Quando neste blog eu afirmo existir crise paradigmática, e controvérsia na literatura especializada sobre aspectos fundamentais da teoria geral da evolução, os darwinistas ortodoxos, fundamentalistas xiitas, especialmente a galera dos meninos e meninas de Darwin atrelados ao dogma central da Nomenklatura científica — Darwin locuta, evolutio finita, mais a Grande Mídia tupiniquim que vive uma relação incestuosa com os adeptos do guru de Down, sofre da síndrome ricuperiana — o que Darwin tem de bom, a gente mostra; o que Darwin tem de ruim, a gente esconde.
Aqui neste blog, a gente mata a cobra e mostra o pau! Tem sido assim desde o começo. Então vejamos se existe realmente essa tal de “controvérsia científica” sobre se o acúmulo de microevolução resulta em macroevolução.
Quando Charles Robert Darwin publicou o opus magnum Origem das Espécies [na verdade é um abstract] em 1859, já era conhecido que as espécies existentes podem mudar ao longo do tempo. Isto é a base do cruzamento artificial praticado há milhares de anos. Darwin e seus contemporâneos também eram bastante familiares com o registro fóssil para saberem que grandes transformações em coisas vivas tinham ocorrido ao longo do tempo geológico. A teoria de Darwin é que um processo análogo ao do cruzamento artificial também ocorreria na natureza; ele chamou esse processo de seleção natural. A teoria também afirma que as mudanças nas espécies existentes devido principalmente à seleção natural, se for dado tempo suficiente, produz grandes mudanças que nós observamos no registro fóssil.
NOTA DESTE BLOGGER: Há historiadores de renome, mas eles são minoria na historiografia da ciência mainstream, que demonstram por fontes primárias sólidas que outros cientistas, já tinham enunciado o conceito de seleção natural antes de Darwin, e que ele somente reconheceu isso a contragosto no seu esboço histórico que sai somente na 3ª. edição do Origem das Espécies. Há outros também que consideram Darwin um plagiador da teoria da evolução pela seleção natural de Alfred Wallace Russel. Um dia desses eu conto esta história do lado “cinzento” do Grande Timoneiro da Evolução, através da pena de um darwinista honesto que foi “provost” de renomada universidade pública americana.
Após Darwin, o primeiro fenômeno (mudanças dentro de uma espécie existente ou pool genético) foi denominado de “microevolução.” Há evidência abundante de que mudanças podem ocorrer dentro de espécies existentes, tanto doméstica quanto em estado selvagem, assim, a microevolução não é controversa.
O segundo fenômeno (mudanças de grande escala ao longo do tempo geológico) foi denominado de “macroevolução”, e a teoria de Darwin de que o primeiro processo pode ser responsável pelo segundo foi controverso desde o princípio. Muitos biólogos durante e após o tempo de Darwin questionaram e questionam se a contraparte natural do cruzamento doméstico poderia fazer o que o cruzamento doméstico nunca fez, isto é, produzir novas espécies, órgãos, e planos corporais.
Nas primeiras décadas do século XX, o ceticismo sobre este aspecto da teoria geral da evolução foi tão forte que a teoria de Darwin entrou em eclipse. (Vide o cap. 9 do livro de Peter Bowler, Evolution: The History of an Idea, Berkeley, University of California Press, 3ª. ed. completamente revisada, 2003.
Nos anos 1930s, os “neodarwinistas” propuseram que as mutações genéticas (sobre as quais Darwin nada sabia) poderiam resolver o problema. Embora a vasta maioria das mutações é deletéria (e assim não pode ser favorecida pela seleção natural), em ocasiões raras uma pode beneficiar um organismo. Por exemplo, mutações genéticas são responsáveis por alguns casos de resistência aos antibióticos em bactérias; se um organismo estiver na presença do antibiótico, tal mutação é benéfica. Todas as mutações benéficas conhecidas, contudo, afetam somente a bioquímica de um organismo; a evolução darwinista exige mudanças de grande escala na morfologia ou na anatomia.
Lá pela metade do século XX, alguns geneticistas darwinistas sugeriram que “macromutações” ocasionais podem mudanças morfológicas de grande escala necessitadas pela teoria de Darwin. Infelizmente, todas as mutações morfológicas conhecidas são prejudiciais, e quanto maior o seu efeito, mais prejudiciais elas são. Os críticos científicos das macromutações passaram a chamar esta hipótese de “o monstro esperançoso”. (Vide capítulo 12 do livro de Bowler).
A controvérsia científica se os processos observáveis dentro de espécies existentes e de pools genéticos (microevolução) pode ser responsável pelas mudanças de grande escala ao longo to tempo geológico (macroevolução) continua até hoje [2007]. Segue abaixo alguns exemplos de artigos científicos com revisão por pares [peer-reviewers é mais chique] que se referem a isso nos últimos anos:
David L. Stern, “Perspective: Evolutionary Developmental Biology and the Problem of Variation”, Evolution 54 (2000):1079-1091.
“Um dos problemas mais antigos em biologia evolutiva permanece grandemente não resolvido... Historicamente, os artífices da síntese neodarwinista deram ênfase sobre a predominância das micromutações na evolução, enquanto que outros notaram as semelhanças entre algumas mutações dramáticas e as transições evolutivas para defenderem o macromutacionismo.”
Robert L. Carroll, “Towards a new evolutionary synthesis,”
Trends in Ecology and Evolution, 15 (January, 2000): 27.
“Os fenômenos evolutivos de grande escala não podem ser compreendidos somente na base da extrapolação de processos observados a nível de populações e espécies modernas.”
Andrew M. Simons, “The continuity of microevolution and macroevolution,” Journal of Evolutionary Biology 15 (2002): 688-701.
“Um debate persistente em biologia evolutiva é um sobre a continuidade da microevolução e macroevolução — se as tendências macroevolutivas são governadas pelos princípios da microevolução.”
NOTA DESTE BLOGGER: Os darwinistas ortodoxos fundamentalistas ainda têm a cara de pau de dizer que não há debate se o fato, Fato, FATO da evolução neste nível realmente ocorreu, quando ainda é “debate persistente em biologia evolutiva”! Durma-se com um barulho desses no contexto de justificação teórica — o debate ainda persiste, mas nossos livros-texto de Biologia do ensino médio “desinformam” nossos alunos quando apresentam somente as “evidências a favor da evolução”. Vide Amabis e Martho, “Fundamentos da Biologia Moderna”, Cap. 24, pp. 456-60, São Paulo, Moderna, 2004.
Deve ser destacado o fato de que todos os cientistas citados acima são “crentes” na evolução darwinista, e que todos eles acham que a controvérsia eventualmente será resolvida dentro daquela teoria. Stern, por exemplo, acredita que novos estudos de desenvolvimento da função de genes irão fornecer “o atual elo perdido”.” (p. 1079)
O ponto importante a ser destacado aqui é que A CONTROVÉRSIA AINDA NÃO FOI RESOLVIDA, precisamente porque a evidência necessária para resolvê-la ainda está faltando. É importante para os alunos saberem o que a evidência mostra ou não mostra — não apenas o que alguns cientistas “esperam” que a evidência um dia irá mostrar eventualmente.
Desde que a “controvérsia persistente” sobre a microevolução e a macroevolução está no coração da teoria de Darwin [ué, não é de Alfred Russel Wallace também???], e desde a teoria evolutiva é tão influente na biologia moderna [lembram do mantra do Dobzhansky: nada em biologia faz sentido a não ser à luz da evolução???], é um desserviço para os estudantes de biologia que a grade curricular de biologia ignore completamente a “controvérsia persistente” entre os cientistas. Além disso, uma vez que a evidência científica necessária para resolver a controvérsia ainda está faltando, é INEXATO dar a impressão aos estudantes de que a controvérsia já foi resolvida, e que todos os cientistas já chegaram a um consenso sobre a questão.
Esta “controvérsia persistente” em biologia evolutiva, ainda não resolvida, é mais outro caso de ESTELIONATO INTELECTUAL perpetrado pelos autores contra os nossos alunos do ensino médio.
Alguns desses periódicos científicos podem ser acessados gratuitamente por professores e alunos das universidades públicas e privadas no site do CAPES.
Sobre os ombros de gigantes evolucionistas honestos e do Design Inteligente
A controvérsia científica sobre se o acúmulo de microevolução resulta em macroevolução
sábado, novembro 17, 2007
A Explosão Cambriana: o maior estelionato intelectual nos livros-texto de Biologia do ensino médio brasileiro
Eu avisei aos meus leitores que não iria postar artigos mais freqüentemente aqui neste blog por razões acadêmicas: estou escrevendo uma dissertação sobre as críticas contra o papel da seleção natural na origem das espécies por um contemporâneo de Darwin em 1871.
Por que então estou de volta? Por duas razões. A primeira é que dois críticos ferrenhos estão na minha “cola” em blog de um amigo jornalista. Eles não são assim uma Brastemp em termos de atualização da literatura especializada. Já escrevi aqui que considero o blog uma conversa de botequim, i.e., não há muito rigor científico. A segunda é para mostrar a esses críticos que as “pérolas do Enézio” não são tiradas da cartola, mas são embasadas na literatura especializada, embora eu não seja biólogo. Darwin também não era.
Eu sou cético localizado (parece que eles não entendem o que é isso) da teoria geral da evolução. Critico daqui os autores de nossos melhores livros-texto de Biologia do ensino médio. Disseram que eu poderia ser processado por danos materiais e morais. Eu afirmei alto e bom som neste blog: eles não irão me processar, e se me processarem, Darwin vai junto comigo para o banco dos réus [aguardem 2008!!!] Eu os critico na mídia e em palestras Brasil afora desde 1998, e mais recentemente neste blog.
Por que esses autores não processam este “simples professorzinho do ensino médio”? Porque a ciência não pode andar de mãos dadas com a mentira. Declarada ou omitida intencionalmente nos livros didáticos. Este silêncio pétreo dos autores os incrimina, por isso não me processam porque sabem que as evidências encontradas na natureza sobre a questão estão mais a meu favor do que deles.
No texto onde dei as razões por que sou pós-darwinista, eu enumerei cinco razões. Tentei fazê-lo numa linguagem simples para atingir um universo maior – os leigos não especialistas. Aqui vai, em parte, uma resposta científica parcial a esses meus críticos daquilo que considero o maior estelionato intelectual cometido pelos autores de livros-texto do ensino médio.
Darwin chamou a sua teoria de “descendência com modificação.” Esta frase refletiu a crença de Darwin de que todos os organismos são descendentes modificados de um ancestral comum que viveu numa era distante. A única ilustração que aparece no livro de Darwin, Origem das Espécies (ed. de 1859), mostra o padrão da “árvore da vida” que alguém esperaria encontrar no registro fóssil se a sua teoria fosse verdadeira neste ponto. O ancestral comum viria primeiro, como uma espécie na base da árvore. As diferenças menores entre os indivíduos apareceriam primeiro, e essas diferenças eventualmente aumentariam até que uma espécie tivesse se tornado duas ou mais espécies distintas. Darwin disse que o registro fóssil deveria estar “enxameado” com esses fósseis.
A continuar esse processo evolutivo, as diferenças entre as espécies aumentariam até que algumas espécies se tornariam tão diferentes que elas seriam classificadas como gêneros separados; os gêneros divergiriam até se tornarem famílias separadas, as famílias divergiriam para se tornarem ordens separadas, e assim por diante. Eventualmente as diferenças se tornariam tão grande que, onde originalmente havia apenas uma divisão principal ou “filo”, agora haveria dois filos.
Hoje nós temos diversos filos de animais. Os principais incluem os nematódeos (lombrigas), anelídeos (minhocas e sanguessugas), moluscos (ostras e caramujos), artrópodes (lagostas e insetos), equinodermos (estrela-do-mar e ouriço-do-mar) e os cordados (peixes e mamíferos). Unidade V, O Reino Animal, Caps. 16 e 17 de Fundamentos da Biologia Moderna, Amabis e Martho, São Paulo, Moderna, 3ª. Ed., 2004, pp. 244-95
Se este aspecto teórico de Darwin estivesse correto, então a longa acumulação de pequenas diferenças deveria ter precedido as grandes diferenças que hoje nós vemos entre os filos animais. Foi o próprio Darwin escreveu que, antes de os filos diferentes terem aparecido, deve ter existido “vastos períodos” durante os quais “o mundo estava enxameado de criaturas vivas” (Citação, p. 83). Todavia, no registro fóssil a maioria dos principais filos de animais aparece plenamente formada no início do período geológico conhecido como Cambriano, sem nenhuma evidência fóssil de que eles divergiram de um ancestral comum.
Darwin sabia disso, e reconheceu no Origem das Espécies que “diversas das principais divisões do reino animal aparecem subitamente nas rochas fossilíferas mais antigas.” Ele chamou isso de um problema “sério” que “no presente deve permanecer inexplicável; podendo ser usado como argumento de peso contras as idéias que aqui defendemos” (Citação A pp. 82, 85).
Amabis e Martho, bem como os demais autores de livros didáticos de Biologia do ensino médio, simplesmente ignoraram as implicações negativas que a explosão de vida cambriana tem para a hipótese do ancestral comum no contexto da justificação teórica: apenas quatro parágrafos sucintos de uma história de pelo menos 570 milhões de anos atrás (op. cit., p. 477). Segundo Darwin, uma evidência de peso contra suas especulações transformistas.
(A) Charles Darwin, The Origin of Species, 6ª. ed., Nova York, D. Appleton, 1890, Capítulo X.
Apesar da evidência contra suas especulações, Darwin permaneceu convencido de que sua teoria era verdadeira. Ele especulou que os ancestrais de filos diferentes não tinham sido encontrados porque o registro fóssil era imperfeito. Se, como pareceu, as rochas antes do Cambriano tivessem sido deformadas pelo calor e pressão, ou erodidas, então os fósseis ancestrais nunca poderiam ser encontrados. Contudo, ele reconheceu que realmente ele “não tinha uma resposta satisfatória” para o problema (Citação A, p. 84).
É, mas o mundo da ciência deu muitas voltas desde 1859, e a coleta de fósseis tem trazido a lume muitos fósseis de organismos que viveram antes do período Cambriano. Depósitos fossilíferos no Canadá (o folhelho de Burgess) e na China (a fauna de Chengjiang) têm produzido coleções mais ricas de fósseis cambrianos do que os que estavam disponíveis para Darwin e seus contemporâneos. Revisando a evidência em 1991, James Valentine, paleontólogo de Berkeley, e seus colegas, destacaram: “Durante os últimos 40 anos, rochas mais antigas das que tinham sido consideradas como sendo a base do Cambriano têm produzido sem dúvida fósseis que permitem agora avaliações mais detalhadas da “evolução” dos metazoários primitivos [i.e., animais multicelulares] (Citação B, p. 280).
Valentine e seus colegas descobriram que “não tem sido possível reconstituir vestígios de transições” entre os filos, e a evidência aponta para uma “explosão” Cambriana que “foi até mais abrupta e extensiva do que anteriormente considerada.” (Citação B, pp. 281, 294). Os autores concluíram que “a explosão metazoária é real; é muito grande para ser mascarada pelas falhas no registro fóssil.” (Citação B, p. 318). Um ataque frontal às especulações transformistas e desculpas esfarrapadas de Darwin de que o registro fóssil é incompleto!!!
Alguns cientistas sugeriram que os fósseis de ancestrais para os filos de animais estão faltando não porque as rochas foram deformadas ou erodidas, mas porque os animais antes do Cambriano não tinham partes duras, e por isso nunca fossilizaram. De acordo com esta hipótese, a Explosão Cambriana representa meramente o surgimento abrupto de carapaças e esqueletos em animais que evoluíram muito antes. Contudo, a evidência fóssil não apóia esta hipótese.
Em primeiro lugar, como os respectivos paleontólogos de Harvard e Cambridge Stephen Jay Gould e Simon Conway Morris destacaram, a maioria dos fósseis da Explosão Cambriana é de animais de corpos moles (Stephen Jay Gould, Wonderful Life, Nova York, Norton, 1989; Simon Conway Morris, The Crucible of Creation, Oxford, Oxford University Press, 1998).
Em segundo lugar, a evidência fóssil aponta para o surgimento de muitos novos planos corporais no Cambriano, não apenas a aquisição de partes duras pelos filos existentes. De acordo com James Valentine, paleontólogo de Berkeley, a Explosão Cambriana “envolveu muito mais grupos de animais do que apenas os filos de animais de esqueletos duros.” Foram “novos tipos de organismos, e não velhas linhagens, novos esqueletos-armaduras colocados que surgiram” (Citação C, p. 533). Valentine concluiu: “o registro que nós temos não apóia muito os modelos que postulam um longo período da evolução do filo dos metazoários” antes do Cambriano (Citação C, p. 547).
(B) James W. Valentine et al., “The Biological Explosion at the Precambrian-Cambrian Boundary,” Evolutionary Biology 25 (1991): 279-356.
(C) James W. Valentine, “The Macroevolution of Phyla,” pp. 525-553 in Jere H. Lipps & Philip W. Signor (editors), Origin and Early Evolution of the Metazoa, Nova York, Plenum Press, 1992.
Recentes pesquisas também têm enfatizado o caráter repentino da Explosão Cambriana. Após reverem a datação geológica de rochas próximas do limite do Pré-cambriano-Cambriano, Bowring e seus colegas relataram em 1993 que a explosão cambriana de filos animais deve “ter provavelmente excedido aos 10 milhões de anos” (Citação D, p. 1297). Conforme Valentine, Jablonski e Erwin salientaram em 1999, isso é “menos do que 2% do tempo desde a base do Cambriano até a data presente.” (Citação E, p. 852). Desde que o tempo desde o Cambriano até o presente é somente cerca de um sétimo do tempo desde a origem da vida na Terra, isto significa que a Explosão Cambriana foi, geologicamente, sem dúvida, muito abrupta.
De acordo com Valentine, Jablonski e Erwin, novos dados extensivos “não silenciam a explosão, que continua se sobressaindo como uma característica principal na história dos antigos metazoários” (Citação E, p. 851).
(D) Samuel A. Bowring et al., “Calibrating Rates of Early Cambrian Evolution,” Science 261 (1993): 1293-1298.
(E) James W. Valentine, David Jablonski & Douglas H. Erwin, “Fossils, molecules and embryos: new perspectives on the Cambrian explosion,” Development 126 (1999): 851-859.
Qual é a significância que a Explosão Cambriana tem para avaliar a teoria de Darwin de que todos os animais são descendentes modificados de um ancestral comum? Como vimos acima, o próprio Darwin a considerava um sério problema (Citação A). Embora a teoria de Darwin prediga que a evolução animal deva proceder de “baixo para cima”, com as maiores diferenças surgindo por último, James Valentine e seus colegas escreveram em 1991 que o padrão da Explosão Cambriana “cria a impressão de que a evolução dos metazoários tem procedido de um modo geral de “cima para baixo”. (Citação B, p. 294).
Harry Whittington, um especialista dos fósseis cambrianos do folhelho de Burgess escreveu em 1985: “Pode até ser que os animais metazoários surgiram independentemente em áreas diferentes. “Eu olho ceticamente para os diagramas que mostram a diversidade ramificada da vida animal ao longo do tempo, e vai até embaixo na base a um tipo único de animal” (Citação F, p. 131). O biólogo evolucionista Jeffrey Levinton, embora convencido da ancestralidade comum dos animais, reconheceu em 1992 que a Explosão Cambriana – “o Big Bang da vida”, como ele a chamou – permanece “o paradoxo mais profundo da biologia evolutiva” (Citação G, p. 84).
Embora “os planos corporais que evoluíram no Cambriano, de um modo geral, serviram como as plantas [de construção] para aquelas vistas hoje.” Levinton não viu “razão para pensar que a taxa de evolução fosse muito mais devagar ou mais rápida do que é agora. Mas aquela conclusão ainda deixa não respondido o paradoxo colocado pela Explosão Cambriana, e a misteriosa persistência daqueles planos corporais antigos” (Citação G, pp. 84, 90).
Em 1999, Malcolm Gordon, biólogo da Universidade da Califórnia escreveu: “Recentes resultados de pesquisas fazem parecer improvável que pudesse haver formas básicas únicas para muitas das categorias superiores de diferenciação evolutivas (reinos, filos, e classe)” (Citação H, p. 331). Gordon concluiu: “A versão tradicional da teoria do ancestral comum aparentemente não se aplica aos reinos [i.e., plantas, animais, fungos, bactérias] como é presentemente reconhecida. Provavelmente não se aplica a muitos, se não todos, os filos, e possivelmente não se aplica também a muitas classes dentro do filo” (Citação H, p. 335).
(F) Harry B. Whittington, The Burgess Shale, New Haven, CT, Yale University Press, 1985.
(G) Jeffrey S. Levinton, “The Big Bang of Animal Evolution,” Scientific American 267 (November, 1992): 84-91.
(H) Malcolm S. Gordon, “The Concept of Monophyly: A Speculative Essay,” Biology and Philosophy 14 (1999):331-348.
Assim, a Explosão Cambriana é real, e para alguns biólogos é pelo menos paradoxal e misteriosa da perspectiva da teoria de Darwin. Para outros biólogos, ela na verdade se constitui em evidência contra a hipótese de Darwin de que todos os animais evoluíram de um único ancestral comum. Mesmo assim, alguns biólogos continuam a defender a teoria de Darwin argumentando que a Explosão Cambriana é perfeitamente consistente com a teoria darwinista.
