espiada no atual status do fato, Fato, FATO da evolução nesta questão de suficiência epistêmica de uma teoria científica?

David Tyler tem um pequeno artigo sobre a questão intitulado “Começando a explorar as formas evolutivas intermediárias”:

Elogiado como um artigo “progresso” pelos editores da revista científica Nature, um grupo de biólogos evolucionistas respondeu à “nossa ignorância atual dos intermediários” nas trajetórias das transformações evolutivas. O conceito chave é cenário adaptiva, um esquema desenvolvido por Wright em 1932. A diferença é que esses autores querem usar o conceito para “explorar a evolução passo-a-passo das funções moleculares.”

Eles reconhecem implicitamente que o cenário adaptivo está implícito na teoria (em vez de fruto de pesquisa empírica), porque de Darwin em diante, a evidência de intermediários como organismos movendo-se ao redor de uma paisagem adaptivo é tênue [SIC]. Eles escrevem: “Embora Darwin desenvolvesse um raciocínio convincente para a sua ausência, ele sabia que a falta de intermediários como prova deixa espaço para crítica". (Convém destacar que nem todo mundo considera convincente o raciocínio de Darwin para a ausência deles) [SIC].

Eles também comentam: “Na verdade, na sua oposição à evolução, os proponentes do ‘design inteligente’ lançaram mão de nossa ignorância atual sobre os intermediários.” [SIC ULTRA] O que deve ser afirmado é que os proponentes do DI não têm uma oposição generalizada à evolução! A mudança adaptiva ocorre e não é controversa. A verdadeira questão é se a mudança adaptiva leva a nova complexidade especificada e, em particular, a sistemas de complexidade irredutíveis. Além disso, os proponentes do DI não estão argumentando a partir de “nossa ignorância atual”, mas a partir de nosso conhecimento atual! [SIC ULTRA PLUS]

O que esta pesquisa atingiu? “A reconstrução experimental dos intermediários evolutivos e caminhos putativos forneceram uma primeira visão interessante em cenários moleculares adaptivos” [SIC ULTRA PLUS] e “Os sistemas moleculares até aqui detalhadamente considerados representam somente um começo, mas um começo com grande potencial para incentivar mais exploração”. Não há nenhuma indicação de que os sistemas moleculares sugeridos como sendo irredutivelmente complexos foi abordado nesta pesquisa. É realmente uma “primeira busca” e “somente um começo”. [SIC ULTRA PLUS] Talvez seja uma acusação aos biólogos evolucionistas de que levou tempo para perceberem que há desafios verdadeiros ao conceito de cenário adaptivo e que a pesquisa séria está somente nos seus estágios iniciais. [SIC ULTRA PLUS]

Empirical fitness landscapes reveal accessible evolutionary paths
Frank J. Poelwijk, Daniel J. Kiviet, Daniel M. Weinreich and Sander J. Tans
Nature, 445, 383-386 (25 January 2007) | doi:10.1038/nature05451

Abstract: “Quando tentando entender a evolução [SIC], nós tradicionalmente confiamos na análise de resultados evolutivos, apesar do fato de que intermediários não vistos [SIC ULTRA PLUS] determinam o seu curso. Um bom número de estudos recentes [SIC] começou a explorar essas formas evolutivas intermediárias, que podem ser reconstruídas no laboratório. Com esta primeira busca em cenários evolutivos empíricos [SIC ULTRA PLUS], nós podemos agora [SIC ULTRA PLUS] começar perguntando por quais caminhos evolutivos particulares são tomados”. [2]

NOTAS

[1] Um minuto para o comercial e desafio para os leitores deste blog: a Jorge Zahar Editor tem um patamar de, se não me engano, 300 exemplares/ano para que uma obra seja reeditada. Desafio os leitores a adquirirem este livro responsável pelo surgimento do Design Inteligente no Brasil, para que a Zahar reedite este livro tão importante que deveria estar em todas as bibliotecas de nossas universidades públicas e privadas.

[2] Empirical fitness landscapes reveal accessible evolutionary paths
Frank J. Poelwijk, Daniel J. Kiviet, Daniel M. Weinreich and Sander J. Tans
Nature, 445, 383-386 (25 January 2007) | doi:10.1038/nature05451

Abstract: When attempting to understand evolution, we traditionally rely on analysing evolutionary outcomes, despite the fact that unseen intermediates determine its course. A handful of recent studies has begun to explore these intermediate evolutionary forms, which can be reconstructed in the laboratory. With this first view on empirical evolutionary landscapes, we can now finally start asking why particular evolutionary paths are taken.

NOTA BENE: Todos os SIC e SIC ULTRA e SIC ULTRA PLUS foram adicionados por este blogger para realçar que o fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução não é assim uma Brastemp, e nem está, como dizem ad nauseam, realmente cientificamente ‘demonstrado’ assim como a lei da gravidade e a esfericidade da Terra.

Há muitas lacunas de evidências evolutivas não preenchidas que a ‘razão darwinista’ desconhece. Intencionalmente...

Bioturbação: Vruuum, vruuum, Kabóiiinnn, Presto: Explosão Cambriana!

domingo, janeiro 28, 2007

Gente, aquele grande problema insolúvel do abrupto surgimento de vida tão carinhosamente chamado de “Explosão Cambriana” foi finalmente esclarecido: o mecanismo evolutivo responsável foi a bioturbação!

Num artigo a ser publicado na Trends in Ecology and Evolution, Filip J.R. Meysman, Jack J. Middelburg e Carlo H.R. Heip, pesquisadores do Netherlands Institute of Ecology, sugerem que a bioturbação dos sedimentos teve um papel importante na explosão Cambriana.

