EXTRA! EXTRA! Michael Ruse, ateu, o mais novo “Advogado do Diabo” dos criacionistas

terça-feira, fevereiro 19, 2008

O journal Isis é a Bíblia dos historiadores de ciência. Aqui e ali, a gente encontra artigos e resenhas de livros que batem de frente com a historiografia consensual, oops “mainstream” é mais chique.

O pesquisador em História da Ciência deve ser objetivo, imparcial e se render aos fatos historiográficos, mas na condição de ex-ateu, eu vou me dar a liberdade de fazer mais uma vez o papel de “Advogado do Diabo” dos criacionistas, i.e., vou dar munição para eles combaterem em pé de igualdade os neo-ateus fundamentalistas pós-modernos, chiques e perfumados a la Dawkins, Dennett e Harris.

Você pode se perguntar, por que ele está sendo tão cruel com os ateus? É porque o neo-ateísmo fundamentalista é uma religião extremamente perigosa e antropofágica. O ateísmo tem dogmas: Deus não existe, eu odeio Deus, eu odeio os crentes. O Michael Ruse é darwinista e ateu, e é por isso que eu resolvi municiar os criacionistas com este míssil Exocet publicado na maior revista especializada em História da Ciência.

Ruse, ateu, detona Richard Dawkins, ateu, et caterva, sem dó nem piedade, na sua resenha na Isis, principalmente destacando a ignorância de Dawkins sobre muitos assuntos, mas eu só vou destacar o último parágrafo de sua resenha.


RESENHAS DE LIVRO — ISIS, 98 : 4 (2007) pp. 814-816
Richard Dawkins. The God Delusion. x_ 406
pp., app., index. Boston/New York: Houghton
Mifflin, 2006. $27.

“... Uma preocupação final não pessoal. Uma parte principal do ataque ateísta é que a ciência tem demonstrado que a hipótese Deus é tola. Suponhamos que isso seja verdade — que se você for darwinista, então você não pode ser cristão. Então como que alguém responde ao criacionista que faz objeção ao ensino do darwinismo nas escolas? Se vale para um, vale para o outro. Se teísmo não pode ser ensinado nas escolas (nos Estados Unidos) porque viola a separação da Igreja e o Estado, por que então deve ser permitido o darwinismo? Se o darwinismo leva ao ateísmo, isso também não viola a separação da Igreja e o Estado? No mínimo, Dawkins e companhia deveriam estar mostrando mais responsabilidade. Se eles estiverem certos, então que seja. Eu não desejaria ocultar o fato. Mas vamos enfrentar as conseqüências dos argumentos. Explique para nós em que base alguém pode agora legitimamente ensinar a evolução nas escolas. Eu acho que alguém pode, porque eu não vejo o elo entre o darwinismo e o ateísmo. Aqueles que enxergam tal elo deveriam nos dizer por que o darwinismo pode ser ensinado, ou aceitar que talvez, devido a constituição dos Estados Unidos, os criacionistas estão certos e o darwinismo deveria ser excluído.” [1]

Caracas, mano! O Michael Ruse uma hora dessas já deve estar sendo “queimado vivo” pelos agentes da KGB da Nomenklatura científica internacional. Vou ousar uma predição aqui: pela estatura acadêmica de Ruse, eles vão tentar por isso em banho Maria, diluir o impacto que isso possa provocar, e somente reagirão e farão alguma coisa se o argumento de Ruse for realmente um tiro nos pés de Darwin: provocar o não ensino da evolução nas escolas públicas americanas.

Nós do movimento do Design Inteligente somos contra isso, porque nós somos a favor de que a teoria geral da evolução seja ensinada honestamente, objetivamente, com os alunos tomando conhecimento das evidências a favor e contra o fato, Fato, FATO da evolução [eu devo essa ao Michael Ruse]. Stephen Jay Gould disse em 1980 que o neodarwinismo era uma teoria científica morta, mas que permanecia como ortodoxa somente nos livros didáticos.

Hoje, os alunos do ensino médio e superior do mundo inteiro estão sendo violentados na sua cidadania pela supressão intencional de informação fundamental na sua formação educacional. É que essas informações mostram a fragilidade de Darwin no contexto da justificação teórica. O nome disso é desonestidade acadêmica. Com o aval da Nomenklatura científica...

Ruse, ateu, versus Dawkins, ateu! Para desespero da Nomenklatura científica, Ruse é o mais novo e poderoso “Advogado do Diabo” dos criacionistas. Durma-se com um barulho desses, o que mais nos reserva este mundo pós-moderno???

Fui, rindo da cara dos meninos e meninas da Galera de Darwin, oops de Dawkins!

NOTA:

1. BOOK REVIEWS — ISIS, 98 : 4 (2007) pp. 814-816
Richard Dawkins. The God Delusion. x_ 406
pp., app., index. Boston/New York: Houghton
Mifflin, 2006. $27.

A final, nonpersonal worry. A major part of the atheist attack is that science has shown that the God hypothesis is silly. Suppose this is true — that if you are a Darwinian, then you cannot be a Christian. How then does one answer the creationist who objects to the teaching of Darwinism in schools? Sauce for the goose is sauce for the gander. If theism cannot be taught in schools (in America) because it violates the separation of church and state, why then should Darwinism be permitted? If Darwinism leads to atheism, does this not also violate the separation of church and state? At the very least, Dawkins and company should be showing more responsibility. If they are right, then so be it. I would not want to conceal the fact. But let us face the consequences of the arguments. Explain to us on what grounds one can now legitimately teach evolution in schools. I think one can because I don’t see the link between Darwinism and atheism. Those who do see such a link should tell us why Darwinism can be taught or accept that perhaps, given the U.S. Constitution, the creationists are right and Darwinism should be excluded. MICHAEL RUSE

A nanotecnologia aponta para Design Aparente ou Design Inteligente?

sábado, fevereiro 16, 2008

Este pequeno texto e foto é somente para provocar nos que ainda são céticos da teoria do Design Inteligente: a nanotecnologia está nos revelando cada vez mais a falência epistêmica da teoria do relojoeiro cego, inconsciente e inconseqüente em explicar a origem e a evolução da diversidade e complexidade da vida, e apontando em direções para vindicar as teses da teoria do Design Inteligente:

“Certos eventos do universo e do mundo biótico são melhor explicados por causas inteligentes empiricamente detectadas na natureza todas as vezes que nós encontrarmos complexidade irredutível de sistemas biológicos e informação complexa especificada.”


Vale a pena ver todas as demais fotos desta série publicada no site WIRED. Como não podia ser diferente, eu escolhi a foto do flagelo bacteriano, o mascote da TDI.

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Cientistas escaneam surpreendentes imagens em nanoescala

por Emmet Cole

15.02.08 | 12:00 AM



E.COLI

Esta bactéria E. coli exibe o flagelo bem preservado que tem apenas 30 nanômetros de comprimento.

Um microscópio de força atômica foi usado para captar a imagem. Diferente dos microscópios de escaneamento afunilado, a ponta de um AFM entra em contato direto com a superfície da amostra. A força entre a ponta (conhecida como “a curva”) é calculada medindo-se a força exercida numa pequena cantiléver.

Os AFMs são tão sensíveis que eles podem detectar forças tão pequenas como alguns picoNewtons.

Ang Li/National University of Singapore

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Pergunta impertinente deste blogger:

Vale aqui o ditado — “Uma imagem vale mais do que mil palavras”???

Darwin e seus contemporâneos, pelas limitações tecnológicas de sua época, não sabiam da complexidade de uma célula. Fosse Darwin vivo hoje, ele elaboraria outra teoria da evolução [especial e geral]. Eu vou ousar fazer uma predição: a nanotecnologia vai ser uma das áreas científicas que irá falsear as teses de gradualismo darwiniano do século 19 recauchutadas pelo neodarwinismo, e corroborar as teses da TDI de que o processo é inteligente.

Fui, cada vez mais entusiasmado com a TDI, e cada vez mais cético localizado das teses transformistas de Darwin. Razão? Se Darwin não consegue explicar uma "simples" bactéria, como explicar a diversidade e complexidade de coisas bióticas???

Voar às surdas ou fazendo ciência às cegas?

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Agência FAPESP – Nos morcegos, o que surgiu primeiro: a capacidade de voar ou a ecolocalização? Esta é uma dúvida antiga que tem motivado calorosos debates científicos, tendo sido objeto inclusive do célebre A origem das espécies, de Charles Darwin.

Para ajudar no vôo e na busca de presas no escuro, os noturnos morcegos usam de uma capacidade notável chamada de ecolocalização (ou ecolocação), um sistema de navegação baseado na identificação de obstáculos a partir da emissão de sons de alta freqüência produtores de ecos.

Um novo estudo acaba de identificar a mais antiga espécie de morcego descoberta até o momento e, de quebra, demonstra que eles aprenderam primeiro a voar. A pesquisa, feita a partir de fósseis encontrados na formação Green River, no Wyoming, Estados Unidos, está descrita na edição de 14 de fevereiro da revista Nature.

O fóssil de um esqueleto quase completo, extremamente bem preservado, permitiu a descrição da nova espécie, Onychonycteris finneyi, que contava com asas totalmente desenvolvidas para voar, mas cuja morfologia das orelhas indica que não era capaz de se ecolocalizar.

A descoberta foi feita por uma equipe de cientistas liderada por Nancy Simmons, chefe da Divisão de Zoologia de Vertebrados e curadora do Museu de História Natural dos Estados Unidos. “O Onychonycteris finneyi finalmente nos deu uma resposta: primeiro veio a evolução do vôo e, depois, a ecolocalização”, disse Nancy.
A capacidade de ecolocalização dos morcegos foi identificada há cerca de 50 anos e, por muito tempo, a teoria mais aceita foi que ela precedeu a de voar. Os defensores sugeriam que ancestrais terrestres dos morcegos teriam desenvolvido a ecolocalização para detectar insetos. Em seguida, teriam evoluído os membros e começaram a pular até que, finalmente, ganharam os céus.

Morcegos representam uma das maiores e mais diversas ordens de mamíferos. De cada cinco espécies de mamíferos, uma é de um morcego. A descoberta do mais primitivo membro da ordem Chiroptera foi enfatizada pelos cientistas – o fóssil descrito agora foi encontrado em 2003.

“Logo na primeira vez que o vimos soubemos que era especial, pois se tratava de um morcego diferente de todos os outros conhecidos anteriormente. Em muitos aspectos, ele representa um elo perdido entre os morcegos e seus ancestrais não voadores”, disse Nancy.

Datação feita pelos pesquisadores do fóssil encontrado estimam que o morcego teria vivido há 52 milhões de anos, quando a espécie não era mais a única: fósseis de outro morcego, Icaronycteris, foram encontrados anteriormente na mesma formação. Essa espécie mais nova já contava com a capacidade de ecolocalização.

O exame detalhado do Onychonycteris finneyi revelou outros detalhas surpreendentes, como garras nos cinco dedos de cada pata – os morcegos modernos têm garras em um ou dois apenas. As proporções dos membros também eram diferentes, com antebraços mais curtos e pernas mais longas. As formas sugerem que a espécie deve ter sido uma hábil escaladora.

As asas eram curtas, o que indica que não voava tão velozmente quanto as espécies posteriores. Segundo o estudo, o morcego primitivo deveria alternar entre bater as asas e planar. Análise dos dentes indica que a dieta consistia principalmente de insetos, como a maioria dos atuais.

