Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Por que o blog “Desafiando a Nomenklatura científica” não é aberto para comentários?

Recebi e-mails de darwinistas seriamente interessados no debate civil e respeitoso perguntando por que o meu blog não é aberto para comentários. Há várias razões para que seja e continue sendo assim.

A primeira razão é a falta de civilidade e respeito no webespaço. Não sou afeito a ‘censurar’ opiniões divergentes, apesar de ter sido censurado e ter tido réplicas nunca publicadas pelos que deveriam ser guardiães da liberdade de expressão. Especialmente no que diz respeito a exposição de idéias científicas. Mesmo as consideradas ‘esdrúxulas’ e ‘absurdas’. Além disso, eu não suporto mal-educados.

A segunda é a falta de tempo: família, estudos, pesquisas e lazer que ninguém é de ferro. Prefiro colocar as idéias do DI como são expostas pelos seus teóricos e deixar que os oponentes se disponham primeiro a LER as teses do DI esposadas nos livros e nas pesquisas dos teóricos do DI como Michael Behe, William Dembski, e dos evolucionistas céticos.

A experiência nos debates tem demonstrado que a maioria dos oponentes nunca leu aquilo que combatem. Não perco meu tempo precioso com quem não gasta tempo com as idéias dos outros. Diferentemente da maioria dos biólogos, eu já li e sempre leio o “Origem das Espécies”, e as novas teorias da evolução que estão sendo propostas. Além disso, eu me apoio ‘em ombros de gigantes’.

Uma nota de esclarecimento: o blog não é, como rotulou um missivista, uma ‘cruzada’ contra Darwin. Não é uma cruzada, mas é um espaço livre de censura para denunciar que, quando o assunto é a TEORIA GERAL DA EVOLUÇÃO, a Nomenklatura científica é academicamente desonesta por não reconhecer nem debater publicamente as insuficiências epistêmicas do ‘longo argumento’ de Darwin. A Grande Mídia segue acriticamente o dogma darwinista.

As razões para blindar a Darwin não são razões científicas, mas interesses ideológicos velados do naturalismo/materialismo filosófico que posa matreiramente como ciência. Neste sentido, eu sou um iconoclasta, Finéias de Darwin! Por não acreditar que exista ‘theoria perennis’ em ciência. Nem mesmo a TDI! Sigo a Feyerabend aqui.

Outra coisa que me perguntaram é sobre a minha religiosidade. Quanto a esse questionamento, eu sigo estritamente a Darwin:

“Quanto aos meus sentimentos religiosos, acerca dos quais tantas vezes me têm perguntado, considero-os como assunto que a ninguém possa interessar senão a mim mesmo... Sistematicamente, evito colocar meu pensamento na Religião quando trato de Ciência...”. (Esboço autobiográfico de Darwin para a edição alemã de “Origem das Espécies”, Belo Horizonte: Villa Rica, 1994, p. 23).

Existem muitos evolucionistas que são céticos de certos aspectos fundamentais da teoria geral da evolução. Como vêem, eu estou em boa companhia.

NOTA BENE: A questão hoje em dia, não é se as especulações transformistas de Darwin contrariam os relatos de criação de tradições religiosas, mas se elas são apoiadas pelas evidências. Elas não são e as evidências apontam noutra direção: Design Inteligente!

Domingo, Janeiro 29, 2006

Os céticos sofisticados contra Darwin – Parte 3

O Movimento do Design Inteligente
Baseado no livro Doubts about Darwin de Thomas E. Woodward, Ph. D. e escritos de outros teóricos do MDI

5 – A Tese da Complexidade Irredutível de Michael Behe
Com a tese da complexidade irredutível defendida no seu livro Darwin's Black Box [A Caixa Preta de Darwin], Behe aceitou o desafio de Darwin: "Se pudesse ser demonstrada a existência de qualquer órgão complexo que não poderia ter sido formado por numerosas, sucessivas e ligeiras modificações, minha teoria desmoronaria por completo". [46]
Behe define assim o seu conceito de complexidade irredutível:
"Com irredutivelmente complexo quero dizer um sistema único composto de várias partes compatíveis, que interagem entre si e que contribuem para sua função básica, caso em que a remoção de uma das partes faria com que o sistema deixasse de funcionar de forma eficiente. Um sistema irredutivelmente complexo não pode ser produzido diretamente... mediante modificações leves, sucessivas de um sistema precursor de um sistema irredutivelmente complexo ao qual falte uma parte é, por definição, não-funcional. Um sistema biológico irredutivelmente complexo, se por acaso existir tal coisa, seria um fortíssimo desafio à evolução darwiniana". [47]
Para Behe, a complexidade irredutível é um indicador seguro de design. Um sistema bioquímico irredutivelmente complexo que Behe considera é o flagelo bacteriano. O flagelo é um motor rotor movido por um fluxo de ácidos com uma cauda tipo chicote (ou filamento) que gira entre 20.000 a 100.000 vezes por minuto e cujo movimento rotatório permite que a bactéria navegue através de seu ambiente aquoso.
Behe demonstra que essa maquinaria intrincada, incluindo um rotor (o elemento que imprime a rotação), motor molecular, um estator (o elemento estacionário), juntas de vedação, buchas e um eixo-motor exige a interação coordenada de pelo menos quarenta proteínas complexas  (que formam o núcleo irredutível do flagelo bacteriano) e que a ausência de qualquer uma delas resultaria na perda completa da função do motor.
Behe argumenta que o mecanismo darwinista enfrenta graves obstáculos em tentar explicar esses sistemas irredutivelmente complexos. No livro No Free Lunch, [48] William Dembski demonstra como que a noção de complexidade irredutível de Behe se constitui numa instância particular de complexidade especificada.
Assim que um componente essencial de um organismo exibe complexidade especificada, qualquer design atribuível àquele elemento passa para o organismo como um todo. Para atribuir design a um organismo, ninguém precisa demonstrar que cada aspecto do organismo tem design intencional.
O desafio da complexidade irredutível para a evolução darwiniana é real e é falso afirmar que a tese de Behe foi refutada:
"não existem relatos darwinianos detalhados para a evolução de qualquer sistema bioquímico ou celular fundamentais, somente uma variedade de ‘wishful speculations’ [especulações ]. É notável que o darwinismo é aceito como uma explicação satisfatória para um assunto tão vasto – a evolução – com tão pouco exame rigoroso de quão bem as suas teses funcionam em iluminar instâncias específicas de adaptação ou diversidade biológicas". [49]


6 – A Tese da Informação Complexa Especificada e o Filtro Explanatório de William Dembski

A complexidade especificada, como Dembski a desenvolve ao longo de sua obra, incorpora cinco elementos importantes:
A) Uma versão probabilística de complexidade aplicável aos eventos: a probabilidade pode ser vista como uma forma de complexidade. Elas variam inversamente: quanto maior a complexidade, muito menor será a probabilidade. O termo complexidade em complexidade especificada refere-se à improbabilidade.
B) Padrões condicionalmente independentes: os padrões que na presença de complexidade (ou improbabilidade) impliquem em ação de inteligência devem ser independentes do evento cujo design está em questão. O modo de caracterizar essa independência de padrões é através da noção probabilística de independência condicional. O termo especificada em complexidade especificada refere-se às especificações de tais padrões condicionalmente independentes.