Bioturbação, oops, engenharia do ecossistema é mais chique, quem diria, hein? Poderoso mecanismo evolutivo — Vruuum, vruuum, Kabóiiiinnn [Calvin e Hobbes], Presto: Explosão Cambriana!
“Bioturbation: a fresh look at Darwin’s last idea” [PDF]

Francis Collins e a ‘lógica do crioulo doido’ na revista VEJA: a Operação ‘Cavalo de Tróia’ em ação. Parte 3 de 3

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Eu vou tentar discorrer na parte mais subjetiva e ardilosa das perguntas feitas a Francis Collins sobre a sua subjetividade religiosa na entrevista de Gabriela Carelli.

A pergunta ‘Qual é a sua leitura da Bíblia’ era para a jornalista ter certeza em que topos epistêmico Collins poderia ser enquadrado — liberal ou ‘fundamentalista’. A Bíblia, como qualquer outro documento literário — o Origem das Espécies inclusive — pode ser lido e interpretado de várias maneiras: literal, figurativamente. O contexto literário é que determina a interpretação do texto.

Concordo com Collins de que há perigo de uma interpretação de textos de tradições religiosas terem uma única interpretação. Só que Agostinho é uma entre muitas vozes dentro da tradição cristã. Há quem pense o contrário de Agostinho, mas Collins saiu pela tangente.

Uma boa pergunta a Collins seria: ‘Como o sr. lê o Origem das Espécies?’ Ernst Mayr disse que o livro era muito confuso, e que a proposta de Darwin em explicar ‘a origem das espécies’ não surge em suas páginas. A leitura da ‘Bíblia da Evolução’ deve ser ‘literal’ ou ‘figurativa’? Como deve ser aceito ‘o dogma da transmutação’? Pela fé? Ou empiricamente confirmado? Afinal de contas, EMPIRICA, EMPIRICE TRATANDA — Das coisas empíricas, devem ser empiricamente consideradas!

Como Galileu, eu entendo que a Bíblia não como um livro científico — isto é, não diz como vão os céus, mas como se vai para o céu. Mas, é preciso mencionar que muitos dos fatos históricos bíblicos aqui e ali são confirmados pela arqueologia. As pedras confirmam os relatos do livro da tradição judaico-cristã, mas essas mesmas pedras continuam aqui e ali dizendo um sonoro NÃO às especulações transformistas de Darwin desde 1859. Essa é a leitura ‘literal’ que encontramos na literatura especializada. E também nas pedras... Que disparidade!

Não estou aqui esposando crença quanto à duração dos dias da criação — 6 dias de 24 horas, como se isso fosse um tremenda dificuldade para um Deus onipotente. Faço o raciocínio só para os ateus, agnósticos e céticos pensarem um pouco mais seriamente com os seus botões epistêmicos — uma leitura objetiva e desapaixonada da Bíblia vai mostrar muitos daqueles ‘milagres’ ocorrendo ‘instantaneamente’: água em vinho é um entre muitos que me vem à mente.

Até parece que a divindade, e aqui peço licença de mencionar o Nome, Deus se limitou, se despiu de sua onipotência ao relatar o ‘creatio ex-nihilo’ como tendo durado apenas 144 horas, quando poderia tê-lo feito como nas outras instâncias — VAPT, VUPT, instantaneamente! Isso na teologia cristã é chamado de ‘κενόσις’.
Collins se esqueceu de mencionar que as descobertas fundamentais da geologia, da cosmologia, da física, da química e da biologia, são revistas e descartadas quando novas evidências surgem contra ‘o consenso científico’. Hoje, o catastrofismo já não é mais tabu em geologia. Collins parece que não lê muito nesta área.

A pergunta ‘O senhor acredita na Ressurreição?’, é o mesmo que perguntar ‘O senhor acredita no invisível?’, ‘O senhor acredita em muliversos?’. Interessante, assisti em SP em 2006 um documentário sobre Mário Schemberg, e fiquei pasmo com a afirmação escatológica daquele grande físico brasileiro: “O invisível é que é real”, e que esse tipo de pergunta deveria ser permitido ser feita na Academia. Uau, há perguntas que não podem ser feitas na Academia! Imagina então afirmar que o invisível é que real! Até onde eu sei, Schemberg, judeu, era ateu e materialista, mas que permitia idéias assim serem discutidas na Academia. Pena que Schemberg não está mais conosco.

Gabriela Carelli perguntou depois se não era uma contradição um cientista acreditar em ‘dogmas e milagres’. Ora, Gabriela, hoje o que mais os cientistas acreditam é em ‘dogmas’ e ‘milagres’. O dogma central em biologia é a teoria geral da evolução, e o milagre é a seleção natural e os mecanismos evolutivos de A a Z agirem ao longo de longos períodos de tempo. Isso é ‘aceito pela fé’, oops a priori é mais chique, mas está no mesmo patamar heurístico — os materialistas estão cada vez mais falando como os criacionistas: não vimos e nem podemos ver esses eventos únicos acontecerem, mas os cientistas disseram que foi assim e ponto final.

Logo, um cientista teísta ou ateu acreditar em dogmas e milagres depende de como essas palavras são definidas pelos topos epistêmico e o nexus lingüístico dos interlocutores: faz parte do jogo. A definição de Deus dada por Collins, me desculpem os seus fãs cristãos e ateístas, é heterodoxa: está mais para ‘deísta’ do que ‘teísta’.

Chegamos à parte da entrevista que chamo de ‘Operação Cavalo de Tróia em ação’ — a tentativa dos darwinistas cooptarem os de concepções religiosas aceitarem as teorias de Darwin e Deus ao mesmo tempo.

Instado se é possível acreditar nas teorias de Darwin e em Deus ao mesmo tempo, Collins respondeu prontamente: “Com certeza”. O que mais me impressiona em Collins, é que ele se arroga conhecer a mente divina: “Se no começo dos tempos Deus escolheu usar o mecanismo da evolução para criar a diversidade de vida que existe no planeta, para produzir criaturas que à sua imagem tenham livre-arbítrio, alma e capacidade de discernir entre o bem e o mal, quem somos nós para dizer que ele não deveria ter criado o mundo dessa forma?”