O artigo Primitive Early Eocene bat from Wyoming and the evolution of flight and echolocation, de Nancy Simmons e outros, pode ser lido por assinantes da Nature aqui. [NOTA DO BLOGGER: Pode ser acessado gratuitamente por quaisquer professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação das universidades públicas e privadas através do site da CAPES - Periódicos].

Destaque no JC E-Mail 3449, de 14 de Fevereiro de 2008

Vide também a notícia no New Scientist.

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Comentário impertinente deste blogger:

A lógica evolucionista usada aqui é impressionante, para não dizer engraçada. Ridiculamente engraçada. Razão? Nós temos dois morcegos fossilizados na mesma rocha (seja lá o que isso possa significar cientificamente), um deles ainda não tinha desenvolvido a ecolocalização; o outro já tinha desenvolvido. Capice?

QED: O morcego sem ecolocalização surgiu primeiro na história evolutiva, e evoluiu o uso da ecolocalização tão rapidamente a ponto de deixar o segundo morcego que já tinha o sistema de ecolocalização fossilizado na mesma rocha que ele.

Caracas meu, esses morcegos são inteligentes demais. Impressionante que, sem a ecolocalização o morcego não consegue sobreviver. Como então ‘sobreviveu o mais apto’ (não seria inapto) dos morcegos sem a ecolocalização necessária para sua sobrevivência evolutiva?

O mais apto dos morcegos já teria que saber voar e ter um sistema de ecolocalização plenamente funcional, caso contrário, nós nunca veríamos um só deles na rocha pra contar a seguinte estória da carochinha:

1. Morcego sem ecolocalização: “Primeiro voar e depois ecolocalizar, ou primeiro ecolocalizar e depois voar? Voar ou ecolocalizar, eis a questão.” Bem a la Shakespeare este morcego.

2. Morcego com ecolocalização ISO 14000: “Você especula filosoficamente demais. Que tal voar e ecolocalizar ao mesmo tempo? É mais fácil, e assim nós evitamos milhares de etapas transicionais que nunca serão vistas no registro fóssil.” Bem a la Bacon-Popper este outro morcego.

3. Morcego sem ecolocalização: “Puxa vida, a vida de morcego é dura pra morcego. Por que a evolução nos deixou com este baita quebra-cabeça para a nossa sobrevivência? Já não é fácil viver de cabeça para baixo aqui nesta caverna escura e fétida, e nós ainda temos que decidir teleologicamente como sobreviver? Voar ou ecolocalizar? Qual é o passo evolutivo mais fácil?”

4. Morcego com ecolocalização: “Olha, esse seu papo de teleologia eu já ouvi em algum lugar. Você não tem medo de ser chamado de “morcego fundamentalista”, de ser acusado como alguém “que não sabe o que é ciência”? Afinal de contas, a evolução é mais sábia do que você, morcego idiota.”

Outra possível descrição deste evento:

1. Morcego sem ecolocalização desesperado para a torre em Down, antes de se esborrachar na rocha: “O que eu faço? Voar ou ecolocalizar? Mayday, mayday, I need somebody, not just anybody, please!” A mensagem de SOS, apesar de ter sido transmitida em inglês não evitou sua extinção.

2. Morcego com ecolocalização e capacidade de vôo para a torre, antes de se esborrachar na rocha: “Mayday, mayday. SOS. SOS. SO... S... ...”

Grande e tonitruante interferência se fez ouvir na história da comunicação evolutiva. Embora tenha sido detectada, este detalhe não deve ser lido e nem comparado à luz das grandes extinções como a causada pelo grande meteoro que extinguiu os dinossauros.

Pano rápido, oops, fim da transmissão, oops, fim da comunicação científica...

Fui, morcegar em outras cavernas epistêmicas...

Erro imperdoável na divulgação do Dia de Darwin 2008 na USP

15/02/2008

Agência FAPESP – O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) promoverá, no dia 16 de fevereiro, na capital paulista, o Dia de Darwin 2008, que pretende comemorar o 199° aniversário de nascimento de Charles Darwin (1809-1882), o pai da teoria evolutiva e co-autor da teoria da seleção natural.

Na ocasião serão promovidas palestras e mesas-redondas com especialistas, projeção do documentário Darwin nos Andes e realização das Oficinas de Biodiversidade e Seleção Natural.

“A teoria hereditária de Darwin”, “Padrões na natureza e a teoria evolutiva”, “Tempo geológico e a teoria evolutiva”, “Desafios contemporâneos da teoria evolutiva” serão assuntos em pauta.

Parte do evento será transmitido pela internet, por meio do serviço de IPTV da USP.
Mais informações: http://www.usp.br/mz ou telefone (11) 6165-8100

Você segue o link da USP e olha o que nós encontramos: uma falha temporal no registro do evento:

10 - 11/02/2007 - Dia de Darwin no MZUSP

Veja fotos e vídeos.

O Museu de Zoologia da USP comemora nos dias 10 e 11 de fevereiro o 198° aniversário de nascimento de Charles Darwin, o pai da Teoria Evolutiva e co-autor da teoria da Seleção Natural.

Esta data (12 de fevereiro), celebrada internacionalmente, é usada como oportunidade para divulgação científica em geral e da Teoria da Evolução em particular. Com esse intuito, um grupo de pesquisadores da USP apresentará diferentes aspectos da Teoria Evolutiva para os visitantes do museu. Além disso, a leitura da peça "After Darwin", com o grupo Arte Ciência no Palco, promoverá o debate sobre o criacionismo x evolucionismo, conflito vivenciado pelos personagens da peça: Charles Darwin e Robert Fitzroy.

Programação

Sábado 10/02

Palestras

11:00h - A perspectiva evolutiva: uma visão de mundo
Prof. Dr. Mário de Pinna - MZUSP

14:00h - Mudanças climáticas e a evolução dos mamíferos nos últimos 65 milhões de anos
Prof. Dr. Mario de Vivo - MZUSP

15:30h - A evolução da arquitetura animal: novas formas em velhas fôrmas
Profa. Dra. Denise Scheepmaker - IBUSP

Domingo 11/02

Palestras
11:00h - Evolução do comportamento animal
Prof. Dr. Carlos Roberto Brandão - MZUSP

14:00h - A evolução de Darwin: do manuscrito de 1844 ao Origem das Espécies
Prof. Dr. Nelio Bizzo - FEUSP

15:30h - Leitura da peça "After Darwin" de Timberlake Wertenbaker com o grupo Arte Ciência no Palco

Esta peça coloca em confronto Charles Darwin e Robert Fitzroy, capitão do navio Beagle, e os atores que os interpretam. O debate entre evolucionismo e criacionismo transforma-se também numa luta pela sobrevivência das idéias e dos ideais de atores, divididos entre as dificuldades de viver de seu trabalho no palco e a possibilidade de salvar-se da extinção, abandonando o teatro.

No elenco: Carlos Palma e Oswaldo Mendes
Diretora da leitura: Rachel Araújo

Sábado e domingo

Oficinas para as crianças
"As aves de Galápagos: a Seleção Natural de Darwin", com Professoras do Instituto de Biociências da USP, Dra. Cristina Miyaki, Dra. Lyria Mori e Dra. Maria Cristina Arias

"Alimente os animais..."
Orientação: Profa. Márcia Fernandes Lourenço
Diretora do Serviço de Atividades Educativas do MZUSP

"De quem é o ovo?"
GEENF - Grupo de estudos em educação não-formal da USP
Orientação: Profa. Márcia Fernandes Lourenço
Diretora do Serviço de Atividades Educativas do MZUSP

Arquivo cartaz.pdf

Organização do Darwin day no Museu de Zoologia:
Maria Isabel Landim milandim@usp.br
Cristiano Moreira cmoreira@ib.usp.br
tel. (11) 6165-8119

12/02/2006 - Dia de Darwin no MZUSP

Veja fotos.

O Museu de Zoologia da USP comemorou no domingo, 12 de fevereiro, o 197° aniversário de nascimento de Charles Darwin, o pai da Teoria Evolutiva e co-autor da teoria da Seleção Natural. Esta data, celebrada internacionalmente, é usada como pretexto para divulgação científica em geral e da Evolução Biológica em particular. Com esse intuito, um grupo de pesquisadores da USP apresentou diferentes aspectos da Teoria Evolutiva para os visitantes. Além disso, o Prof. Dr. Mário de Pinna foi ao Rio de Janeiro para um bate-papo sobre Evolução na Livraria da Travessa.

Oficina
10:00h - As aves de Galápagos: a Seleção Natural de Darwin
Profas. Cristina Miyaki, Lyria Mori e
Maria Cristina Arias (IBUSP)

Palestras
11:00h - Charles Darwin e a viagem do Beagle
Prof. Dr. Nelio Bizzo (FEUSP)

14:00h - Papagaios me mordam! E me contem a sua evolução!
Profa. Dra. Cristina Miyaki (IBUSP)

15:00h - Para que serve a Teoria Evolutiva?
Prof. Dr. Diogo Meyer (IBUSP)

16:00h - E no princípio... era o macaco!
Prof. Dr. Walter Neves (IBUSP)
Rio de Janeiro

19:00h - Peixes, dinossauros e humanos: uma história da história evolutiva
Prof. Dr. Mário de Pinna (MZUSP)
Livraria da Travessa, Ipanema

Organização do Darwin day no Museu de Zoologia:
Maria Isabel Landim milandim@usp.br
Cristiano Moreira cmoreira@ib.usp.br
Fábio Di Dario didario@gmail.com
tel. (11) 6165-8119

Razões porque este blog é fechado a comentários

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Para os que sempre perguntam a razão deste blog não ser aberto a comentários, explico:

1. O blogger não é covarde. Muito pelo contrário. Desafiar a Nomenklatura científica não é pouca coisa. Especialmente para alguém que pretende ser contado no meio científico. Eu sei que tenho muitas coisas a perder com isso. Mas eu sigo a minha consciência e as evidências encontradas na natureza. Elas não corroboram as teses transformistas de Darwin.

Como modelo de blog não aberto a comentários, eu sigo estritamente a John Hawks neste sentido. Ele é um cientista darwinista ortodoxo, cujo blog Anthropology Weblog está listado nos links de blogs de minha preferência, que também não abre espaço para comentários.

2. Eu não freqüento nenhum "Clube do Bolinha", minha prezada Adriane Cunha, moderadora deste site de concepção religiosa. Não é galanteio não, mas você é muito linda!

3. Meu primeiro texto explica as razões de o blog não permitir comentários.

4. Segundo já mencionei neste blog, Marcelo Leite, colunista da Folha de São Paulo, afirmou em importante conferência científica que aquele expressivo jornal brasileiro também não cede espaço para os críticos e oponentes de Darwin.

Quem é covarde cara-pálida? Clube do Bolinha? Eu sou fã das Luluzinhas, Adriane.

Fui, rindo da cara de alguns dos meninos e meninas da Galera de Darwin.

Site em espanhol da Agência Espacial Européia para crianças



Este site em espanhol da Agência Espacial Européia para crianças está demais!