Um deles é Alan Gishlick do National Center for Science Education [NCSE], uma ONG que se opõe a quaisquer críticas da evolução darwiniana em aulas de biologia. Em comentários escritos submetidos ao Conselho Estadual de Educação do Texas na sua audiência para adoção de livros-texto em 9 de julho de 2003, Gishlick criticou um livro pelo biólogo Jonathan Wells, Icons of Evolution [sendo traduzido para o português, e adaptado para abordar os livros-texto de biologia brasileiros], Washington, DC, Regnery Publishing, 2000.
Nos seus comentários, Gishlick escreveu que a Explosão Cambriana ocorreu de verdade “ao longo de um período de 15-20 milhões de anos”, e que “a aparência de ‘cima para baixo’ dos planos corporais é, ao contrário de Wells, compatível com as predições da evolução” (Citação I, p. 15). Todavia, a afirmação de Gishlick sobre a duração da Explosão Cambriana está em desacordo com os pontos de vista publicados de James Valentine e seus colegas (Citação B, p. 279; Citação E, pp. 851-853), e Samuel Bowring e seus colegas (Citação D).
Além disso, se por “evolução” Gishlick quis dizer “evolução darwiniana”, então a sua afirmação de que um padrão “de cima para baixo” é consistente com a evolução conflita com os pontos de vista publicados de Harry Whittington (Citação F) e Malcolm Gordon (Citação H). Claramente, as discordâncias de Gishlick não são apenas com Wells. Gishlick também argumentou que as principais diferenças entre os filos de animais não são assim tão principais. Ele escreveu: “O cordado mais primitivo vivo, o Amphioxus é muito semelhante ao fóssil do cordado cambriano, o Pikia [sic, na verdade Pikaia]. Os dois são basicamente lombrigas com um bastão firme e flexível (a notocorda) neles. A quantidade de mudança entre uma lombriga e uma lombriga com um bastão firme e flexível é relativamente pequena, mas a presença de uma notocorda é uma distinção principal de ‘plano corporal’ de um cordado. Além disso, é apenas outra pequena etapa de uma lombriga com um bastão firme e flexível para uma lombriga com um bastão firme e flexível e uma cabeça (e.g., Haikouella; Chen et al., 1999) ou uma lombriga com um bastão firme, flexível e segmentado (vértebras), uma cabeça e dobras natatórias (e.g., Haikouichthyes; Shu et al., 1999).
Finalmente, adicione um corpo fusiforme, diferenciação de nadadeiras, e escamas; o resultado é algo aparentando a um ‘peixe’ (Citação I, p. 15). Mesmo assim os cenários fantasiosos de Gishlick ignoram a maior parte daquilo que os biólogos conhecem sobre lombrigas e cordados. Há diversas diferenças anatômicas fundamentais entre lombrigas e cordados, que podem ser encontradas em qualquer bom livro-texto de Biologia; a posse de uma notocorda é apenas uma delas. Se os cordados fossem simples lombrigas com um bastão firme e flexível, eles poderiam até nem ser classificados como um filo separado. Além disso, de uma perspectiva evolutiva, as lombrigas e os cordados não são proximamente relacionados. Em árvores evolutivas padrões (como as reproduzidas na 6ª. edição do livro-texto Biology de Campbell & Reece. Amabis e Martho usaram a 5ª. ed., op. cit. p. 516), os cordados (seta verde no alto das páginas 636 & 640 na Citação J) são considerados mais próximos aos equinodermos (estrela-do-mar e ouriço-do-mar) do que eles estão para quaisquer filos de lombrigas (dois dos quais são indicados pelas setas roxa e laranja no alto dos mesmo diagramas na Citação J).
Gishlick cita dois artigos científicos para apoiar seu argumento: O primeiro salienta que os cordados mais primitivos podem ter tido cérebros rudimentares, e assim seriam mais próximos dos cordados com cabeças do que previamente considerados, mas isso não lida com o problema de como o primeiro cordado se originou (Citação K, p. 522). O segundo artigo, na verdade, contradisse a sugestão de Gishlick de que assim que uma lombriga possui um bastão firme e flexível ela poderia evoluir facilmente num vertebrado. De acordo com Shu e seus colegas, “a derivação dos primeiros vertebrados dos cefalocordados [i.e., os cordados mais primitivos] deve ter acarretado necessariamente um grande reorganização corporal” (Citação L, p. 46). Mais uma vez, as discordâncias de Gishlick não são apenas com Wells.
(I) Alan Gishlick, “Comments on the Discovery Institute’s ‘Analysis of the Treatment of Evolution in Biology Textbooks’,” submitted to the Texas Education Agency in connection with their July 9, 2003 public hearing on textbook adoption.
(J) Neil A. Campbell & Jane B. Reece, Biology, 6ª. ed., San Francisco, Benjamin Cummings, 2002.
(K) J.-Y. Chen, Di-ying Huang & Chia-Wei Li, “An early Cambrian craniate-like chordate,” Nature 402 (1999):
518-522.
(L) D.-G. Shu et al., “Lower Cambrian vertebrates from South China,” Nature 402 (1999): 42-46.
Quase todas essas publicações podem ser acessadas gratuitamente pelos professores e alunos nas universidades públicas e privadas no site do CAPES. Clique em Periódicos.
Uma vez que o caráter abrupto e da grande extensão da Explosão Cambriana estão tão bem documentados, não há desculpas para Amabis e Martho e os demais autores de livros-texto de Biologia do ensino médio lidarem com a Explosão Cambriana en passant.
Além disso, já que alguns biólogos sustentam que a Explosão Cambriana apresenta um desafio – ou pelo menos um “paradoxo” – para um dos princípios fundamentais da teoria de Darwin, qualquer livro-texto que não discuta este desafio está falhando no seu propósito educacional de fornecer aos alunos o que é previsto na LDB 9394/96 de fornecer aos estudantes a capacidade de pensar criticamente sobre a explicação científica mais amplamente ensinada a favor da evolução: a hipótese do ancestral comum.
Conheço outros darwinistas mais academicamente honestos que reconhecem a falência parcial do paradigma neodarwinista e da inexatidão teórica de nossos livros didáticos! Todavia, reitero o que tenho escrito e dito Brasil afora: a atual abordagem da Explosão Cambriana em nossos melhores livros-texto de Biologia do ensino médio constitui-se em flagrante estelionato intelectual. Em ciência, apesar da capacidade heurística de uma teoria, o que vale são as evidências. No contexto da justificação teórica, Darwin foi encontrado em falta epistêmica numa grande explosão de vida empírica.
Alô MEC/SEMTEC/PNLEM, e Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados: os Srs. não podem ser mais coniventes com esta flagrante violação da cidadania dos alunos do ensino médio: o direito à informação científica correta sobre a Explosão Cambriana e o que isso significa para quaisquer teorias da evolução no contexto de justificação teórica está sendo escamoteada de nossos alunos há mais de uma década! Do jeito que está é ESTELIONATO INTELECTUAL!
Uma “pérola” do Enézio sobre os ombros de vários gigantes evolucionistas academicamente honestos e do Design Inteligente
Por que então estou de volta? Por duas razões. A primeira é que dois críticos ferrenhos estão na minha “cola” em blog de um amigo jornalista. Eles não são assim uma Brastemp em termos de atualização da literatura especializada. Já escrevi aqui que considero o blog uma conversa de botequim, i.e., não há muito rigor científico. A segunda é para mostrar a esses críticos que as “pérolas do Enézio” não são tiradas da cartola, mas são embasadas na literatura especializada, embora eu não seja biólogo. Darwin também não era.
Eu sou cético localizado (parece que eles não entendem o que é isso) da teoria geral da evolução. Critico daqui os autores de nossos melhores livros-texto de Biologia do ensino médio. Disseram que eu poderia ser processado por danos materiais e morais. Eu afirmei alto e bom som neste blog: eles não irão me processar, e se me processarem, Darwin vai junto comigo para o banco dos réus [aguardem 2008!!!] Eu os critico na mídia e em palestras Brasil afora desde 1998, e mais recentemente neste blog.
Por que esses autores não processam este “simples professorzinho do ensino médio”? Porque a ciência não pode andar de mãos dadas com a mentira. Declarada ou omitida intencionalmente nos livros didáticos. Este silêncio pétreo dos autores os incrimina, por isso não me processam porque sabem que as evidências encontradas na natureza sobre a questão estão mais a meu favor do que deles.
No texto onde dei as razões por que sou pós-darwinista, eu enumerei cinco razões. Tentei fazê-lo numa linguagem simples para atingir um universo maior – os leigos não especialistas. Aqui vai, em parte, uma resposta científica parcial a esses meus críticos daquilo que considero o maior estelionato intelectual cometido pelos autores de livros-texto do ensino médio.
Darwin chamou a sua teoria de “descendência com modificação.” Esta frase refletiu a crença de Darwin de que todos os organismos são descendentes modificados de um ancestral comum que viveu numa era distante. A única ilustração que aparece no livro de Darwin, Origem das Espécies (ed. de 1859), mostra o padrão da “árvore da vida” que alguém esperaria encontrar no registro fóssil se a sua teoria fosse verdadeira neste ponto. O ancestral comum viria primeiro, como uma espécie na base da árvore. As diferenças menores entre os indivíduos apareceriam primeiro, e essas diferenças eventualmente aumentariam até que uma espécie tivesse se tornado duas ou mais espécies distintas. Darwin disse que o registro fóssil deveria estar “enxameado” com esses fósseis.
A continuar esse processo evolutivo, as diferenças entre as espécies aumentariam até que algumas espécies se tornariam tão diferentes que elas seriam classificadas como gêneros separados; os gêneros divergiriam até se tornarem famílias separadas, as famílias divergiriam para se tornarem ordens separadas, e assim por diante. Eventualmente as diferenças se tornariam tão grande que, onde originalmente havia apenas uma divisão principal ou “filo”, agora haveria dois filos.
Hoje nós temos diversos filos de animais. Os principais incluem os nematódeos (lombrigas), anelídeos (minhocas e sanguessugas), moluscos (ostras e caramujos), artrópodes (lagostas e insetos), equinodermos (estrela-do-mar e ouriço-do-mar) e os cordados (peixes e mamíferos). Unidade V, O Reino Animal, Caps. 16 e 17 de Fundamentos da Biologia Moderna, Amabis e Martho, São Paulo, Moderna, 3ª. Ed., 2004, pp. 244-95
Se este aspecto teórico de Darwin estivesse correto, então a longa acumulação de pequenas diferenças deveria ter precedido as grandes diferenças que hoje nós vemos entre os filos animais. Foi o próprio Darwin escreveu que, antes de os filos diferentes terem aparecido, deve ter existido “vastos períodos” durante os quais “o mundo estava enxameado de criaturas vivas” (Citação, p. 83). Todavia, no registro fóssil a maioria dos principais filos de animais aparece plenamente formada no início do período geológico conhecido como Cambriano, sem nenhuma evidência fóssil de que eles divergiram de um ancestral comum.
Darwin sabia disso, e reconheceu no Origem das Espécies que “diversas das principais divisões do reino animal aparecem subitamente nas rochas fossilíferas mais antigas.” Ele chamou isso de um problema “sério” que “no presente deve permanecer inexplicável; podendo ser usado como argumento de peso contras as idéias que aqui defendemos” (Citação A pp. 82, 85).
Amabis e Martho, bem como os demais autores de livros didáticos de Biologia do ensino médio, simplesmente ignoraram as implicações negativas que a explosão de vida cambriana tem para a hipótese do ancestral comum no contexto da justificação teórica: apenas quatro parágrafos sucintos de uma história de pelo menos 570 milhões de anos atrás (op. cit., p. 477). Segundo Darwin, uma evidência de peso contra suas especulações transformistas.
(A) Charles Darwin, The Origin of Species, 6ª. ed., Nova York, D. Appleton, 1890, Capítulo X.
Apesar da evidência contra suas especulações, Darwin permaneceu convencido de que sua teoria era verdadeira. Ele especulou que os ancestrais de filos diferentes não tinham sido encontrados porque o registro fóssil era imperfeito. Se, como pareceu, as rochas antes do Cambriano tivessem sido deformadas pelo calor e pressão, ou erodidas, então os fósseis ancestrais nunca poderiam ser encontrados. Contudo, ele reconheceu que realmente ele “não tinha uma resposta satisfatória” para o problema (Citação A, p. 84).
É, mas o mundo da ciência deu muitas voltas desde 1859, e a coleta de fósseis tem trazido a lume muitos fósseis de organismos que viveram antes do período Cambriano. Depósitos fossilíferos no Canadá (o folhelho de Burgess) e na China (a fauna de Chengjiang) têm produzido coleções mais ricas de fósseis cambrianos do que os que estavam disponíveis para Darwin e seus contemporâneos. Revisando a evidência em 1991, James Valentine, paleontólogo de Berkeley, e seus colegas, destacaram: “Durante os últimos 40 anos, rochas mais antigas das que tinham sido consideradas como sendo a base do Cambriano têm produzido sem dúvida fósseis que permitem agora avaliações mais detalhadas da “evolução” dos metazoários primitivos [i.e., animais multicelulares] (Citação B, p. 280).
Valentine e seus colegas descobriram que “não tem sido possível reconstituir vestígios de transições” entre os filos, e a evidência aponta para uma “explosão” Cambriana que “foi até mais abrupta e extensiva do que anteriormente considerada.” (Citação B, pp. 281, 294). Os autores concluíram que “a explosão metazoária é real; é muito grande para ser mascarada pelas falhas no registro fóssil.” (Citação B, p. 318). Um ataque frontal às especulações transformistas e desculpas esfarrapadas de Darwin de que o registro fóssil é incompleto!!!
Alguns cientistas sugeriram que os fósseis de ancestrais para os filos de animais estão faltando não porque as rochas foram deformadas ou erodidas, mas porque os animais antes do Cambriano não tinham partes duras, e por isso nunca fossilizaram. De acordo com esta hipótese, a Explosão Cambriana representa meramente o surgimento abrupto de carapaças e esqueletos em animais que evoluíram muito antes. Contudo, a evidência fóssil não apóia esta hipótese.
Em primeiro lugar, como os respectivos paleontólogos de Harvard e Cambridge Stephen Jay Gould e Simon Conway Morris destacaram, a maioria dos fósseis da Explosão Cambriana é de animais de corpos moles (Stephen Jay Gould, Wonderful Life, Nova York, Norton, 1989; Simon Conway Morris, The Crucible of Creation, Oxford, Oxford University Press, 1998).
Em segundo lugar, a evidência fóssil aponta para o surgimento de muitos novos planos corporais no Cambriano, não apenas a aquisição de partes duras pelos filos existentes. De acordo com James Valentine, paleontólogo de Berkeley, a Explosão Cambriana “envolveu muito mais grupos de animais do que apenas os filos de animais de esqueletos duros.” Foram “novos tipos de organismos, e não velhas linhagens, novos esqueletos-armaduras colocados que surgiram” (Citação C, p. 533). Valentine concluiu: “o registro que nós temos não apóia muito os modelos que postulam um longo período da evolução do filo dos metazoários” antes do Cambriano (Citação C, p. 547).
(B) James W. Valentine et al., “The Biological Explosion at the Precambrian-Cambrian Boundary,” Evolutionary Biology 25 (1991): 279-356.
(C) James W. Valentine, “The Macroevolution of Phyla,” pp. 525-553 in Jere H. Lipps & Philip W. Signor (editors), Origin and Early Evolution of the Metazoa, Nova York, Plenum Press, 1992.
Recentes pesquisas também têm enfatizado o caráter repentino da Explosão Cambriana. Após reverem a datação geológica de rochas próximas do limite do Pré-cambriano-Cambriano, Bowring e seus colegas relataram em 1993 que a explosão cambriana de filos animais deve “ter provavelmente excedido aos 10 milhões de anos” (Citação D, p. 1297). Conforme Valentine, Jablonski e Erwin salientaram em 1999, isso é “menos do que 2% do tempo desde a base do Cambriano até a data presente.” (Citação E, p. 852). Desde que o tempo desde o Cambriano até o presente é somente cerca de um sétimo do tempo desde a origem da vida na Terra, isto significa que a Explosão Cambriana foi, geologicamente, sem dúvida, muito abrupta.
De acordo com Valentine, Jablonski e Erwin, novos dados extensivos “não silenciam a explosão, que continua se sobressaindo como uma característica principal na história dos antigos metazoários” (Citação E, p. 851).
(D) Samuel A. Bowring et al., “Calibrating Rates of Early Cambrian Evolution,” Science 261 (1993): 1293-1298.
(E) James W. Valentine, David Jablonski & Douglas H. Erwin, “Fossils, molecules and embryos: new perspectives on the Cambrian explosion,” Development 126 (1999): 851-859.
Qual é a significância que a Explosão Cambriana tem para avaliar a teoria de Darwin de que todos os animais são descendentes modificados de um ancestral comum? Como vimos acima, o próprio Darwin a considerava um sério problema (Citação A). Embora a teoria de Darwin prediga que a evolução animal deva proceder de “baixo para cima”, com as maiores diferenças surgindo por último, James Valentine e seus colegas escreveram em 1991 que o padrão da Explosão Cambriana “cria a impressão de que a evolução dos metazoários tem procedido de um modo geral de “cima para baixo”. (Citação B, p. 294).
Harry Whittington, um especialista dos fósseis cambrianos do folhelho de Burgess escreveu em 1985: “Pode até ser que os animais metazoários surgiram independentemente em áreas diferentes. “Eu olho ceticamente para os diagramas que mostram a diversidade ramificada da vida animal ao longo do tempo, e vai até embaixo na base a um tipo único de animal” (Citação F, p. 131). O biólogo evolucionista Jeffrey Levinton, embora convencido da ancestralidade comum dos animais, reconheceu em 1992 que a Explosão Cambriana – “o Big Bang da vida”, como ele a chamou – permanece “o paradoxo mais profundo da biologia evolutiva” (Citação G, p. 84).
Embora “os planos corporais que evoluíram no Cambriano, de um modo geral, serviram como as plantas [de construção] para aquelas vistas hoje.” Levinton não viu “razão para pensar que a taxa de evolução fosse muito mais devagar ou mais rápida do que é agora. Mas aquela conclusão ainda deixa não respondido o paradoxo colocado pela Explosão Cambriana, e a misteriosa persistência daqueles planos corporais antigos” (Citação G, pp. 84, 90).
Em 1999, Malcolm Gordon, biólogo da Universidade da Califórnia escreveu: “Recentes resultados de pesquisas fazem parecer improvável que pudesse haver formas básicas únicas para muitas das categorias superiores de diferenciação evolutivas (reinos, filos, e classe)” (Citação H, p. 331). Gordon concluiu: “A versão tradicional da teoria do ancestral comum aparentemente não se aplica aos reinos [i.e., plantas, animais, fungos, bactérias] como é presentemente reconhecida. Provavelmente não se aplica a muitos, se não todos, os filos, e possivelmente não se aplica também a muitas classes dentro do filo” (Citação H, p. 335).
(F) Harry B. Whittington, The Burgess Shale, New Haven, CT, Yale University Press, 1985.
(G) Jeffrey S. Levinton, “The Big Bang of Animal Evolution,” Scientific American 267 (November, 1992): 84-91.
(H) Malcolm S. Gordon, “The Concept of Monophyly: A Speculative Essay,” Biology and Philosophy 14 (1999):331-348.
Assim, a Explosão Cambriana é real, e para alguns biólogos é pelo menos paradoxal e misteriosa da perspectiva da teoria de Darwin. Para outros biólogos, ela na verdade se constitui em evidência contra a hipótese de Darwin de que todos os animais evoluíram de um único ancestral comum. Mesmo assim, alguns biólogos continuam a defender a teoria de Darwin argumentando que a Explosão Cambriana é perfeitamente consistente com a teoria darwinista.
Um deles é Alan Gishlick do National Center for Science Education [NCSE], uma ONG que se opõe a quaisquer críticas da evolução darwiniana em aulas de biologia. Em comentários escritos submetidos ao Conselho Estadual de Educação do Texas na sua audiência para adoção de livros-texto em 9 de julho de 2003, Gishlick criticou um livro pelo biólogo Jonathan Wells, Icons of Evolution [sendo traduzido para o português, e adaptado para abordar os livros-texto de biologia brasileiros], Washington, DC, Regnery Publishing, 2000.
Nos seus comentários, Gishlick escreveu que a Explosão Cambriana ocorreu de verdade “ao longo de um período de 15-20 milhões de anos”, e que “a aparência de ‘cima para baixo’ dos planos corporais é, ao contrário de Wells, compatível com as predições da evolução” (Citação I, p. 15). Todavia, a afirmação de Gishlick sobre a duração da Explosão Cambriana está em desacordo com os pontos de vista publicados de James Valentine e seus colegas (Citação B, p. 279; Citação E, pp. 851-853), e Samuel Bowring e seus colegas (Citação D).
Além disso, se por “evolução” Gishlick quis dizer “evolução darwiniana”, então a sua afirmação de que um padrão “de cima para baixo” é consistente com a evolução conflita com os pontos de vista publicados de Harry Whittington (Citação F) e Malcolm Gordon (Citação H). Claramente, as discordâncias de Gishlick não são apenas com Wells. Gishlick também argumentou que as principais diferenças entre os filos de animais não são assim tão principais. Ele escreveu: “O cordado mais primitivo vivo, o Amphioxus é muito semelhante ao fóssil do cordado cambriano, o Pikia [sic, na verdade Pikaia]. Os dois são basicamente lombrigas com um bastão firme e flexível (a notocorda) neles. A quantidade de mudança entre uma lombriga e uma lombriga com um bastão firme e flexível é relativamente pequena, mas a presença de uma notocorda é uma distinção principal de ‘plano corporal’ de um cordado. Além disso, é apenas outra pequena etapa de uma lombriga com um bastão firme e flexível para uma lombriga com um bastão firme e flexível e uma cabeça (e.g., Haikouella; Chen et al., 1999) ou uma lombriga com um bastão firme, flexível e segmentado (vértebras), uma cabeça e dobras natatórias (e.g., Haikouichthyes; Shu et al., 1999).