Eu não conheço, e ninguém conhece a mente de Deus, se bem que Stephen Hawking disse ser possível, mas nós conhecemos a mente de Darwin — a idéia central da seleção natural é demonstrar como que aparência de design pode emergir de mudanças aleatórias sem design intencional ou ajuda externa: ‘Se eu fosse convencido de que eu precisaria de tais adições à teoria da seleção natural, eu rejeitaria isso como lixo’ [Não consigo lembrar a citação exata, mas é uma das cartas de Darwin a Lyell].
Assim como nós conhecemos também a mente de alguns darwinistas como George Gaylord Simpson: ‘Portanto, o homem é o resultado de processos naturais sem propósito que não o tinham em mente’ [The Meaning of Evolution, ed. rev. New Haven, Yale University Press, 1967, p. 345].

Onde será que Collins estudou Lógica? Darwin, que propôs a teoria geral da evolução disse que não precisa de ajuda externa. Os discípulos ortodoxos dizem que os processos naturais não tinham o homem em mente. Então, alguém me ajude aqui que estou tendo uma apoplexia lógica, como é então que esse Deus pode ‘guiar’ um processo que não é guiado e atélico conforme proposto por Darwin?

O problema do altruísmo — geneticamente definido como comportamento autodestrutivo realizado em favor de outros membros da espécie — é incompatível para o darwinismo não porque esse fenômeno seja encontrado apenas entre os humanos. Darwin disse que a seleção natural nada faria para produzir qualquer modificação numa espécie exclusivamente para o benefício de outra espécie.

Para complicar ainda mais a questão, se o altruísmo [um componente genético da natureza humana?] não se originou com a seleção natural, a teoria geral da evolução está em dificuldades [Obrigado, Gould], pois se os argumentos a favor do altruísmo forem corretos, os nossos muitos conceitos sobre seleção natural estão errados! [Obrigado, Dr. Prof. T. H. Frazetta, University of Illinois].

As idéias têm conseqüências, e as de Darwin podem sim serem usadas para difundir o ateísmo. Exemplo mor disso: o apóstolo ateu fundamentalista Richard Dawkins que se utiliza do darwinismo para propagar a fé do ateísmo numa cruzada mortal contra os de concepções religiosas. Tudo com um aval velado da Nomenklatura científica que nada faz para chamá-lo à chincha por usar indevidamente a nobre ciência darwinista na difusão de uma ideologia.

Quanto às muitas religiões serem contrárias ao uso de técnicas científicas que poderiam salvar vidas, como a do uso de células-tronco, Gabriela Carelli foi sutil em evitar a correta expressão — células-tronco embrionárias. Isso é intencional e diariamente feito na Grande Mídia para evitar chocar a opinião pública sobre a questão ética de se matar seres humanos. Francis Collins parece estar desinformado cientificamente sobre a questão: a suposta ‘miraculosidade onipotente’ das células-tronco embrionárias é uma gigantesca ‘nota promissória’ que os cientistas querem que os cidadãos comuns endossem por eles.

A posição de Collins nessa polêmica é dúbia — ele ataca os de concepções religiosas por serem contra a utilização de embriões humanos para uma terapia que ainda está no imaginário dos cientistas. Por outro lado, ele defende os teístas, afirmando que a clonagem humana é uma fronteira que a ciência não deve transpor. Onde foi mesmo que Collins estudou Lógica? O que é a terapia usando as células-tronco embrionárias? Não é clonagem humana? É o quê então?

Além disso, os radicais defensores dessa nova forma de Holocausto, não ousam dizer para o público leigo que o tratamento utilizando as células-tronco embrionárias será um tratamento médico não universal, e somente para os muito, mas muito ricos. Explico — hoje para se obter uma linhagem de células-tronco são necessários em torno de 260 óvulos. Um óvulo no mercado internacional para ser removido através de cirurgia invasiva custa em torno de US$ 4.000,00. Total: US$ 1.040.000,00 (Um milhão e quarenta mil dólares). Fora as despesas com os médicos, enfermeiras, laboratório. Não há no mundo INSS ou SUS que agüente um tratamento médico desses tão elitista.

Não são somente os geneticistas que são muitas vezes acusados de brincar de Deus. Os cientistas também. Há perigo nisso? Sim, porque os cientistas depois não têm controle sobre suas descobertas. Prova disso — a física nuclear que terminou gerando o horror de Hiroshima e Nagasaki. O público desconhecia da gravidade dessa linha de pesquisa científica. Somente os cientistas é que se posicionaram contra, mas mesmo assim cooperaram com o governo dos Estados Unidos por temerem que os alemães conseguissem a bomba atômica primeiro. Foi usada como ‘instrumento de persuasão’ para a rendição do Japão.

Quem nos garante será diferente com a eugenia pós-moderna? Oops bioengenharia é mais chique. Collins disse ‘Nosotros somos la garantia’, mas é preciso mais, muito mais ceticismo localizado da sociedade. Somos nós que pagamos os salários dessa turma. Barnabés. É preciso sim haver mais debate e controle público sobre essas questões éticas de algumas pesquisas científicas. Eles não são deuses.

Gabriela Carelli fez uma pergunta escatológica a Collins: O senhor acredita que Deus ouve suas preces e as atende? Eu vou fazer aqui o papel de advogado do Diabo. Collins disse que nunca ouviu Deus falar. Se tivesse, estaria internado num hospício. Mas, ele mencionou que algumas pessoas ouviram. Collins, afinal de contas, Deus fala ou não fala, ouve ou não ouve as preces?

É comovente a definição subjetiva dele sobre a comunicação ‘crente’ e ‘Deus’: não é caminho para manipular as intenções de Deus, é uma forma de entrarmos em contato com Ele, e nesse processo, os ‘crentes’ aprendem coisas sobre eles mesmos e sobre as suas motivações.

Ainda no meu papel de advogado do Diabo vou definir aqui o que é ser ‘fundamentalista’ na pós-moderrnidade. Um fundamentalista é alguém que acredita na existência objetiva de Deus, nos textos sagrados como sendo revelatio ex Deo aos homens, que Deus fala, se relaciona e responde às preces de suas criaturas, e que suas injunções éticas têm jurisdição sobre os crentes. Por favor, me perdoem os que são cristãos, mas para mim o exemplo mor de fundamentalista é Jesus Cristo.