Novo blog científico: The Design of Life

Este blogger tem o prazer de anunciar a inserção de mais um link de blog preferido: The Design of Life:



Muitos temas interessantes são abordados que os alunos do ensino médio e superior não tomam conhecimento em seus livros-texto e aulas de Biologia: http://www.thedesignoflife.net/blog

O habitante alado das florestas

O habitante alado das florestas

Colunista apresenta a diminuta espécie de réptil voador que acaba de ser descrita por pesquisadores chineses e brasileiros

Várias descobertas surpreendentes de fósseis da China, particularmente da região de Liaoning e arredores, já foram apresentadas nesta coluna. Agora estamos noticiando mais uma: a de um dos menores répteis voadores já encontrados, batizado de Nemicolopterus crypticus. O nome vem do grego: nemos quer dizer floresta; ikolos significa habitante, morador; pteros equivale a asa e, por fim, kryptos quer dizer escondido. Uma tradução livre do nome da espécie seria algo como “o escondido morador alado da floresta”.

De forma geral, os pterossauros surgiram há aproximadamente 225 milhões de anos e se extinguiram juntamente com a maior parte dos dinossauros, há 65 milhões de anos. Durante esse período, esses animais alados dominaram os céus do planeta. Do ponto de vista evolutivo, podem ser considerados como "irmãos" dos dinossauros: os dois grupos de répteis tiveram um ancestral comum, mas depois cada um seguiu seu próprio caminho.

Considerados os primeiros vertebrados a desenvolverem o vôo ativo, os pterossauros são um dos grupos mais enigmáticos de animais pré-históricos. Eles raramente são encontrados e geralmente estão mal preservados e incompletos. Seu estudo tem ganhado bastante impulso nos últimos anos devido a importantes descobertas, particularmente na Alemanha, no Brasil e na China.

A descoberta da nova espécie de pterossauro também foi feita na China, durante um trabalho de campo na localidade de Luzhougou, perto da cidade de Yalugou, na província de Liaoning. Os pesquisadores Xiaolin Wang e Zhonghe Zhou, ambos do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia, de Pequim, encontraram um esqueleto quase completo em uma pequena placa de siltitito (rocha de granulometria bem fina).

Os ossos bem escuros contrastavam com a coloração mais cinza da rocha, fazendo com que a natureza do fóssil pudesse ser determinada logo no primeiro instante: tratava-se de um pterossauro. Naquela localidade já haviam sido encontrados restos de dinossauros, peixes e plantas – mas nenhum pterossauro até então. As rochas indicam que o ambiente era de uma floresta cortada por pequenos rios e lagos há 120 milhões de anos, em pleno período Cretáceo.

Durante um trabalho de campo realizado por Diogenes de Almeida Campos, do Museu de Ciências da Terra (DNPM), e por este colunista, os colegas chineses convidaram-nos para uma pesquisa conjunta. A descrição da nova espécie, resultado dessa parceria, acaba de ser publicada com destaque na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, ou simplesmente PNAS. A participação brasileira no projeto foi patrocinada pela Faperj, pelo CNPq e pela Academia Brasileira de Ciências.

Mas qual a importância dessa descoberta?

Pouco maior que um pardal
O esqueleto do Nemicolopterus crypticus estava praticamente completo, com asas, corpo, membros posteriores, crânio e mandíbula. Isso já bastaria para configurar uma descoberta fascinante. Mas não era tudo: além disso, o animal também tinha um tamanho bem pequeno. Com 25 cm de uma ponta a outra das asas, ele era pouco maior que um pardal.

No início, supunha-se que seria um recém-nascido, que acabara de deixar o ovo. No entanto, uma análise detalhada mostrou que o animal tinha todos os ossos bem formados, ao contrário dos recém-nascidos, nos quais alguns elementos ainda são cartilaginosos, particularmente no pé. Por outro lado, ele tampouco representava um adulto, já que diversos ossos do crânio não estavam completamente fusionados. Assim, concluiu-se que se tratava de um animal jovem, o que faz dele um dos menores – senão o menor – pterossauros já encontrados até aqui.

E quanto mais esse animal podia crescer? Esta é uma questão ainda não resolvida. Vejamos sua posição na história evolutiva dos pterossauros: o Nemicolopterus crypticus é membro do grupo Ornithocheiroidea, que reúne as formas mais derivadas de répteis voadores. Alguns desses animais atingiam tamanhos gigantescos, como o Anhanguera do Brasil ou o Quetzalcoatlus dos Estados Unidos, cada um, respectivamente, com 5 e 10 metros de abertura alar.

Outras feições do Nemicolopterus crypticus chamam mais a atenção. A principal delas está na curvatura das falanges dos pés. Comparado com alguns fósseis de lêmures, pode-se concluir que a nova espécie era mais arborícola. O estudo sugere que o Nemicolopterus crypticus vivia na copa de árvores, alimentando-se de pequenos insetos.

Essa descoberta também levanta a hipótese de que os grandes pterossauros que se alimentavam predominantemente de peixes são descendentes de pequenos animais como o Nemicolopterus crypticus. Com essa descoberta, revelamos, assim, uma página desconhecida na fascinante história da evolução desses répteis alados.


Alexander Kellner
Museu Nacional / UFRJ
Academia Brasileira de Ciências
11/02/2008

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Vale a pena ir à página do CiênciaHoje e ver as fotos.


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JC e-mail 3447, de 12 de Fevereiro de 2008.

15. Pesquisadores descobrem fóssil do menor réptil voador do mundo

Brasileiros e chineses revelam nova espécie de pterossauro. O animal mede apenas 25 cm e determina uma nova evolução desses répteis alados

Vanessa Ramos escreve para o “JC e-mail”:

O Nemicolopterus crypticus (o escondido habitante alado da floresta), nome dado pelos pesquisadores ao pterossauro, foi encontrado em Luzhougou, província de Liaoning, na China. O fóssil representa o menor réptil voador já encontrado no planeta, com 25 cm e ossos extremamente finos, que variam entre 1 e 2 mm de espessura. É 20 vezes menor do que, por exemplo, o pterossauro brasileiro Anhanguera piscator.

Além disso, ele exibe algumas características peculiares, tais como: uma expansão óssea no fêmur, possivelmente destinada para tendões; uma inserção muscular que fortificava as pernas; ossos dos pés curvados, nunca antes registrados em qualquer pterossauro; falta de dentes; e uma espécie de garra sobre uma das extremidades das asas, que lembra os ombros de outros animais.

O fóssil tem 120 milhões de anos, pertencendo ao período Cretáceo. Os chineses o encontraram em 2004, em rochas sedimentares que fazem parte da Formação Jiufotang. Mas o trabalho científico foi desenvolvido pelos paleontólogos Alexander Kellner, do setor de Paleovertebrados do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ, Diógenes de Almeida Campos, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e Xiaolin Wang, além de Zhonghe Zhou, ambos do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequim, na China.

Os brasileiros anunciaram a descoberta nesta segunda-feira (11/2), no Museu Nacional/UFRJ. Apesar de o fóssil ter sido encontrado há quatro anos, somente após o término da pesquisa é que ele pôde ser descrito, em artigo publicado na Procedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Diferenças

De acordo com os pesquisadores, o Nemicolopterus crypticus vivia na costa chinesa do Pacífico, sobre as copas das árvores, e se alimentava exclusivamente de insetos, por não haver muitos frutos no período. Esses pterossauros surgiram há aproximadamente 220 milhões de anos e são considerados os primeiros vertebrados adaptados para vôo ativo, isto é, não eram apenas planadores.

Para Kellner, a descoberta da espécie “escreve uma nova página na história da vida desses animais, pois o pterossauro descoberto é diferente de todos os encontrados antes. Seus ossos são bem formados, o que o caracteriza como uma espécie adulta. E, sobretudo, as asas foram extremamente importantes para o movimento do animal e diferem de todas as asas dos animais de hoje”.

Segundo os paleontólogos, os pterossauros não são aves, mas também não são dinossauros. Ambos tiveram um ancestral comum e cada um seguiu sua própria história evolutiva. Para esses cientistas, os grandes pterossauros, que se alimentavam predominantemente de peixes, são descendentes de pequenos animais como o Nemicolopterus crypticus.

Em função desta descoberta, os chineses pretendem intensificar as escavações e investir cerca de 1 a 2 bilhões de dólares nas próximas pesquisas. Só no projeto que deu origem ao Nemicolopterus crypticus, a China gastou 1 milhão.

Sem revelar a data exata, o paleontólogo do Museu Nacional/UFRJ afirma que muitas descobertas estão por vir neste ano. “A parceria com o país asiático surgiu em 2004, porque o Brasil possui os melhores especialistas em pterossauro do mundo”, afirmou Kellner. Para ele, o Brasil ganhou visibilidade nesta área por causa da Bacia do Araripe (lugar onde foram encontrados vários pterossauros), no Ceará.

A réplica do Nemicolopterus crypticus ficará na exposição permanente do Museu Nacional/UFRJ, localizado na Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, RJ, a partir de desta terça-feira (12/2). Já o fóssil original ficará num instituto científico chinês.

O financiamento da pesquisa brasileira contou com o apoio da Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e do CNPq. A equipe de pesquisadores da China, que participou dos trabalhos, teve apoio de instituições de fomento à pesquisa do país.

Palestras sobre Charles Darwin na Livraria da Travessa - Rio de Janeiro

JC e-mail 3447, de 12 de Fevereiro de 2008.

11. Instituto Sangari realiza palestras sobre Charles Darwin na Livraria da Travessa

A primeira acontece na quinta-feira

Dando continuidade à exposição "Darwin: Descubra o Homem e a Teoria Revolucionária que Mudou o Mundo", no Museu Histórico Nacional, o Instituto Sangari promove, de 14 de fevereiro a 3 de abril, sempre às quintas-feiras na Livraria Travessa do Shopping Leblon, um ciclo de palestras com o tema "Descobrindo a Árvore da Vida", com um título e um palestrante diferente a cada semana.

As palestras deste ciclo pretendem situar a vida e a obra de Charles Darwin e a sua influência não só sobre a Biologia como também em outras áreas do conhecimento e na visão de mundo contemporânea. Os palestrantes convidados são professores, pesquisadores e representantes de entidades do universo científico.

No dia 14/2, o palestrante será Nélio Bizzo, professor titular da Faculdade de Educação/USP.

Nelio Bizzo foi pesquisador do Manuscripts Room da Universidade de Cambridge, onde foi credenciado para pesquisar os manuscritos e a biblioteca pessoal de Charles Darwin. Entre março e abril de 2002, fez a travessia de Santiago (Chile) a Mendoza (Argentina), pelo Paso de los Libertadores, nos Andes, mesma trilha percorrida por Charles Darwin entre março e abril de 1835, a bordo do Beagle.

Publicou o livro: Darwin: do telhado das Américas à teoria da evolução, 2002, pela coleção Imortais da Ciência, editora Odysseus.

Nelio Bizzo apresenta a sua visão original sobre a importância da viagem do Beagle para Charles Darwin onde os Andes aparecem como protagonistas dessa história no local comumente atribuído às ilhas Galápagos.

Com uma linguagem envolvente, Nélio revela interessantíssimos detalhes históricos, pouco conhecidos, dos bastidores da histórica viagem do naturalista.

Serviço:
Livraria da Travessa Leblon - Shopping Leblon - Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A
Quintas-feiras, dia 14/02 às 20:00h
Entrada Franca
(Assessoria de Comunicação do evento)

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Nota deste blogger: Palestras assim dão início aqui no Brasil do processo de "louvaminhice" de Charles Darwin. Engraçado, se Alfred Wallace teve sua idéia usada por Darwin, por que não há tanto oba-oba festivo em relação ao co-descobridor da seleção natural? Aliás, esta história de seleção natural é mais antiga do que muitos imaginam e não tem nada a ver com Darwin tendo "a maior idéia que a humanidade já teve".