C) Recursos probabilísticos: são o número de oportunidades para um evento acontecer ou ser especificado. Um evento aparentemente improvável pode tornar-se bem provável assim que suficientes recursos probabilísticos sejam fatorados. Por outro lado, tal evento pode permanecer improvável mesmo após todos os recursos probabilísticos disponíveis terem sido fatorados.

Os recursos probabilísticos são replicadores (o número de oportunidades para um evento ocorrer) e especificadores (o número de oportunidades para especificar um evento). Para um evento de probabilidade ser razoavelmente atribuído ao acaso, o número não pode ser pequeno demais.
D) Uma versão especificadora de complexidade aplicada aos padrões. Por serem padrões, as especificações exibem graus de complexidade variadas. Um grau de especificação de complexidade determina quantos recursos especificadores.
E) Um número limite de probabilidade universal. Os recursos probabilísticos vêm em quantidades limitadas no universo observável. Os cientistas calculam que haja em torno de 1080 de partículas elementares.

As propriedades da matéria são tais que as transições de um estado para o outro não podem ocorrer muito mais rápido do que 1045 por segundo (o tempo de Planck, a menor de todas as unidades de tempo fisicamente significativa). O universo mesmo é um bilhão de vezes mais recente do que 1025 segundos (admitindo-se que o universo tenha entre 10 a 20 bilhões de anos).
Se qualquer especificação de um evento ocorrendo no universo físico requer pelo menos uma partícula elementar para especificá-lo e que tal especificação não pode ser gerada mais rapidamente do que o tempo de Planck, então essas limitações cosmológicas implicam que o número total de eventos especificados através da história cósmica não pode exceder 1080 x 1045 x 1025 = 10150. Assim, qualquer evento especificado de probabilidade menor do que 1 em 10150 permanecerá improvável mesmo após todos os recursos probabilísticos concebíveis do universo visível terem sido fatorados. Isto é, qualquer evento especificado tão improvável quanto esse jamais poderia ser atribuído ao acaso.
Para algo exibir complexidade especificada significa que corresponde a um padrão condicionalmente independente (especificação) de baixa complexidade especificadora, mas onde o evento correspondente àquele padrão ele tem uma probabilidade menor do que o número limite de probabilidade universal (10150) e, portanto tem alta complexidade probabilística. Emile Borel, matemático francês, propôs 1 em 1050 como um limite de probabilidade universal, abaixo do qual (10-50) o acaso pode ser definitivamente excluído, i.e., qualquer evento específico tão improvável quanto esse nunca poderia ser atribuído ao acaso.
Para explicarmos algo, nós empregamos três amplos meios de explanação: acaso, necessidade e design. Como um critério para detectar design, a complexidade especificada nos capacita decidir qual desses meios de explanação é aplicável. Ela faz isso respondendo a três perguntas sobre a coisa que estamos tentando explicar: É contingente? É complexo(a)? É especificado(a)?
Dispondo essas perguntas seqüencialmente como nódulos de decisão num gráfico, nós podemos representar a complexidade especificada como um critério para detectar design: o chamado “Filtro Explanatório” de Dembski.
Assim, onde for possível existir corroboração empírica direta, o design intencional estará realmente presente sempre que a complexidade específica estiver presente.
William Dembski é o teórico da TDI mais profundo e prolífico na publicação e edição de livros. Até a presente data nenhum centro de lógica das universidades públicas e privadas brasileiras lidou com as teses de Dembski.