Eis como o relato sagrado dos que são cristãos descreve o angst de Jesus, o Fundamentalista, diante de uma situação profundamente humana e escatológica — a morte do seu amigo Lázaro:

‘E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora”. Evangelho de São João 11.41-43

NOTA BENE: Os que não conhecem a História da Ciência estão condenados a repeti-la (Santayana???). Não se esqueçam de St. George Jackson Mivart (1827-1900), ele foi o primeiro evolucionista teísta expulso do círculo darwinista por razões científicas e extracientíficas. Essa tentativa dos darwinistas em cooptar os de concepções teístas para a Igreja de Darwin está fadada a repetir a história: é possível ser darwinista e teísta, mas um teísta não pode ser darwinista. A História da Ciência já demonstrou isso em 1871.

EXTRA! EXTRA! Por essa Darwin não esperava: Lamarck redivivus

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Fiquei surpreso com o intrigante artigo Biology’s next revolution [A próxima revolução da biologia] de Nigel Goldenfeld [1] e Carl Woese [2], publicado online na revista Nature 445, 369 (25 de janeiro de 2007) | doi:10.1038/445369ª no dia 24 de janeiro de 2007.

Mais surpreso mesmo eu fiquei com a abertura do artigo:

“A figura emergente de micróbios como coletivos de troca de genes exige uma revisão de tais conceitos como organismo, espécies e a própria evolução”. [3]

Caracas, meu! Nota bene: exige uma revisão daqueles conceitos e da própria evolução. Um momento, parem o bonde darwiniano que eu quero descer! Eu fui, você foi, nós fomos, e os atuais alunos do ensino médio e universitário continuam sendo doutrinados, oops, ensinados que a evolução é um fato, Fato, FATO científico inquestionavelmente estabelecido assim como a Terra é redonda e a lei da gravidade funciona aqui e em qualquer parte do universo, e agora vem esse Goldenfeld e um tal de Woese dizer que diante dessas evidência é mister rever a evolução??? Porpeta, meu, esses ‘caras’ estão em maus lençóis maranhenses, oops darwinianos...

O que nos doutrinaram, oops ensinaram está se mostrando cada vez mais FALSO — a evolução REALMENTE é um fato, Fato, FATO científico que ainda não foi satisfatoriamente estabelecido. Desde o tempo de Darwin... Mas, gafanhoto, o que são apenas quase 150 anos diante das vastas eras cósmicas necessárias para que o fato, Fato, FATO da evolução ocorra? [Mestre Yoda].

Os autores destacam que os padrões mais fundamentais de descoberta científica é a revolução no pensamento que acompanha um novo corpo de dados: a astronomia baseada em satélites durante a década passada derrubou as nossas mais queridas idéias de cosmologia, especialmente aquela relativas ao tamanho, dinêmica e composição do universo.

Trocado em miúdos, Goldenfeld e Woese estão subliminarmente dizendo que a Astrofísica [uma ciência mais exata do que a Biologia evolutiva] derrubou as antigas idéias científicas do paradigma dominante. Eles têm esperança de que isso também ocorra em Biologia evolutiva.

Razão? É a convergência de ‘novas idéias teóricas’ em evolução bem como a AVALANCHE de dados genômicos que, segundo os autores, ‘irão alterar PROFUNDAMENTE o nosso entendimento da biosfera — e provavelmente vai resultar na revisão de conceitos tais como espécies, organismo e evolução’. Uau, eu fiquei pulando de alegria — o anta do Enézio, o simples professorzinho do ensino médio, tradutor científico, crente da Terra plana, e otras cositas mais, sendo vindicado por dois cientistas de renome. E artigo publicado na não menos famosa revista científica Nature!

No artigo “Biology’s next revolution” [A próxima revolução da biologia] Goldenfeld e Woese explicam por que eles predizem essa dramática transformação, e por que acreditam que o REDUCIONISMO MOLECULAR que dominou a biologia do século 20 vais ser suplantada por uma abordagem interdisciplinária que abrange fenômenos coletivos. Porca miseria, meu, vamos dar adeus à tese ‘Dawkins-gene-egoísta’???

E onde começa essa revolução biológica? Ela começa na área do ‘horizontal gene transfer’ — transferência lateral de gene (HGT), a transferência não genealógica de material genético de um organismo para o outro — por exemplo, de uma bactéria para outra, ou de vírus para bactérias.

Goldenfeld e Woese destacam que a HGT é muito difundida e poderosa em micróbios. Exemplo: a aceleração da resistência antibiótica. Segundo os autores, devido à HGT, não é uma boa comparação considerar os micróbios como organismos dominados por características individuais. Razão? As comunicações ali realizadas pelos canais genéticos indicam que o comportamento microbiano deve ser entendido como predominantemente cooperativo.

Na natureza, os micróbios formam comunidades, invadem os nichos bioquímicos e participam de ciclos biogeoquímicos. Goldenfeld e Woese salientam que pesquisas disponíveis indicam fortemente que os micróbios absorvem e descartam genes quando necessário, em resposta ao seu ambiente. Em vez de genomas separados, o que se vê é um continuum de possibilidades genômicas. Isso, segundo os autores, levanta dúvida sobre A VALIDADE DO CONCEITO DE ‘ESPÉCIE’ quando estendido à esfera microbiana.

Agüenta firma que lá vem míssil Exocet epistemológico sobre a casamata darwinista: os micróbios, os mascotes da evolução darwinista, vão assistir à evolução da sua nomenclatura como espécie??? Calma aí, galera ultradarwinista, meninos de Darwin. Goldenfeld e Woese explicam que isso se faz necessário devido à INUTILIDADE do conceito de espécie diante das recentes incursões em metagenômica — o estudo de genomas recuperados de amostras naturais em contraposição às culturas clonais. Um exemplo que eles destacam são os estudos da distribuição espacial dos genes de rodopsina em micróbios marinhos sugerindo que eles são genes ‘cosmopolitanos’ vagando entre as bactérias (ou arquéia) conforme dita a pressão ambiental.