É preciso contar outra história sobre Darwin, mas a Nomenklatura científica não deixa...

Darwin, feliz aniversário!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

12 de fevereiro de 2008: Darwin faria hoje 199 anos.

Figura científica controversa desde a publicação do seu livro Origem das Espécies em 1859.

Pelo que tenho lido de sua teoria geral da evolução, Darwin acertou no varejo (processos microevolutivos) e errou no atacado (processos macroevolutivos).

Mesmo assim, não poderia deixar passar o seu aniversário em branco. Parabéns, Darwin!

Vale a pena visitar este site sobre Charles Robert Darwin.



Darwin morreu! Viva Darwin!

O que é ciência qua ciência?

JC e-mail 3446, de 11 de Fevereiro de 2008.

9. Ciência: conhecimento ou impacto, artigo de Eloi S. Garcia

“Estamos no momento de fazer uma reflexão: a pesquisa deve favorecer o conhecimento, a coisa nova e o progresso da humanidade ou fortalecer o currículo dos grupos, ou seja, se a ciência deve ser feita para descobrir coisas novas ou para publicar em revista de impacto?”

Eloi S. Garcia é pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, ex-presidente da Fiocruz, membro da Academia Brasileira de Ciências e Assessor Estratégico do Inmetro. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:

Há mais de 40 anos, quando ainda estava na Universidade com uma bolsa tipo “iniciação científica”, ainda não tinha claro em minha cabeça o que era conhecimento novo e produção científica.

Aprendia que fazer pesquisa não era somente a objetividade de uma idéia e sim também acreditar veementemente em algo que podia até não existir, mas que merecia a pena ser investigado. A fascinação deste aprendizado era a libertação dos dogmas, das crenças e começar a ver tudo com olhos novos e originais.

Publicar em revista de impacto não era o alvo final do pesquisador, pois sua meta central ao fazer ciência era o avanço do conhecimento e a geração de novas idéias.

Mas, alguns anos depois, o paradigma começou a mudar seguindo os trâmites da grande revolução científica que acontecia no final do século XX. Os cientistas, financiados com recursos públicos ou privados, precisavam comunicar os resultados e descobrimentos relevantes para justificar seus financiamentos e saírem em busca de mais recursos financeiros para manutenção das atividades de seus laboratórios.

A maneira mais eficiente de realizar tal tarefa consistia em publicar seus artigos em revistas de ampla circulação, redigidos em inglês, linguagem universal aceitável pela comunidade científica. O número e a qualidade das publicações começaram a constituir um índice relevante da capacidade produtiva de um determinado grupo de pesquisa.

O Brasil seguiu esta onda e começou assim a febre da publicação se tornando um parâmetro crucial da política científica para avaliar a qualidade e decidir – dada à escassez crônica de recursos - se um determinado grupo merece ser financiado ou não com recursos públicos.

Como conseqüência foram introduzidos algoritmos matemáticos para mensurar o rendimento dos grupos de pesquisa, que passaram a depender do número de artigos publicados e do prestígio das revistas onde eles foram publicados (índice de citação).

Daí vem à questão: historicamente os grandes avanços da ciência têm sido publicados nas revistas mais influentes?

Teoricamente, a resposta deveria ser sim. Mas, isto não é verdade. Talvez até pelo processo de revisão por pares não ser infalível nem completamente anônimo, pois normalmente os revisores de um artigo conhecem os autores do mesmo, não sendo raro que são competidores ou colaboradores em uma área de pesquisa, podendo ter um certo grau de afinidade e simpatia.

Assim, ocorre com freqüência que revistas importantes publicaram manuscritos que são irrelevantes, enquanto descobrimentos relevantes eram publicados em revista de menor impacto. Isto, sem levar em consideração as publicações fraudulentas e escandalosas divulgadas por revistas de grande impacto.

Ainda é importante discutir a razão de número de citações ser importante para aferir a qualidade de um trabalho científico, pois quase a maioria dos artigos publicados atualmente possui baixo índice de citação e outros manuscritos recebem citações negativas.

Estamos no momento de fazer uma reflexão: a pesquisa deve favorecer o conhecimento, a coisa nova e o progresso da humanidade ou fortalecer o currículo dos grupos, ou seja, se a ciência deve ser feita para descobrir coisas novas ou para publicar em revista de impacto?

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Comentário deste blogger:

Após ler este pequeno texto, cheguei à conclusão: apesar de reinar na Nomenklatura científica a ‘síndrome dos soldadinhos-de-chumbo’ [todo o mundo pensando a mesma coisa, e ninguém pensando em nada], existem sim pensadores livres que ousam pensar diferente da Academia!

Eloi S. Garcia, you made my day!

Origem da vida: mais notas promissórias epistêmicas irresgatáveis

JC e-mail 3446, de 11 de Fevereiro de 2008.

13. A primeira célula, artigo de Marcelo Gleiser

Para entender a vida, temos de buscar a origem de sua unidade

Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo". Artigo publicado na "Folha de SP":

A prendemos em biologia, numa das primeiras lições: a célula é a unidade fundamental de um organismo, consistindo de uma membrana circundando um núcleo que flutua em citoplasma.

Sabemos que células podem sobreviver por conta própria. Muitos organismos microscópicos, como a ameba ou o paramécio, consistem em apenas uma célula.

Um vírus é uma entidade ainda mais simples, mas que não é propriamente viva: consistindo de uma cápsula feita de proteína e um interior com material genético, só consegue se replicar quando está dentro de uma célula viva.

Portanto, podemos dizer que a célula é a unidade fundamental da vida. Se quisermos entender a origem da vida, temos que entender como surgiram as primeiras células.

Alguns cientistas estão tentando fazer exatamente isso. Em seus laboratórios, procuram sintetizar uma célula primitiva, capaz de se reproduzir e sobreviver por si mesma. Em ciência, a mesma questão pode ser abordada de várias formas diferentes. No caso da origem da primeira célula, existem três caminhos.

No primeiro, investigado no Instituto J. Craig Venter, cientistas procuram uma célula mais básica: usando o micróbio parasita Mycoplasma genitalium, responsável por infecções urinárias, partem do mais complicado para o mais simples.

O parasita tem apenas 528 genes no seu DNA, dos quais muitos são supérfluos. A questão é quais são eles e qual é o número mínimo de genes numa célula capaz de sobreviver. O processo é lento: combinações de genes são extraídas metodicamente e a célula resultante é testada.

Um dia os pesquisadores esperam chegar ao conjunto mínimo de genes capaz de manter a célula viva. Uma vez que estes sejam encontrados (se forem encontrados), o plano é recriar o DNA sinteticamente.

A tarefa é complexa: ninguém conseguiu criar um DNA com centenas de milhares de unidades. Mesmo se o projeto falhar, as técnicas que estão sendo desenvolvidas permitirão o reparo e a reconstrução de material genético. Por exemplo, seria possível criar uma célula capaz de converter detritos orgânicos em hidrogênio combustível.

Críticos afirmam que esse procedimento não leva de fato à resolução do enigma da primeira célula. Afinal, esse parasita evoluiu durante centenas de milhões de anos para chegar ao seu estado atual.

Outro grupo publicou uma receita para a construção de uma célula usando partes avulsas, como num kit de montagem de aeromodelo. Nessa receita, o maquinário molecular responsável pela vida seria baseado num genoma sintético com 151 genes e mais algumas proteínas.

Uma vez encontrado, esse material é circundado por uma membrana de gordura (lipídios). Ao menos a membrana foi construída com sucesso. E proteínas foram sintetizadas em seu interior, o começo de algo semelhante à vida.

Mesmo esse processo usa moléculas modernas, produtos de bilhões de anos de evolução. O desafio é começar do começo, criando vida a partir do que não vive, como ocorreu na Terra há aproximadamente 3,8 bilhões de anos.

Um terceiro grupo, da Universidade Harvard, vem tentando fazer isso: uma célula consistindo de uma membrana e uma única molécula de RNA capaz de se auto-replicar.

O desafio aqui é encontrar essa molécula. Estamos em desvantagem: a vida teve centenas de milhões de anos para realizar seus experimentos até encontrar a combinação certa. Por outro lado, temos nossa curiosidade e o conhecimento acumulado de centenas de anos de ciência. Com paciência e persistência, não se surpreenda se, em algumas décadas, gerar vida no laboratório virar rotina.
(Folha de SP, 10/2)

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Comentário impertinente deste blogger:

‘Criar vida a partir do que não vive’? Os livros-textos de Biologia do ensino médio relatam que Francesco Redi, um cientista italiano (final do século 17), mais Louis Pasteur (1822-1895) um cientista francês, derrubaram a idéia absurda da abiogênese.

Nem toda a idade do universo – uns 12 a 15 bilhões de anos [nenhum cientista sabe exatamente a idade certa], seriam possíveis para se encontrar a combinação certa. Considerando-se que nesta área científica o que temos é um punhado de ‘teorias absurdas’ [Eu estou até pensando em submeter a minha. Por que não???] Neste vale-tudo epistêmico, vale a pena relembrar o último artigo do Leslie Orgel: no contexto da justificação teórica em origem da vida não é a plausibilidade lógica que corrobora uma teoria, mas sim a plausibilidade química. O Mysterium tremendum, continua Mysterium tremendum para desespero da Nomenklatura científica.

Este artigo de Marcelo Gleiser na FSP bem que poderia ser intitulado: “Origem da vida: notas promissórias epistêmicas sem lastro de evidências a perder de vista!”

Projeto Coral Vivo apresenta o documentário “Vida nos Recifes”

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Florestas dos mares ganham documentário

08/02/2008

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Os recifes de coral, considerados como o equivalente nos oceanos das florestas tropicais úmidas, ocupam cerca de 2,4 mil dos 8 mil quilômetros da costa brasileira. E são eles os protagonistas do documentário Vida nos Recifes, lançado pelo projeto Coral Vivo, em iniciativa com o objetivo de planejar o repovoamento dos ambientes recifais brasileiros.

Informações sobre o que são recifes, como são formados, importância dos corais e de outros fenômenos biológicos presentes nesses ambientes são encontrados no DVD que teve apoio do Ministério do Meio Ambiente. A proposta é apresentar conhecimentos científicos sobre o ecossistema por meio de linguagem não-técnica.

Recifes de coral são estruturas rochosas construídas por organismos marinhos, sejam animais ou vegetais portadores de esqueleto calcário, resistentes à ação mecânica das ondas e correntes marítimas. Essas estruturas se distribuem na região equatorial do globo terrestre, em geral em águas rasas, quentes e claras.

“O documentário é destinado tanto a especialistas, que se beneficiam com a riqueza de imagens inéditas captadas durante pesquisas recentes desenvolvidas no Brasil sobre temas como o sistema de desova dos corais, como também ao público leigo, que tem acesso a conteúdos básicos sobre o assunto”, disse Clovis Barreira e Castro, coordenador do projeto Coral Vivo, localizado em Arraial D’Ajuda (BA), à Agência FAPESP.

Além das imagens obtidas do mar, o vídeo tem uma série de animações gráficas para explicar conceitos geralmente pouco compreendidos, como detalhes sobre a formação e distribuição geográfica dos recifes de coral.