7 – A Desmitificação dos Ícones da Evolução por Jonathan Wells
Jonathan Wells, Ph. D. em Biologia Molecular, University of California, Berkeley, 1996, escreveu o livro Icons of Evolution: Science or Myth? Why much of what we teach about evolution is wrong (Washington DC: Regnery, 2000).
"A ciência é a busca da verdade", escreveu o químico Linus Pauling, vencedor de dois prêmios Nobel. Bruce Alberts, Presidente da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, concorda. "A ciência e a mentira não podem coexistir", disse Alberts em maio de 2000, citando o político israelense Shimon Peres. "Você não tem uma mentira científica, e você não pode mentir cientificamente. A ciência é basicamente a busca da verdade".
Para a maioria das pessoas, o oposto da ciência é o mito. Um mito é uma estória que pode preencher uma necessidade subjetiva, ou revelar algo profundo sobre a psique humana, mas como comumente usado não é um relato da realidade objetiva. "A maioria dos cientistas estremece", escreveu Roger Lewin, antigo editor da revista Science, "quando a palavra 'mito' é acrescentado ao que eles percebem como uma busca da verdade."
É claro, a ciência tem elementos míticos, porque todos os empreendimentos humanos têm. Mas os cientistas estão certos em estremecer quando os seus pronunciamentos são chamados de mitos, porque o objetivo deles como cientistas é o de minimizar o contar de histórias subjetivas e maximizar a verdade objetiva. A busca da verdade não é somente nobre, mas também extremamente útil. Ao nos fornecer com a coisa mais aproximada que nós temos para um verdadeiro entendimento do mundo natural, a ciência nos capacita a viver vidas mais seguras, saudáveis e produtivas.
Se a ciência não fosse a busca da verdade, as nossas pontes não suportariam o peso que nós colocamos sobre elas, as nossas vidas não seriam tão longevas quanto elas são, e a civilização tecnológica moderna não existiria. O contar de histórias também é um empreendimento valioso. Sem as histórias, nós não teríamos nenhuma cultura. Mas nós não chamamos os contadores de histórias para construir pontes ou realizar cirurgias. Para tais tarefas, nós preferimos pessoas que têm se disciplinado a compreender as realidades do aço ou da carne.
A disciplina da ciência
Como que os cientistas se disciplinam para entender o mundo natural responderam esta pergunta numa variedade de maneiras, mas uma coisa é nítida: Qualquer teoria que pretende ser científica deve de algum modo, em alguma ocasião, ser comparada com as observações ou experimentos. De acordo com um livreto sobre o ensino de ciência de 1998 publicado pela Academia Nacional de Ciência [dos Estados Unidos], "é da natureza da ciência testar e retestar as explicações em comparação com o mundo natural".
As teorias que sobrevivem teste repetido podem ser tentativamente consideradas como declarações verdadeiras sobre o mundo. Mas se houver um conflito persistente entre a teoria e a evidência, a primeira deve se render à última. Como Francis Bacon, filósofo de ciência do século 17, disse - nós devemos obedecer a natureza a fim de comandá-la. Quando a ciência falha em obedecer a natureza, as pontes caem e os pacientes morrem na mesa de operação. Testar as teorias em comparação com a evidência nunca termina.
O livreto da Academia Nacional de Ciência declara corretamente que "todo o conhecimento científico é, em princípio, sujeito a mudança assim que nova evidência se torna disponível". Não importa por quanto tempo uma teoria tenha sido defendida, ou quantos cientistas acreditam nela atualmente. Se surgir uma evidência contraditória, a teoria deve ser reavaliada ou até abandonada. Do contrário, não é mais ciência, mas mito. Para garantir que as teorias sejam testadas objetivamente e não se tornem mitos subjetivos, o teste tem de ser público em vez de privado.
"Este processo de escrutínio público", de acordo com o livreto da Academia Nacional de Ciência, "é uma parte essencial da ciência. Isso atua no sentido de eliminar a opinião individual e a subjectividade, porque outras pessoas devem também serem capazes de determinar se uma explicação proposta é consistente com a evidência disponível". Dentro da comunidade científica, este processo é chamado de "revisão por pares". Algumas afirmações científicas são tão rigorosamente técnicas que somente podem ser avaliadas por especialistas.
Em tais casos, os "pares" são um punhado de especialistas. Todavia, num número surpreendente de exemplos, a pessoa comum provavelmente é tão competente para fazer juízo quanto o cientista mais altamente treinado. Se uma teoria da gravidade prediz que os objetos pesados cairão para cima, não precisa um astrofísico para verificar que a teoria está errada. E se a fotografia de um embrião não parece com a coisa verdadeira, não precisa um embriologista para verificar que a fotografia é falsa.
Assim, uma pessoa comum com acesso à evidência deveria ser capaz de entender e avaliar muitas afirmações científicas. O livreto da Academia Nacional de Ciência reconheceu isso ao iniciar com a conclamação de Thomas Jefferson para "a difusão do conhecimento entre as pessoas. Nenhuma outra sólida fundação pode ser elaborada para a preservação da liberdade e da felicidade".
O livreto continuou: "Jefferson viu claramente o que tinha se tornado cada vez mais evidente desde então: o sucesso de uma nação reside na capacidade de seus cidadãos entenderem e usarem a informação sobre o mundo em volta deles". O juiz distrital dos Estados Unidos, James Graham, confirmou esta sabedoria jeffersoniana numa coluna de um jornal em Ohio em maio de 2000. Graham escreveu: "A ciência não é um sacerdócio inescrutável. Qualquer pessoa de inteligência razoável deve, com alguma diligência, ser capaz de entender e avaliar criticamente uma teoria científica".
Tanto o livreto da Academia Nacional de Ciência e a coluna do juiz Graham foram escritos no contexto da atual controvérsia sobre a evolução. Mas o primeiro foi escrito para defender a teoria de Darwin, enquanto que o segundo foi escrito para defender alguns de seus críticos. Em outras palavras, os defensores bem como os críticos da evolução darwiniana estão apelando para a inteligência e sabedoria do povo americano para resolver a controvérsia". [50]
Wells escreveu este livro na convicção de que as teorias científicas em geral, e a evolução darwiniana em particular, podem ser avaliadas por qualquer pessoa inteligente com acesso à evidência. Ele sugere que, antes de olhar para a evidência a favor da evolução, os leitores devem saber o que é evolução.
O que é evolução?
"A evolução biológica é a teoria de que todas as coisas vivas são descendentes modificados de um ancestral comum que viveu num passado distante. Ela afirma que você e eu somos descendentes de ancestrais tipo macacos-antropóides, e que eles por sua vez vieram de animais ainda mais primitivos. Este é o significado primário de "evolução" entre os biólogos.
"A evolução biológica", de acordo com o livreto da Academia Nacional de Ciências, "explica que as coisas vivas compartilham de ancestrais comuns. Ao longo do tempo, a mudança evolutiva faz surgir novas espécies. Darwin chamou a este processo de 'descendência com modificação', e permanece hoje como uma boa definição da evolução biológica". Para Charles Darwin, a descendência com modificação foi a origem de todas as coisas vivas após os primeiros organismos.
Ele escreveu no Origem das Espécies: "Eu considero todos os seres não como criações especiais, mas como os descendentes lineares de alguns poucos seres" que viveram num passado distante. A razão por que as coisas vivas são agora tão diferentes umas das outras, Darwin acreditava, é que elas foram modificadas pela seleção natural, ou a sobrevivência do mais apto: "Eu estou convencido de que a Seleção Natural tem sido o mais importante, mas não o exclusivo, meio de modificação".
Quando os proponentes da teoria de Darwin estão respondendo aos críticos, eles afirmam algumas vezes que a "evolução" significa simplesmente mudança ao longo do tempo. Mas isso é uma nítida evasão. Nenhuma pessoa racional nega a realidade da mudança, e nós não precisávamos que Charles Darwin nos convencesse disso. Se a "evolução" significasse apenas isso, ela seria totalmente não controversa. Ninguém acredita que a evolução biológica seja simplesmete mudança ao longo do tempo.
Apenas levemente menos evasiva é a declaração de que a descendência com modificação ocorre. É claro que ocorre, porque todos os organismos dentro de uma só espécie são relacionados através da descendência com modificação. Nós vemos isso em nossas próprias famílias, e os criadores de plantas e animais vêem isso em seu trabalho. Mas isso ainda não atinge o ponto em questão. Ninguém duvida de que a descendência com modificação acontece no curso da reprodução biológica comum.
A questão é se a a descendência com modificação é responsável pela origem de novas espécies - na verdade, de cada espécie. Como mudança ao longo do tempo, a descendência como modificação dentro de uma espécie é totalmente não controversa. Mas a evolução darwiniana afirma muito mais. Em particular, ela afirma que a descendência com modificação explica a origem e a diversificação de todas as coisas vivas.
A única maneira que alguém pode determinar se esta afirmação é verdadeira é comprando-a com as observações ou experiências. Como todas as teorias científicas, a evolução darwiniana deve ser continuamente comparada com a evidência. Se ela não se encaixa com a evidência, ela deve ser reavaliada ou abandonada - do contrário, não é ciência, mas mito.
Evidência a favor da evolução
Quando são instados a relacionar a evidência para evolução darwiniana, a maioria das pessoas - inclusive a maioria dos biólogos - dá a mesma série de exemplos, porque todas elas aprenderam biologia dos mesmos poucos livros-texto. O exemplos mais comuns são:
· um balão de vidro de laboratório contendo uma simulação da atmosfera primitiva da Terra, no qual descargas elétricas produzem os tijolos construtores químicos das células vivas;