Atenção ambientalistas, boas novas interessantes — Goldenfeld e Woese afirmam que os vírus têm um papel fundamental na biosfera, tanto nos sentidos evolutivos imediatos e de longo termo: os vírus seriam uma espécie de depósito e memória importantes da informação genética de uma população. Isso contribuiria para a dinâmica e estabilidade evolutivas do sistema. A destruição da célula e a replicação viral é um mecanismo poderoso para dispersão do hospedeiro e dos genes viróticos.

Segundo os autores, está ficando claro que os micro-organismos têm uma capacidade impressionante de RECONSTRUÍREM [SIC – INTELIGÊNCIA???] os seus genomas diante de estresses ambientais horrendos, e que em alguns casos as suas interações coletivas com os vírus podem ser crucial para isso. Diante de tal situação, eles se perguntam, qula é a validade do conceito de um organismo isolado? O eu parece haver é uma continuidade de fluxo de energia e transferência de informação de um genoma através das células, da comunidade, da viroesfera e do ambiente. Eles vão mais além ao sugerirem que a definição característica de vida é a forte dependência no fluxo do ambiente — seja energia, elementos químicos, metabólitos ou genes.

Trocado em graúdos, o que tudo isso implica? Segundo Goldenfeld e Woese, em nenhum outro lugar da ciência as implicações dos fenômenos coletivos, mediados por HGT, tão difundidos e importantes do que na EVOLUÇÃO. A biologia, apesar de muitos cientistas baterem os pés feitos meninos fazendo birra e negando o fato, é hoje uma ciência de informação. Os autores sabem disso e usaram a analogia do cientista de computação [lembra do Bill Gates? O DNA é um software muito mais complexo do que qualquer software que nós inventamos???] nomeando o aparato de tradução da célula (usado para converter a informação genética em proteínas) de ‘sistema operacional’ [argh, isso é como cometer um assassinato!] através do qual toda a inovação é comunicada e realizada.

Durma-se com um barulho desses teleológicos [argh, isso é como cometer um genocídio!] — o papel fundamental da tradução, representada em particular pelo código genético, é demonstrado através da claramente otimização documentada do código. Uau, como que a seleção natural e outros mecanismos evolutivos de A a Z puderam ‘vislumbrar’ tamanha teleologia. Eles leram Behe e Dembski há bilhões de anos atrás!!!

Não vou falar, não vou falar, não vou falar! Vou falar!!! Antes, examine o seu coração, a pressão, sente-se numa cadeira bem confortável, respire bem fundo, veja se a sua apólice de seguro de vida está em dia, se as dívidas estão todas pagas, se não há nada para se desculpar. Está de bem com a vida?

O papel especial do código genético em qualquer forma de vida, segundo Goldenfeld e Woese leva à surpreendente predição de que a vida primeva evoluiu de modo lamarckiano, com a descendência vertical marginalizada pelas formas primevas mais poderosas de HGT. Por essa Darwin não esperava: Lamarck redivivus!

Agora o bicho vai pegar forte, oops, os autores vão trazer as suas ilações a um nível mais desafiador. Segundo eles, um refinamento através do compartilhamento horizontal de inovações genéticas teria detonado uma explosão de novidade genética, até que o nível de complexidade exigiu uma transição até a era atual de evolução vertical. Trocando em miúdos e graúdos, os autores LAMENTAM a CONCATENAÇÃO CONVENCIONAL DO NOME DE DARWIN COM A EVOLUÇÃO porque outras modalidades também devem ser consideradas [argh! isso é como cometer uma blasfêmia!!!]. Será que dá para o Design Inteligente ser agora considerado com mais seriedade pela Nomenklatura científica e pela Grande Mídia Tupiniquim???

Goldenfeld e Woese entendem que hoje é um tempo extraordinário para a biologia, porque a perspectiva que eles indicaram coloca a biologia num contexto que deve envolver necessariamente outras disciplinas que se apercebem mais da importância dos fenômenos coletivos. Quer dizer, vocês vão ter sair da redoma, da torre de marfim e enfrentar a realidade das evidências encontradas na natureza. E dizer o que elas dizem.

Além disso, eles salientaram que as perguntas sugeridas pela energia genérica, a informação e o fluxo de gene que eles aludiram, provavelmente vão requerer resolução no espírito da mecânica estatística e na teoria dos sistemas dinâmicos. E o que ciência qua ciência ganah com isso? É que com o tempo, a atual abordagem de modelação post-hoc será SUBSTITUÍDA pela atuação recíproca entre a predição quantitativa e teste experimental que, para ciúme dos biólogos, hoje em dia é mais característica das ciências físicas. EMPIRICA, EMPIRICE TRATANDA! Das coisas empíricas, considerações empíricas! Nada de ‘just-so-stories’ [estórias da carochinha — Gould]!

Goldenfeld e Woese destacaram que algumas vezes a linguagem expressa a ignorância em vez de conhecimento. Exemplo? A palavra ‘procarioto’, agora suplantada pelos termos arquéia e bactéria. Os autores predizem que na biologia, novos conceitos vão exigir uma nova linguagem [teleológica???], baseada na matemática [teoria da probabilidade ou da informação – Dembski vindicado?] e nas descobertas emergindo dos dados que eles deram destaque no seu artigo.

Interessante a citação com a qual concluíram seu artigo. Durante uma revolução científica anterior, Antoine Lavoisier observou que o progresso científico, como a evolução, deve superar um desafio de comunicação: “Nós não podemos incrementar a linguagem de qualquer ciência sem que ao mesmo tempo incrementar a própria ciência; nem nós podemos, do outro lado, incrementar a ciência sem incrementar a linguagem ou a nomenclatura que lhe pertence". A Biologia, concluem os autores, está para enfrentar esse desafio.