Segundo Castro, professor do Departamento de Invertebrados do Museu Nacional, entidade vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apesar de ter múltiplos usos como o incentivo à educação ambiental e à multiplicação dos conhecimentos sobre os recifes brasileiros, um dos principais objetivos do documentário é promover a capacitação de pesquisadores e agentes de turismo que lidam com a conservação e com o uso sustentável do ecossistema.

“Com base nos conteúdos abordados no vídeo, já fizemos um curso de capacitação para mais de cem agentes de turismo da Bahia e estamos preparando outro para 200 professores de ensino fundamental do sul do estado, onde estão as áreas recifais mais importantes de todo o Atlântico sul”, contou Castro.

Segundo ele, a noção de que o litoral baiano tem as principais áreas recifais do Atlântico sul existe desde a década de 1960. “Todas as espécies de corais formadores de recifes do país conhecidas até o momento pelos cientistas brasileiros e estrangeiros são encontradas no sul da Bahia, sendo a maioria das espécies exclusiva da região. Os outros recifes do litoral brasileiro têm apenas parcelas dessas espécies. Não é à toa que o primeiro parque nacional marinho brasileiro, o dos Abrolhos, foi criado na região, em 1983”, disse.

De acordo com o pesquisador, um dos motivos da grande quantidade de recifes na região é seu espalhamento em diferentes distâncias da costa, o que contribuiu para o aumento da diversidade de espécies. “No sul da Bahia, diferentemente da maior parte do litoral brasileiro, os recifes são encontrados próximos à costa e também a até 70 quilômetros mar adentro.”

Uma segunda edição do documentário, que abordará as relações do homem com o meio ambiente, deverá ser lançada no segundo semestre de 2008. “A intenção é que essa edição tenha relatos de pescadores antigos e pesquisadores da área para sabermos quais foram as principais transformações dos recifes ao longo do tempo”, antecipou Castro.

O documentário Vida nos Recifes está sendo distribuído gratuitamente durante as atividades de conscientização do projeto Coral Vivo e deverá ser colocado à venda para o público em geral até o fim do ano.

Mais informações. Ou contato@coralvivo.org.br

Vide também: Projeto Coral Vivo

O incorrigível David Berlinski “bota pra quebrar”: alguns mitos da Nomenklatura científica

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

David Berlinski é um Ph. D. em matemática pela não menos famosa Universidade Princeton, judeu agnóstico, bon vivant, que reside em Paris, França. La maladie de Berlinski, é a lepra epistêmica pós-moderna: ele defende e propõe as teses do Design Inteligente. Berlinski é um arguto crítico dotado de ironia fina que a Nomenklatura científica se ressente, tenta, mas não consegue responder sem sair chamuscada. Bota chamuscada nisso.

Numa entrevista, Berlinski “bota pra quebrar” denunciando alguns mitos sobre a Nomenklatura científica que a Grande Mídia, como amada, mas enganada amante, se nega veemente enxergar e abordar: ruim com ele, pior sem ele!!!

Para chamuscar mais ainda alguns egos, eis algumas partes selecionadas de uma entrevista com Berlinski, um crítico científico de Darwin:

Sobre a ciência como um empreendimento autocrítico:

“A idéia de que a ciência seja uma instituição exclusivamente autocrítica é absurda, é claro. Os cientistas não são mais autocríticos do que qualquer pessoa. Eles odeiam ser criticados... Veja, essas pessoas são apenas humanas, elas odeiam a crítica – eu também. A idéia de que os cientistas estão absolutamente desejosos de serem sobrepujados é um dos mitos colocados pelos próprios cientistas, e funciona esplendidamente a fim de que eles possam evitar a crítica.”

“Nós estamos pedindo padrões de comportamento que seria maravilhoso de se esperar, mas que nenhum homem sério espera. Cem anos de desenhos fraudulentos [N. deste blogger 1: nos livros-texto de Biologia] sugerindo afinidades embriológicas que não existem – isso é algo que eu esperaria se os biólogos estivessem lutando para manterem uma posição de poder numa sociedade democrática e secular. Sejamos razoáveis… o mito popular da ciência como sendo uma instituição exclusivamente autocrítica, e os cientistas como homens que prefeririam ser queimados numa estaca em vez de fraudar seus dados, é OK para um documentário especial da PBS [N. deste blogger 2: A TV Brasil dos gringos], mas não é o mundo real; não é o que vem acontecendo…”

Sobre o darwinismo e poder:

“Uma das razões por que as pessoas abraçam a ortodoxia darwiniana com tal zelo incrível, é que isso dá a elas acesso ao poder. É tão simples assim: poder sobre a educação, poder sobre as decisões políticas, poder sobre os recursos financeiros, e poder sobre a mídia [N. deste blogger 3: a GM é supostamente o 4º. Poder, mas quando a questão é Darwin, ela é apenas uma amante enganada que não consegue enxergar os ‘defeitos evidentes’ do amante... Olha que eu tenho me esforçado em contar esses defeitos até pra ombudsman e ombudsma desde 1998, mas em vão.].

A avaliação de Berlinski da teoria darwiniana (em particular o gradualismo e as mudanças aleatórias filtradas pela seleção natural):

“… avaliando a teoria darwinista no contexto do que ela realisticamente retrata, ela é o que é: um tipo de coleção divertida de anedotas do século 19 que é totalmente diferente de qualquer coisa que você vê nas ciências sérias… Sim, os biólogos concordam que esta é a teoria correta para a origem e diversificação da vida – MAS, eis aqui alguns pontos que você também deve considerar: 1) a teoria não tem nenhuma substância que a corrobore, 2) ela é absurda, 3) ela não é apoiada pela evidência, 4) o fato que os biólogos estão uniformemente de acordo poderia também ser explicado por alguma sólida interpretação marxista dos seus interesses econômicos.”

Sobre a reação dos darwinistas às críticas:

“Quando as pessoas não foram criticadas por muito tempo, elas reagem com bastante indignação da mesma forma quando são criticadas pela primeira vez. É da natureza humana. Coloque-se no lugar de um Daniel Dennett ou de um Richard Dawkins que estão acostumados a ser os sacerdotes reinantes de uma poderosa ortodoxia, e pela primeira vez em suas vidas alguém diz, “Ei, caras, vocês simplesmente não são dignos de confiança”. É claro que eles irão reagir com raiva e indignação, proferirão veementes imprecações contra os outros, e recorrerão a repreensões…[N. deste blogger: ou cairão em silêncio pétreo, enfiando suas cabeças no chão, como as emas, fingindo não existir nenhuma crise paradigmática, ou que as críticas não sejam críticas científicas de peso].”

Berlinski, eu acho que você pegou pesado demais. O humor judeu é de uma ironia fina até contra Jacó, mas é cáustico e corrói quaisquer verdades não apoiadas pelas evidências.

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Um minuto de comercial não pago:

Não deixe de comprar o livro do Berlinski “O Advento do Algoritmo” publicado pela Editora Globo.

Contrariando a Darwin, a Nomenklatura científica pede ajuda ao Vaticano para estabelecer o “fato, Fato, FATO da evolução”

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Porpetta, mano, por mais essa Darwin não esperava. Ele, que era agnóstico, deve ter bufado de raiva ao ser enterrado na Abadia de Westminster [pedido feito pela Nomenklatura científica da época], próximo ao túmulo de Newton. Darwin disse que se a sua teoria precisasse de ajuda externa, isso seria “rubbish”: tolice, disparate, coisa sem valor. Muito mais bufando de raiva ele deve estar agora ao saber que a Nomenklatura científica atual vai ao Vaticano pedir ajuda para estabelecer o “fato, Fato, FATO da evolução”: uma conferência na Pontifícia Universidade Gregoriana. Uma conferência a la NOMA [Non-overlapping magisterium] de Gould: cada macaco no seu galho. Mas o moto da PUG é: “Religioni et Bonis Artibus”, algo como “Pela religião e a boa cultura”.

Nós do Design Inteligente, como sempre, sequer fomos convidados para esta “festa” para dar razão da nossa teoria. E vamos ser torpedeados lá. Sem dó, nem piedade epistêmicas! Também, quem mandou vocês atacarem Darwin-ídolo? Pessoal do DI, acorda, pô: Darwin locuta, causa finita!!!

O bom desta conferência, é que o status epistêmico do neodarwinismo vai ser finalmente discutido por grandes nomes da ciência. QED: há sim uma crise paradigmática em biologia evolutiva que os darwinistas fundamentalistas sempre negaram de pés juntos! Eu queria ver a cara de alguns jornalistas científicos. Especialmente a do Claudio Ângelo, da Folha de São Paulo.

A ciência e a mentira não podem andar de mãos dadas! O neodarwinismo vai cair como paradigma evolutivo. Duela a quien duela! Quem viver, verá!!!



PUG EVOLUÇÃO: FATOS e TEORIAS
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
ROMA, 3-7 de MARÇO de 2009

O Problema da Evolução

Uma conferência internacional sobre as teorias da evolução

Estes últimos anos têm visto o crescimento de diversos intensos, e às vezes acalorados, debates sobre a evolução que envolveu cientistas, filósofos e teólogos. As repercussões desses debates têm sido ouvidas em diversas ocasiões na grande mídia e têm envolvido o público também. Freqüentemente pareceu que os debates foram a expressão de verdadeiras posições ideológicas: de um lado, o evolucionismo metafísico anti-religioso; do outro lado as concepções fundamentalistas que destacaram um “criacionismo” mal compreendido ou o tão-chamado “Design Inteligente”.

Neste sentido, é necessário relembrar o discurso importante de João Paulo II, proferido em 22 de outubro de 1996, aos membros da Academia Pontifícia de Ciências, na Assembléia Plenária, com respeito às teorias da evolução. O discurso foi baseado na legítima autonomia da ciência, proclamada pela constituição “Gaudium et Spes” do Concílio Vaticano II (cf. n. 36). Bento XVI, no seu discurso para a Academia Pontifícia de Ciências, de 6 de novembro de 2006, ponderou profundamente aquela última questão, salientando o papel específico da filosofia e da teologia nesta matéria.

Nós trazemos à mente as palavras do Cardeal Paul Poupard, em uma de suas entrevistas na qual ele comentou sobre o discurso de João Paulo II de 22 de outubro de 1996. Ele [o papa] fez distinção entre a teoria da evolução e o evolucionismo ideológico. Na verdade, a primeiro é muito mais complexa e articulada do que as facções acima gostariam de admitir.

Hoje, graças a recentes descobertas, nós podemos reconsiderar o problema da evolução com uma perspectiva muito mais ampla em comparação ao tradicional neodarwinismo. Em particular, nós nos referimos ao papel dos mecanismos epigenéticos na evolução bem como aos novos desenvolvimentos produzidos pela teoria da complexidade e pelo estudo da incidência no ambiente das espécies vivas, especialmente no que diz respeito ao valor e à significância do comportamento inteligente. Neste contexto, que testemunha o entrelaçamento de diversas áreas do conhecimento, uma consideração apropriada se faz mais do que necessária.

Por esta razão, a Pontifícia Universidade Gregoriana, com o apoio do Conselho Pontífice para a Cultura. E dentro do Projeto STOQ (Ciência, teologia e a questão ontológica), organizará de 3 a 7 de março de 2009, uma conferência internacional sobre as teorias da evolução. A conferência está organizada em seções que irão apresentar primeiro aqueles fatos que são conhecidos, depois expandirão sobre as teorias científicas que tentam explicar os mecanismo evolutivos, sobre a humanização, sobre as questões filosóficas, e finalmente sobre as questões teológicas sobre a Evolução.