· a árvore da vida, reconstruída de um amplo e crescente corpo de evidência fóssil e molecular;

· estruturas ósseas semelhantes em asa de morcego, nadadeira de golfinho, a perna de um cavalo e uma mão humana que indicam a sua origem evolutiva num ancestral comum;

· figuras ou fotografias de embriões mostrando que os anfíbios, répteis, aves e seres humanos são todos descendentes de um animal tipo peixe;

· Archaeopteryx, um fóssil de ave com dentes nas suas mandíbulas e garras nas suas asas, o elo perdido entre os répteis antigos e as aves modernas;

· as mariposas de Manchester (Biston betularia) em troncos de árvores, mostrando como a camuflagem e as aves predatórias produziram o exemplo mais famosos de evolução por seleção natural;

· os tentilhões de Darwin nas ilhas Galápagos, treze espécies separadas de uma quando a seleção natural produziu diferenças nos seus bicos, e que inspirou Darwin a formular a sua teoria da evolução;

· moscas de frutas com um par extra de asas, mostrando que as mutações genéticas podem fornecer a matéria-prima para a evolução [N. deste A.: exemplo não encontrado em livros-texto brasileiros];

· um padrão tipo galhos de árvore dos fósseis de cavalo que refuta a idéia obsoleta de que a evolução foi dirigida, e

· desenhos de criaturas tipo macacos-antropóides evoluindo em humanos, mostrando que nós somos apenas animais e que a nossa existência é um subproduto de causas naturais sem propósitos.

Estes exemplos são tão freqüentemente usados como evidência a favor da teoira de Darwin que a maioria deles foi chamada de "ícones" da evolução. Ainda assim todos eles, de um modo ou de outro, descrevem enganosamente a verdade.
Ciência ou mito?
Alguns desses ícones da evolução apresentam pressuposições ou hipóteses como se eles fossem fatos observados; nas palavras de Stephen Jay Gould, eles são "as encarnações de conceitos mascarando como se fossem descrições neutras da natureza". Outros ocultam as veementes controvérsias entre os biólogos que têm implicações de longo alcance para a teoria evolutiva. O pior de tudo, algumas delas são diretamente contrárias à evidência científica bem estabelecida.
A maioria dos biólogos não tem consciência desses problemas. Na verdade, a maioria dos biólogos trabalha em áreas bem distantes da biologia evolutiva. A maior parte do que eles sabem sobre a evolução, eles aprenderam de livros-texto de biologia e os mesmos artigos de revistas e documentários de televisão que são vistos pelo público geral. Mas os livros-texto e as apresentações populares se apóiam primariamente nos ícones da evolução, assim, até onde muitos biólogos estão interessados, os ícones são a evidência a favor da evolução.
Alguns biólogos estão cientes das dificuldades de um ícone particular porque isso distorce a evidência na sua área. Quando eles lêem a literatura científica na especialidade deles, eles podem perceber que o ícone induz ao erro ou é inequivocadamente falso. Mas eles podem sentir que isso é apenas um problema isolado, especialmente quando eles são assegurados de que a teoria de Darwin é apoiada por esmagadora evidência de outras áreas.
Se eles acreditam na exatidão fundamental da evolução darwiniana, eles podem deixar de lado os seus receios sobre o ícone particular do qual eles conhecem algo a respeito. Por outro lado, se eles expressarem os seus receios eles podem encontrar dificuldade em serem ouvidos pelos seus colegas porque [como Wells demonstra no livro], criticar a evolução darwiniana é extremamente impopular entre os biólogos de fala inglesa. [51]
Isso deve ser porque os problemas com os ícones da evolução não mais amplamente conhecidos. Esta é a razão por que muitos biólogos ficarão tão surpresos quanto o público geral em saber quão sérios e difundidos são esses problemas". [52]
Os capítulos do livro de Wells comparam os ícones da evolução com a evidência científica publicada, e revelam que muito do que nós ensinamos sobre a evolução está errado. Ele comenta que "este fato levanta questões embaraçosas sobre o status da evolução darwiniana. Se os ícones da evolução são tidos como a nossa melhor evidência a favor da teoria de Darwin, e todos eles são falsos ou induzem ao erro, o que isso nos diz sobre toda a teoria? É ciência ou mito?" [53]

8 – O Design Inteligente nas Estrelas – Guillermo Gonzalez e Jay Richards - The Privileged Planet

Segundo o astrônomo Carl Sagan “A Terra é um estágio muito pequeno numa vasta arena cósmica… As nossas presunções, a nossa imaginada auto-importância, a ilusão de que nós temos alguma posição privilegiada no universo são desafiadas por este ponto de luz pálida“. (Carl Sagan, Pale Blue Dot, 1994).
A
Terra seria meramente uma mancha insignificante num universo vasto e sem sentido como sugeriu Carl Sagan? Ao contrário, no livroThe Privileged Planet: How Our Place in the Cosmos Is Designed for Discovery, o astrônomo Guillermo
Gonzalez e o filósofo Jay W. Richards apresentam uma tremenda série de evidência que expõe a falsidade deste dogma moderno. Eles demonstram que o nosso planeta é primorosamente adaptado não somente para suportar a vida, mas nos dar a melhor visão do universo, como se a Terra - e o universo em si - tivessem sido intencionalmente projetados para a vida e para a descoberta científica.