Se algumas crenças darwinistas ortodoxas estão erradas, alguém pode muito bem perguntar — e o que está certo? Considerando-se a liberalidade epistemológica de Goldenfeld e Woese, o Design Inteligente se apresenta como uma possibilidade para qualquer investigador não preconceituoso.

E ainda têm a cara de pau de dizer que a teoria da evolução não está em crise, não exige revisão, muito menos descarte ou mudança de paradigma. Em que mundo vocês vivem? Em Darwinlândia? Vamos esperar para ver qual ‘revelação inspirada’ os sacerdotes de Darwin com os seus oráculos irão nos apresentar dessa vez no dia 12 de fevereiro de 2007 e em 2009.

[1] Nigel Goldenfeld, Department of Physics and Institute for Genomic Biology, University of Illinois at Urbana-Champaign, 1110 West Green Street, Urbana, Illinois 61801, USA.

[2] Carl Woese, Department of Microbiology and Institute for Genomic Biology, 601 South Goodwin Avenue, Urbana, Illinois 61801, USA

[3] “The emerging picture of microbes as gene-swapping collectives demands a revision of such concepts as organism, species and evolution itself”

Leitura subsidiária
Frigaard, N., Martinez, A., Mincer, T. & DeLong, E. Nature 439, 847–850 (2006).

Sullivan, M. et al. PLoS Biol. 4, e234 (2006).

Pedulla, M. et al. Cell 113, 171–182 (2003).

Vetsigian, K., Woese, C. & Goldenfeld, N. Proc. Natl Acad. Sci. USA 103, 10696–10701 (2006).

O tamanho da tendência do debate mundial ‘Darwin e Design Inteligente’ por meios não oficiais

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Ziraldo, cartunista e escritor brasileiro de grande perspicácia, disse ser possível conhecer a verdade através de ‘meios não oficiais’. Nada mais verossímil. Os mapas abaixo revelam: o tamanho da audiência indica haver um interesse no atual debate ‘Darwin e Design Inteligente’. Esses leitores estão ganhando acesso à verdade da tendência do debate por meios não oficiais: a Internet.

A audiência é de somente dois sites, um nos Estados Unidos e o outro no Brasil. Clique nos links para uma melhor visualização:


http://clustrmaps.com/counter/maps.php?url=http://www.arn.org


http://clustrmaps.com/counter/maps.php?url=http://pos-darwinista.blogspot.com

No artigo A tendência do debate ‘Darwin e Design Inteligente’ na Folha de São Paulo: não há debate! a frase em francês Chassez la verité, elle revient au galop, oops au tsunami! significa: Expulsem a verdade, ela virá a galope, oops no tsunami!

A Grande Mídia em Pindorama teima não enxergar isso. Por razões que nós sabemos e aqui pontuamos: uma relação incestuosa com a Nomenklatura científica. E eles se acham ‘livres pensadores’, objetivos e não atrelados a nenhuma agenda, e otras cositas mais. Nada mais falso. A agenda é ideológica [naturalismo filosófico] de ambas as partes.

Francis Collins e a ‘lógica do crioulo doido’ na revista VEJA: a Operação ‘Cavalo de Tróia’ em ação. Parte 2 de 3

Gabriela Carelli menciona corretamente que Collins pertence a uma estirpe rara de cientistas comprometidos com a investigação do mundo natural sem o impedimento da profissão da fé religiosa. Desde quando acreditar ou não em Deus é condição sine qua non para ser um bom cientista? O que qualifica um bom cientista é seguir as evidências, não importa aonde elas forem dar. Ser ateu ou teísta é um apêndice insignificante à prática da ciência normal.

A reação de Collins às críticas de seus colegas ateus é compreensível. Isso também acontece amiúde na Nomenklatura científica em Pindorama. O que Collins relata no seu livro The Language of God (A Linguagem de Deus) é a sua experiência subjetiva religiosa cristã. Collins, ex-ateu se revela um cristão heterodoxo – está mais para deísta do que teísta. Ao narrar as suas dificuldades que enfrentou no meio acadêmico ao revelar sua fé, é o que tenho denunciado aqui em relação ao que acontece com alunos e professores em nossas universidades públicas e privadas: inquisição sem fogueiras, ‘patrulhamento ideológico’, e às vezes até a execração pública pelos rotweillers ateus de Darwin.

Por que eu bato aqui nessa turma sem dó nem piedade? É porque eu fui ateu e sei do que estou falando. Os ateus pós-modernos são intransigentes e fundamentalistas. Bato neles porque não admitem outros discursos. Seja na Nomenklatura científica ou na Grande Mídia. Bato neles para a promoção de se respirar a liberdade nos debates de idéias em nossos campi e na mídia. Eles é que são pessoas execráveis. Não tenho medo dessa ‘raça superior’.

Ao afirmar que as sociedades precisam tanto da ciência como da religião porque elas não são incompatíveis, mas complementares, Collins cai no princípio NOMA proposto por Stephen Jay Gould de que não deveria haver conflito entre a ciência e a religião:

“porque cada área tem um magistério legítimo, ou domínio de ensino com autoridade —e esses magistérios não se sobrepõem (o princípio que eu quero designar de NOMA, ou ‘magistérios não sobrepostos’). A rede da ciência cobre o universo empírico... A rede da religião se estende sobre as questões de significado e valor moral”. [1]

Traduzido em miúdos: o mundo da realidade objetiva pertence à ciência enquanto que a religião fica confinada à área dos sentimentos subjetivos e da imaginação. A NOMA de Gould é um convite para os teístas se renderem definitivamente —somente a ciência define a realidade. Ponto final.

Quando Collins afirma que a ciência e a religião são complementares, ele demonstra que já se rendeu à NOMA de Gould: a ciência e a religião são duas formas de verdade diferentes, separadas, mas complementares. Seriam iguais? A concepção religiosa cristã que Collins diz ser persuadido afirma: “No princípio Deus criou os céus e a Terra” [2] Gould persuadido pelas teses darwinistas escreveu: “A biologia tirou o nosso status de modelos criados à imagem de Deus”. [3]

Onde está a verdade? A NOMA de Gould é ilógica, pois a evolução não é incompatível com a religião, desde que esta religião seja a evolução.