Finalmente, adicione um corpo fusiforme, diferenciação de nadadeiras, e escamas; o resultado é algo aparentando a um ‘peixe’ (Citação I, p. 15). Mesmo assim os cenários fantasiosos de Gishlick ignoram a maior parte daquilo que os biólogos conhecem sobre lombrigas e cordados. Há diversas diferenças anatômicas fundamentais entre lombrigas e cordados, que podem ser encontradas em qualquer bom livro-texto de Biologia; a posse de uma notocorda é apenas uma delas. Se os cordados fossem simples lombrigas com um bastão firme e flexível, eles poderiam até nem ser classificados como um filo separado. Além disso, de uma perspectiva evolutiva, as lombrigas e os cordados não são proximamente relacionados. Em árvores evolutivas padrões (como as reproduzidas na 6ª. edição do livro-texto Biology de Campbell & Reece. Amabis e Martho usaram a 5ª. ed., op. cit. p. 516), os cordados (seta verde no alto das páginas 636 & 640 na Citação J) são considerados mais próximos aos equinodermos (estrela-do-mar e ouriço-do-mar) do que eles estão para quaisquer filos de lombrigas (dois dos quais são indicados pelas setas roxa e laranja no alto dos mesmo diagramas na Citação J).
Gishlick cita dois artigos científicos para apoiar seu argumento: O primeiro salienta que os cordados mais primitivos podem ter tido cérebros rudimentares, e assim seriam mais próximos dos cordados com cabeças do que previamente considerados, mas isso não lida com o problema de como o primeiro cordado se originou (Citação K, p. 522). O segundo artigo, na verdade, contradisse a sugestão de Gishlick de que assim que uma lombriga possui um bastão firme e flexível ela poderia evoluir facilmente num vertebrado. De acordo com Shu e seus colegas, “a derivação dos primeiros vertebrados dos cefalocordados [i.e., os cordados mais primitivos] deve ter acarretado necessariamente um grande reorganização corporal” (Citação L, p. 46). Mais uma vez, as discordâncias de Gishlick não são apenas com Wells.
(I) Alan Gishlick, “Comments on the Discovery Institute’s ‘Analysis of the Treatment of Evolution in Biology Textbooks’,” submitted to the Texas Education Agency in connection with their July 9, 2003 public hearing on textbook adoption.
(J) Neil A. Campbell & Jane B. Reece, Biology, 6ª. ed., San Francisco, Benjamin Cummings, 2002.
(K) J.-Y. Chen, Di-ying Huang & Chia-Wei Li, “An early Cambrian craniate-like chordate,” Nature 402 (1999):
518-522.
(L) D.-G. Shu et al., “Lower Cambrian vertebrates from South China,” Nature 402 (1999): 42-46.
Quase todas essas publicações podem ser acessadas gratuitamente pelos professores e alunos nas universidades públicas e privadas no site do CAPES. Clique em Periódicos.
Uma vez que o caráter abrupto e da grande extensão da Explosão Cambriana estão tão bem documentados, não há desculpas para Amabis e Martho e os demais autores de livros-texto de Biologia do ensino médio lidarem com a Explosão Cambriana en passant.
Além disso, já que alguns biólogos sustentam que a Explosão Cambriana apresenta um desafio – ou pelo menos um “paradoxo” – para um dos princípios fundamentais da teoria de Darwin, qualquer livro-texto que não discuta este desafio está falhando no seu propósito educacional de fornecer aos alunos o que é previsto na LDB 9394/96 de fornecer aos estudantes a capacidade de pensar criticamente sobre a explicação científica mais amplamente ensinada a favor da evolução: a hipótese do ancestral comum.
Conheço outros darwinistas mais academicamente honestos que reconhecem a falência parcial do paradigma neodarwinista e da inexatidão teórica de nossos livros didáticos! Todavia, reitero o que tenho escrito e dito Brasil afora: a atual abordagem da Explosão Cambriana em nossos melhores livros-texto de Biologia do ensino médio constitui-se em flagrante estelionato intelectual. Em ciência, apesar da capacidade heurística de uma teoria, o que vale são as evidências. No contexto da justificação teórica, Darwin foi encontrado em falta epistêmica numa grande explosão de vida empírica.
Alô MEC/SEMTEC/PNLEM, e Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados: os Srs. não podem ser mais coniventes com esta flagrante violação da cidadania dos alunos do ensino médio: o direito à informação científica correta sobre a Explosão Cambriana e o que isso significa para quaisquer teorias da evolução no contexto de justificação teórica está sendo escamoteada de nossos alunos há mais de uma década! Do jeito que está é ESTELIONATO INTELECTUAL!
Uma “pérola” do Enézio sobre os ombros de vários gigantes evolucionistas academicamente honestos e do Design Inteligente
Cinco razões por que sou pós-darwinista
quinta-feira, novembro 15, 2007
Eu já fui evolucionista de carteirinha. Hoje eu sou cético localizado da teoria macroevolutiva como verdade científica. Ao contrário do que os meus críticos detratores afirmam a meu respeito, o meu ceticismo ao ‘dogma central’ do darwinismo não é baseado em relatos da criação de textos sagrados.
Foi uma séria e conflituosa consideração do debate que vem acontecendo intramuros e nas publicações científicas há muitos anos sobre a insuficiência epistêmica da teoria geral da evolução que fez de mim um incrédulo do fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução.
É por essas e outras razões é que eu não creio mais na interpretação literal dos dogmas aceitos ‘a priori’ de Darwin ideologicamente defendidos com unhas e dentes pela Nomenklatura científica, mas foi a Ciência que me deu esta convicção. Mas a universidade não é lugar de se discutir “idéias”, mesmos as “perigosas”?
Eu aprendi na universidade que quando uma teoria científica não é apoiada pelas evidências, ela deve ser revista ou simplesmente descartada. Sou pós-darwinista já me antecipando a uma iminente e eminente ruptura paradigmática em biologia evolutiva.
É por isso que propago aos quatro ventos: chegou a hora de dizer adeus a Darwin. Sem medo de ser feliz!
Por que eu disse adeus a Darwin em 1998? Por estas cinco razões abaixo:
1. Genética: as mutações causam mal e não constroem complexidade. A evolução darwinista depende das mutações aleatórias que são selecionadas pela seleção natural, um processo cego e não-guiado que não tem objetivos. Tal processo aleatório e não-direcionado tende a provocar males aos organismos. Não parece ser capaz de melhorar os organismos, e não parece ser capaz de produzir novos sistemas complexos.
2. Bioquímica: Processos não-guiados e aleatórios não podem produzir complexidade celular. As células contêm complexidade incrível semelhante à maquinaria tecnológica, mas apequenando qualquer coisa produzida pelos humanos. As células usam circuitos, motores miniaturas, circuitos de feedback, linguagem codificada [DNA], e até maquinário de correção de erros que decodifica e corrige o DNA. Muitos cientistas afirmam que a evolução darwinista não parece capaz de construir este tipo de complexidade integrada.
3. Paleontologia: O registro fóssil é desprovido de fósseis intermediários. O padrão geral do registro fóssil é um de explosões abruptas de novas formas biológicas, e os possíveis candidatos para as transições evolutivas são a exceção e não a regra. Por exemplo, a Explosão Cambriana é um evento na história da vida de mais de 500 milhões de anos atrás quando aproximadamente quase todas as principais estruturas corporais dos animais aparecem num instante geológico sem quaisquer aparentes precursores evolutivos.
4. Taxonomia: Os biólogos falharam na construção da Árvore da Vida de Darwin. Os biólogos tinham esperança de que a evidência de DNA revelaria uma grande árvore da vida onde todos os organismos apareceriam nitidamente relacionados. Mas, árvores descrevendo as supostas relações ancestrais entre os organismos baseadas num gene ou característica biológica comumente divergem de árvores baseadas num gene ou característica diferentes. Isso implica num desafio ao ancestral comum universal, a hipótese de que todos os organismos partilham de um ancestral comum.
5. Química: A origem química da vida permanece um mistério insolúvel. O mistério da vida permanece sem solução, e todas as teorias de evolução química enfrentam grandes problemas. As deficiências básicas na evolução química incluem uma falta de explicação de como uma sopa primordial poderia surgir no ambiente hostil da Terra primitiva, ou como que a informação exigida para a vida pode ser gerada por reações químicas cegas.
Eu poderia citar mais uma — a evolução é uma teoria de longo alcance, e teorias científicas assim sofrem de uma grande deficiência epistêmica no contexto da justificação teórica: não podemos recriar esses eventos, e aí o que prevalece é a “crença” a priori de que realmente foi assim. Nada diferente das afirmações criacionistas [Argh, parafraseando a Darwin, isso é como cometer um holocausto epistêmico!]
E ainda dizem que não existe uma crise paradigmática em evolução, que isso é conversa de quem não sabe o que é fazer ciência. Isso é o que então cara-pálida???
Que venha logo Darwin 3.0 em 2010. Sem Lamarck, mas com o Design Inteligente.
Este blogger vai parar de postar mais freqüentemente devido à elaboração de uma dissertação sobre as insuficiências fundamentais da teoria da evolução através da seleção natural apontadas já no tempo de Darwin.
Foi uma séria e conflituosa consideração do debate que vem acontecendo intramuros e nas publicações científicas há muitos anos sobre a insuficiência epistêmica da teoria geral da evolução que fez de mim um incrédulo do fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução.
É por essas e outras razões é que eu não creio mais na interpretação literal dos dogmas aceitos ‘a priori’ de Darwin ideologicamente defendidos com unhas e dentes pela Nomenklatura científica, mas foi a Ciência que me deu esta convicção. Mas a universidade não é lugar de se discutir “idéias”, mesmos as “perigosas”?
Eu aprendi na universidade que quando uma teoria científica não é apoiada pelas evidências, ela deve ser revista ou simplesmente descartada. Sou pós-darwinista já me antecipando a uma iminente e eminente ruptura paradigmática em biologia evolutiva.
É por isso que propago aos quatro ventos: chegou a hora de dizer adeus a Darwin. Sem medo de ser feliz!
Por que eu disse adeus a Darwin em 1998? Por estas cinco razões abaixo:
1. Genética: as mutações causam mal e não constroem complexidade. A evolução darwinista depende das mutações aleatórias que são selecionadas pela seleção natural, um processo cego e não-guiado que não tem objetivos. Tal processo aleatório e não-direcionado tende a provocar males aos organismos. Não parece ser capaz de melhorar os organismos, e não parece ser capaz de produzir novos sistemas complexos.
2. Bioquímica: Processos não-guiados e aleatórios não podem produzir complexidade celular. As células contêm complexidade incrível semelhante à maquinaria tecnológica, mas apequenando qualquer coisa produzida pelos humanos. As células usam circuitos, motores miniaturas, circuitos de feedback, linguagem codificada [DNA], e até maquinário de correção de erros que decodifica e corrige o DNA. Muitos cientistas afirmam que a evolução darwinista não parece capaz de construir este tipo de complexidade integrada.
3. Paleontologia: O registro fóssil é desprovido de fósseis intermediários. O padrão geral do registro fóssil é um de explosões abruptas de novas formas biológicas, e os possíveis candidatos para as transições evolutivas são a exceção e não a regra. Por exemplo, a Explosão Cambriana é um evento na história da vida de mais de 500 milhões de anos atrás quando aproximadamente quase todas as principais estruturas corporais dos animais aparecem num instante geológico sem quaisquer aparentes precursores evolutivos.
4. Taxonomia: Os biólogos falharam na construção da Árvore da Vida de Darwin. Os biólogos tinham esperança de que a evidência de DNA revelaria uma grande árvore da vida onde todos os organismos apareceriam nitidamente relacionados. Mas, árvores descrevendo as supostas relações ancestrais entre os organismos baseadas num gene ou característica biológica comumente divergem de árvores baseadas num gene ou característica diferentes. Isso implica num desafio ao ancestral comum universal, a hipótese de que todos os organismos partilham de um ancestral comum.
5. Química: A origem química da vida permanece um mistério insolúvel. O mistério da vida permanece sem solução, e todas as teorias de evolução química enfrentam grandes problemas. As deficiências básicas na evolução química incluem uma falta de explicação de como uma sopa primordial poderia surgir no ambiente hostil da Terra primitiva, ou como que a informação exigida para a vida pode ser gerada por reações químicas cegas.
Eu poderia citar mais uma — a evolução é uma teoria de longo alcance, e teorias científicas assim sofrem de uma grande deficiência epistêmica no contexto da justificação teórica: não podemos recriar esses eventos, e aí o que prevalece é a “crença” a priori de que realmente foi assim. Nada diferente das afirmações criacionistas [Argh, parafraseando a Darwin, isso é como cometer um holocausto epistêmico!]
E ainda dizem que não existe uma crise paradigmática em evolução, que isso é conversa de quem não sabe o que é fazer ciência. Isso é o que então cara-pálida???
Que venha logo Darwin 3.0 em 2010. Sem Lamarck, mas com o Design Inteligente.
Este blogger vai parar de postar mais freqüentemente devido à elaboração de uma dissertação sobre as insuficiências fundamentais da teoria da evolução através da seleção natural apontadas já no tempo de Darwin.
Descoberta mais um “brimo” evolutivo muito distante
terça-feira, novembro 13, 2007
Você se lembra de seus primos e primas? Se você tem uma família unida e que se visita freqüentemente, então você deve se lembrar deles. Mas nem todas as famílias são assim. Especialmente as famílias cobertas por teorias de longo alcance histórico como é a teoria geral da evolução. Pontuar todos os “brimos” e “brimas” ao longo do tempo e espaço evolutivos não é tarefa fácil, mas há pesquisadores que, apesar das evidências dizerem o contrário, continuam achando esses nossos parentes.
O que é interessante é que somente uma mandíbula resolve esta tremenda dificuldade epistêmica: presto, eis o “brimo” que você não conhecia. Só uma mandíbula, e dá pra fazer o reconhecimento? Ah, como vocês são demasiadamente céticos, e faltos de imaginação. Imaginação é a ferramenta sine qua non em paleoantropologia. Se você não tem esta capacidade imaginativa, desista. Não entre nesta ciência empírica onde os fatos é que se ajustam à teoria dominante.
Primo distante é descoberto
13/11/2007
Agência FAPESP — Uma nova página na história da evolução acaba de ser aberta com uma rara e importante descoberta feita no Quênia. [1] Com idade estimada em 10 milhões de anos, uma mandíbula encontrada pode representar um novo tipo de primata.
Fóssil de 10 milhões de anos encontrado no Quênia teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas (foto: Pnas).
Segundo os paleontólogos responsáveis pelo estudo do fóssil descoberto em depósitos vulcânicos na região de Nakali, a mandíbula, com 11 dentes, teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas.
A última vez que um fóssil humanóide com essa idade foi descoberto havia sido em 1982. Peças do período são tão raras que alguns cientistas propuseram que o último ancestral comum teria retornado da Europa ou da Ásia, mas o novo estudo indica que a espécie teria evoluído mesmo no continente africano.
A pesquisa foi feita por um grupo de pesquisadores do Japão, Quênia e França. Coordenada por Yutaka Kunimatsu, do Instituto de Pesquisa em Primatas da Universidade de Kyoto, terá resultados publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
“Estudos moleculares recentes sugerem que a divergência entre humanos e chimpanzés teria ocorrido entre 7 milhões e 5 milhões de anos atrás e a divergência com gorilas de 9 milhões a 8 milhões de anos. Conseqüentemente, o Mioceno Superior (de 11 milhões a 5 milhões de anos) é o período crucial para compreender as origens dos humanos e dos grandes primatas africanos, mas, infelizmente, os registros são extremamente pobres após 13 milhões de anos”, destacaram os autores.
A nova espécie, denominada Nakalipithecus nakayamai, reúne diversas semelhanças com o atual candidato a mais recente ancestral comum entre os grandes primatas, o Ouranopithecus macedoniensis, descoberto na Grécia.
Mas, de acordo com o estudo, alguns detalhes na dentição do N. nakayamai, que indicam uma dieta menos especializada do que do O. macedoniensis, colocam o fóssil agora analisado em um novo gênero.
O artigo A new Late Miocene great ape from Kenya and its implications for the origins of African great apes and humans, de Yutaka Kunimatsu e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em http://www.pnas.org. [2]
NOTA DESTE BLOGGER:
1. Todas as vezes que eu leio expressões assim abrindo um artigo científico: “Uma nova página na história da evolução acaba de ser aberta com uma rara e importante descoberta feita em xyz...”, eu já fico logo cético localizado, pois sei que se trata de mais uma hipótese ad hoc tentando “confirmar” a teoria dominante. Dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, as “notas promissórias epistêmicas” vão sendo emitidas pelos dirigentes do Darwin Bank na expectativa de que serão “resgatadas” pelas evidências. Desde 1859 ainda não foram honradas na boca do cofre do contexto da justificação teórica. Permanecem sem lastro de evidências. Mas que há “brimos” e “brimos”, isso há!!!
2. Ao contrário do anunciado pela Agência FAPESP, os artigos e pesquisas do PNAS podem ser lidos e os PDFs baixados gratuitamente naquele endereço.
O que é interessante é que somente uma mandíbula resolve esta tremenda dificuldade epistêmica: presto, eis o “brimo” que você não conhecia. Só uma mandíbula, e dá pra fazer o reconhecimento? Ah, como vocês são demasiadamente céticos, e faltos de imaginação. Imaginação é a ferramenta sine qua non em paleoantropologia. Se você não tem esta capacidade imaginativa, desista. Não entre nesta ciência empírica onde os fatos é que se ajustam à teoria dominante.Primo distante é descoberto
13/11/2007
Agência FAPESP — Uma nova página na história da evolução acaba de ser aberta com uma rara e importante descoberta feita no Quênia. [1] Com idade estimada em 10 milhões de anos, uma mandíbula encontrada pode representar um novo tipo de primata.
Fóssil de 10 milhões de anos encontrado no Quênia teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas (foto: Pnas).
Segundo os paleontólogos responsáveis pelo estudo do fóssil descoberto em depósitos vulcânicos na região de Nakali, a mandíbula, com 11 dentes, teria pertencido a uma espécie muito próxima do último ancestral comum entre humanos, chimpanzés e gorilas.
A última vez que um fóssil humanóide com essa idade foi descoberto havia sido em 1982. Peças do período são tão raras que alguns cientistas propuseram que o último ancestral comum teria retornado da Europa ou da Ásia, mas o novo estudo indica que a espécie teria evoluído mesmo no continente africano.
A pesquisa foi feita por um grupo de pesquisadores do Japão, Quênia e França. Coordenada por Yutaka Kunimatsu, do Instituto de Pesquisa em Primatas da Universidade de Kyoto, terá resultados publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
“Estudos moleculares recentes sugerem que a divergência entre humanos e chimpanzés teria ocorrido entre 7 milhões e 5 milhões de anos atrás e a divergência com gorilas de 9 milhões a 8 milhões de anos. Conseqüentemente, o Mioceno Superior (de 11 milhões a 5 milhões de anos) é o período crucial para compreender as origens dos humanos e dos grandes primatas africanos, mas, infelizmente, os registros são extremamente pobres após 13 milhões de anos”, destacaram os autores.
A nova espécie, denominada Nakalipithecus nakayamai, reúne diversas semelhanças com o atual candidato a mais recente ancestral comum entre os grandes primatas, o Ouranopithecus macedoniensis, descoberto na Grécia.
Mas, de acordo com o estudo, alguns detalhes na dentição do N. nakayamai, que indicam uma dieta menos especializada do que do O. macedoniensis, colocam o fóssil agora analisado em um novo gênero.
O artigo A new Late Miocene great ape from Kenya and its implications for the origins of African great apes and humans, de Yutaka Kunimatsu e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em http://www.pnas.org. [2]
NOTA DESTE BLOGGER:
1. Todas as vezes que eu leio expressões assim abrindo um artigo científico: “Uma nova página na história da evolução acaba de ser aberta com uma rara e importante descoberta feita em xyz...”, eu já fico logo cético localizado, pois sei que se trata de mais uma hipótese ad hoc tentando “confirmar” a teoria dominante. Dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, as “notas promissórias epistêmicas” vão sendo emitidas pelos dirigentes do Darwin Bank na expectativa de que serão “resgatadas” pelas evidências. Desde 1859 ainda não foram honradas na boca do cofre do contexto da justificação teórica. Permanecem sem lastro de evidências. Mas que há “brimos” e “brimos”, isso há!!!
2. Ao contrário do anunciado pela Agência FAPESP, os artigos e pesquisas do PNAS podem ser lidos e os PDFs baixados gratuitamente naquele endereço.
Lamarck redivivus vai ser incorporado em Darwin 3.0???
JC E-MAIL 3388 de 12 de Novembro de 2007
20. O retorno de Lamarck
Bióloga israelense diz que teoria da evolução precisa ser ampliada para incluir idéia da herança de caracteres adquiridos, mas que evolucionistas resistem à mudança
Rafael Garcia escreve para a “Folha de SP”:
Um conceito que durante mais de 60 anos foi espezinhado por professores de biologia —o lamarckismo— vai voltar a ser ensinado em escolas. A profecia é da bióloga israelense Eva Jablonka, da Universidade de Tel Aviv, uma das cientistas à frente do movimento que quer pôr um fim ao que ela considera um tabu.