A conferência é apoiada, em parceria com a Fondazione Blaise Pascal, pela Associazione Scienza e Fede, que objetiva promover, em nível universitário, a interação na distinção entre as ciências positivas, a filosofia e a teologia, contribuindo dessa maneira para um verdadeiro diálogo entre a Ciência e a Fé.

A conferência será realizada na 'Aula Magna' (Principal sala) da Pontifícia Universidade Gregoriana, Piazza della Pilotta 4, 00187 Roma. As primeiras cinco sessões, as científicas, serão feitas em inglês. As últimas quatro, as filosóficas e teológicas, serão feitas ou em inglês ou italiano, com tradução simultânea disponível.

Contato para informação: evolution@unigre.it


Argumento

Nós percebemos que as condições para se alcançar um diálogo verdadeiro e adequado sobre estas questões complexas e controversas são muito simples, mas imperativas. A condição fundamental é fazer uma nítida distinção na área de estudo, porque a confusão ideológica torna impossível criar um diálogo e gera somente controvérsia pseudocientífica desinteressante.

Para analisar em primeiro lugar, em perfeita autonomia de qualquer outra consideração, é o papel das ciências. Neste primeiro nível nós devemos estudar cuidadosamente todos os dados disponíveis em paleontologia, biosistemática, biologia molecular, que fornecem evidência cada vez mais crescente a favor da evolução das espécies.

Numa segunda fase nós devemos focalizar no estudo de várias teorias científicas que objetivam explicar tal evento. Historicamente, a primeira teoria foi o transformismo de Lamarck; embora diversos elementos de sua teoria foram ultrapassados, nós não podemos desconsiderar o papel fundamental deste precursor. A teoria da seleção natural de Charles Darwin vem em seguida, uma teoria que verá o seu 150 anos de aniversário em 2009. A teoria de Darwin é a pedra fundamental da atual teoria sintética da evolução, ou “neodarwinismo” com as adições das leis de genética de Mendel, e a teoria da mutação de Hugo de Vries.

Esta base de conhecimento importante deve ser estudada cientificamente, integrando os numerosos desenvolvimentos em várias áreas de pesquisa. Esta discussão deve seguir um curso racional com o objetivo de definir com a maior exatidão aqueles elementos que são explicados por este teoria e aqueles elementos que a teoria ainda não consegue explicar, fazendo uma confrontação serena com outras tentativas, se alguma, para explicar os mecanismos da evolução. Mantendo uma perspectiva puramente científica, o estudo da origem do homem se seguirá, usando os fatos que são conhecidos como ponto de partida.

Neste ponto é necessário considerar a teoria neodarwinista como ela é, uma teoria científica que evolui continuamente, tentando integrar um crescente número de elementos. Como qualquer outra teoria científica, ela deve ser colocada sob o escrutínio e deve ser discutida. Por esta razão, ela não deve ser considerada nem como uma verdade definitiva, que a transformaria numa ideologia — o oposto da ciência — nem no outro lado do espectro, como sendo contraditória à verdade religiosa, por exemplo. No entanto, é permitido discutir as pressuposições metodológicas possíveis, tais como o mecanicismo ou o reducionismo radical, que possa ter contaminado tal teoria numa maneira filosófica em vez de uma maneira científica.

Por esta razão, o segundo aspecto para se considerar cuidadosamente, separando-se nitidamente da área das ciências positivas, é a reflexão filosófica; isto será abordado tanto num nível epistemológico — para compreender qual é o status epistemológico do neodarwinismo, por exemplo — e no nível da filosofia da natureza, utilizando uma abordagem crítica, a fim de considerar adequadamente as numerosas implicações filosóficas na evolução das espécies em geral, e na teoria sintética em particular.

Somente uma reflexão filosófica apropriada pode articular, sem confundir, as ciências de um lado, e a fé e a teologia do outro. A reflexão filosófica sobre a evolução deve ocorrer logicamente antes da consideração teológica de várias teorias que tentam explicá-la. Dentro da área da teologia cristã, o ponto de partida mais lógico é uma exegese adequada dos textos bíblicos que abordam a Criação, começando com os dois primeiros capítulos do livro de Gênesis. A distinção de gêneros literários permanece uma das maiores lições a serem tiradas de Galileu.

Desta maneira, nós evitamos qualquer discussão entre criação e evolução, bem como as controvérsias levantadas, por exemplo, pelo “Design Inteligente”, como se existisse uma teoria científica alternativa ao neodarwinismo. Um cristão pode acreditar no design providencial de Deus na Criação, sem transformá-lo numa “teoria científica” que compete com outra teoria: essas [questões] são níveis diferentes de interpretação. Todavia, isto exige que nenhuma teoria científica seja colocada com a explicação última da realidade, o que a reduziria em ser pseudometafísica, ou uma pseudo-religião — de qualquer modo, o oposto de ciência.

Programa da Conferência

Sob os auspícios do Conselho Pontifício para a Cultura, Pontifícia Universidade Gregoriana, de 3 a 7 de março de 2009

Conferência Internacional sobre Evolução: Fatos e Teorias

Comitê organizador: Marilena Amerise, Valeria Ascheri, Gennaro Auletta, Angela-Patrizia Calvaruso, Paolo D’Ambrosio, Saverio Forestiero, Ludovico Galleni, Marc Leclerc, Rafael Martinez, Gerald McKenny, Rafael Pascual, Pietro Ramellini, Massimo Stanzione.

Comitê executivo: Marc Leclerc sj, Gennaro Auletta, Angela-Patrizia Calvaruso, Marilena Amerise.

Apoio financeiro de John Templeton Foundation e da Associazione Scienza e Fede.

Principais questões a serem abordadas

Terça-feira, 3 de março

Primeira sessão: Fatos que nós conhecemos (9 am – 1:30 pm)

Evidências paleontológicas; Evidências biomoleculares; Questões taxonômicas

Segunda sessão: Mecanismos evolucionários I (3 – 7:30 pm)

História das teorias da evolução; Teoria padrão; Simbiose; Problema de especiação


Quarta-feira, 4 de março

Terceira sessão: Mecanismos evolucionários II (9 am – 1:30 pm)

Evo-Devo; Complexidade e a evolução; Evolução e ambiente

Quarta sessão: A origem do Homem (3 – 7:30 pm)

História da pesquisa; Abordagem molecular; Abordagem paleontológica; Abordagem primatológica

Quinta-feira, 5 de março

Quinta sessão: Algumas questões antropológicas sobre a evolução (9 am – 1:30 pm)

Algumas tentativas paleontológicas em definir a humanidade;
O conceito de evolução como aplicado ao desenvolvimento das culturas humanas;
A visão antropológica de Teilhard de Chardin [1];
Algumas considerações filosóficas sobre a emergência humana e a en-culturação

Sexta sessão: Aspectos filosóficos da evolução I (3 – 7:30 pm)

Introdução filosófica; Problemas epistemológicos das teorias da evolução; Filosofia e Biologia


Sexta-feira, 6 de março

Sétima sessão: Aspectos filosóficos da evolução II (9 am – 1:30 pm)

Sentido metafísico da criação e evolução; Ética e Biologia; Questões filosóficas da teoria da evolução; Background histórico do “Design Inteligente”

Oitava sessão: Aspectos teológicos da evolução I (3 – 7:30 pm)

O tema da Criação no Velho Testamento; Teologia e as teorias de evolução; Uma prospectiva teológica sobre o “Criacionismo” e o “Design Inteligente”; A visão teológica da evolução por Teilhard de Chardin [1]

Sábado, 7 de março

Nona sessão: Aspectos teológicos da evolução II (3 – 7:30 pm)

Emergência e finalismo; A recepção da Igreja [Católica] das teorias evolucionárias; Debate teológico sobre a evolução; Conclusões gerais

Palestrantes, entre outros:

Werner Arber; Jacques Arnauld; Francisco Ayala; Gianfranco Biondi; Georges Chantraine; Yves Coppens; Card. Georges Cottier; Anne d'Ambricourt; Robin Dunbar; Jeffrey L. Feder; Douglas J. Futuyma; Ludovico Galleni; Jean Gayon; Scott Gilbert; Stuart Kauffman; Dominique Lambert; Jean-Michel Maldamé; Giorgio Manzi; Lynn Margulis; Rafael Martinez; Juergen Mittelstrass; Conway Morris; Ronald Numbers; Olga Rickards; Robert Russell; Elliott Sober; Massimo Stanzione; Bill Stoeger; Bob Ulanowicz; André Wénin; David S. Wilson; and others.

NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER:

Será que nesta conferência na Pontifícia Universidade Gregoriana será considerado o fato que a obra de Chardin foi denunciada pela Igreja em 1962 como “ambígua” e cheia de “erros gravíssimos” que “ofendem a doutrina católica”? Eles devem abordar sim, pois esta posição foi reiterada e reafirmada em anúncio feito em 1981 pela Santa Sé.

Corrigindo a National Academy of Sciences sobre o Design Inteligente — Parte 2 de 3

domingo, fevereiro 03, 2008

Esta série deve ser lida à luz do ‘silêncio pétreo’ da Nomenklatura científica e da falta de objetividade jornalística da Grande Mídia que têm violado os direitos humanos de toda a sociedade brasileira ter acesso a informações científicas sobre as insuficiências epistêmicas fundamentais das atuais teorias da origem e evolução do universo e da vida no contexto de justificação teórica.

A ciência não pode andar de mãos dadas com a mentira! (Shimon Perez, ex-primeiro-ministro de Israel)

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Os fatos sobre o Design Inteligente: uma resposta ao livro Science, Evolution, and Creationism da National Academy of Science

Por Casey Luskin, casey@ideacenter.org

A NAS deturpa a natureza do registro fóssil

A NAS afirma que “as descobertas de fósseis têm continuado a produzir nova e convincente evidência sobre a história evolucionária”, mas deixa de fora qualquer menção de instâncias onde o registro fóssil possa desafiar o neodarwinismo. Na verdade, em 1979 o paleontólogo evolucionista David Raup escreveu que “nós estamos agora há quase 120 anos após Darwin, e o conhecimento do registro fóssil tem sido expandido grandemente... ironicamente, nós temos até muito menos exemplos de transição evolutiva do que nós tínhamos no tempo de Darwin.” A NAS assevera mais adiante que “o registro fóssil fornece extensiva evidência documentando a ocorrência da evolução”, [20] mas outros paleontólogos têm lamentado exatamente o oposto: o registro fóssil raramente fornece evidência de mudança darwiniana. Como o paleontólogo evolucionista Niles Eldredge escreveu em 1995:

“Não é estranha a razão de os paleontólogos terem se distanciado da evolução há tanto tempo. A evolução nunca pareceu acontecer. O coletar assíduo de faces rochosas produz ziguezagues, pequenas oscilações, e a própria acumulação de mudança ocasional e leve — ao longo de milhões de anos, numa taxa demasiadamente lenta para ser responsável por toda a mudança prodigiosa que ocorreu na história evolucionária. Quando nós vemos a introdução de novidade evolutiva, ela geralmente surge com um bang, e freqüentemente sem nenhuma evidência firme de que os fósseis não evoluíram em outro lugar! A evolução não pode ocorrer para sempre em outro lugar. Mas, é assim que o registro fóssil tem chocado muito paleontólogo desesperado buscando aprender algo sobre a evolução.”[21]