A entrevista segue com Collins descrevendo sua conversão de ateísmo insolente ao cristianismo, e o que fez mudar suas convicções:

“Houve um período em minha vida em que era conveniente não acreditar em Deus. Eu era jovem, e a física, a química e a matemática pareciam ter todas as respostas para os mistérios da vida. Reduzir tudo a equações era uma forma de exercer total controle sobre meu mundo. Percebi que a ciência não substitui a religião quando ingressei na faculdade de medicina. Vi pessoas sofrendo de males terríveis. Uma delas, depois de me contar sobre sua fé e como conseguia forças para lutar contra a doença, perguntou-me em que eu acreditava. Disse a ela que não acreditava em nada. Pareceu-me uma resposta vaga, uma frase feita de um cientista ingênuo que se achava capaz de tirar conclusões sobre um assunto tão profundo e negar a evidência de que existe algo maior do que equações. Eu tinha 27 anos. Não passava de um rapaz insolente. Estava negando a possibilidade de haver algo capaz de explicar questões para as quais nunca encontramos respostas, mas que movem o mundo e fazem as pessoas superar desafios”.

As questões para as quais Collins não encontrava respostas eram questões filosóficas que transcendem a ciência, que fazem parte da existência humana. Ele considera a visão dos cientistas ateus como uma visão empobrecida sobre perguntas que todos os humanos fazem diariamente: “O que acontece depois da morte?” ou “Qual é o motivo de eu estar aqui?”.

Diferentemente de Dawkins que recentemente assinou uma petição pedindo a proibição do ensino de religião aos menores de 16 anos pelos pais [depois voltou atrás devido à pressão da opinião pública], Collins afirma que não é certo negar aos seres humanos o direito de acreditar na cosmovisão das concepções religiosas, que esse lado filosófico da fé é uma das facetas mais importantes da religião, e que a busca por Deus sempre esteve presente na história e foi necessária para o progresso.

Ele lembrou ainda que as civilizações que tentaram recentemente suprimir a fé e justificar a vida exclusivamente por meio da ciência (a União Soviética de Stalin e a China de Mão) falharam. Para Collins, nós precisamos da ciência para entender o mundo e usar esse conhecimento para melhorar as condições humanas, mas a ciência deve permanecer em silêncio nos assuntos espirituais.

Destaco aqui a pergunta inteligente de Gabriela Carelli e a resposta de Francis Collins:

Veja – A maioria dos cientistas argumenta que a crença em Deus é irracional e incompatível com as descobertas científicas. O zoólogo Richard Dawkins, com quem o senhor trava um embate filosófico sobre o tema, diz que a religião é a válvula de escape do homem, o vírus da mente. Como o senhor responde a isso?

Collins – Essa perspectiva de Dawkins é cheia de presunção. Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas. Os cientistas ateus, que acreditam apenas na teoria da evolução e negam todo o resto, sofrem de excesso de confiança. Na visão desses cientistas, hoje adquirimos tanta sabedoria a respeito da evolução e de como a vida se formou que simplesmente não precisamos mais de Deus. O que deve ficar claro é que as sociedades necessitam tanto da religião como da ciência. Elas não são incompatíveis, mas sim complementares. A ciência investiga o mundo natural. Deus pertence a outra esfera. Deus está fora do mundo natural. Usar as ferramentas da ciência para discutir religião é uma atitude imprópria e equivocada. No ano passado foram lançados vários livros de cientistas renomados, como Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, que atacam a religião sem nenhum propósito. É uma ofensa àqueles que têm fé e respeitam a ciência. Em vez de blasfemarem, esses cientistas deveriam trabalhar para elucidar os mistérios que ainda existem. É o que nos cabe”.

>>> Somente um comentário: Por todas as medidas científicas objetivas, Collins é um cientista muito melhor do que alguém como Daniel Dennett, Richard Dawkins e Sam Harris. Mas, será que Sam Harris, um judeu ateu, é de fato um cientista renomado???
Vide a biografia de Sam Harris pelo próprio http://www.samharris.org/site/about: Ele é formado em Filosofia pela Stanford University, e estudou as tradições religiosas orientais e ocidentais, bem como uma variedade de disciplinas de contemplação por vinte anos. O sr. Harris está completando um doutorado em neurociência.

Sam Harris ainda estuda ‘religião’ e ciência:
http://www.huffingtonpost.com/sam-harris/a-contemplative-science_b_15024.html

Mas logo em seguida, a brilhante jornalista da VEJA ‘pisa na bola’ da História ao fazer a seguinte pergunta:

Veja – O senhor afirma que as sociedades precisam da religião, mas como justificar as barbaridades cometidas em nome de Deus através da história?

Collins – Apesar de tudo o que já aconteceu, coisas maravilhosas foram feitas em nome da religião. Pense em Madre Teresa de Calcutá ou em William Wilberforce, o cristão inglês que passou a vida lutando contra a escravatura. O problema é que a água pura da fé religiosa circula nas veias defeituosas e enferrujadas dos seres humanos, o que às vezes a torna turva. Isso não significa que os princípios estejam errados, apenas que determinadas pessoas usam esses princípios de forma inadequada para justificar suas ações. A religião é um veículo da fé – essa, sim, imprescindível para a humanidade.

>>> Gabriela, talvez você desconheça a existência do livro O Livro Negro do Comunismo que relata o genocídio praticado pelos ateus: mais de 100 milhões de pessoas foram mortas por uma ideologia que nega a existência de Deus. Além disso, que tal a VEJA abordar isso numa reportagem histórica especial? Afinal de contas, os ateus mataram muito mais pessoas do que todas as guerras religiosamente motivadas. Eu se fosse ateu, enfiava a viola no saco, e não argumentava mais assim.