A herança de características adquiridas durante a vida de um indivíduo —a transmissão de traços não-incorporados à seqüência de DNA— foi algo arduamente debatido desde que o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) concebeu a idéia que levou seu nome. [NOTA DO BLOGGER: Rafael Garcia leia urgentemente o livro “A Teoria da Progressão dos Animais de Lamarck”, da Dra. Lilian Al-Chueyr Pereira Martins (PUC-SP), São Paulo, Booklink, 2007 e veja: a idéia que levou o nome de Lamarck não foi pensada por ele — fazia parte do pensamento científico dominante da época].
À medida que a teoria da evolução de Darwin foi incorporando a genética, porém, nas primeiras décadas do século 20, o lamarckismo acabou sendo rejeitado pelos biólogos.
Agora, para desenterrar o conceito, Jablonka precisou de uma única palavra mágica: “epigenética”. Esse é o termo usado para se referir ao estudo dos padrões de “expressão” (ativação de genes). A idéia por trás de tudo é que dois organismos que têm um mesmo genoma podem manifestar características totalmente diferentes, se alguns genes não forem expressos em um deles.
Nada disso seria incompatível com a rejeição ao lamarckismo, mas nas duas últimas décadas começou a crescer o número de estudos relatando que padrões de expressão gênica podem ser induzidos por mudanças ambientais e depois passados de pais para filhos.
Se esse é um fenômeno comum em biologia —como defende Jablonka— uma teoria de evolução mais completa precisará se dar ao trabalho de acomodar Lamarck agora.
Em palestra na última terça-feira no 1º Workshop de Evolução Biológica, em Porto Alegre, a bióloga apresentou uma pequena amostra de maneiras como características adquiridas podem ser transmitidas —as vezes por muitas gerações.
As descobertas começaram na década de 1980 com relatos de casos esparsos, como plantas herdam padrões de metilação de DNA, um mecanismo de desativação de genes. Hoje a transmissão de características adquiridas vai além da epigenética e já é conhecida até em humanos, como no caso de mães que transferem suas preferências alimentares aos filhos por meio do leite materno.
Esse tipo de fenômeno, que atrai desde médicos até botânicos, só não conquistou ainda os biólogos evolutivos, diz Jablonka. Em entrevista à Folha, ela fala um pouco sobre sua visão de evolução, que, além da genética e da epigenética, precisaria incluir também cultura e, no caso dos humanos, língua:
— Os fenômenos que a sra. relatou em sua apresentação parecem ser relatos esparsos em sua maioria. Isso está sendo estudado de maneira sistemática?
Um livro-texto em epigenética foi lançado agora em 2007, e há outro sendo lançado em 2008. Eles lidam principalmente com medicina e desenvolvimento. Não abordam muito hereditariedade. Há pessoas em medicina muito interessadas nisso porque se existem doenças que podem ser induzidas pelo ambiente e transmitidas a descendentes, isso é algo importante para epidemiologia. Há muitos grupos trabalhando nisso, não apenas em epigenética do câncer, mas também em outras doenças complexas, como diabetes. Acredita-se que herança epigenética pode influenciá-la. Botânicos estão trabalhando mais para tentar entender o mecanismo de silenciar os genes. Eles estão bem conscientes de que esses mecanismos influenciam a evolução. Só que esse trabalho, em sua maioria, não está sendo feito por biólogos evolutivos e sim por biólogos moleculares. Você lê ótimos estudos, nos quais há apenas algumas linhas dizendo que aquilo é interessante para a evolução. Um estudo que não tive tempo de discutir mostra como a herança epigenética é importante em evolução de plantas. E em fungos também. Pesquisadores franceses dizem que pelo menos um terço do que se observa não se encaixa em genética mendeliana [clássica]. Um terço não é pouco. Em animais, há diversos estudos agora em drosófila, vermes e mesmo em mamíferos. Mas a maioria dos que trabalham nisso [heranças epigenéticas] não são biólogos evolutivos. Eles são o último bastião, resistem muito a isso.
— Por quê?
Porque isso é hereditariedade lamarckista. São variações induzidas pelo ambiente, que são específicas e são transmitidas. Esse não é o paradigma que tem dominado o campo. Se for necessário incluir nos modelos [teóricos] a possibilidade da variação induzida, fica muito difícil. Nesse caso, o ambiente deixa de ser apenas o ambiente selecionador e passa a ser também o ambiente que induz a variação hereditária. Isso requer que se repense um bocado em termos de modelagem de processos evolutivos. Acho que a resistência [dos biólogos evolutivos] a isso é compreensível enquanto eles não estejam convencidos de que esse é um fenômeno realmente importante. Essa tem sido a história da biologia evolutiva desde o começo do século 20. Quando a genética mendeliana apareceu, biólogos evolutivos levaram quase 30 anos para alcançá-la. E o mesmo acontece agora. A hereditariedade epigenética aparece, e pode levar mais dez anos para os biólogos evolutivos a alcançarem.
— Um dia, então, será necessário mudar as referências ao “erro” de Lamarck nos livros escolares?
Acho que sim, mas, de uma maneira que não prejudique. As pessoas terão de pensar sobre Lamarck não no primeiro estágio, mas no segundo. Terão de aprender Lamarck só depois de aprender Darwin. É muito fácil cometer erros ingênuos sobre o lamarckismo, como a história da girafa que se esforça para esticar seu pescoço [e acaba tendo uma prole com pescoço longo].
— Mas são só os exemplos que estão errados? Ele não teria formulado a hipótese errada para explicar as coisas?
O pensamento dele era muito simples. Ele falava de mudanças fisiológicas que ocorrem em decorrência do esforço que o organismo faz para comer, ou no caso do uso e do desuso de órgãos. Ele sabia que em cavernas, animais perdiam seus olhos. Então disse: “Veja, eles não estão usando, e essa mudança fisiológica é transmitida aos descendentes”. Isso fazia bastante sentido. Quase todo mundo no século 19 pensava assim. Lamarck achava que as mudanças fisiológicas que os animais sofriam eram imediatamente traduzidas em mudanças herdadas. A coisa não é tão simples quanto ele pensava, mas nada é tão simples quanto as pessoas do século 19 pensavam. O modo como aprendemos Darwin e o interpretamos hoje não é o modo com que ele descrevia a própria teoria. Se você analisar “A Origem das Espécies” e “Variações em Animais e Plantas sob Domesticação”, verá que Darwin tinha uma teoria hereditária totalmente lamarckista. Dizer que alguém é lamarckista é chamar essa pessoa de estúpida, confusa e dizer que ela não sabe o que fala. Na história do lamarckismo há muitos charlatães, mas isso existiu também no darwinismo. A eugenia criou muitos horrores. Acho que chegamos ao ponto em que podemos dizer: “Veja, não vamos adotar o lamarckismo no sentido antigo”. Claro que não. Mas há mecanismos que permitem que variações induzidas pelo desenvolvimento sejam herdadas. Quem não quiser chamar isso de lamarckismo, pode dar qualquer outro nome. Mas eu acho que é compatível com o que Lamarck e outros lamarckistas falavam. Acho que aquilo que eu espero pode acontecer em uns dez ou vinte anos, quando eu já for uma velha senhora (risos). Espero viver para ver os manuais para estudantes de ensino médio escritos de modo diferente: “Houve um período de 60 anos no qual o lamarckismo foi considerado uma impossibilidade, mas agora sabemos que há alguns processos lamarckistas na hereditariedade etc.”
— Evidências que sugerem mudanças na evolução costumam servir de munição para os criacionistas. O criacionismo está tentando se apropriar do seu trabalho?
Difícil dizer. Até agora eles não usaram isso, mas porque eu e Marion [Lamb, da Universidade de Londres] fomos muito cuidadosas. Em nosso livro [“Evolution in Four Dimensions”, de 2005] dissemos muito claramente o que achamos dos criacionistas. E não foram palavras boas. Algumas pessoas dizem que problemas para os quais os criacionistas apontam na biologia evolutiva podem ser resolvidos se eles entenderem a perspectiva epigenética. Um deles é a evolução convergente. Eles afirmam que o darwinismo não pode explicá-la —eles mesmos, é claro, não conseguem explicá-la, mas não importa. Se a indução do ambiente é importante em evolução, há mecanismos básicos regulatórios similares para os quais faz muito sentido que, nos mesmos ambientes, haja reações adaptativas similares. Mesmo que sejam reações inadequadas, elas seriam similares, se houver algum paralelismo no sistema para tal. Mas é claro que os sistemas são completamente diferentes. Isso [a epigenética] pode tornar mais compreensível como esse tipo de paralelismo pode acontecer. Com a hereditariedade epigenética, você tem seleção mais previsível. Além de selecionar variações genéticas, pode selecionar variações epigenéticas. Dá para ter seleção e evolução aí. Então, de certa maneira, ela aumenta o poder da seleção, porque há mais coisas herdadas que podem ser selecionadas. Uma vez que as variações epigenéticas são em geral variações na expressão de genes —não uma variação neste ou naquele DNA nuclear— num nível diferente de organização biológica, a probabilidade de elas serem “visíveis” para a seleção natural é grande. Acho interessante que, apesar de os criacionistas tentarem agarrar tudo o que pensam poder ajudá-los, eles estejam sendo cautelosos conosco. Eu realmente não quero entrar nessa discussão, porque não acho que eles tenham nada a oferecer intelectualmente.
— No que a sra. está trabalhando agora? Está fazendo algo em laboratório?
Não. Sou uma bióloga teórica. Fiz meu doutorado em genética experimental, mas não trabalho no laboratório há um bom tempo. No momento, estou interessada em dois assuntos. Um deles é o papel dos mecanismos de controle epigenético em macroevolução [estudo da evolução levando em conta muitos grupos de espécies]. Não estou certa disso, mas estou começando a explorar a literatura científica para tentar dizer o que está acontecendo e para ver os dados que têm saído dos experimentos para saber se algum pode validar a hipótese de que esses mecanismos estejam por trás de alguns processos de reorganização que acontecem em condições de estresse. Um estudo recente com galináceos mostrou que se você submete um casal a estresse, torna-os incapazes de prever o ambiente etc., eles têm dificuldade para aprender. Depois ele olha para a prole dessas aves. O que se viu é que, em espécies selvagens, os pais são estressados, mas os filhotes estão OK. Mas o mesmo padrão de expressão de genes está alterado em ambos os casos, então estão investigando o cérebro agora. O outro assunto é a evolução de sistemas nervosos primários. Como eles evoluíram para “experimentar”, algo importante para a evolução da consciência. Mas esse trabalho não tem relação com epigenética.
— Como seu trabalho sobre epigenética pode afetar o debate sobre a unidade de seleção em evolução? O que a sra. diz está de acordo com a noção difundida pelo zoólogo britânico Richard Dawkins, a de que o gene é uma entidade “egoísta” e autônoma que manda no processo evolutivo?
Acho que pensar em termos de genes egoístas não ajuda, e acho que há um monte de confusão sobre isso. A maneira de pensar sobre isso deve ser a de pensar em “inputs” ao desenvolvimento. Você pode ter um “input” genético, um “input” epigenético etc. Mas esses não são apenas “inputs” em desenvolvimento, mas em hereditariedade. Se você pensar dessa maneira, conceber um “input egoísta” não faz sentido. Acho que há uma grande confusão na maneira como Dawkins apresentou todo esse assunto. Ele o apresentou como se as alternativas fossem a seleção do gene, do indivíduo ou do grupo. Isso não é verdade. Ninguém nunca pensou que o indivíduo fosse a unidade de seleção. O indivíduo é um “alvo” da seleção. A alternativa ao gene como unidade de seleção, na verdade, são os caracteres, os traços dele: a característica “herdável” e variável. Essa é a unidade de seleção e acredito que ela deve ser a unidade de seleção. Claro que aquilo que morre e se reproduz é o indivíduo. Às vezes é o grupo. Mas a unidade de seleção é a característica, para a qual existem muitos “inputs” que afetam a “herdabilidade”. Essa é a maneira correta de tratar a evolução e eu não estou disposta a passar minha vida discutido sobre Dawkins e brincando no “parque de diversões” que ele construiu, porque acho que ele está errado. Ele define o problema da maneira errada e então dá a resposta errada. Como o indivíduo pode ser a unidade de seleção? Não dá. Só pode ser o alvo. É preciso que a unidade de seleção seja algo para onde você olha de tempos em tempos e vê mudanças ao longo do tempo entre as gerações. O que, então? Mudanças nos genes? Não sou contra pensar no gene como algo que muda ao longo do tempo evolutivo. É claro que ele muda, mas se você pensa em termos de evolução adaptativa, você está interessado em características e mudanças dessas características. Essa é uma unidade da evolução muito importante, e ninguém nunca achou que os indivíduos fossem a unidade de seleção, no sentido em que Dawkins caricaturou. Outra coisa é que Dawkins caracterizou o gene como a única unidade hereditária digna desse nome —exceto pelo meme [o “gene” cultural]— e não há nada no meio disso. Mas eu acho que há uma grande variedade de coisas entre essas duas. Não é uma coincidência Dawkins não saber de nada sobre herança epigenética, ou nunca tê-la mencionado. Acho que ele é um bom advogado. Mas aqui não se trata de defender um argumento, trata-se de descobrir coisas sobre o mundo.
(Folha de SP, 11/11)
+++++
Fui, pensando seriamente que a Nomenklatura científica está trabalhando a todo vapor a fim de entregar para os usuários a nova versão de Darwin 3.0 em 2010.
20. O retorno de Lamarck
Bióloga israelense diz que teoria da evolução precisa ser ampliada para incluir idéia da herança de caracteres adquiridos, mas que evolucionistas resistem à mudança
Rafael Garcia escreve para a “Folha de SP”:
Um conceito que durante mais de 60 anos foi espezinhado por professores de biologia —o lamarckismo— vai voltar a ser ensinado em escolas. A profecia é da bióloga israelense Eva Jablonka, da Universidade de Tel Aviv, uma das cientistas à frente do movimento que quer pôr um fim ao que ela considera um tabu.
A herança de características adquiridas durante a vida de um indivíduo —a transmissão de traços não-incorporados à seqüência de DNA— foi algo arduamente debatido desde que o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) concebeu a idéia que levou seu nome. [NOTA DO BLOGGER: Rafael Garcia leia urgentemente o livro “A Teoria da Progressão dos Animais de Lamarck”, da Dra. Lilian Al-Chueyr Pereira Martins (PUC-SP), São Paulo, Booklink, 2007 e veja: a idéia que levou o nome de Lamarck não foi pensada por ele — fazia parte do pensamento científico dominante da época].À medida que a teoria da evolução de Darwin foi incorporando a genética, porém, nas primeiras décadas do século 20, o lamarckismo acabou sendo rejeitado pelos biólogos.
Agora, para desenterrar o conceito, Jablonka precisou de uma única palavra mágica: “epigenética”. Esse é o termo usado para se referir ao estudo dos padrões de “expressão” (ativação de genes). A idéia por trás de tudo é que dois organismos que têm um mesmo genoma podem manifestar características totalmente diferentes, se alguns genes não forem expressos em um deles.
Nada disso seria incompatível com a rejeição ao lamarckismo, mas nas duas últimas décadas começou a crescer o número de estudos relatando que padrões de expressão gênica podem ser induzidos por mudanças ambientais e depois passados de pais para filhos.
Se esse é um fenômeno comum em biologia —como defende Jablonka— uma teoria de evolução mais completa precisará se dar ao trabalho de acomodar Lamarck agora.
Em palestra na última terça-feira no 1º Workshop de Evolução Biológica, em Porto Alegre, a bióloga apresentou uma pequena amostra de maneiras como características adquiridas podem ser transmitidas —as vezes por muitas gerações.
As descobertas começaram na década de 1980 com relatos de casos esparsos, como plantas herdam padrões de metilação de DNA, um mecanismo de desativação de genes. Hoje a transmissão de características adquiridas vai além da epigenética e já é conhecida até em humanos, como no caso de mães que transferem suas preferências alimentares aos filhos por meio do leite materno.
Esse tipo de fenômeno, que atrai desde médicos até botânicos, só não conquistou ainda os biólogos evolutivos, diz Jablonka. Em entrevista à Folha, ela fala um pouco sobre sua visão de evolução, que, além da genética e da epigenética, precisaria incluir também cultura e, no caso dos humanos, língua:
— Os fenômenos que a sra. relatou em sua apresentação parecem ser relatos esparsos em sua maioria. Isso está sendo estudado de maneira sistemática?
Um livro-texto em epigenética foi lançado agora em 2007, e há outro sendo lançado em 2008. Eles lidam principalmente com medicina e desenvolvimento. Não abordam muito hereditariedade. Há pessoas em medicina muito interessadas nisso porque se existem doenças que podem ser induzidas pelo ambiente e transmitidas a descendentes, isso é algo importante para epidemiologia. Há muitos grupos trabalhando nisso, não apenas em epigenética do câncer, mas também em outras doenças complexas, como diabetes. Acredita-se que herança epigenética pode influenciá-la. Botânicos estão trabalhando mais para tentar entender o mecanismo de silenciar os genes. Eles estão bem conscientes de que esses mecanismos influenciam a evolução. Só que esse trabalho, em sua maioria, não está sendo feito por biólogos evolutivos e sim por biólogos moleculares. Você lê ótimos estudos, nos quais há apenas algumas linhas dizendo que aquilo é interessante para a evolução. Um estudo que não tive tempo de discutir mostra como a herança epigenética é importante em evolução de plantas. E em fungos também. Pesquisadores franceses dizem que pelo menos um terço do que se observa não se encaixa em genética mendeliana [clássica]. Um terço não é pouco. Em animais, há diversos estudos agora em drosófila, vermes e mesmo em mamíferos. Mas a maioria dos que trabalham nisso [heranças epigenéticas] não são biólogos evolutivos. Eles são o último bastião, resistem muito a isso.
— Por quê?
Porque isso é hereditariedade lamarckista. São variações induzidas pelo ambiente, que são específicas e são transmitidas. Esse não é o paradigma que tem dominado o campo. Se for necessário incluir nos modelos [teóricos] a possibilidade da variação induzida, fica muito difícil. Nesse caso, o ambiente deixa de ser apenas o ambiente selecionador e passa a ser também o ambiente que induz a variação hereditária. Isso requer que se repense um bocado em termos de modelagem de processos evolutivos. Acho que a resistência [dos biólogos evolutivos] a isso é compreensível enquanto eles não estejam convencidos de que esse é um fenômeno realmente importante. Essa tem sido a história da biologia evolutiva desde o começo do século 20. Quando a genética mendeliana apareceu, biólogos evolutivos levaram quase 30 anos para alcançá-la. E o mesmo acontece agora. A hereditariedade epigenética aparece, e pode levar mais dez anos para os biólogos evolutivos a alcançarem.
— Um dia, então, será necessário mudar as referências ao “erro” de Lamarck nos livros escolares?
Acho que sim, mas, de uma maneira que não prejudique. As pessoas terão de pensar sobre Lamarck não no primeiro estágio, mas no segundo. Terão de aprender Lamarck só depois de aprender Darwin. É muito fácil cometer erros ingênuos sobre o lamarckismo, como a história da girafa que se esforça para esticar seu pescoço [e acaba tendo uma prole com pescoço longo].
— Mas são só os exemplos que estão errados? Ele não teria formulado a hipótese errada para explicar as coisas?
O pensamento dele era muito simples. Ele falava de mudanças fisiológicas que ocorrem em decorrência do esforço que o organismo faz para comer, ou no caso do uso e do desuso de órgãos. Ele sabia que em cavernas, animais perdiam seus olhos. Então disse: “Veja, eles não estão usando, e essa mudança fisiológica é transmitida aos descendentes”. Isso fazia bastante sentido. Quase todo mundo no século 19 pensava assim. Lamarck achava que as mudanças fisiológicas que os animais sofriam eram imediatamente traduzidas em mudanças herdadas. A coisa não é tão simples quanto ele pensava, mas nada é tão simples quanto as pessoas do século 19 pensavam. O modo como aprendemos Darwin e o interpretamos hoje não é o modo com que ele descrevia a própria teoria. Se você analisar “A Origem das Espécies” e “Variações em Animais e Plantas sob Domesticação”, verá que Darwin tinha uma teoria hereditária totalmente lamarckista. Dizer que alguém é lamarckista é chamar essa pessoa de estúpida, confusa e dizer que ela não sabe o que fala. Na história do lamarckismo há muitos charlatães, mas isso existiu também no darwinismo. A eugenia criou muitos horrores. Acho que chegamos ao ponto em que podemos dizer: “Veja, não vamos adotar o lamarckismo no sentido antigo”. Claro que não. Mas há mecanismos que permitem que variações induzidas pelo desenvolvimento sejam herdadas. Quem não quiser chamar isso de lamarckismo, pode dar qualquer outro nome. Mas eu acho que é compatível com o que Lamarck e outros lamarckistas falavam. Acho que aquilo que eu espero pode acontecer em uns dez ou vinte anos, quando eu já for uma velha senhora (risos). Espero viver para ver os manuais para estudantes de ensino médio escritos de modo diferente: “Houve um período de 60 anos no qual o lamarckismo foi considerado uma impossibilidade, mas agora sabemos que há alguns processos lamarckistas na hereditariedade etc.”