Um grande evento no registro fóssil — deixado de ser completamente mencionado pela NAS — é a explosão Cambriana, onde aproximadamente todos os principais filos animais aparecem num instante geológico sem fósseis transicionais aparentemente evolutivos. Um livro-texto de biologia recente reconhece que o registro fóssil não nos dá pistas que ajudem explicar a origem dos filos animais na explosão Cambriana:

“A maioria dos filos animais representados no registro fóssil aparecem primeiro, ‘plenamente formados,’ no Cambriano alguns 550 milhões de anos atrás. ... O registro fóssil é, portanto, de nenhuma ajuda no que diz respeito à origem e à primeira diversificação dos diversos filos animais.”[22]

Esta não é a única “explosão” no registro fóssil. Os paleontólogos têm observados um explosão de peixes, uma explosão de plantas, uma explosão de aves, e até uma explosão de mamíferos. Como o eminente biólogo evolucionista , o falecido Ernst Mayr, escreveu em 2001, “Se nós olharmos o biota dos animais vivos, seja no nível dos taxa superiores, ou até aquele no nível das espécies, as descontinuidades são esmagadoramente freqüentes... As descontinuidades são ainda mais surpreendentes no registro fóssil. As novas espécies geralmente aparecem subitamente no registro fóssil, não conectadas com seus ancestrais por uma série de elos intermediários.”[23] Este fenômeno existe não somente no nível de espécies, mas também no nível de taxa superior, como um livro-texto de zoologia explica:

“Muitas espécies permanecem virtualmente não modificadas por milhões de anos, então subitamente desaparecem para serem substituídas por uma forma bem diferente, mas relacionada. Além disso, a maioria dos principais grupos de animais aparece abruptamente no registro fóssil, plenamente formados, e com fósseis ainda não descobertos que formem uma transição de seu grupo progenitor.”[24]

Em vez de reconhecer o padrão geral de explosões no registro fóssil, a NAS focalize em algumas ocasiões onde existem possíveis formas transicionais. Mas as plausíveis transições evolutivas parecem ser a exceção, e não a regra, no registro fóssil, que é dominado por abruptas explosões de grande diversidade biológica. Em particular, a NAS focaliza bastante no Tiktaalik, uma suposta transição entre peixes e anfíbios, mas o Tiktaalik tem uma nadadeira completamente parecida com uma nadadeira, e nada faz virtualmente para documentar o aspecto chave da suposta transição peixe-anfíbio, a transformação das nadadeiras em pés.

A NAS também focalize no Archaeopteryx, uma suposta transição entre dinossauros e aves. O Archaeopteryx é geralmente considerado como uma ave verdadeira, mas a NAS deixa de mencionar que os supostos ancestrais dinossaurianos do Archaeopteryx foram encontrados no período errado do registro fóssil — “pelo menos 20 milhões de anos mais novos do que o Archaeopteryx.”[25] Se o Archaeopteryx é a primeira ave verdadeira conhecida, então do que, se alguma coisa, as aves evoluíram? O registro fóssil não nos diz. Apesar dos problemas com esta estória evolutiva, Phillip Johnson fornece uma análise lúcida e caridosa da importância deste fóssil:

“O Archaeopteryx no todo é um ponto a favor dos darwinistas, mas quão importante isto é? As pessoas que vão à evidência fóssil como darwinistas convictos verão uma confirmação formidável, mas os céticos verão uma exceção solitária de um padrão consistente da não confirmação fóssil.”[26]

Muitos céticos do neodarwinismo afirmam que este padrão de explosões no registro fóssil representam infusões rápidas de nova informação na biosfera que é mais consistente com o Design Inteligente do que com a evolução darwinista. No entanto, a NAS afirma que os céticos da evolução (que eles juntaram todos como se fossem “criacionistas”), “citam o que eles afirmam ser um registro fóssil incompleto como evidência de que as coisas vivas foram criadas em usas formas modernas.” Esta afirmação torce a história ao contrário. Na verdade, é bem conhecido que em muitas ocasiões o registro fóssil é bem complete — adequado bastante para mostrar que novas formas de fósseis surgiram em explosões abruptas. Ironicamente, são os darwinistas que historicamente têm usado a desculpa de que o registro fóssil é “incompleto” para justificar a sua adesão à mudança darwiniana a despeito das inexistentes transições de fósseis. Eventualmente, os biólogos foram forçados a aceitar o fato de que as formas transicionais não estavam faltando porque o registro fóssil era incompleto, pois “as lacunas que nós vemos refletem eventos reais na história da vida — não o artefato de um registro fóssil pobre.”[27] Como um biólogo escreveu, “Os biólogos evolucionistas não podem mais ignorar o registro fóssil baseado no fato de que é imperfeito."[28] Em contraste, as afirmações inflacionadas da NAS reescrevem a história, e ignoram o padrão de explosões abruptas no registro fóssil.

A NAS exagera a evidência do ancestral comum universal.

A NAS afirma que, “se duas espécies têm um ancestral comum relativamente recente, suas seqüências de DNA serão mais semelhantes do que as seqüências de DNA de duas espécies que compartilham um ancestral comum distante.” Isto é como os dados de DNA devem parecer na teoria. Mas a NAS não menciona as inúmeras instâncias onde as verdadeiras semelhanças de seqüências de DNA entre espécies conflitam com as expectativas baseadas na hipótese de ancestralidade comum darwiniana.

A teoria do Design Inteligente não é, necessariamente, incompatível com a ancestralidade comum, mas deve ser salientado que agentes inteligentes comumente reutilizam peças que funcionam em designs diferentes. Assim, as semelhanças em tais seqüências genéticas também podem ser geradas como um resultado de requisitos funcionais e design comum em vez de descendência comum. A NAS ignora esta possibilidade, e afirma que “a biologia molecular tem confirmado e estendido as conclusões sobre a evolução extraídas de outras formas de evidência.” Na verdade, a árvore da vida de Darwin — a noção de que todos os organismos vivos compartilham de um ancestral comum universal — tem enfrentado dificuldades crescentes em anos recentes.

O problema para o neodarwinismo é que árvores filogenéticas baseadas em um gene fundamental ou proteína, conflitam freqüentemente com árvores baseadas em outro gene ou proteína. Na verdade, este problema é particularmente agudo quando se estuda os genes fundamentais na base da árvore da vida, que a NAS erroneamente afirma demonstrar ancestralidade comum universal. Como W. Ford Doolittle explica, “Os filogenistas moleculares terão falhado em descobrir a ‘verdadeira árvore’, não porque seus métodos sejam inadequados ou porque eles escolheram os genes errados, mas porque a história da vida não pode ser adequadamente representada como uma árvore.”[29]

Doolittle, um biólogo darwinista, escreveu em outro artigo que “não teria existido uma única célula que pudesse ser chamada de ultimo ancestral comum universal.” [30] Doolittle atribui suas observações à troca de gene entre os microorganismos na base da árvore. Mas Carl Woese, o pai da sistemática molecular evolucionária, acha que tais problemas existem além da base da árvore: “As incongruências filogenéticas [conflitos] podem ser vistas em toda a parte da árvore universal, de sua raiz até às principais ramificações dentro e e entre as várias taxa até à composição dos próprios grupos principais.”[31]

Olhando mais alto na árvore, uma pesquisa recente conduzida por cientistas darwinistas tentou reconstruir uma filogenia das relações dos animais, mas concluíram que, “apesar da quantidade de dados e extensão da taxa analisados, as relações entre a maioria dos filos [de animais] permaneceram não resolvidas.”[32] O problema básico é que as árvores filogenéticas baseadas em um gene ou outra característica irá conflitar comumente com árvores baseadas em outro gene ou macrocaracterística. Ao contrário da afirmação da NAS, biologia molecular não tem freqüentemente “confirmado e estendido as conclusões sobre a evolução extraídas de outras formas de evidência.”

Uma versão abreviada do panfleto Science, Evolution, and Creationism distribuído pela NAS vai ainda mais adiante ao afirmar que “as espécies que parecem ser mais distantemente relacionadas de suas posições no registro fóssil são encontradas como tendo correspondentemente diferenças muito maiores no seu DNA do que as espécies que aparecem mais aproximadamente relacionadas no registro fóssil.”[33] Mas esta afirmação é patentemente falsa. É muito bem conhecido que a hipótese do “relógio molecular” — a opinião de que o tempo desde o surgimento de uma espécie no registro fóssil prediz o grau de evolução genética — é notoriamente não confiável.

Além disso, muitos cientistas evolucionistas têm reconhecido que as árvores evolucionárias baseadas na morfologia (características físicas dos organismos) ou dos fósseis comumente conflitam com as árvores evolucionárias baseadas no DNA (também chamadas de árvores molecularmente baseadas). Como foi mencionado num artigo de revisão de literatura por líderes darwinistas nesta área, “Como morfologistas com grandes esperanças da sistemática molecular, nós terminamos esta pesquisa com as nossas esperanças arrefecidas. A congruência entre as filogenias moleculares é tão difícil de encontrar tanto na morfologia como entre as moléculas e a morfologia."[34]
Outro grupo de especialistas pró-evolução escreveu, “Aquela evidência molecular que se encaixa tipicamente com padrões morfológicos é uma opinião defendida por muitos biólogos, mas interessantemente, por relativamente alguns sistematistas. A maioria deles sabe que as duas linhas de evidência podem freqüentemente ser incongruentes."[35] Um artigo noticioso na revista Nature até relatou que “as disparidades entre as árvores moleculares e morfológicas” resulta em “guerras da evolução.”[36]

Aquela hierarquia minuciosa, nítida, ramificada de uma Grande Árvore da vida predita pela teoria darwinista nunca foi encontrada. Os biólogos evolucionistas estão cada vez mais apelando para epiciclos como a transferência lateral de gene, taxas diferentes de evolução, radiação molecular abrupta, evolução convergente (até evolução molecular convergente), e outras racionalizações ad hoc para reconciliarem as discrepâncias entre as hipóteses diferentes sobre descendência comum. A biologia darwinista não está explicando os dados moleculares; ela é forçada a invalidar os dados por meio de outras explicações. Se a NAS estivesse desejosa de considerar o design inteligente comum, talvez eles pudessem achar uma simples explicação porque as características aparecem em espécies que não são esperadas pela evolução darwiniana.
A NAS exagera o caso a favor da evolução humana.

Em 1980, o famoso paleontólogo Stephen Jay Gould, falecido, salientou que “a maioria dos fósseis hominídeos, muito embora eles sirvam de uma base para interminável especulação e o contar de elaboradas estórias da carochinha, são fragmentos de mandíbulas e pedaços de crânios.”[37] A NAS afirma que “hoje não há dúvida científica sobre as relações evolucionárias próximas entre os humanos e todos os outros primatas.” Mas a NAS ignora que o caso fóssil para a evolução humana é extremamente frágil, pois os céticos da evolução humana têm ampla base científica para o seu ceticismo.

O registro fóssil contém dois tipos básicos de hominídeos: aqueles que podem ser classificados como macacos-antropóides e aqueles que podem ser classificados como tipos humanos modernos. Mas permanece uma distinta lacuna na morfologia das espécies tipo macacos-antropóides e espécies tipo humana que não é ligada pelo nosso conhecimento do registro fóssil.