Na verdade, a Terra é bastante mais significante do que alguém já tenha eventualmente chegado à conclusão. Neste livro provocante, os leitores são levados a uma odisséia científica da história das placas tectônicas, das maravilhas da água, dos eclipses solares, de nossa localidade na Via Láctea, das leis que governam o universo, e o princípio do tempo cósmico.
Por séculos os cientista e filósofos têm-se maravilhado de uma coincidência estranha. A matemática, uma criação da mente humana, pode predizer a natureza do universo, um fato que o físico Eugene Wigner [54] se referiu como "a eficácia excessiva da matemática na física". Nas últimas três décadas, os astrônomos e cosmólogos repararam num outro mistério aparentemente não relacionado. Ao contrário de todas as expectativas, as leis da física parecem exatamente "bem ajustadas" para a existência da vida complexa.
Poderiam estas duas maravilhas serem, na verdade, peças isoladas de um padrão mais amplo? As duas são pré-requisitos para a ciência, mas e sobre o processo de descoberta científica? Quais são as suas condições necessárias? Por que isso é até possível? Leia qualquer livro de história da ciência, e você aprenderá sobre as histórias magnificentes da engenhosidade humana, persistência, e pura sorte. Mas isso é apenas parte da história, e nem é a parte mais importante. A nossa localização é muito mais crítica para a ciência do que é para um ponto imobiliário.
Por alguma razão, a nossa localização terrestrial é extraordinariamente bem adequada para nos permitir que esquadrinhemos os céus e descubramos os seus segredos.
Em outro lugar, você pode descobrir que a Terra e o seu ambiente local fornecem um berço delicado, e provavelmente raríssimo, para a vida complexa. Mas há um outro fato ainda mais surpreendente descrito no livro The Privileged Planet: aquelas mesmas condições raras que produzem um planeta habitável - que permite a existência de observadores complexos como nós - também fornece o melhor lugal global para a observação.
O que isso significa? Pelo menos, isso muda completamente a nossa visão do universo. O universo não é "sem significado" (Steven Weinberg), nem a Terra meramente "um pontinho solitário no grande invólucro da escuridão cósmica, tampouco a existência humana é "apenas um resultado mais ou menos ridículo de uma série de acidentes" (Steven Weinberg). Pelo contrário, a evidência que nós podemos descobrir de nosso lar terrestre aponta para um universo que foi planejadopara a vida e para a descoberta [científica].


9 – A Dissensão científica contra Darwin no Século 21
Mais de 450 cientistas (de várias disciplinas), convencidos por novas evidências científicas de que a evolução darwiniana é deficiente, assinaram uma lista afirmando serem “céticos das afirmações que a mutação aleatória e a seleção natural expliquem a complexidade da vida. O exame meticuloso da evidência a favor da teoria darwiniana deve ser encorajado”.
http://www.discovery.org/scripts/viewDB/filesDB=download.php?command=download&id=443
(Um arquivo em PDF de 13 páginas [66,9 KB].

Acessado em 15 de outubro de 2005 – Dia do Professor).
CONCLUSÃO
Embora parte da comunidade científica negue veementemente que haja uma crise no atual paradigma neodarwinista porque não resolve suas muitas anomalias, algumas vozes menos dogmáticas e mais sensatas já admitem a inadequação do neodarwinismo e sugerem a sua revisão (pós-darwinismo???) ou simplesmente o seu descarte.
Foi em cima dessas dificuldades que surgiu o MDI e a TDI. Aqui no Brasil a TDI tem feito algumas incursões tímidas e conseguido o apoio de um pequeno grupo de acadêmicos e alunos universitários que, lamentavelmente, ainda não podem se identificar como seus proponentes e defensores.
O MDI propõe a TDI como a melhor inferência para explicar alguns eventos encontrados na natureza. A TDI não se julga uma theoria universalis, e no seu atual estágio de teoria científica incipiente (10 anos), nós entendemos que devemos sim continuar apontando a insuficiência epistêmica do darwinismo e de outras teorias para explicar a origem e evolução da complexidade e diversidade da vida e do universo e trazer a TDI para o debate acadêmico salutar: nada de inquisição sem fogueiras ou de caça às bruxas como já ocorre com alguns acadêmicos nos Estados Unidos.
Qual será o referencial teórico para a biologia do século 21?
[46] BEHE, Michael. A Caixa Preta de Darwin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997, p. 24 citando a Darwin no Origem das Espécies.
[47] Ibid., p. 48.
[48] DEMBSKI, William. No Free Lunch. Lanham, MD: Roman & Littlefield Publishers, Inc., 2002, Cap. 5 The Emergence of Irreducibly Complex Systems, p. 239-310.
[49] SHAPIRO, James. In the Details... What?, in National Review, 16 Set. 1996, p. 62-65.
[50] WELLS, Jonathan. Icons of Evolution: Science or Myth? Why much of what we teach about evolution is wrong. Washington, D.C., 2000, p. 1-4.
[51] N. do A.: este fenômeno é mundial. Podemos criticar o governo, mas não podemos criticar Darwin. Nem mesmo cientificamente!
[52] WELLS, op. cit., p. 4-8.
[53] Ibid, p. 8.
[54] N. do A.: Eugene Wigner, prêmio Nobel em Física, 1963, pela sua contribuição à teoria do núcleo atômico e as partículas elementares, especialmente através da descoberta e aplicação dos princípios fundamentais de simetria.

Os céticos sofisticados contra Darwin – Parte 2

O Movimento do Design Inteligente
Baseado no livro Doubts about Darwin de Thomas E. Woodward, Ph. D. e escritos de outros teóricos do MDI

3 – Darwin no Banco dos Réus: A Retórica Revolucionária de Phillip Johnson
Em outubro de 1987, dois livros mudaram o rumo do ano sabático de Phillip Johnson [i] em Londres: O Relojoeiro Cego de Richard Dawkins e Evolution: A Theory in Crisis [Evolução: uma teoria em crise] de Michael Denton.
Um debate virtual se instalou na mente de Johnson entre os dois autores sobre uma questão fundamental: o que realmente é conhecido com certeza sobre a origem e a diversidade da vida?
Denton, o cético secular, atacou a macroevolução como sendo empiricamente vazia, uma concha de teia de aranha apoiada pelas forças sociológicas de um paradigma.
Dawkins, o crente e cruzado darwinista fervoroso, defendia o darwinismo como sendo absolutamente convincente e apoiado pelo raciocínio lógico de suas simulações em computador chamadas de biomorfos.
No seu retorno à Universidade da Califórnia – Berkeley em agosto de 1988, Johnson trouxe um longo texto intitulado Science and Scientific Naturalism in the Evolution Controversy [A ciência e o naturalismo científico na controvérsia da evolução].
Ele adotou uma estratégia básica e singular a fim de que esta crítica ao darwinismo fosse seriamente levada em consideração e evitar que fosse desconsiderada como sendo mais uma proposição da ciência da criação:
(1) Excluiu o Gênesis e a fé bíblica como fatores relevantes em testar a fé darwinista;

(2) Embora admitisse sua posição teísta, Johnson destacou que muitos na área da biologia evolutiva também têm posições religiosas fortes
contrárias [ateísmo]. Aos mais dogmáticos ele os nomeou como darwinistas fundamentalistas.