— Evidências que sugerem mudanças na evolução costumam servir de munição para os criacionistas. O criacionismo está tentando se apropriar do seu trabalho?
Difícil dizer. Até agora eles não usaram isso, mas porque eu e Marion [Lamb, da Universidade de Londres] fomos muito cuidadosas. Em nosso livro [“Evolution in Four Dimensions”, de 2005] dissemos muito claramente o que achamos dos criacionistas. E não foram palavras boas. Algumas pessoas dizem que problemas para os quais os criacionistas apontam na biologia evolutiva podem ser resolvidos se eles entenderem a perspectiva epigenética. Um deles é a evolução convergente. Eles afirmam que o darwinismo não pode explicá-la —eles mesmos, é claro, não conseguem explicá-la, mas não importa. Se a indução do ambiente é importante em evolução, há mecanismos básicos regulatórios similares para os quais faz muito sentido que, nos mesmos ambientes, haja reações adaptativas similares. Mesmo que sejam reações inadequadas, elas seriam similares, se houver algum paralelismo no sistema para tal. Mas é claro que os sistemas são completamente diferentes. Isso [a epigenética] pode tornar mais compreensível como esse tipo de paralelismo pode acontecer. Com a hereditariedade epigenética, você tem seleção mais previsível. Além de selecionar variações genéticas, pode selecionar variações epigenéticas. Dá para ter seleção e evolução aí. Então, de certa maneira, ela aumenta o poder da seleção, porque há mais coisas herdadas que podem ser selecionadas. Uma vez que as variações epigenéticas são em geral variações na expressão de genes —não uma variação neste ou naquele DNA nuclear— num nível diferente de organização biológica, a probabilidade de elas serem “visíveis” para a seleção natural é grande. Acho interessante que, apesar de os criacionistas tentarem agarrar tudo o que pensam poder ajudá-los, eles estejam sendo cautelosos conosco. Eu realmente não quero entrar nessa discussão, porque não acho que eles tenham nada a oferecer intelectualmente.
— No que a sra. está trabalhando agora? Está fazendo algo em laboratório?
Não. Sou uma bióloga teórica. Fiz meu doutorado em genética experimental, mas não trabalho no laboratório há um bom tempo. No momento, estou interessada em dois assuntos. Um deles é o papel dos mecanismos de controle epigenético em macroevolução [estudo da evolução levando em conta muitos grupos de espécies]. Não estou certa disso, mas estou começando a explorar a literatura científica para tentar dizer o que está acontecendo e para ver os dados que têm saído dos experimentos para saber se algum pode validar a hipótese de que esses mecanismos estejam por trás de alguns processos de reorganização que acontecem em condições de estresse. Um estudo recente com galináceos mostrou que se você submete um casal a estresse, torna-os incapazes de prever o ambiente etc., eles têm dificuldade para aprender. Depois ele olha para a prole dessas aves. O que se viu é que, em espécies selvagens, os pais são estressados, mas os filhotes estão OK. Mas o mesmo padrão de expressão de genes está alterado em ambos os casos, então estão investigando o cérebro agora. O outro assunto é a evolução de sistemas nervosos primários. Como eles evoluíram para “experimentar”, algo importante para a evolução da consciência. Mas esse trabalho não tem relação com epigenética.
— Como seu trabalho sobre epigenética pode afetar o debate sobre a unidade de seleção em evolução? O que a sra. diz está de acordo com a noção difundida pelo zoólogo britânico Richard Dawkins, a de que o gene é uma entidade “egoísta” e autônoma que manda no processo evolutivo?
Acho que pensar em termos de genes egoístas não ajuda, e acho que há um monte de confusão sobre isso. A maneira de pensar sobre isso deve ser a de pensar em “inputs” ao desenvolvimento. Você pode ter um “input” genético, um “input” epigenético etc. Mas esses não são apenas “inputs” em desenvolvimento, mas em hereditariedade. Se você pensar dessa maneira, conceber um “input egoísta” não faz sentido. Acho que há uma grande confusão na maneira como Dawkins apresentou todo esse assunto. Ele o apresentou como se as alternativas fossem a seleção do gene, do indivíduo ou do grupo. Isso não é verdade. Ninguém nunca pensou que o indivíduo fosse a unidade de seleção. O indivíduo é um “alvo” da seleção. A alternativa ao gene como unidade de seleção, na verdade, são os caracteres, os traços dele: a característica “herdável” e variável. Essa é a unidade de seleção e acredito que ela deve ser a unidade de seleção. Claro que aquilo que morre e se reproduz é o indivíduo. Às vezes é o grupo. Mas a unidade de seleção é a característica, para a qual existem muitos “inputs” que afetam a “herdabilidade”. Essa é a maneira correta de tratar a evolução e eu não estou disposta a passar minha vida discutido sobre Dawkins e brincando no “parque de diversões” que ele construiu, porque acho que ele está errado. Ele define o problema da maneira errada e então dá a resposta errada. Como o indivíduo pode ser a unidade de seleção? Não dá. Só pode ser o alvo. É preciso que a unidade de seleção seja algo para onde você olha de tempos em tempos e vê mudanças ao longo do tempo entre as gerações. O que, então? Mudanças nos genes? Não sou contra pensar no gene como algo que muda ao longo do tempo evolutivo. É claro que ele muda, mas se você pensa em termos de evolução adaptativa, você está interessado em características e mudanças dessas características. Essa é uma unidade da evolução muito importante, e ninguém nunca achou que os indivíduos fossem a unidade de seleção, no sentido em que Dawkins caricaturou. Outra coisa é que Dawkins caracterizou o gene como a única unidade hereditária digna desse nome —exceto pelo meme [o “gene” cultural]— e não há nada no meio disso. Mas eu acho que há uma grande variedade de coisas entre essas duas. Não é uma coincidência Dawkins não saber de nada sobre herança epigenética, ou nunca tê-la mencionado. Acho que ele é um bom advogado. Mas aqui não se trata de defender um argumento, trata-se de descobrir coisas sobre o mundo.
(Folha de SP, 11/11)
+++++
Fui, pensando seriamente que a Nomenklatura científica está trabalhando a todo vapor a fim de entregar para os usuários a nova versão de Darwin 3.0 em 2010.
A exposição “Darwin” abrasileirada vai engabelar novamente os visitantes???
JC E-MAIL 3388 de 12 de novembro de 2007
Mostra abrasileirada de “Darwin” visitará o país.
Exposição será aberta em fevereiro no RJ
Uma versão abrasileirada da exposição “Darwin”, que levou 175 mil pessoas ao Masp entre maio e julho deste ano, será montada em algumas capitais do Brasil a partir de fevereiro.
A informação foi confirmada à Folha nesta semana por Niles Eldredge, diretor do Museu Americano de História Natural, de Nova York, curador da primeira exibição.
Eldredge disse que recebeu no início do mês um telefonema do Instituto Sangari, que produziu a primeira exposição, confirmando o patrocínio para o novo evento sobre o naturalista Charles Darwin, autor da teoria da evolução.
“A nova exposição vai enfatizar alguns temas relacionados ao fato de Darwin ter estado aqui no Brasil. A história dele na América do Sul é maravilhosa, então vamos torná-la mais sul-americana agora”, disse.
Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Sangari, a exposição será aberta no Rio de Janeiro. Depois, durante ainda o ano de 2008, ela será montada, pela ordem, nas cidades de Brasília, Goiânia e Curitiba. As datas de cada uma dessas outras mostras ainda não foram definidas pela organização.
O paleontólogo americano esteve nesta semana em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para participar de um workshop internacional sobre biologia e evolução.
Durante a passagem do navio HMS Beagle pelo Brasil em 1832, Darwin visitou florestas costeiras na Bahia e também no Rio de Janeiro.
Segundo Eldredge, a nova exposição sobre o naturalista britânico deve ter agora mais ênfase no lado histórico. “Vamos incluir alguma coisa sobre as idéias sociais de Darwin no Brasil, como o repúdio à escravidão e coisas assim”, disse o pesquisador. (Rafael Garcia)
(Folha de SP, 10/11)
NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER:
1. Eu espero que esta exposição faça como a Folha de São Paulo faz com a sua seção “Erramos”: façam uma seção especial corrigindo os erros da exposição “Darwin”, e façam um pedido de desculpas às 175 mil pessoas que foram à exposição no Masp entre maio e julho de 2007, e foram lesadas historicamente conforme destacado aqui neste blog em três artigos:
Artigo 1
Artigo 2
Artigo 3
2. Eldredge vai mostrar tão-somente o lado bom das idéias sociais de Darwin, mas por que ele não apresenta também a banda podre das “idéias sociais” de Darwin? Por que elas são intencionalmente omitidas nessas exposições de louvaminhice?
Embora Darwin se opusesse à escravidão, ele acreditava piamente que o processo evolutivo tinha criado raças superiores e inferiores. No seu livro The Descent of Man ele manteve que o desenvolvimento intelectual humano era produto da seleção natural e que ela tinha produzido diferenças significantes nas faculdades mentais de “homens de distintas raças” [Coitado do Watson, seguiu o líder e se ferrou!] Vide The Descent of Man (1871), vol. I, pp.109-110, 160, 201, 216.
Naquele livro, Darwin depreciou aos negros, e destacou que a interrupção na história evolutiva entre os macacos-antropóides e humanos caiu justamente “entre o negro ou australiano, e o gorila”, dando a entender que ele considerava os negros como sendo os humanos mais parecidos com os macacos-antropóides. Ibid, p. 201.
Além disso, Darwin predisse que “em algum período futuro, não muito distante se medido pelos séculos, as raças civilizadas do homem [europeus brancos] irão quase que certamente exterminar e substituir as raças selvagens por todo o mundo.” Ibid, p. 201. Darwin era racista, Eldredge e os darwinistas com esta nova exposição não podem negar.
Exposições como esta envergonham a ciência com esta omissão intencional do lado cinzento do Grande Timoneiro do pensamento evolutivo.
Fui, pensando que Watson foi injustamente condenado pela Nomenklatura científica quando despudoramente absolve Darwin de seus pecadilhos...
Pensar que Eldredge é editor de uma nova publicação científica voltada para a abordagem da evolução nas escolas públicas. Durma-se com um barulho desses, pois é a mesma coisa que colocar um cabrito para tomar conta de uma horta...
Mostra abrasileirada de “Darwin” visitará o país.
Exposição será aberta em fevereiro no RJ
Uma versão abrasileirada da exposição “Darwin”, que levou 175 mil pessoas ao Masp entre maio e julho deste ano, será montada em algumas capitais do Brasil a partir de fevereiro.
A informação foi confirmada à Folha nesta semana por Niles Eldredge, diretor do Museu Americano de História Natural, de Nova York, curador da primeira exibição.
Eldredge disse que recebeu no início do mês um telefonema do Instituto Sangari, que produziu a primeira exposição, confirmando o patrocínio para o novo evento sobre o naturalista Charles Darwin, autor da teoria da evolução.
“A nova exposição vai enfatizar alguns temas relacionados ao fato de Darwin ter estado aqui no Brasil. A história dele na América do Sul é maravilhosa, então vamos torná-la mais sul-americana agora”, disse.
Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Sangari, a exposição será aberta no Rio de Janeiro. Depois, durante ainda o ano de 2008, ela será montada, pela ordem, nas cidades de Brasília, Goiânia e Curitiba. As datas de cada uma dessas outras mostras ainda não foram definidas pela organização.
O paleontólogo americano esteve nesta semana em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para participar de um workshop internacional sobre biologia e evolução.
Durante a passagem do navio HMS Beagle pelo Brasil em 1832, Darwin visitou florestas costeiras na Bahia e também no Rio de Janeiro.
Segundo Eldredge, a nova exposição sobre o naturalista britânico deve ter agora mais ênfase no lado histórico. “Vamos incluir alguma coisa sobre as idéias sociais de Darwin no Brasil, como o repúdio à escravidão e coisas assim”, disse o pesquisador. (Rafael Garcia)
(Folha de SP, 10/11)
NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER:
1. Eu espero que esta exposição faça como a Folha de São Paulo faz com a sua seção “Erramos”: façam uma seção especial corrigindo os erros da exposição “Darwin”, e façam um pedido de desculpas às 175 mil pessoas que foram à exposição no Masp entre maio e julho de 2007, e foram lesadas historicamente conforme destacado aqui neste blog em três artigos:
Artigo 1
Artigo 2
Artigo 3
2. Eldredge vai mostrar tão-somente o lado bom das idéias sociais de Darwin, mas por que ele não apresenta também a banda podre das “idéias sociais” de Darwin? Por que elas são intencionalmente omitidas nessas exposições de louvaminhice?
Embora Darwin se opusesse à escravidão, ele acreditava piamente que o processo evolutivo tinha criado raças superiores e inferiores. No seu livro The Descent of Man ele manteve que o desenvolvimento intelectual humano era produto da seleção natural e que ela tinha produzido diferenças significantes nas faculdades mentais de “homens de distintas raças” [Coitado do Watson, seguiu o líder e se ferrou!] Vide The Descent of Man (1871), vol. I, pp.109-110, 160, 201, 216.
Naquele livro, Darwin depreciou aos negros, e destacou que a interrupção na história evolutiva entre os macacos-antropóides e humanos caiu justamente “entre o negro ou australiano, e o gorila”, dando a entender que ele considerava os negros como sendo os humanos mais parecidos com os macacos-antropóides. Ibid, p. 201.
Além disso, Darwin predisse que “em algum período futuro, não muito distante se medido pelos séculos, as raças civilizadas do homem [europeus brancos] irão quase que certamente exterminar e substituir as raças selvagens por todo o mundo.” Ibid, p. 201. Darwin era racista, Eldredge e os darwinistas com esta nova exposição não podem negar.
Exposições como esta envergonham a ciência com esta omissão intencional do lado cinzento do Grande Timoneiro do pensamento evolutivo.
Fui, pensando que Watson foi injustamente condenado pela Nomenklatura científica quando despudoramente absolve Darwin de seus pecadilhos...
Pensar que Eldredge é editor de uma nova publicação científica voltada para a abordagem da evolução nas escolas públicas. Durma-se com um barulho desses, pois é a mesma coisa que colocar um cabrito para tomar conta de uma horta...
Pedido de ajuda para alcançar a marca de 100.000 visitantes
segunda-feira, novembro 12, 2007
Eu sou fã de carteirinha de Juca Chaves. Ele tinha um refrão onde ele conclamava seus fã a enriquecê-lo: ajude o Juca a ficar rico, compre um dos meus discos, y otras cositas mais.
Como eu acredito na democratização do conhecimento [o conteúdo deste blog pode ser transcrito em quaisquer mídias, resguardando-se os direitos de terceiros, e desde que mantido no original] e a Pátria amada idolatrada em muito contribuiu para minha formação acadêmica, não posso ser um blogger a la Juca Chaves. Contudo, eu faço aqui uma campanha entre os meus leitores: ajudem o blog deste "simples professorzinho do ensino médio" [será???] a atingir a marca de 100.000 visitantes até dezembro de 2007.
Faça o seguinte: repasse o endereço deste blog para o maior número possível de amigos, pedindo a eles que façam o mesmo, e que os demais em pirâmide façam o mesmo. Se a galera dos meninos e meninas de Darwin quiser participar, desde já agradeço a força dada. Afinal de contas, 11 entre 10 darwinistas visitam este blog científico # 1, mas a turma do caderno Mais! e a editoria da Folha de São Paulo nem txum pra esse detalhe.
O meu fã da USP já disse que entrevista no caderno Mais!, sem chance! E eu nem estou ligando pra eles. Minto, eu terei o maior prazer em ser entrevistado pelo Claudio Angelo.
Vamos lá gente, a Nomenklatura científica e a Grande Mídia tupiniquins ainda vão se dar conta de que no contexto da justificação teórica Darwin não fecha a conta.
Passa o rodo, e vamos fechar a conta em 2007 com 100.000 visitantes!
Como eu acredito na democratização do conhecimento [o conteúdo deste blog pode ser transcrito em quaisquer mídias, resguardando-se os direitos de terceiros, e desde que mantido no original] e a Pátria amada idolatrada em muito contribuiu para minha formação acadêmica, não posso ser um blogger a la Juca Chaves. Contudo, eu faço aqui uma campanha entre os meus leitores: ajudem o blog deste "simples professorzinho do ensino médio" [será???] a atingir a marca de 100.000 visitantes até dezembro de 2007.
Faça o seguinte: repasse o endereço deste blog para o maior número possível de amigos, pedindo a eles que façam o mesmo, e que os demais em pirâmide façam o mesmo. Se a galera dos meninos e meninas de Darwin quiser participar, desde já agradeço a força dada. Afinal de contas, 11 entre 10 darwinistas visitam este blog científico # 1, mas a turma do caderno Mais! e a editoria da Folha de São Paulo nem txum pra esse detalhe.
O meu fã da USP já disse que entrevista no caderno Mais!, sem chance! E eu nem estou ligando pra eles. Minto, eu terei o maior prazer em ser entrevistado pelo Claudio Angelo.
Vamos lá gente, a Nomenklatura científica e a Grande Mídia tupiniquins ainda vão se dar conta de que no contexto da justificação teórica Darwin não fecha a conta.
Passa o rodo, e vamos fechar a conta em 2007 com 100.000 visitantes!
Para uma ciência normal objetiva: promovendo a percepção de preconceitos pessoais
A imagem do cientista no imaginário coletivo é a de um mortal acima de todos os mortais, frio, objetivo, e o único portador da verdade da descrição da realidade. Nada mais falso. O cientista é humano, e como todo ser humano sujeito a paixões, e até de preferências ideológicas que interferem na sua descrição das evidências encontradas na natureza. Lembre-se de Dobzhansky no Brasil: “As evidências, ora que se danem as evidências. O que vale é a teoria”
NOTA DESTE BLOGGER: Não estou aqui desconsiderando a grande contribuição que Dobzhansky deu ao avanço da ciência no Brasil e na USP, mas cientistas brasileiros que trabalharam com Dobzhansky há quase meio século ainda são reticentes sobre esta e outras afirmações dobzhanskyanas, bem como de sua participação e dos verdadeiros resultados das pesquisas. Por quê? Sabotaram as pesquisas de Dobzhansky no Brasil? Ou as evidências encontradas pelos colegas brasileiros não corroboraram o enunciado teórico evolutivo anunciado e esperado por Dobzhansky?
Os pesquisadores interessados neste episódio — não se esqueçam: quem patrocinou Dobzhansky no Brasil e na América Latina foi a Rockfeller Foundation — vão ter que esperar que estes cientistas brasileiros morram para poderem abrir finalmente este baú da História da Ciência. Havia outros interesses “não científicos” da Fundação Rockfeller por trás da presença de Dobzhansky na América Latina???
Contudo, e felizmente, na ciência há meios de se apontar e corrigir a influência de vieses/subjetividades nos relatórios, pesquisas e artigos científicos. Uma navalha de Occam [instrumento muito mal utilizado pela galera de meninos e meninas de Darwin] mais contextualizada, atualizada e eficaz.
Interessante este pequeno texto do meu amigo David J. Tyler sobre a promoção da percepção de preconceitos pessoais no fazer ciência normal.
Um exercício para documentar a “incerteza conceitual” na interpretação de imagens sísmicas está merecendo discussão mais ampla. Poucos leitores deste blog saberão alguma coisa sobre seções sísmicas, mas a pesquisa reportada aborda princípios que são relevantes para todos nós.
Dados sísmicos podem ser usados para fornecerem modelos tridimensionais de rochas e estruturas geológicas abaixo do solo. A imagem sísmica é uma ferramenta padrão de geólogos petrolíferos, mas muitos outros geocientistas acham a técnica inapreciável. Há uma limitação importante:
“Todas as séries de dados geológicos são limitados espacialmente e têm resoluções limitadas. Os geocientistas que interpretam tais dados devem, portanto, confiar em sua prévia experiência e aplicar uma série de conceitos geológicos limitados.”
Os pesquisadores partiram para o entendimento maior sobre os fatores humanos envolvidos no processo de interpretação. Leitores geologicamente alertas podem consultar a pesquisa original e ler sobre as descobertas e a sua significância. Nós focalizaremos em questões mais genéricas levantadas na seção de discussão.
Três fontes principais de vieses/preconceitos foram identificadas nos participantes (todos eram geocientistas com alguma especialização em seções sísmicas, mas com tempos variantes de experiência). Deve ser enfatizado que o “viés/preconceito” não tem conotações de comportamento não-professional ou prática aética. Ela se relaciona com as influenciais identificáveis de julgamento humano.
As três categorias são as seguintes:
1. O viés/preconceito da disponibilidade. Isto se refere às recentes experiências feitas pelos sujeitos [pesquisadores] que tendem a empregar modelos que têm aplicação contemporânea no seu pensamento.
2. O viés/preconceito da ancoragem. Os sujeitos [pesquisadores] foram relutantes em se afastarem de uma formulação inicial do problema onde as opiniões dos especialistas forneciam contextualização e reafirmação.
3. O viés/preconceito da confirmação. Este “envolve procurar ativamente opiniões e fatos que apóiem as crenças ou as hipóteses de alguém” (isto é, o reverso da busca da falsificação).
Estes três tipos de vieses/preconceitos não são de todo raros. “Exemplos de viés/preconceito baseado no ambiente especialista tectônico dominante podem ser encontrados em todos os níveis de experiência. Os indivíduos participantes com mais de 15 anos de experiência curiosamente mostram evidência dos vieses/preconceitos da disponibilidade e da ancoragem do mesmo modo que os estudantes fazem.” “Muitos” participantes foram considerados como exibindo o viés/preconceito da confirmação.