Veja – O senhor diz que a ciência e a religião convergem, mas devem ser tratadas separadamente. Como vê o movimento do "design inteligente", em que cientistas usam a religião para explicar fatos da natureza que permanecem um mistério para a ciência?

Collins – Essa abordagem é um grande erro. Os cientistas não podem cair na armadilha a que chamo de "lacuna divina". Lamento que o movimento do design inteligente tenha caído nessa cilada ao usar o argumento de que a evolução não explica estruturas tão complicadas como as células ou o olho humano. É dever de todos os cientistas, inclusive dos que têm fé, tentar encontrar explicações racionais para tudo o que existe. Todos os sistemas complexos citados pelo design inteligente – o mais citado é o "bacterial flagellum", um pequeno motor externo que permite à bactéria se mover nos líquidos – são um conjunto de trinta proteínas. Podemos juntar artificialmente essas trinta proteínas, que nada vai acontecer. Isso porque esses mecanismos se formaram gradualmente através do recrutamento de outros componentes. No curso de longos períodos de tempo, as máquinas moleculares se desenvolveram por meio do processo que Darwin vislumbrou, ou seja, a evolução.

>>> Esta parte nós já respondemos no blog “A revista VEJA, Gabriele Carelli e o Ctrl + Alt + Design Inteligente = religião”
http://pos-darwinista.blogspot.com/2007/01/revista-veja-gabriele-carelli-e-o-cntrl.html

Como se vê, Collins não é cristão ortodoxo, nem tampouco darwinista ortodoxo. Sua mais recente intervenção sobre essa questão de ‘complementaridade’ pode ser lida na revista Christianity Today: ele sugere o meio termo.

http://www.christianitytoday.com/ct/2007/january/32.62.html
Eu não queria estar na pele do Collins — ele vai levar chumbo de tudo quanto é lado. Mas, quem está na chuva é para se queimar (Vicente Matheus, saudoso presidente do meu Corinthians!).

NOTAS:

[1] “because each subject has a legitimate magisterium, or domain of teaching authority —and these magisteria do not overlap (the principle that I would like to designate NOMA, or ‘nonoverlapping magisteria’). The net of science covers the empirical universe... The net of religion extends over questions of moral meaning and value”. GOULD, Stephen Jay, “Nonoverlapping Magisteria”, in Natural History 106 (March 1997): 16-22. Estava disponível online em: http://www.stephenjaygould.or/library/gould_noma.html

[2] Gênesis 1.1

[3] “Biology took away our status as paragons created in the image of God”, in Ever Since Darwin, Nova York, Simons & Schuster, 1979, pp. 216-17.

A tendência do debate ‘Darwin e Design Inteligente’ na Folha de São Paulo: não há debate!

terça-feira, janeiro 23, 2007

Segundo Marcelo Beraba, a Folha de São Paulo editou 728 artigos na seção “Tendências/Debates” em 2006. Aquele é ‘o espaço nobre do jornal para a publicação de contribuições de intelectuais e especialistas... espaço onde a diversidade de analistas e pontos de vista tem de ter mais evidência’. [1]

Daqueles 728 artigos, 215 (cerca de 30%) abordaram a política nacional, 57 o judiciário, 47 a política internacional, 46 a economia, 45 a área social, 42 a educação, 41 a segurança pública, 29 discussões sobre gênero e etnia, 27 a saúde, 24 a religião, e 20 sobre a cultura.

Engraçado, nenhum sobre ciência. Especialmente o debate entre Darwin e o Design Inteligente. Desde 1998 destaco para os ombudsman da FSP as insuficiências epistêmicas fundamentais do neodarwinismo que demandam sua revisão ou simples descarte, e da teoria do Design Inteligente que se oferece como melhor explicação de alguns eventos no universo.

Não somos ouvidos. Somos sempre descaracterizados pelos outros. Onde então o princípio do pluralismo? Ora, o princípio do pluralismo que se dane. Marcelo Leite, da FSP, disse: “Não damos espaço”.

O Ziraldo ‘falou e disse’: conhecereis a verdade por meios não oficiais! Ele é a inspiração da minha paráfrase ousada e desafiadora abaixo:

“Conhecer por meios não oficiais a insuficiência epistêmica de uma teoria científica,* e a existência de teorias alternativas é a melhor maneira de o estudante entender por si mesmo como a Nomenklatura científica e a Grande Mídia tupiniquins intencional e diariamente subtraem essas informações do conhecimento público. Um violento atentado à sua cidadania – direito à informação, à sua formação acadêmica, e ao avanço da ciência. O nome disso é desonestidade acadêmica e jornalismo científico fajuto”. [2]

Ninguém pode esconder a verdade, nem impedi-la de circular livremente. Mesmo que momentaneamente amordaçada, aviltada, distorcida e estropiada, ela sempre vem à tona. Aos borbotões, como violento tsunami. Ai dos poderosos de plantão, dos guarda-cancelas epistemológicos, que fazem de tudo para suprimi-la injustamente dos demais. Serão varridos vergonhosamente para a lata do lixo histórico da ciência e do jornalismo. Não sentiremos saudades.

Chassez la verité, elle revient au galop, oops au tsunami! Mesmo que por meios não oficiais!

* Na física, as suas teorias científicas [suas leis são mais exatas] são livremente discutidas pela Academia e pela Grande Mídia. Suas teorias aqui e ali são revisadas e descartadas. Enquanto isso, na biologia [não tem leis exatas], o neodarwinismo não é discutido livremente e sem sanções na Academia e nem na Grande Mídia, mesmo sabendo que as suas insuficiências heurísticas já demandam simplesmente a sua revisão ou descarte desde 1980. Qual a razão disso? Impedimento científico ou ideológico?

[1] Folha de São Paulo, Brasil, 21/01/2007, p. A8

[2] “Conhecer por meios não oficiais a história de um país é a melhor maneira do cidadão entender não só a si mesmo como a sua relação com o país onde vive”. Ziraldo, cartunista e escritor brasileiro.