O objetivo principal de Johnson era fazer com a questão da teoria geral da evolução não ser verdadeira chegasse à mesa de discussão. Ele conseguiu isso em 23 de setembro de 1988 num seminário realizado com 20 professores universitários da UC-Berkeley.
O livro de Johnson Darwin on Trial [Darwin no banco dos Réus] publicado em 1991 foi um manifesto intelectual selvagem para esmagar a oposição e expor o darwinismo como pseudociência. A crítica severa de Johnson encontra-se logo no começo do livro:
"O meu propósito é examinar a evidência nos seus próprios termos, sendo cuidadoso em distinguir a própria evidência de qualquer viés religioso ou filosófico que possa distorcer a nossa interpretação daquela evidência. Eu admito que os cientistas da criação têm este preconceito pelo seu pré-compromisso com o fundamentalismo bíblico, e eu terei muito pouco a dizer sobre a posição deles. A questão que eu quero investigar é se o darwinismo é baseado numa avaliação imparcial da evidência científica ou se é outro tipo de fundamentalismo". [ii]
Johnson afirma, como Denton, que a microevolução é ciência respeitável, mas ataca implacavelmente a macroevolução como sendo um empreendimento irreal. As teses negativas de Johnson são:
T1 - Evidência científica: As evidências biológicas e paleontológicas e outros dados científicos, com poucas exceções, tendem a falsificar a história darwiniana de macroevolução e o seu prelúdio químico da origem da vida.

T2 - Base filosófica do darwinismo: A macroevolução darwiniana, como uma afirmação ampla da verdade é baseada fundamentalmente na pressuposição filosófica do naturalismo. Para Johnson, o naturalismo é a filosofia que "supõe que todo o domínio da natureza seja um sistema fechado de causas e efeitos materiais que não podem ser influenciados por qualquer coisa 'externa'. [iii]

T3 – A 'retórica pretensiosa': Quando o darwinismo é colocado em questão, ele é rotineiramente protegido por rótulos vazios, manipulações semânticas e lógica defeituosa.

T4 - As funções religiosas-mitológicas do darwinismo: Portanto, o darwinismo funciona como o mito cosmológico central da cultura moderna - como a peça central de um sistema quase religioso que é conhecido a priori como verdadeiro, em vez de uma hipótese científica que deve submeter-se a teste rigoroso.

O livro de Johnson pode ser considerado um manifesto light projetado para destruir o estereótipo Bíblia vs. Ciência que dominou o debate sobre a evolução. A questão central que permeia a argumentação do livro é - Qual é a base para a suprema confiança de muitos cientistas de que as leis científicas e o acaso são suficientes para explicar o surgimento de toda a complexidade e diversidade da vida?
O ponto sustentado em Darwin on Trial é de que se descobre o naturalismo metafísico e não a evidência empírica como sendo a base dessa confiança. Isso é demonstrado através de um modelo de histórias [MH] utilizado ao longo do livro:
MH1 - As histórias jurídicas. O julgamento de Scopes de 1925 é brevemente recontado a fim de destruir a lenda do filme "Inherit the Wind" [O vento por herança]. [iv]
Depois aborda o caso mais importante da Suprema Corte americana - Edwards vs. Aguillard de 1987.

Embora a Supema Corte tenha considerado a 'ciência da criação' como religiosamente motivada, a opinião discordante do juiz Antonin Scalia ficou registrada no processo:

"O povo da Louisiana, inclusive aqueles que são cristãos fundamentalistas, têm o direito, como uma questão secular, a ter qualquer evidência científica que haja contra a evolução apresentada nas suas escolas, assim como o sr. Scopes teve o direito de apresentar qualquer evidência científica que houvesse a favor". [v]

MH2 - As tendências religiosas dos darwinistas modernos. A literatura darwinista moderna está cheia de conclusões antiteístas apresentadas, não como opiniões pessoais, mas como implicações lógicas da ciência evolutiva objetivando afastar as pessoas mais educadas da crença no sobrenatural.

Exemplos: "O homem é o resultado de um processo sem propósito e natural que não o tinha em mente" [vi]; "penso igualmente que, antes de Darwin, o ateísmo até poderia ser logicamente sustentável, mas que só depois de Darwin é possível ser um ateu intelectualmente satisfeito". [vii]

MH3 - A história das controvérsias darwinianas. (1) A controvérsia de Colin Patterson. Pouca gente sabe que em 1981, o renomado paleontólogo britânico Colin Patterson visitou vários centros de evolucionistas perguntando: "Você pode me dizer alguma coisa que você saiba sobre a evolução que seja verdadeira? Patterson recebeu como resposta o silêncio.

Ele fez dois comentários provocadores na palestra: (A) Os evolucionistas estão falando igual os criacionistas - "eles apontam para um fato, mas não podem fornecer uma explicação dos meios", (B) e que tanto a evolução como a criação são formas de "anticonhecimento", i.e. eles "são conceitos que parecem implicar em verdadeira informação, mas não são". [viii]

(2) A controvérsia entre Kristol e Gould. Irving Kristol, um teórico social, propôs uma correção conciliatória num artigo no New York Times: "Se a evolução fosse ensinada mais cautelosamente, como uma idéia conglomerada consistindo de hipóteses conflitantes em vez de uma certeza incontestável, isso seria menos controverso" e que os fundamentalistas não estavam "fora de base quando eles afirmam que a evolução ... tem um ponto anti-religioso injustificado". [ix]

Gould criticou Kristol e negou que a ciência evolutiva seja anti-religiosa e que Kristol ignorava a distinção importante entre fato e teoria. Há hipóteses conflitantes sobre o mecanismo exato da evolução, "mas a evolução é também um fato da natureza, tão bem estabelecido como o fato de a Terra girar em torno do Sol". [x]