Por que isso é relevante? É porque estes geocientistas são representantes da comunidade científica como um todo, onde quer que o juízo e interpretação humanas estiverem envolvidas no seu trabalho. Muitas das questões ventiladas neste blog se relacionam com modelos biológicos populares (reducionismo genético, ancestral comum, darwinismo, etc.) que envolvem a interpretação de dados, e que podem ser influenciados devido ao viés/preconceito da disponibilidade. A influência dos formadores de opiniões vai muito além do conteúdo de suas palavras. Este é o viés/preconceito da ancoragem. E a tendência de se buscar apoio das opiniões pessoais de alguém (em vez de desafiá-las) é ampla (talvez exemplificada do modo como os darwinistas se deleitam no contar de estórias imaginárias). NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER: é o que eu chamo aqui de “síndrome-do-soldadinho-de-chumbo” — todo mundo pensando a mesma coisa, e ninguém pensando em nada!
Este é o viés/preconceito da confirmação.
Há muita “incerteza conceitual” em todas as matérias relativas às origens. Seria saudável se alguns pesquisadores fizessem para a comunidade biológica o que a equipe de modelagem sísmica fez para a geociência.
What do you think this is? “Conceptual uncertainty” in geoscience interpretation C.E. Bond, A.D. Gibbs, Z.K. Shipton, S. Jones GSA Today, 17(11), (November 2007), 4-10 | DOI: 10.1130/GSAT01711A.1
PDF de 4.72MB aqui.
Interpretations of seismic images are used to analyze sub-surface geology and form the basis for many exploration and extraction decisions, but the uncertainty that arises from human bias in seismic data interpretation has not previously been quantified. [...] We have documented the range of interpretations to a single data set, and in doquantified the “conceptual uncertainty” inherent in seismic interpretation. In this experiment, 412 interpretations of a synthetic seismic image were analyzed. Only 21% of the participants interpreted the “correct” tectonic setting of the original model, and only 23% highlighted the three main fault strands in the image. [...] [O]ur results demonstrate that conceptual uncertainty has a critical influence on resource exploration and other areas of geoscience. Practices should be developed to minimize the effects of conceptual uncertainty, and it should be accounted for in risk analysis.
Fui, pensando: e se esta abordagem fosse aplicada rigorosamente ao fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução? Nós teríamos mais ciência e menos subjetividades ideológicas posando como ciência na Nomenklatura científica e na Grande Mídia Tupiniquim, para o desespero escatológico da galera dos meninos e meninas de Darwin que, de uma vez por todas, ficaria ciente de que é epistemicamente órfã. Que venha logo Darwin 3.0.
Não se esqueçam: a teoria geral da evolução é um teoria de longo alcance histórico!!!
NOTA DESTE BLOGGER: Não estou aqui desconsiderando a grande contribuição que Dobzhansky deu ao avanço da ciência no Brasil e na USP, mas cientistas brasileiros que trabalharam com Dobzhansky há quase meio século ainda são reticentes sobre esta e outras afirmações dobzhanskyanas, bem como de sua participação e dos verdadeiros resultados das pesquisas. Por quê? Sabotaram as pesquisas de Dobzhansky no Brasil? Ou as evidências encontradas pelos colegas brasileiros não corroboraram o enunciado teórico evolutivo anunciado e esperado por Dobzhansky?
Os pesquisadores interessados neste episódio — não se esqueçam: quem patrocinou Dobzhansky no Brasil e na América Latina foi a Rockfeller Foundation — vão ter que esperar que estes cientistas brasileiros morram para poderem abrir finalmente este baú da História da Ciência. Havia outros interesses “não científicos” da Fundação Rockfeller por trás da presença de Dobzhansky na América Latina???
Contudo, e felizmente, na ciência há meios de se apontar e corrigir a influência de vieses/subjetividades nos relatórios, pesquisas e artigos científicos. Uma navalha de Occam [instrumento muito mal utilizado pela galera de meninos e meninas de Darwin] mais contextualizada, atualizada e eficaz.
Interessante este pequeno texto do meu amigo David J. Tyler sobre a promoção da percepção de preconceitos pessoais no fazer ciência normal.
Um exercício para documentar a “incerteza conceitual” na interpretação de imagens sísmicas está merecendo discussão mais ampla. Poucos leitores deste blog saberão alguma coisa sobre seções sísmicas, mas a pesquisa reportada aborda princípios que são relevantes para todos nós.
Dados sísmicos podem ser usados para fornecerem modelos tridimensionais de rochas e estruturas geológicas abaixo do solo. A imagem sísmica é uma ferramenta padrão de geólogos petrolíferos, mas muitos outros geocientistas acham a técnica inapreciável. Há uma limitação importante:
“Todas as séries de dados geológicos são limitados espacialmente e têm resoluções limitadas. Os geocientistas que interpretam tais dados devem, portanto, confiar em sua prévia experiência e aplicar uma série de conceitos geológicos limitados.”
Os pesquisadores partiram para o entendimento maior sobre os fatores humanos envolvidos no processo de interpretação. Leitores geologicamente alertas podem consultar a pesquisa original e ler sobre as descobertas e a sua significância. Nós focalizaremos em questões mais genéricas levantadas na seção de discussão.
Três fontes principais de vieses/preconceitos foram identificadas nos participantes (todos eram geocientistas com alguma especialização em seções sísmicas, mas com tempos variantes de experiência). Deve ser enfatizado que o “viés/preconceito” não tem conotações de comportamento não-professional ou prática aética. Ela se relaciona com as influenciais identificáveis de julgamento humano.
As três categorias são as seguintes:
1. O viés/preconceito da disponibilidade. Isto se refere às recentes experiências feitas pelos sujeitos [pesquisadores] que tendem a empregar modelos que têm aplicação contemporânea no seu pensamento.
2. O viés/preconceito da ancoragem. Os sujeitos [pesquisadores] foram relutantes em se afastarem de uma formulação inicial do problema onde as opiniões dos especialistas forneciam contextualização e reafirmação.
3. O viés/preconceito da confirmação. Este “envolve procurar ativamente opiniões e fatos que apóiem as crenças ou as hipóteses de alguém” (isto é, o reverso da busca da falsificação).
Estes três tipos de vieses/preconceitos não são de todo raros. “Exemplos de viés/preconceito baseado no ambiente especialista tectônico dominante podem ser encontrados em todos os níveis de experiência. Os indivíduos participantes com mais de 15 anos de experiência curiosamente mostram evidência dos vieses/preconceitos da disponibilidade e da ancoragem do mesmo modo que os estudantes fazem.” “Muitos” participantes foram considerados como exibindo o viés/preconceito da confirmação.
Por que isso é relevante? É porque estes geocientistas são representantes da comunidade científica como um todo, onde quer que o juízo e interpretação humanas estiverem envolvidas no seu trabalho. Muitas das questões ventiladas neste blog se relacionam com modelos biológicos populares (reducionismo genético, ancestral comum, darwinismo, etc.) que envolvem a interpretação de dados, e que podem ser influenciados devido ao viés/preconceito da disponibilidade. A influência dos formadores de opiniões vai muito além do conteúdo de suas palavras. Este é o viés/preconceito da ancoragem. E a tendência de se buscar apoio das opiniões pessoais de alguém (em vez de desafiá-las) é ampla (talvez exemplificada do modo como os darwinistas se deleitam no contar de estórias imaginárias). NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER: é o que eu chamo aqui de “síndrome-do-soldadinho-de-chumbo” — todo mundo pensando a mesma coisa, e ninguém pensando em nada!
Este é o viés/preconceito da confirmação.
Há muita “incerteza conceitual” em todas as matérias relativas às origens. Seria saudável se alguns pesquisadores fizessem para a comunidade biológica o que a equipe de modelagem sísmica fez para a geociência.
What do you think this is? “Conceptual uncertainty” in geoscience interpretation C.E. Bond, A.D. Gibbs, Z.K. Shipton, S. Jones GSA Today, 17(11), (November 2007), 4-10 | DOI: 10.1130/GSAT01711A.1
PDF de 4.72MB aqui.
Interpretations of seismic images are used to analyze sub-surface geology and form the basis for many exploration and extraction decisions, but the uncertainty that arises from human bias in seismic data interpretation has not previously been quantified. [...] We have documented the range of interpretations to a single data set, and in doquantified the “conceptual uncertainty” inherent in seismic interpretation. In this experiment, 412 interpretations of a synthetic seismic image were analyzed. Only 21% of the participants interpreted the “correct” tectonic setting of the original model, and only 23% highlighted the three main fault strands in the image. [...] [O]ur results demonstrate that conceptual uncertainty has a critical influence on resource exploration and other areas of geoscience. Practices should be developed to minimize the effects of conceptual uncertainty, and it should be accounted for in risk analysis.
Fui, pensando: e se esta abordagem fosse aplicada rigorosamente ao fato, Fato, FATO da teoria geral da evolução? Nós teríamos mais ciência e menos subjetividades ideológicas posando como ciência na Nomenklatura científica e na Grande Mídia Tupiniquim, para o desespero escatológico da galera dos meninos e meninas de Darwin que, de uma vez por todas, ficaria ciente de que é epistemicamente órfã. Que venha logo Darwin 3.0.
Não se esqueçam: a teoria geral da evolução é um teoria de longo alcance histórico!!!
Site cético sério entrevista Michael Behe
sexta-feira, novembro 09, 2007
Point of Inquiry with D. J. Grothe
Michael J. Behe, uma figura central no movimento do Design Inteligente, é professor de Bioquímica na Lehigh University, Pensilvânia, e sênior fellow do Centro para Ciência e Cultura do Discovery Institute. Ele é autor de A Caixa Preta de Darwin: o desafio da Bioquímica à teoria da evolução [Rio de Janeiro, Zahar, 1997 e mais recentemente do The Edge of Evolution: Searching for the Limits of Darwinism. [Nota deste blogger: pode ser encomendado na Livraria Cultura]
Na conversa com D.J. Grothe, Behe discute seu papel prominente no movimento do DI, e como ele primeiro se envolveu. Ele explora as diferenças entre o criacionismo e a teoria do Design Inteligente, e detalha algumas de suas experiências com testemunha-chave da defesa em Dover, Pensilvânia no julgamento do Design Inteligente. Ele também explica tese de seu novo livro, e fala sobre o que ele considera ser preconceitos da ciência mainstream.
34 minutos em inglês
Michael J. Behe, uma figura central no movimento do Design Inteligente, é professor de Bioquímica na Lehigh University, Pensilvânia, e sênior fellow do Centro para Ciência e Cultura do Discovery Institute. Ele é autor de A Caixa Preta de Darwin: o desafio da Bioquímica à teoria da evolução [Rio de Janeiro, Zahar, 1997 e mais recentemente do The Edge of Evolution: Searching for the Limits of Darwinism. [Nota deste blogger: pode ser encomendado na Livraria Cultura]Na conversa com D.J. Grothe, Behe discute seu papel prominente no movimento do DI, e como ele primeiro se envolveu. Ele explora as diferenças entre o criacionismo e a teoria do Design Inteligente, e detalha algumas de suas experiências com testemunha-chave da defesa em Dover, Pensilvânia no julgamento do Design Inteligente. Ele também explica tese de seu novo livro, e fala sobre o que ele considera ser preconceitos da ciência mainstream.
34 minutos em inglês
No mundo da polêmica científica, o Design Inteligente ainda é theoria non grata!
terça-feira, novembro 06, 2007
Interessante o artigo de Ricardo Abramovay, professor titular do Depto. de Economia da FEA/USP e pesquisador do CNPq, publicado no “Valor Econômico”, e veiculado no JC E-Mail 3383, de 05 de novembro de 2007 em que a ciência é retratada como a parte decisiva dos debates públicos mais cruciais de nossa época.
Seguindo o lema da exposição universal de Chicago, de 1933 − a ciência descobre, a indústria aplica e o homem segue. Essa divisão do trabalho preconizada nessas palavras de ordem, segundo Abramovay, apóia-se sobre uma dupla e fundamental autonomia:
1. Por essa visão, as instituições científicas devem ser autônomas: revistas, pareceres anônimos e, sobretudo, um comportamento voltado à partilha do conhecimento, à crítica e à inovação são instrumentos que protegem a produção de conhecimento contra as pressões vindas da opinião pública e dos governos;
2. Os mercados deveriam ser norteados exclusivamente pela capacidade de escolha dos consumidores, diante do funcionamento do mecanismo de preços.
Abramovay vê nessa dupla autonomia um verdadeiro ideal de civilização, conforme trabalhos pioneiros do final dos anos 1930 do sociólogo Robert K. Merton (1910-2003): a ciência então tem caminho aberto para fazer suas descobertas, sem que os preconceitos populares a contaminem, mas o que é cada vez mais marcante na produção contemporânea de conhecimento é que os cientistas não são mais os únicos protagonistas das discussões que levam adiante.
Segundo Abramovay, baseado nos pesquisadores franceses Michel Callon e Bruno Latour, da École des Mines - destacado centro europeu de formação de engenheiros, reputado por sua rigorosa seleção − e da Fondation Nationale des Sciences Politiques de Paris, longe de se confinar aos muros da academia e às páginas das revistas especializadas, a ciência é parte decisiva dos debates públicos mais cruciais de nossa época, e que longe de empobrecer seus horizontes ou de rebaixar sua sofisticação, essa ampliação de seus atores faz bem à ciência.
Interessante que Bruno Latour deu início, alguns anos atrás, a um curso chamado “descrição de controvérsias” [Pardon, chéri, em français!!!]: é muito mais importante, para os engenheiros, aprender a lidar com as controvérsias, do que aplicar certezas consagradas. Há alguns anos os teóricos e defensores da teoria do Design Inteligente propomos algo semelhante: “Ensinar a controvérsia” na questão da origem e evolução da vida. Razão? Seria muito mais importante, para os biólogos e outros cientistas, aprender a lidar com as controvérsias em biologia evolutiva, do que se apegar ferrenhamente a dogmas consagrados.
A razão maior da nossa proposição de “Ensinar a controvérsia” reside no fato de existir há muito tempo discussões nas publicações científicas sobre as questões da suficiência epistêmica do darwinismo. As conclusões dessas pesquisas precisam ser abordadas publicamente. Segundo Latour, essa irrigação recíproca comunidade científica e mundo social, longe de corromper, deturpar ou submeter a ciência a interesses que a contaminam, é, ao contrário, um fator decisivo de seu enriquecimento. Quando a questão é Darwin, os darwinistas fundamentalistas internacionais e tupiniquins acham o contrário.
O ceticismo globalizado dos darwinistas fundamentalistas deveria se transformar em ceticismo localizado salutar a fim de terem a capacidade de enfrentar a incerteza epistêmica num horizonte de controvérsia, e não num mundo em que as verdades são enunciadas de maneira incontestável, e os críticos e oponentes sendo demonizados por suas visões extremas da origem e evolução do universo e da vida.
Latour, durma-se com um barulho desses! Você com o seu curso “Descrição de controvérsias” na França, e eu com o meu blog “Desafiando a Nomenklatura científica” no Brasil, estamos indo na contramão da ciência mainstream! Mas nós estamos em boa companhia: Copérnico, Galileu, Magueijo, e outros que teimaram ousadamente ser diferentes, e a História da Ciência demonstrou que estavam certos...
Bem-vindos ao mundo da polêmica, mas a Nomenklatura científica e os agentes da KGB [oops, peer-reviewers é mais chique] quais mulas que empacam, continuam afirmando que a teoria do Design Inteligente é uma theoria non grata de ser discutida na universidade.
Bem-vindos ao mundo da polêmica científica, ma Darwin non é polêmico, capice???
As teses racistas de Darwin estão corretas, diz cientista político
segunda-feira, novembro 05, 2007
Há alguns dias postei sobre o affair de racismo imputado a James Watson. Pobre Watson, ele tão-somente interpretou Darwin literalmente no "The Descent of Man".
Nobel acusado de racismo está correto, diz cientista político
SÉRGIO DÁVILA
da Folha de S.Paulo, em Washington
Antes de James Watson, o Prêmio Nobel de 79 anos caído em desgraça depois de fazer comentários racistas, houve Charles Murray. Embora seja mais novo que o co-descobridor da estrutura do DNA, o cientista político norte-americano sessentão sofreu o mesmo tipo de crítica ao lançar "The Bell Curve" (A Curva do Sino, Free Press, 1994).
No livro, que escreveu com o psicólogo e professor de Harvard Richard Herrnstein (1930-1994), Murray defendia basicamente que a inteligência é o fator mais importante no sucesso das pessoas. Mas o barulho veio do que ambos escreveram em dois capítulos, que testes de QI (quoficiente de inteligência) apontavam que há diferenças entre raças, com brancos se saindo em média melhor do que negros.
Defensor da eugenia foi o adjetivo mais brando que ouviu então. Um telejornal chegou a colocar sua foto ao lado da de Hitler. Para comentar o caso de Watson, a Folha foi ouvir Murray, hoje um dos acadêmicos do conservador American Entreprise Institute, em Washington. Na longa entrevista por telefone, ele concorda com o ponto central do argumento do Nobel, defende a superioridade intelectual dos judeus e diz que a ação afirmativa será "uma desgraça" para o Brasil. A polêmica continua.
Leia mais aqui >>>
E aqui "Obra desvenda a construção e o funcionamento do racismo no Brasil >>>
NOTA DESTE BLOGGER: Não estou na folha de pagamento deste jornal, e nem recebi nada por destacar suas notícias.
Nobel acusado de racismo está correto, diz cientista político
SÉRGIO DÁVILA
da Folha de S.Paulo, em Washington
Antes de James Watson, o Prêmio Nobel de 79 anos caído em desgraça depois de fazer comentários racistas, houve Charles Murray. Embora seja mais novo que o co-descobridor da estrutura do DNA, o cientista político norte-americano sessentão sofreu o mesmo tipo de crítica ao lançar "The Bell Curve" (A Curva do Sino, Free Press, 1994).
No livro, que escreveu com o psicólogo e professor de Harvard Richard Herrnstein (1930-1994), Murray defendia basicamente que a inteligência é o fator mais importante no sucesso das pessoas. Mas o barulho veio do que ambos escreveram em dois capítulos, que testes de QI (quoficiente de inteligência) apontavam que há diferenças entre raças, com brancos se saindo em média melhor do que negros.
Defensor da eugenia foi o adjetivo mais brando que ouviu então. Um telejornal chegou a colocar sua foto ao lado da de Hitler. Para comentar o caso de Watson, a Folha foi ouvir Murray, hoje um dos acadêmicos do conservador American Entreprise Institute, em Washington. Na longa entrevista por telefone, ele concorda com o ponto central do argumento do Nobel, defende a superioridade intelectual dos judeus e diz que a ação afirmativa será "uma desgraça" para o Brasil. A polêmica continua.
Leia mais aqui >>>
E aqui "Obra desvenda a construção e o funcionamento do racismo no Brasil >>>
NOTA DESTE BLOGGER: Não estou na folha de pagamento deste jornal, e nem recebi nada por destacar suas notícias.
Debate na Universidade Cornell: Se o neodarwinismo não é mais uma Brastemp epistêmica, o que vem depois???
sexta-feira, novembro 02, 2007
Gente, a cada dia que passa eu fico pensando: eu apostei no cavalo certo após comprar e ler o livro “A Caixa Preta de Darwin” em Piracicaba em 1997. Eu me lembro como se fosse hoje. Fui a um supermercado e, para minha surpresa logo na entrada eu deparei com uma livraria. Isso mesmo, uma livraria. Lembrei-me da frase de Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”.
Ainda darwinista de carteirinha, fiquei surpreso de ver o livro de Michael Behe em destaque: “A Caixa Preta de Darwin: o desafio da Bioquímica à teoria da evolução”, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997. Peguei um exemplar, disse para mim mesmo: “Mais um livro desses criacionistas fundamentalistas que não sabem o que é ciência”. Preconceitos à parte, comecei a folhear o livro e vi que era completamente diferente do que imaginara.
Comprei um exemplar, e fui para casa meio “nocauteado” com os argumentos científicos apresentados. O resto é história. É de Piracicaba que surgiu o NBDI, este pequeno, mas crescente núcleo de professores e alunos de universidades públicas e privadas promovendo a teoria do Design Inteligente. Até aqui em Pindorama apenas uma vez a TDI foi apresentada numa universidade: no V Encontro de Filosofia e História da Biologia, em agosto de 2007 na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.
Um dos palestrantes, professor de renomada universidade pública pediu para eu abandonar o barco do DI. Respondi que não faria isso porque sei de uma iminente e eminente mudança paradigmática biologia evolutiva. Muito mais agora fiquei convicto do DI ao saber de um debate que ocorrerá na Universidade Cornell entre o meu amigo Dr. Paul Nelson (guarde bem este nome) e o Dr. William Provine no próximo dia 12 de novembro: “Do Problems with the Evolutionary Synthesis support Intelligent Design?” [Os problemas com a síntese evolutiva apóiam o Design Inteligente?]

Provine e Nelson na Universidade Cornell, 12 de novembro: Se o neodarwinismo falha, então o quê?
por Paul Nelson
Como estudante universitário estudando biologia evolutiva — como muitos outros estudantes, eu suponho — eu li o livro clássico de Will Provine "The Origin of Theoretical Population Genetics" [A origem teórica da genética de população] (University of Chicago Press, 1971), uma história padrão do assentamento das fundações matemático-conceituais na obra de Fisher, Haldane, e Wright, do que mais tarde viria ser conhecido como a Síntese Evolutiva (i.e., o neodarwinismo dos livros-texto).