A NAS trombeteia Lucy como membro da espécie hominídea Australopithecus afarensis, como representante dos ancestrais da humanidade.

Mas muitas pesquisas descobriram que os australopitecíneos não servem como boas formas transicionais de macacos-antropóides para humanos. Por exemplo, uma pesquisa descobriu que Lucy tinha ossos da mão como um macaco que anda sobre seus nós dos dedos. Outros pesquisadores afirmaram, “Nós, como muitos outros, interpretamos a evidência anatômica para mostrar que o primeiro Homo sapiens era significante e dramaticamente diferente dos mais antigos e penecontemporâneos australopitecíneos em virtualmente cada elemento de seu esqueleto e cada remanescente de seu comportamento.”[38] Um comentarista propôs que esta evidência implica numa “teoria big bang” da evolução humana.[39] Semelhantemente, dois paleoantropólogos declararam na revista Nature que os primeiros fósseis tipo humano aparecem tão subitamente no registro que “é difícil no presente identificar a sua ancestralidade imediata no leste da África. Não que nada não tenha sido descrito como um hominin ‘sem um ancestral, sem um passado claro.’”[40]

Um paleontólogo evolucionista da Universidade Harvard declarou recentemente no jornal New York Times que fósseis hominídeos há pouco descobertos “mostram ‘quão interessante e complexo foi o gênero humano e quão pobremente nós entendemos a transição de ser algo muito mais parecido com o macaco do que algo muito mais parecido com o ser humano.”[41] Tal admissão foi repetida imediatamente por um grupo de paleoantropólogos evolucionistas, afirmando que “nós nada sabemos sobre como a linhagem humana emergiu verdadeiramente dos macacos-antropóides.”[42] Embora esses cientistas indubitavelmente acreditem que os humanos e os macacos primatas compartilhem de um ancestral comum, a NAS faria melhor em explicar que há muitos mistérios não resolvidos sobre as origens humanas, em vez de apresentar o front unido de que os humanos são, indubitavelmente, descendentes de espécies tipo macacos-antropóides: claramente os céticos da evolução humana têm bases científicas para fundamentarem suas opiniões.

A NAS também declara que as semelhanças genéticas entre humanos e chimpanzés mostra “a nossa ancestralidade comum relativamente recente.” Eles apresentam um diagrama enganador, fazendo parecer que o DNA humano e de chimpanzé sejam essencialmente 100% idênticos. Mas uma notícia recente de um artigo na revista Science declarou que a afirmação de que os humanos e os chimpanzés têm DNA que é somente 1% diferente é um “mito”,[43], que o número de 1% “reflete somente as bases de substituições, e não as muitas extensões do DNA que têm sido inseridas ou deletadas nos genomas.” Em outras palavras, quando o genoma de chimpanzé não tem uma extensão semelhante de DNA humano, tais seqüências de DNA são ignoradas por aqueles que tentam vender a estatística de que humanos e chimpanzés são apenas 1% geneticamente diferentes. Por esta razão, o sub-título da notícia publicada na revista Science foi intitulado “O mito de 1%”, e escreveram assim:

“Pesquisas estão mostrando que [geneticamente, humanos e chimpanzés] não são tão semelhantes quanto muitos tendem a acreditar”;

A estatística de 1% é um “truísmo que deve ser aposentada”;

A estatística de 1% é “mais um estorvo na compreensão do que uma ajuda”;

“Pesquisadores estão descobrindo que no topo da distinção de 1%, pedaços de DNA ausentes, extra genes, conexões alteradas em rede de gene, e a própria estrutura dos cromossomos confundem qualquer quantificação de ‘tipicamente humano’ versus ‘tipicamente chimpanzé’.”"

Na verdade, devido às grandes divergências na estatística de 1% de diferença, alguns cientistas estão sugerindo que um método melhor para medir as diferenças genéticas entre humanos e chimpanzés é contar as cópias individuais de genes. Quando este sistema ‘métrico’ é empregado, o DNA humano e de chimpanzé é mais de 5% diferente. Mas novas descobertas em genética mostram que o DNA codificador de gene pode nem ser o lugar certo para se buscar diferenças entre humanos e chimpanzés.

Finalmente, a pergunta deve ser feita, se humanos e chimpanzés têm DNA semelhantes, por que isso demonstra ancestralidade comum? Conforme discutido acima, as semelhanças em seqüências genéticas importantes podem ser explicadas como um resultado de requisitos funcionais e design comum em vez de mera descendência comum. O design inteligente certamente é compatível com a ancestralidade comum humano-antropóide, mas a verdade é que a diferença percentual diz nada sobre se os humanos e os chimpanzés partilham de um ancestral comum. O percentual de semelhança genética entre os humanos e macacos não demonstra a evolução darwinista, a menos que alguém exclua a possibilidade de design inteligente. Assim como agentes inteligentes ‘reutilizam’ componentes funcionais que funcionam over and over em sistemas diferentes (e.g., rodas para carros e rodas para aviões), as semelhanças genéticas entre os humanos e chimpanzés também pode ser explicada como o resultado da reutilização de programas genéticos comuns devido a requisitos funcionais do plano corporal hominídea. A NAS não considera nenhuma dessas possibilidades.

Referências

[20] David Raup, "Conflicts Between Darwin and Paleontology," Field Museum of Natural History Bulletin, Vol. 50 (1) (1979).

[21] Niles Eldredge, Reinventing Darwin: The Great Debate at the High Table of Evolutionary Theory, p. 95 (John Wiley & Sons, 1995).

[22] R.S.K. Barnes, P. Calow and P.J.W. Olive, The Invertebrates: A New Synthesis, pp. 9–10 (3rd ed., Blackwell Sci. Publications, 2001).

[23] Ernst Mayr, What Evolution Is, p. 189 (Basic Books, 2001).

[24] C.P. Hickman, L.S. Roberts, and F.M. Hickman, Integrated Principles of Zoology, p. 866 (Times Mirror/Moseby College Publishing, 1988, 8th ed).

[25] Carl C. Swisher III, Yuan-qing Wang, Xiao-lin Wang, Xing Xu, and Yuan Wang, "Cretaceous age for the feathered dinosaurs of Lianoing, China," Nature, Vol. 400:58-61 (July 1, 1999).

[26] Phillip E. Johnson, Darwin on Trial, p. 81 (Intervarsity Press, 1993).

[27] Niles Eldredge, and Ian Tattersall, The Myths of Human Evolution, p. 59 (Columbia University 1982).

[28] David S. Woodruff, Science, p.717 (May 16, 1980).

[29] W. Ford Doolittle, "Phylogenetic Classification and the Universal Tree," Science, Vol. 284:2124-2128 (June 25, 1999).

[30] W. Ford Doolittle, "Uprooting the Tree of Life," Scientific American, pp. 90-95 (February, 2000).

[31] Carl Woese “The Universal Ancestor,” Proceedings of the National Academy of Sciences USA, Vol. 95:6854-9859 (June, 1998).

[32] Antonis Rokas, Dirk Krüger, Sean B. Carroll, "Animal Evolution and the Molecular Signature of Radiations Compressed in Time," Science, Vol. 310:1933-1938 (Dec. 23, 2005).

[33] Esta versão resumida de 8 páginas do Science and Creationism foi dada à imprensa por ocasião do lançamento da edição completa.

[34] Patterson et al., "Congruence between Molecular and Morphological Phylogenies," Annual Review of Ecology and Systematics, Vol 24, p. 179 (1993).

[35] Masami Hasegawa, Jun Adachi, Michel C. Milinkovitch, "Novel Phylogeny of Whales Supported by Total Molecular Evidence," Journal of Molecular Evolution, Vol. 44, pp. S117-S120 (Supplement 1, 1997).

[36] Trisha Gura, “Bones, Molecules or Both?,” Nature, Vol. 406:230-233 (July 20, 2000).

[37] Stephen Jay Gould, The Panda's Thumb, p. 126 (W.W. Norton, 1980).

[38] J. Hawks, K. Hunley, L. Sang-Hee, and M. Wolpoff, “Population Bottlenecks and Pleistocene Evolution,” Journal of Molecular Biology and Evolution, Vol. 17(1):2-22 (2000).

[39] University of Michigan News and Information Services News Release, "New study suggests big bang theory of human evolution" (January 10, 2000), disponível aqui.

[40] Robin Dennell and Wil Roebroeks, "An Asian perspective on early human dispersal from Africa," Nature, Vol. 438:1099-1104 (Dec. 22/29, 2005).

[41] Daniel Lieberman, citado em “Fossils in Kenya Challenge Linear Evolution,” por John Noble Wilford, New York Times (August 9, 2007), aqui.

[42] Cientists citados em "Fossil find pushes human-ape split back millions of years," (August 24, 20070), disponível aqui.

[43] Jon Cohen, "Relative Differences: The Myth of 1%," Science, Vol. 316:1836 June 29, 2007).

Cum granum salis – Fevereiro 2008

sábado, fevereiro 02, 2008

A partir de fevereiro de 2008 este blogger começa um blog mensal trazendo pelo menos duas citações que merecem a nossa maior atenção. Daí o título do blog: Cum granum salis!

1. “Neste ponto é necessário revelar uma pequena informação interna sobre como os cientistas operam, que os livros-texto geralmente não lhe contam. O fato é que os cientistas não são tão objetivos e desapaixonados em seu trabalho como eles gostariam que você pensasse. A maioria dos cientistas primeiro obtém suas idéias sobre como o mundo funciona não através de processos rigorosamente lógicos, mas através de palpites e suposições extravagantes. Como indivíduos, eles freqüentemente chegam a acreditar que algo é verdadeiro antes mesmo que eles possam reunir a evidência forte que irá convencer alguém mais de que é assim. Motivados pela fé em suas idéias e um desejo de aceitação pelos seus pares, um cientista trabalhará por anos sabendo no seu coração que a sua teoria é correta, mas planejará experiência após experiências cujos resultados ele espera apoiará a sua posição.”

2. “Mas os nossos métodos de conhecer sobre o mundo são fortemente influenciados pelas preconcepções sociais e os modos enviesados de pensamento que cada cientista deve aplicar para qualquer problema. O estereótipo de um ‘método científico’ plenamente racional e objetivo, com cientistas individuais como sendo robôs lógicos (e intercambiáveis), é uma mitologia que serve a si mesma.”

NOTAS:

1. “At this point it is necessary to reveal a little inside information about how scientists work, something the textbooks don't usually tell you. The fact is that scientists are not really as objective and dispassionate in their work as they would like you to think. Most scientists first get their ideas about how the world works not through rigorously logical processes but through hunches and wild guesses. As individuals they often come to believe something to be true long before they assemble the hard evidence that will convince somebody else that it is. Motivated by faith in his own ideas and a desire for acceptance by his peers, a scientist will labor for years knowing in his heart that his theory is correct but devising experiment after experiment whose results he hopes will support his position.” RENSBERGER, Boyce in How the World Works: Guide to Science's Greatest Discoveries . William Morrow & Co., Nova York, NY (1986), p.17-18.

2. “But our ways of learning about the world are strongly influenced by the social preconceptions and biased modes of thinking that each scientist must apply to any problem. The stereotype of a fully rational and objective 'scientific method,' with individual scientists as logical (and interchangeable) robots, is self-serving mythology.” GOULD, Stephen Jay. In the Mind of the Beholder in Natural History, 103, p.14, Fevereiro de 1994.