Johnson destrói a analogia de Gould: "A analogia é espúria. Nós observamos diretamente que as maçãs caem quando são soltas, mas nós não observamos um ancestral comum para os macacos modernos e os humanos. O que nós observamos é que os macacos e os humanos são física e bioquimicamente mais parecidos um com o outro em vez de serem parecidos com coelhos, cobras ou árvores. O ancestral comum do tipo macaco é uma hipótese numa teoria que se propõe explicar como surgiram essas grandes e pequenas semelhanças. A teoria é plausível, especialmente para um materialista filosófico, mas apesar disso pode ser falsa. A verdadeira explicação para as relações naturais pode ser algo mais misterioso". [xi]

Em 1980, Gould escreveu um artigo concentrando não na tese do ancestral comum (aceita por todos os evolucionistas), mas como que isso se deu - pela acumulação gradativa de mudanças adaptativas via mutação e seleção. Gould concluiu que a síntese neodarwinista "como proposição geral, está efetivamente morta, apesar de sua persistência como ortodoxia de livro-texto". [xii]

Porque Gould admitiu um ponto devastador ao cenário darwinista do surgimento da diversidade da vida como uma teoria geral defunta, Johnson esperava que Gould, tendo já desconsiderado o mecanismo darwiniano, fosse abraçar a sugestão de Kristol de ensinar a evolução com mais cuidado.

MH4 – A história da seleção natural. São duas as perguntas que Johnson faz: (1) Quanto os evolucionistas sabem realmente sobre o processo pelo qual todos os seres vivos evoluíram de ancestrais microbiano? (2) Especificamente, eles sabem realmente o que eles vêm afirmando saber - que foi um processo inconsciente? [xiii]

Esta ênfase na alegada ignorância do como da evolução torna-se lógico para Johnson atacar os dois lados do mecanismo do neo-darwinismo - a seleção natural que peneira e adiciona as mutações benéficas.

4 - O avanço das idéias de Johnson nos anos 90s do século 20
Após a publicação de Darwin on Trial, Johnson começou a circular pelos campus das universidades americanas acelerando assim dois processos retóricos importantes: o envolvimento vigoroso e determinado com os seus críticos e o recrutamento e treinamento de novos e brilhantes revolucionários (especialmente colegas com qualificações acadêmicas que colaborariam na pesquisa, crítica, conceituação teórica e persuassão).
Johnson tornou-se conhecido pelas suas palestras, conferências e debates. A sua oratória rapidamente tornou-se uma de suas mais eficientes maneiras de influenciar audiências universitárias.[xiv]
Este trabalho em conjunto, mais esses dois processos reciclados (envolvimento – recrutamento – nova publicação – mais envolvimento) transformou o Movimento do Design Inteligente [MDI] de um comitê de rebeldes externos numa rede bem organizada e agressiva de centenas de ativistas que começaram o trabalho de persuassão em suas próprias universidades como Harvard, Yale, Princeton, Cornell entre outras..
O primeiro desses dois processos começou com o livro Darwin on Trial e depois com mais outros livros de Johnson. [xv] As resenhas críticas deste livro, a maioria negativa, tentaram desqualificá-lo como crítico competente em vez de lidarem com as suas principais críticas – a macroevolução e o poder criativo da seleção natural.
A mais importante das interações com acadêmicos se deu em 1994 na Stanford University com William Provine, historiador e filósofo de biologia da Cornell University. [xvi] Este debate colocou o Design Inteligente em destaque de duas maneiras: foi mais um veículo para divulgar a crítica de Johnson contra a macroevolução baseada na evidência e a afirmação de Provine de que o livre arbítrio é uma miragem, além de ter repetidamente desprezado a crença de Johnson em Deus – isso serviu para ilustrar a tese de que o darwinismo funciona tanto como um quadro de crenças filosóficas antiteístas e como um quadro de pesquisa científica.[xvii]
Em 26 de julho de 1991, a revista Science, da American Association for the Advancement of Science – AAAS, publicou uma nota anônima Johnson vs. Darwin criticando severamente o Darwin on Trial como sendo um livro potencialmente perigoso. [xviii]
Michael Behe foi um biólogo que notou a coluna da revista Science. Em 1987 ele já tinha se tornado cético do darwinismo após ter lido o livro de Denton Evolution: A Theory in Crisis. Ele já tinha lido Darwin on Trial assim que foi publicado e ficou impressionado com o modo de Johnson lidar com as questões científicas. Motivado pelo tratamento dado a Johnson, Behe escreveu uma carta à Science que foi publicada em 30 de agosto de 1991. Ele começou a carta destacando que a nota concisa sobre o Darwin on Trial é:
"uma boa ilustração do fracasso da comunidade científica em seguir o seu próprio conselho sobre a controvérsia perene da evolução. Em vez de simplesmente lidar com os argumentos céticos promovidos no livro, o artigo se apóia em comentários ad hominem ...

Também é verdade que governos fascistas apoiaram o darwinismo, que a maioria dos cientistas não é de especialistas em lógica, e que muitos comentaristas da evolução são predispostos a favor do materialismo puro. Mas tudo isso é insultar e bem fora de base.

No seu livro, Johnson aparenta ser um leigo interessado, de mente aberta e muito inteligente que percebe grandes conclusões tiradas de pouca evidência, destaca anomalias em atuais explicações evolucionárias, e chega à sua própria conclusão, ainda bem, sobre a validade da teoria de Darwin. Um homem desses merece ser ouvido e não ser execrado.

A teoria da evolução pela seleção natural não é um conceito difícil de ser entendido, e Charles Darwin se dirigiu a uma audiência geral. Mas não é auto-evidente para muitas pessoas que a seleção natural pode ser totalmente responsável pelo mundo que elas observam.