Quando a editora da University of Chicago reeditou o livro em 2001, Provine adicionou um extraordinário posfácio. Com sinceridade característica ele escreveu que “minhas opiniões mudaram dramaticamente.” A seleção natural, por exemplo, Provine não considerava mais como uma “força” ou “mecanismo” de qualquer tipo:
“A seleção natural não age sobre nada, não seleciona (a favor ou contra), não força, não maximiza, não cria, não modifica, não modela, não opera, não conduz, não favorece, não mantém, não empurra e nem ajusta. A seleção natural não faz nada... Conceber que a seleção natural seleciona é uma observação inteligente porque desculpa a necessidade de se falar sobre a causação verdadeira da seleção natural. Tal conversa era desculpável para Charles Darwin, mas inescusável para os evolucionistas agora. Os criacionistas descobriram a nossa linguagem vazia da “seleção natural”, e as “ações” da seleção natural fazem grandes alvos vulneráveis.” (pp. 199-200)
No dia 12 de novembro, Provine está patrocinando um debate (comigo) na Cornell University, onde a questão sobre a mesa é esta: Se o neodarwinismo dos livros-texto — a Síntese Evolutiva — falhar, o que se segue? Eu irei argumentar que o DI ganha apoio; Will disse-me que argumentará que o DI ganha favas. Mas nós iremos começar resumindo onde nós concordamos sobre as insuficiências da teoria padrão. O debate será moderado por Allen MacNeill, vai ser na sala B45 do Warren Hall, às 4:30 PM segunda-feira, 12 de novembro. Depois haverá um jantar na Hans Bethe House.
NOTA DESTE BLOGGER: Provine já disse certa vez numa conferência sobre evolução nas ilhas Galápagos que o neodarwinismo está morto. Antes dele, Stephen Jay Gould e Lynn Margulis afirmaram a mesma coisa. Por que ainda consta em nossos livros didáticos de Biologia? Com a palavra o MEC/SEMTEC/PNLEM e a CEC - Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
Ainda darwinista de carteirinha, fiquei surpreso de ver o livro de Michael Behe em destaque: “A Caixa Preta de Darwin: o desafio da Bioquímica à teoria da evolução”, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997. Peguei um exemplar, disse para mim mesmo: “Mais um livro desses criacionistas fundamentalistas que não sabem o que é ciência”. Preconceitos à parte, comecei a folhear o livro e vi que era completamente diferente do que imaginara.
Comprei um exemplar, e fui para casa meio “nocauteado” com os argumentos científicos apresentados. O resto é história. É de Piracicaba que surgiu o NBDI, este pequeno, mas crescente núcleo de professores e alunos de universidades públicas e privadas promovendo a teoria do Design Inteligente. Até aqui em Pindorama apenas uma vez a TDI foi apresentada numa universidade: no V Encontro de Filosofia e História da Biologia, em agosto de 2007 na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.
Um dos palestrantes, professor de renomada universidade pública pediu para eu abandonar o barco do DI. Respondi que não faria isso porque sei de uma iminente e eminente mudança paradigmática biologia evolutiva. Muito mais agora fiquei convicto do DI ao saber de um debate que ocorrerá na Universidade Cornell entre o meu amigo Dr. Paul Nelson (guarde bem este nome) e o Dr. William Provine no próximo dia 12 de novembro: “Do Problems with the Evolutionary Synthesis support Intelligent Design?” [Os problemas com a síntese evolutiva apóiam o Design Inteligente?]

Provine e Nelson na Universidade Cornell, 12 de novembro: Se o neodarwinismo falha, então o quê?
por Paul Nelson
Como estudante universitário estudando biologia evolutiva — como muitos outros estudantes, eu suponho — eu li o livro clássico de Will Provine "The Origin of Theoretical Population Genetics" [A origem teórica da genética de população] (University of Chicago Press, 1971), uma história padrão do assentamento das fundações matemático-conceituais na obra de Fisher, Haldane, e Wright, do que mais tarde viria ser conhecido como a Síntese Evolutiva (i.e., o neodarwinismo dos livros-texto).
Quando a editora da University of Chicago reeditou o livro em 2001, Provine adicionou um extraordinário posfácio. Com sinceridade característica ele escreveu que “minhas opiniões mudaram dramaticamente.” A seleção natural, por exemplo, Provine não considerava mais como uma “força” ou “mecanismo” de qualquer tipo:
“A seleção natural não age sobre nada, não seleciona (a favor ou contra), não força, não maximiza, não cria, não modifica, não modela, não opera, não conduz, não favorece, não mantém, não empurra e nem ajusta. A seleção natural não faz nada... Conceber que a seleção natural seleciona é uma observação inteligente porque desculpa a necessidade de se falar sobre a causação verdadeira da seleção natural. Tal conversa era desculpável para Charles Darwin, mas inescusável para os evolucionistas agora. Os criacionistas descobriram a nossa linguagem vazia da “seleção natural”, e as “ações” da seleção natural fazem grandes alvos vulneráveis.” (pp. 199-200)
No dia 12 de novembro, Provine está patrocinando um debate (comigo) na Cornell University, onde a questão sobre a mesa é esta: Se o neodarwinismo dos livros-texto — a Síntese Evolutiva — falhar, o que se segue? Eu irei argumentar que o DI ganha apoio; Will disse-me que argumentará que o DI ganha favas. Mas nós iremos começar resumindo onde nós concordamos sobre as insuficiências da teoria padrão. O debate será moderado por Allen MacNeill, vai ser na sala B45 do Warren Hall, às 4:30 PM segunda-feira, 12 de novembro. Depois haverá um jantar na Hans Bethe House.
NOTA DESTE BLOGGER: Provine já disse certa vez numa conferência sobre evolução nas ilhas Galápagos que o neodarwinismo está morto. Antes dele, Stephen Jay Gould e Lynn Margulis afirmaram a mesma coisa. Por que ainda consta em nossos livros didáticos de Biologia? Com a palavra o MEC/SEMTEC/PNLEM e a CEC - Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
O “konsenso” da Nomenklatura científica, ou “me engana que eu gosto”!
Qualquer semelhança com o modus operandi da Nomenklatura científica atual em relação a vozes dissidentes descrito aqui neste artigo de meu amigo David J. Tyler, não é mero acaso não, é fato, Fato, FATO!!! Que a Grande Mídia Tupiniquim tome coragem, e ouse um pouco mais em questionar as vacas sagradas da ciência moderna internacional e de Pindorama.
O Eozoön e a construção da credibilidade científica
por David J. Tyler
Logo após Darwin publicar o livro Origem das Espécies, uma afirmação foi feita por dois geólogos canadenses de que tinham descoberto os primeiros sinais de vida na Terra: Eozoon canadense ou o “O aparecimento animal do Canadá”. Eles anunciaram a descoberta numa reunião da Sociedade Britânica para o Avanço da Ciência em 1864. O presidente da SBAC, Sir Charles Lyell, referiu-se ao Eozoon como “uma das maiores descobertas geológicas do seu tempo”.
Os dois canadenses e o “principal aliado deles baseado em Londres, William Benjamin Carpenter, buscaram o apoio de uma comunidade da elite de geólogos para apresentação a sociedades científicas e a publicação de artigos em publicações científicas de prestigio.” Assim, por exemplo, o artigo de Carpenter apareceu nos Proceedings [Anais] da Royal Society em 1864. Charles Darwin deu as boas-vindas à descoberta, e mencionou na 4ª. edição do Origem das Espécies em 1866. Ele escreveu: “Após ler a descrição do Dr. Carpenter deste fóssil extraordinário, é impossível sentir qualquer dúvida concernente à sua natureza orgânica.”
O problema para Darwin era que os fósseis mais antigos conhecidos eram complexos, e a sua teoria exigia algo muito mais simples para preceder as formas da Explosão Cambriana. Foi um alívio quando o Eozoon apareceu fornecendo evidência apoiando o gradualismo.
Na 6ª. edição, Darwin modificou a leitura do texto: “A existência do Eozoon na formação Laurenciana do Canadá é geralmente admitida”. Isso talvez reconheça que havia algumas vozes dissidentes: o Professor William King (um geólogo) e Thomas Rowney (um químico) no Queen's College, Galway. As características da controvérsia que se sucedeu é assunto de um artigo interessante de [Juliana] Adelman.
Ela destaca que os geólogos canadenses adotaram um modelo de comunicação de “difusão”: “os fatos científicos foram confirmados dentro da comunidade científica, e depois apresentados para o público.” Londres foi o foco da atenção deles porque os formadores de opinião estão ali localizados. “Os ‘Eozoonistas’ perceberam que a credibilidade do fóssil esta estabelecida assim que os líderes da comunidade científica em Londres o aceitaram.” Os dissidentes, contudo, escolheram não fazer parte desse jogo.
“King e Rowney, por contraste, não aceitaram o prestígio dos Eozoonistas tinha alguma importância na credibilidade da descoberta. Em vez de procurarem o apoio das elites científicas, eles buscaram o máximo de publicidade para suas afirmações de que o Eozoon não era um fóssil através de uma carta sensacional num jornal popular.”
Os personagens do establishment científico, que endossaram a autenticidade do Eozoon, não gostaram do modo como que a dissensão tinha sido tomada − fora do controle deles. Eles lançaram dúvidas sobre a competência dos dissidentes para contribuir na discussão sobre os fósseis.
“Carpenter respondeu ostentando seu desprezo por King, afirmando que ele aguardava, não a prova de natureza inorgânica do Eozoon, mas a ‘prova de sua competência para avaliar o valor da evidência deste ramos de pesquisa científica’. Segundo Carpenter, os poderes de observação de King eram tão pobres que ele o classificou ‘na mesma categoria com aquelas pessoas sagazes que ainda mantém que os utensílios de sílex tinham sido formados por uma sucessão fortuita de ventos acidentais, e não por obra manual humana’. Além disso, ele não levou Rowney em conta afirmando que um químico não poderia afirmar qualquer autoridade no assunto de fósseis.”
Havia também uma agenda ‘provinciana vs. urbana’. Adelman documenta assim um estudo de caso instrutivo, dando insight nas lutas de poder dentro da ciência, e a maneira como os líderes da ciência têm procurado para estabelecerem sua autoridade dentro da comunidade da ciência, e com o público em geral.
“A maneira como a controvérsia do Eozoon foi conduzida mostra que as tensões atuais entre os cientistas, a mídia, e o público, não são novidades.”
Caso seja necessário dizer, o Eozoon não era um fóssil, e os dissidentes estavam corretos em desafiar o consenso. Há claramente paralelos hoje em dia: o papel das elites científicas, o status de revisão por pares, os protocolos exigidos para serem aceitos como membros da comunidade científica, o modo como questões debatidas podem ser apresentadas como fato para o público, o desdém demonstrado aos dissidentes, a ação de lobby dos editores restringindo o acesso dos críticos do Establishment, e a exploração de modos alternativos de comunicar pontos de vistas minoritários para os pares e o público.
Esta é a própria face humana da ciência. Nós estamos vendo essas características hoje em numerosas áreas onde os cientistas têm chegado a conclusões diferentes. Não há prêmios pela identificação de pelo menos um exemplo!
+++++
Eozoön: debunking the dawn animal
Juliana Adelman
Endeavour, Volume 31, Issue 3, September 2007, Pages 94-98 |
doi:10.1016/j.endeavour.2007.07.002
Abstract: Discovered in the nineteenth century by the Canadian Geological Survey, the Eozoön canadense fossil, or ‘dawn animal of Canada’, created a sensation in the geological community. Only a few initially challenged its status as a fossil organism, including two professors in the remote Irish town of Galway. These men claimed that Eozoön was nothing more than a mineral formation and did not represent the discovery of the primordial organism. Supporters of Eozoön closed ranks and a heated debate soon broke out in a range of periodicals. The story of Eozoön lays bare the construction of scientific credibility, a process that was threatened in the second half of the nineteenth century by the proliferation of popular science.
O Eozoön e a construção da credibilidade científica
por David J. Tyler
Logo após Darwin publicar o livro Origem das Espécies, uma afirmação foi feita por dois geólogos canadenses de que tinham descoberto os primeiros sinais de vida na Terra: Eozoon canadense ou o “O aparecimento animal do Canadá”. Eles anunciaram a descoberta numa reunião da Sociedade Britânica para o Avanço da Ciência em 1864. O presidente da SBAC, Sir Charles Lyell, referiu-se ao Eozoon como “uma das maiores descobertas geológicas do seu tempo”.
Os dois canadenses e o “principal aliado deles baseado em Londres, William Benjamin Carpenter, buscaram o apoio de uma comunidade da elite de geólogos para apresentação a sociedades científicas e a publicação de artigos em publicações científicas de prestigio.” Assim, por exemplo, o artigo de Carpenter apareceu nos Proceedings [Anais] da Royal Society em 1864. Charles Darwin deu as boas-vindas à descoberta, e mencionou na 4ª. edição do Origem das Espécies em 1866. Ele escreveu: “Após ler a descrição do Dr. Carpenter deste fóssil extraordinário, é impossível sentir qualquer dúvida concernente à sua natureza orgânica.”
O problema para Darwin era que os fósseis mais antigos conhecidos eram complexos, e a sua teoria exigia algo muito mais simples para preceder as formas da Explosão Cambriana. Foi um alívio quando o Eozoon apareceu fornecendo evidência apoiando o gradualismo.
Na 6ª. edição, Darwin modificou a leitura do texto: “A existência do Eozoon na formação Laurenciana do Canadá é geralmente admitida”. Isso talvez reconheça que havia algumas vozes dissidentes: o Professor William King (um geólogo) e Thomas Rowney (um químico) no Queen's College, Galway. As características da controvérsia que se sucedeu é assunto de um artigo interessante de [Juliana] Adelman.
Ela destaca que os geólogos canadenses adotaram um modelo de comunicação de “difusão”: “os fatos científicos foram confirmados dentro da comunidade científica, e depois apresentados para o público.” Londres foi o foco da atenção deles porque os formadores de opinião estão ali localizados. “Os ‘Eozoonistas’ perceberam que a credibilidade do fóssil esta estabelecida assim que os líderes da comunidade científica em Londres o aceitaram.” Os dissidentes, contudo, escolheram não fazer parte desse jogo.
“King e Rowney, por contraste, não aceitaram o prestígio dos Eozoonistas tinha alguma importância na credibilidade da descoberta. Em vez de procurarem o apoio das elites científicas, eles buscaram o máximo de publicidade para suas afirmações de que o Eozoon não era um fóssil através de uma carta sensacional num jornal popular.”
Os personagens do establishment científico, que endossaram a autenticidade do Eozoon, não gostaram do modo como que a dissensão tinha sido tomada − fora do controle deles. Eles lançaram dúvidas sobre a competência dos dissidentes para contribuir na discussão sobre os fósseis.
“Carpenter respondeu ostentando seu desprezo por King, afirmando que ele aguardava, não a prova de natureza inorgânica do Eozoon, mas a ‘prova de sua competência para avaliar o valor da evidência deste ramos de pesquisa científica’. Segundo Carpenter, os poderes de observação de King eram tão pobres que ele o classificou ‘na mesma categoria com aquelas pessoas sagazes que ainda mantém que os utensílios de sílex tinham sido formados por uma sucessão fortuita de ventos acidentais, e não por obra manual humana’. Além disso, ele não levou Rowney em conta afirmando que um químico não poderia afirmar qualquer autoridade no assunto de fósseis.”
Havia também uma agenda ‘provinciana vs. urbana’. Adelman documenta assim um estudo de caso instrutivo, dando insight nas lutas de poder dentro da ciência, e a maneira como os líderes da ciência têm procurado para estabelecerem sua autoridade dentro da comunidade da ciência, e com o público em geral.
“A maneira como a controvérsia do Eozoon foi conduzida mostra que as tensões atuais entre os cientistas, a mídia, e o público, não são novidades.”
Caso seja necessário dizer, o Eozoon não era um fóssil, e os dissidentes estavam corretos em desafiar o consenso. Há claramente paralelos hoje em dia: o papel das elites científicas, o status de revisão por pares, os protocolos exigidos para serem aceitos como membros da comunidade científica, o modo como questões debatidas podem ser apresentadas como fato para o público, o desdém demonstrado aos dissidentes, a ação de lobby dos editores restringindo o acesso dos críticos do Establishment, e a exploração de modos alternativos de comunicar pontos de vistas minoritários para os pares e o público.
Esta é a própria face humana da ciência. Nós estamos vendo essas características hoje em numerosas áreas onde os cientistas têm chegado a conclusões diferentes. Não há prêmios pela identificação de pelo menos um exemplo!
+++++
Eozoön: debunking the dawn animal
Juliana Adelman
Endeavour, Volume 31, Issue 3, September 2007, Pages 94-98 |
doi:10.1016/j.endeavour.2007.07.002
Abstract: Discovered in the nineteenth century by the Canadian Geological Survey, the Eozoön canadense fossil, or ‘dawn animal of Canada’, created a sensation in the geological community. Only a few initially challenged its status as a fossil organism, including two professors in the remote Irish town of Galway. These men claimed that Eozoön was nothing more than a mineral formation and did not represent the discovery of the primordial organism. Supporters of Eozoön closed ranks and a heated debate soon broke out in a range of periodicals. The story of Eozoön lays bare the construction of scientific credibility, a process that was threatened in the second half of the nineteenth century by the proliferation of popular science.
O samba do crioulo doido das declarações racistas de Darwin
Leu o título, e não entendeu? É isso mesmo. Darwin fez declarações racistas no seu livro “The Descent of Man”. Mas você viu alguma vez a Nomenklatura científica internacional ou tupiniquim mostrar “constrangimento” por isso? Você viu algum darwinista ou historiador da ciência “deplorando” este crime de racismo perpetrado por Darwin? Não viu? Nem eu tampouco!
No entanto, a comunidade científica (internacional e tupiniquim) ficou muito “constrangida” pelas declarações racistas de James Watson (Nobel de medicina de 1962), derivadas ipsis litteris da teoria da evolução de Darwin, insinuando que os negros são menos inteligentes que os brancos. As idéias racistas são perigosas, e sua origem precisa ser amplamente divulgada: Charles Robert Darwin.
Diante disso, segundo os agentes do NBDI infiltrados nas editorias, esta teria sido a verdadeira cobertura na Grande Mídia Tupiniquim sobre o affair:
JC E-Mail
Edição 3372
Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2007.
32. Darwin, 'pai' da teoria da evolução choca geneticistas
Charles Darwin diz que os aborígenes australianos serão eliminados pelas raças superiores e reabre debate superado
33. Sergio Pena: 'Darwin está ficando gagá ou quer aparecer'
Segundo o pesquisador brasileiro, contrariando a posição racista de Darwin, a genética vai mostrar em pesquisas futuras que raças humanas não existem do ponto de vista científico
JC E-Mail
Edição 3373
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
18. Darwin não se desculpa por declarações racistas no “The Descent of Man”
Co-descobridor da teoria da evolução [Alfred Russel Wallace foi o outro “pai”] afirma, no entanto, que questionar bases genéticas das raças inferiores não é racismo
19. Darwin barrado no museu
Instituição de Londres cancela palestra de Charles Darwin por suas declarações racistas no seu último livro “The Descent of Man”
Boletim CH n. o 112 – Sexta-feira, 19 de outubro de 2007.
GENÉTICA
Declarações racistas de Darwin chocam cientistas
18/10/2007
A comunidade científica mundial está constrangida pelas declarações racistas divulgadas na imprensa pelo teólogo britânico Charles Robert Darwin, um dos “pais” da teoria da evolução de 1859. Em entrevista ao jornal britânico The Sunday Times , Darwin insinuou que os aborígenes australianos são menos inteligentes que os brancos, e que serão “eliminados” pelas raças superiores, contrariando evidências da genética evolutiva a serem acumuladas nas próximas décadas.
JC E-Mail Edição 3374
Segunda-Feira, 22 de Outubro de 2007.
18. Por fala racista, Darwin é suspenso da Royal Society
Organização científica britânica afirma que declaração de Darwin não reflete a posição da entidade. Teólogo depois de afirmar que foi mal compreendido, cancela viagem pelo Reino Unido para divulgar seu novo livro “The Descent of Man” e volta para sua casa em Down
19. Darwin foi censurado, diz chinês
Cientista que estuda relação entre genes e inteligência defende o “pai” da teoria da evolução que deu declaração racista. Segundo Bruce Lahn, da Universidade de Chicago, o “pai” da teoria da evolução foi apenas insensível em sua fala sobre a inferioridade dos aborígenes australianos
JC E-Mail Edição 3378
Sexta-Feira, 26 de Outubro de 2007.
37. Darwin se aposenta uma semana após o lançamento do livro racista “The Descent of Man”.
Teólogo resolveu sair da Royal Society de Londres, na Inglaterra, depois de ter sido suspenso daquela respeitável e renomada organização científica
+++++
NOTA ESCLARECEDORA DESTE BLOGGER:
Não estou fazendo apologia às declarações racistas de Watson. Elas são condenáveis, todavia, eu creio que o seu direito de livre expressão foi cerceado. Além disso, ironias historiográficas à parte, e embora Darwin tenha se oposto à escravidão, muito pouca gente sabe que ele cria firmemente que o processo evolutivo tinha criado as raças superiores e inferiores. No seu livro “The Descent of Man”, Darwin afirmou que o desenvolvimento intelectual humano era produto da seleção natural, e que a seleção natural tinha produzido diferenças significantes nas faculdades mentais dos “homens de raças distintas”. [Vide Darwin, The Descent (1871), vol. I, pp.109-110, 160, 201, 216].
Neste mesmo livro, Darwin desdenhou dos negros e observou que a interrupção na história evolutiva entre os macacos-antropóides e os humanos caiu “entre o negro, ou o aborígene australiano e o gorila”, indicando que ele considerava os negros como os humanos mais parecidos com os macacos-antropóides. [Darwin, The Descent of Man (1871), vol. I, p. 201].
Darwin também predisse que “em algum período futuro, não muito distante se medido por séculos, as raças civilizadas do homem quase que certamente irão exterminar e substituir as raças selvagens por todo o mundo.” [Darwin, Descent (1871), vol. I, p. 201].
Negar a influência racista de Darwin no pensamento de Watson fica difícil de negar, mas a Nomenklatura científica caiu de pau em cima dele, que vai passar para o limbo da História da Ciência, não mais como o co-descobridor do DNA [não foi um dos assaltantes das idéias de Rosalind Franklin???], mas como um reles “racista”.
Entre Darwin e Watson, quem é mais cientista? Entre Darwin e Watson, quem é mais racista? Watson ou Darwin? Dois pesos e duas medidas? Watson simplesmente levou Darwin a sério. Nada mais, nada menos.
Pano rápido, senão a negrada da Nomenklatura científica vem atrás de mim querendo me processar por racismo.
Hipócritas!
No entanto, a comunidade científica (internacional e tupiniquim) ficou muito “constrangida” pelas declarações racistas de James Watson (Nobel de medicina de 1962), derivadas ipsis litteris da teoria da evolução de Darwin, insinuando que os negros são menos inteligentes que os brancos. As idéias racistas são perigosas, e sua origem precisa ser amplamente divulgada: Charles Robert Darwin.
Diante disso, segundo os agentes do NBDI infiltrados nas editorias, esta teria sido a verdadeira cobertura na Grande Mídia Tupiniquim sobre o affair:
JC E-Mail
Edição 3372
Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2007.
32. Darwin, 'pai' da teoria da evolução choca geneticistas
Charles Darwin diz que os aborígenes australianos serão eliminados pelas raças superiores e reabre debate superado
33. Sergio Pena: 'Darwin está ficando gagá ou quer aparecer'
Segundo o pesquisador brasileiro, contrariando a posição racista de Darwin, a genética vai mostrar em pesquisas futuras que raças humanas não existem do ponto de vista científico
JC E-Mail
Edição 3373
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
18. Darwin não se desculpa por declarações racistas no “The Descent of Man”
Co-descobridor da teoria da evolução [Alfred Russel Wallace foi o outro “pai”] afirma, no entanto, que questionar bases genéticas das raças inferiores não é racismo
19. Darwin barrado no museu
Instituição de Londres cancela palestra de Charles Darwin por suas declarações racistas no seu último livro “The Descent of Man”
Boletim CH n. o 112 – Sexta-feira, 19 de outubro de 2007.
GENÉTICA
Declarações racistas de Darwin chocam cientistas
18/10/2007
A comunidade científica mundial está constrangida pelas declarações racistas divulgadas na imprensa pelo teólogo britânico Charles Robert Darwin, um dos “pais” da teoria da evolução de 1859. Em entrevista ao jornal britânico The Sunday Times , Darwin insinuou que os aborígenes australianos são menos inteligentes que os brancos, e que serão “eliminados” pelas raças superiores, contrariando evidências da genética evolutiva a serem acumuladas nas próximas décadas.
JC E-Mail Edição 3374
Segunda-Feira, 22 de Outubro de 2007.
18. Por fala racista, Darwin é suspenso da Royal Society
Organização científica britânica afirma que declaração de Darwin não reflete a posição da entidade. Teólogo depois de afirmar que foi mal compreendido, cancela viagem pelo Reino Unido para divulgar seu novo livro “The Descent of Man” e volta para sua casa em Down
19. Darwin foi censurado, diz chinês
Cientista que estuda relação entre genes e inteligência defende o “pai” da teoria da evolução que deu declaração racista. Segundo Bruce Lahn, da Universidade de Chicago, o “pai” da teoria da evolução foi apenas insensível em sua fala sobre a inferioridade dos aborígenes australianos
JC E-Mail Edição 3378
Sexta-Feira, 26 de Outubro de 2007.
37. Darwin se aposenta uma semana após o lançamento do livro racista “The Descent of Man”.
Teólogo resolveu sair da Royal Society de Londres, na Inglaterra, depois de ter sido suspenso daquela respeitável e renomada organização científica
+++++
NOTA ESCLARECEDORA DESTE BLOGGER:
Não estou fazendo apologia às declarações racistas de Watson. Elas são condenáveis, todavia, eu creio que o seu direito de livre expressão foi cerceado. Além disso, ironias historiográficas à parte, e embora Darwin tenha se oposto à escravidão, muito pouca gente sabe que ele cria firmemente que o processo evolutivo tinha criado as raças superiores e inferiores. No seu livro “The Descent of Man”, Darwin afirmou que o desenvolvimento intelectual humano era produto da seleção natural, e que a seleção natural tinha produzido diferenças significantes nas faculdades mentais dos “homens de raças distintas”. [Vide Darwin, The Descent (1871), vol. I, pp.109-110, 160, 201, 216].
Neste mesmo livro, Darwin desdenhou dos negros e observou que a interrupção na história evolutiva entre os macacos-antropóides e os humanos caiu “entre o negro, ou o aborígene australiano e o gorila”, indicando que ele considerava os negros como os humanos mais parecidos com os macacos-antropóides. [Darwin, The Descent of Man (1871), vol. I, p. 201].
Darwin também predisse que “em algum período futuro, não muito distante se medido por séculos, as raças civilizadas do homem quase que certamente irão exterminar e substituir as raças selvagens por todo o mundo.” [Darwin, Descent (1871), vol. I, p. 201].
Negar a influência racista de Darwin no pensamento de Watson fica difícil de negar, mas a Nomenklatura científica caiu de pau em cima dele, que vai passar para o limbo da História da Ciência, não mais como o co-descobridor do DNA [não foi um dos assaltantes das idéias de Rosalind Franklin???], mas como um reles “racista”.
Entre Darwin e Watson, quem é mais cientista? Entre Darwin e Watson, quem é mais racista? Watson ou Darwin? Dois pesos e duas medidas? Watson simplesmente levou Darwin a sério. Nada mais, nada menos.
Pano rápido, senão a negrada da Nomenklatura científica vem atrás de mim querendo me processar por racismo.
Hipócritas!
EXTRA! EXTRA! Cientista da USP confirma: Darwin não explica a origem da informação complexa especificada na Explosão Cambriana
A biologia evolutiva do século 21 é uma ciência de informação complexa especificada e de complexidade irredutível de sistemas − duas teses do Design Inteligente empiricamente detectadas pelos cientistas, mas peremptoriamente negadas pela Nomenklatura científica, e impedidas de serem livremente publicadas e discutidas nas universidades pelos agentes da KGB [peer-reviewers é mais chique]. Contudo, esses guarda-cancelas não são onipresentes e, aqui e ali, alguma coisa consegue passar a “blindagem epistêmica” que preserva a teoria de Darwin de ser questionada, criticada e o apontar de novas visões extremas da origem e evolução da vida. Especialmente em publicações científicas livres como a PLoS.
Exemplo recente disso, é a pesquisa sobre os fósseis de águas-vivas do período Cambriano. Nesta equipe de pesquisadores, nós temos um cientista brasileiro: Antonio C. Marques, do Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, da Universidade de São Paulo, onde um de meus fãs me chama carinhosamente pelo apodo de “Jeguézio”, “Anta do Enézio” y otras cositas mais em sua busca por mim no Google. Ele faz assim por que me admira, ou por que me odeia? Ele faz assim porque este é o único meio dele demonstrar admiração por um ex-evolucionista que ousa desafiar a Nomenklatura científica tupiniquim da qual ele faz parte. Não tenho medo de vocês. Depois que ele ler esta pesquisa do Marques, quero ver como que ele vai chamá-lo: “O Chaves” do Departamento de Zoologia, no Instituto de Biociências da USP?
Há mais de uma década, nós teóricos e proponentes do Design Inteligente apontamos as insuficiências epistêmicas fundamentais no contexto de justificação teórica do darwinismo. Especialmente a “Explosão Cambriana” que os nossos melhores autores de livros didáticos de Biologia dos ensinos médio e superior “consciente e intencionalmente” omitem discutir. Razão? É o calcanhar epistêmico de Darwin. Não informar isso aos estudantes é um flagrante estelionato intelectual. Pior de tudo, é despudoramente endossado pelo MEC/SEMTEC/PNLEM. Eles fazem vistas grossas todas as vezes que Darwin, no contexto de justificação teórica, é encontrado em falta gravíssima.
Leia o artigo do meu amigo David Tyler sobre esta descoberta em que, para orgulho de Pindorama, nós temos um tupiniquim que, voluntária ou involuntariamente, desceu o tacape epistêmico cambriano em Darwin:
Fósseis de águas-vivas reforçam o desafio colocado pela Explosão Cambriana
Embora o número de comunicações científicas sobre a água-viva do período Cambriano tenha aumentado nos últimos anos, “não tem havido comunicações científicas anteriores de fósseis possuindo diagnóstico de caracteres preservados de clades particulares de medusas”. Novos fósseis do período Cambriano Intermediário de Utah [Estados Unidos] “têm tecidos moles muito bem preservados, que os autores interpretam como evidência de que os representantes da água-viva moderna já existiam lá pelo período do Cambriano Intermediário.”
Como que os cientistas chegaram à conclusão de que são águas-vivas “modernas”? Os fósseis estão enterrados em sedimentos de areia fina de modo que os detalhes delgados foram preservados. “Considerando-se o caráter de informação disponível eles também podem incluir representantes de classes separadas de medusas modernas: Cubozoa; Hydrozoa; e Scyphozoa. Isto sugere que um aspecto importante dos ecossistemas marinhos pelágicos modernos já existia logo após a radiação cambriana.”
Os autores também comentaram sobre a complexidade biológica:
“A atual Cystophora cubozoa tripedalia [Nota do blogger 1: não sei se esta é a nomenclatura correta, pois estou sem um dos meus dicionários especializados] tem um comportamento reprodutor sofisticado que inclui o reconhecimento de parceiro e de corte, envolvendo a transferência indireta de esperma através de espermatóforos. Os Cubozoans também têm olhos e sistemas nervosos complexos. A existência de nossa recente descrição de material fóssil pode sugerir que estas características complexas poderiam ter evoluído dentro das Cnidárias no período Cambriano Intermediário."
Num comunicado à imprensa [Nota do blogger 2: Alô Grande Mídia Tupiniquim, onde foi que vocês enfiaram este comunicado???] as implicações para a diversificação rápida das espécies foi descrita assim:
“Lieberman disse que o grupo de águas-vivas que a equipe descreve, encontrado em Utah, oferece insights nos quebra-cabeças da diversificação e desenvolvimento rápidos das espécies que ocorreu durante a radiação cambriana, um período quando a maioria dos grupos de animais surge no registro fóssil, começando aproximadamente há uns 540 milhões de anos atrás. [...] Contudo, com a descoberta de quatro tipos diferentes de águas-vivas no Cambriano, os pesquisadores disseram que há detalhe suficiente para afirmar que os tipos podem ser relacionados com as ordens e famílias modernas de águas-vivas. Os espécimes mostram a mesma complexidade. Isso significa que ou a complexidade da água-viva moderna se desenvolveu rapidamente há aproximadamente 500 milhões de anos atrás, ou que o grupo é ainda mais antigo e existia então muito antes.”
O aspecto mais interessante é a capacidade de identificar ordens e famílias modernas. Aqui é outro caso de surgimento abrupto de formas de vida complexas seguida de estase. [Nota do blogger 3: Obrigado Gould. Não foi você que certa vez afirmou que estase são dados???] Esta pesquisa é evidência contra a ênfase gradualista do darwinismo, e coloca peso [de credibilidade] à pergunta feita por Steve Meyer (“The Origin of Biological Information and the Higher Taxonomic Categories”, Proceedings of the Biological Society of Washington, 117(2004): 213-239:
“O neodarwinismo pode explicar o aumento de descontinuidade de informação complexa especificada que surge na explosão cambriana − seja na forma de nova informação genética ou na forma de sistemas de partes hierarquicamente organizados?”
[Nota do blogger 4: Este artigo “peer-reviewed” provocou a expulsão de Richard Sternberg do Smithsonian Institute porque Meyer é um dos proponentes do Design Inteligente. A KGB da Nomenklatura científica diz que o DI não é ciência porque não publica. Quando nós publicamos, editores são expulsos da comunidade científica. “1984”, o Big Brother, e a Novilíngua de Orwell são demasiadamente nossos contemporâneos. Stálin tinha em Lavrenti Béria a sua “mão de ferro” contra os críticos e opositores. Darwin nos guarda-cancelas, oops “peer-reviewers” é mais chique.]
Exceptionally Preserved Jellyfishes from the Middle Cambrian Cartwright P, Halgedahl SL, Hendricks JR, Jarrard RD, Marques AC, Collins, AG, Lieberman BS.
PLoS ONE, 2007, 2(10): e1121. doi:10.1371/journal.pone.0001121
[PDF de 659 KB gratuito]
Abstract: Cnidarians represent an early diverging animal group and thus insight into their origin and diversification is key to understanding metazoan evolution. Further, cnidarian jellyfish comprise an important component of modern marine planktonic ecosystems. Here we report on exceptionally preserved cnidarian jellyfish fossils from the Middle Cambrian (~505 million years old) Marjum Formation of Utah. These are the first described Cambrian jellyfish fossils to display exquisite preservation of soft part anatomy including detailed features of structures interpreted as trailing tentacles and subumbrellar and exumbrellar surfaces. If the interpretation of these preserved characters is correct, their presence is diagnostic of modern jellyfish taxa. These new discoveries may provide insight into the scope of cnidarian diversity shortly after the Cambrian radiation, and would reinforce the notion that important taxonomic components of the modern planktonic realm were in place by the Cambrian period.
Vide também:
Fossil record reveals elusive jellyfish more than 500 million years old EurekAlert, 30 October 2007.
+++++
NOTA DESTE BLOGGER: Antonio C. Marques é evolucionista, e até onde eu sei, não advoga as teses do Design Inteligente. Destaco isso para preservá-lo dos ataques histéricos da galera dos meninos e meninas de Darwin.
Exemplo recente disso, é a pesquisa sobre os fósseis de águas-vivas do período Cambriano. Nesta equipe de pesquisadores, nós temos um cientista brasileiro: Antonio C. Marques, do Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, da Universidade de São Paulo, onde um de meus fãs me chama carinhosamente pelo apodo de “Jeguézio”, “Anta do Enézio” y otras cositas mais em sua busca por mim no Google. Ele faz assim por que me admira, ou por que me odeia? Ele faz assim porque este é o único meio dele demonstrar admiração por um ex-evolucionista que ousa desafiar a Nomenklatura científica tupiniquim da qual ele faz parte. Não tenho medo de vocês. Depois que ele ler esta pesquisa do Marques, quero ver como que ele vai chamá-lo: “O Chaves” do Departamento de Zoologia, no Instituto de Biociências da USP?
Há mais de uma década, nós teóricos e proponentes do Design Inteligente apontamos as insuficiências epistêmicas fundamentais no contexto de justificação teórica do darwinismo. Especialmente a “Explosão Cambriana” que os nossos melhores autores de livros didáticos de Biologia dos ensinos médio e superior “consciente e intencionalmente” omitem discutir. Razão? É o calcanhar epistêmico de Darwin. Não informar isso aos estudantes é um flagrante estelionato intelectual. Pior de tudo, é despudoramente endossado pelo MEC/SEMTEC/PNLEM. Eles fazem vistas grossas todas as vezes que Darwin, no contexto de justificação teórica, é encontrado em falta gravíssima.
Leia o artigo do meu amigo David Tyler sobre esta descoberta em que, para orgulho de Pindorama, nós temos um tupiniquim que, voluntária ou involuntariamente, desceu o tacape epistêmico cambriano em Darwin:
Fósseis de águas-vivas reforçam o desafio colocado pela Explosão Cambriana
Embora o número de comunicações científicas sobre a água-viva do período Cambriano tenha aumentado nos últimos anos, “não tem havido comunicações científicas anteriores de fósseis possuindo diagnóstico de caracteres preservados de clades particulares de medusas”. Novos fósseis do período Cambriano Intermediário de Utah [Estados Unidos] “têm tecidos moles muito bem preservados, que os autores interpretam como evidência de que os representantes da água-viva moderna já existiam lá pelo período do Cambriano Intermediário.”
Como que os cientistas chegaram à conclusão de que são águas-vivas “modernas”? Os fósseis estão enterrados em sedimentos de areia fina de modo que os detalhes delgados foram preservados. “Considerando-se o caráter de informação disponível eles também podem incluir representantes de classes separadas de medusas modernas: Cubozoa; Hydrozoa; e Scyphozoa. Isto sugere que um aspecto importante dos ecossistemas marinhos pelágicos modernos já existia logo após a radiação cambriana.”
Os autores também comentaram sobre a complexidade biológica:
“A atual Cystophora cubozoa tripedalia [Nota do blogger 1: não sei se esta é a nomenclatura correta, pois estou sem um dos meus dicionários especializados] tem um comportamento reprodutor sofisticado que inclui o reconhecimento de parceiro e de corte, envolvendo a transferência indireta de esperma através de espermatóforos. Os Cubozoans também têm olhos e sistemas nervosos complexos. A existência de nossa recente descrição de material fóssil pode sugerir que estas características complexas poderiam ter evoluído dentro das Cnidárias no período Cambriano Intermediário."
Num comunicado à imprensa [Nota do blogger 2: Alô Grande Mídia Tupiniquim, onde foi que vocês enfiaram este comunicado???] as implicações para a diversificação rápida das espécies foi descrita assim:
“Lieberman disse que o grupo de águas-vivas que a equipe descreve, encontrado em Utah, oferece insights nos quebra-cabeças da diversificação e desenvolvimento rápidos das espécies que ocorreu durante a radiação cambriana, um período quando a maioria dos grupos de animais surge no registro fóssil, começando aproximadamente há uns 540 milhões de anos atrás. [...] Contudo, com a descoberta de quatro tipos diferentes de águas-vivas no Cambriano, os pesquisadores disseram que há detalhe suficiente para afirmar que os tipos podem ser relacionados com as ordens e famílias modernas de águas-vivas. Os espécimes mostram a mesma complexidade. Isso significa que ou a complexidade da água-viva moderna se desenvolveu rapidamente há aproximadamente 500 milhões de anos atrás, ou que o grupo é ainda mais antigo e existia então muito antes.”
O aspecto mais interessante é a capacidade de identificar ordens e famílias modernas. Aqui é outro caso de surgimento abrupto de formas de vida complexas seguida de estase. [Nota do blogger 3: Obrigado Gould. Não foi você que certa vez afirmou que estase são dados???] Esta pesquisa é evidência contra a ênfase gradualista do darwinismo, e coloca peso [de credibilidade] à pergunta feita por Steve Meyer (“The Origin of Biological Information and the Higher Taxonomic Categories”, Proceedings of the Biological Society of Washington, 117(2004): 213-239:
“O neodarwinismo pode explicar o aumento de descontinuidade de informação complexa especificada que surge na explosão cambriana − seja na forma de nova informação genética ou na forma de sistemas de partes hierarquicamente organizados?”
[Nota do blogger 4: Este artigo “peer-reviewed” provocou a expulsão de Richard Sternberg do Smithsonian Institute porque Meyer é um dos proponentes do Design Inteligente. A KGB da Nomenklatura científica diz que o DI não é ciência porque não publica. Quando nós publicamos, editores são expulsos da comunidade científica. “1984”, o Big Brother, e a Novilíngua de Orwell são demasiadamente nossos contemporâneos. Stálin tinha em Lavrenti Béria a sua “mão de ferro” contra os críticos e opositores. Darwin nos guarda-cancelas, oops “peer-reviewers” é mais chique.]
Exceptionally Preserved Jellyfishes from the Middle Cambrian Cartwright P, Halgedahl SL, Hendricks JR, Jarrard RD, Marques AC, Collins, AG, Lieberman BS.
PLoS ONE, 2007, 2(10): e1121. doi:10.1371/journal.pone.0001121
[PDF de 659 KB gratuito]
Abstract: Cnidarians represent an early diverging animal group and thus insight into their origin and diversification is key to understanding metazoan evolution. Further, cnidarian jellyfish comprise an important component of modern marine planktonic ecosystems. Here we report on exceptionally preserved cnidarian jellyfish fossils from the Middle Cambrian (~505 million years old) Marjum Formation of Utah. These are the first described Cambrian jellyfish fossils to display exquisite preservation of soft part anatomy including detailed features of structures interpreted as trailing tentacles and subumbrellar and exumbrellar surfaces. If the interpretation of these preserved characters is correct, their presence is diagnostic of modern jellyfish taxa. These new discoveries may provide insight into the scope of cnidarian diversity shortly after the Cambrian radiation, and would reinforce the notion that important taxonomic components of the modern planktonic realm were in place by the Cambrian period.
Vide também:
Fossil record reveals elusive jellyfish more than 500 million years old EurekAlert, 30 October 2007.
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NOTA DESTE BLOGGER: Antonio C. Marques é evolucionista, e até onde eu sei, não advoga as teses do Design Inteligente. Destaco isso para preservá-lo dos ataques histéricos da galera dos meninos e meninas de Darwin.
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