Assim, quando perguntas sobre a teoria surgem em fóruns públicos, a comunidade científica faria melhor, a longo prazo, relacionar os fatos a favor e admitir francamente onde falta evidência positiva, em vez de paternalisticamente manter que um entendimento da teoria da evolução está reservada para o sacerdócio de cientistas profissionais". [xix]
Esta frase-estigma sacerdócio de cientistas profissionais usada por Behe pode ser assim traduzida: os cientistas darwinistas são os nossos atuais alto sacerdotes culturais que mediam o conhecimento para as massas. O paradigma deles é tido como sendo verdadeiro “a priori” e não está aberto ao questionamento.
Após ler a carta de Behe, Johnson escreveu agradecendo e convidando-o para ser um colaborador.
A segunda mais importante interação com acadêmicos se deu em março de 1992 no campus da Southern Methodist University em Dallas, Texas: Darwinism Symposium [Simpósio sobre o darwinismo], com a seguinte tese a ser debatida: O darwinismo e o neodarwinismo, como são geralmente defendidos em nossa sociedade trazem consigo um compromisso “a priori” com o naturalismo metafísico, que é essencial para fazer um caso convincente em favor deles".
Foram três dias de debates entre os dez participantes – cinco evolucionistas e cinco proponentes do Design, com a apresentação de William Dembski e Steve Meyer. [xx]
No verão americano de 1996, duas bombas retóricas sacudiram o mundo da ciência biológica. A primeira foi a publicação do longo ensaio Deniable Darwin de David Berlinski, um intelectual judeu agnóstico, na conceituada publicação Commentary . A tese de Berlinski foi: o registro fóssil é incompleto, o raciocínio é defeituoso; a teoria da evolução está apta para sobreviver?
O artigo de Berlinski provocou um tsunami de cartas de indignação (Richard Dawkins e Daniel Dennett entre outros evolucionistas importantes) e congratulações que a Commentary publicou cinqüenta e seis cartas em trinta e três páginas. Os editores esperavam que o artigo de Berlinski fosse gerar tão-somente tremores; o que eles tiveram foi um terremoto.
Em agosto de 1996 a segunda bomba antidarwinista explodiu. O livro Darwin's Black Box, escrito por Michael Behe, professor na Lehigh University, foi publicado pela Free Press, subsidiária da importante editora Simon and Schuster.
Este livro foi discutido na Newsweek, no Wall Street Journal, National Review, The Chronicle of Higher Education; e a Nature.
[i] Hoje Johnson é professor de Direito Emérito. Na ativa foi professor na cadeira professoral "Jefferson E. Peyser" da Faculdade de Direito da University of California, Berkeley. UCLA-Berkeley é uma universidade conhecida internacionalmente pelos seus alunos e professores 'radicais'.
[ii] JOHNSON, Phillip. Darwin on Trial. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2a. ed. 1993, p. 14.
[iii] Ibid, p. 116.
[iv] William Jennings Bryan, que não acreditava literalmente nas narrativas bíblicas, enfrentou um interrogatório que usou 'evidência científica' que logo em seguida foi cientificamente desacreditada!
[v] Ibid, p. 6-7.
[vi] Ibid, p. 116.
[vii] DAWKINS, Richard. O relojoeiro cego. São Paulo: Cia. das Letras, 2001, p. 24-25.
[viii] JOHNSON, op. cit., p. 10.
[ix] Ibid, p. 10-11.
[x] Ibid, p. 11.
[xi] Ibid, p. 66-67.
[xii] Ibid, p. 11.
[xiii] Ibid, p. 10, 12, 14 e 158.
[xiv] Em campus de universidades como Harvard, Yale, Princeton, Cornell entre outras.
[xv] Reason in the Balance: The Case Against Naturalism in Science, Law, & Education; Objections Sustained Subversive Essays
on Evolution, Law and, Culture; Defeating Darwinism - By Opening Minds; The Wedge of Truth; The Right Questions: Answering the Toughest Questions about Intelligent Design.
[xvi] O vídeo deste debate Darwinism: Science or Naturalistic Philosophy? The Johnson-Provine Debate pode ser encontrado no site http://www.arn.org
[xvii] Vide o vídeo da nota 41.
[xviii] Johnson vs Darwin, Science, 26 July 1991, 379.
[xix] Science Letters, 30 August 1991.
[xx] Michael Ruse; Arthur Shapiro, zoólogo (UCSD); Leslie Johnson, palestrante em biologia (Princeton University); Fred Grinne, professor de biologia (UT em Arlington) e K. John Morrow, professor de biologia na Texas Tech University.

Sábado, Janeiro 28, 2006

Os céticos sofisticados contra Darwin – Parte 1

O Movimento do Design Inteligente
Baseado no livro Doubts about Darwin de Thomas E. Woodward, Ph. D. e escritos de outros teóricos do MDI

INTRODUÇÃO
A idéia de design é muito antiga - desde os tempos de Sócrates e Platão, [1] e o termo “design inteligente” como alternativa ao processo evolutivo cego e aleatório darwinista foi usado em 1897 por F.C.S. Schiller, erudito da Oxford University, num ensaio intitulado Darwinism and Design Argument. Ele afirmou: “não será possível excluir a suposição de que o processo da Evolução possa ser guiado por um design inteligente”. [2]
Mais recentemente durante as últimas décadas, as descobertas em física, astronomia, teoria da informação, bioquímica, genética e disciplinas afins forneceram as bases para o desenvolvimento da moderna Teoria do Design Inteligente [TDI]. Muitas dessas idéias centrais já estavam sendo articuladas por cientistas e filósofos da ciência no começo dos anos 80 do século 20.
Este presente estudo histórico visa discorrer sobre uma dissensão científica contra Darwin desde os anos 60 do século 20, seus principais atores e de como surgiu o Movimento do Design Inteligente [MDI] contemporâneo nos Estados Unidos.
Ao contrário do veiculado na Grande Mídia [GM] e negado pela Academia, existe sim uma controvérsia e dissensão científicas sobre a validade da teoria geral da evolução (processos macroevolutivos). A TDI se apresenta como a melhor inferência às evidências encontradas na natureza para explicar a origem e a evolução do universo e da vida.
1 – Rumores de Dissensão Científica contra Darwin no Século 20
As primeiras indicações de uma dissensão científica contra Darwin começaram com o Wistar Symposium [Simpósio Wistar] realizado no centro de pesquisas Wistar Institute da Universidade da Pensilvânia, em julho de 1966, em resposta às descobertas de Murray Eden e seus colegas.
Em 1965, Murray Eden, então professor de engenharia elétrica no MIT – Massachusetts Institute of Technology, juntamente com o matemático francês Marcel Paul Schutzenberger (1920-1996), membro da Academia Francesa de Ciência, e outros, começaram a modelar a seleção natural de mutações aleatórias usando a teoria da probabilidade.
Após muitas tentativas de modelar o mecanismo darwiniano positivamente, este grupo de pesquisadores ficou surpreso com os resultados consistentemente negativos. Eles experimentaram novos algoritmos e isso só aumentou a frustração e o ceticismo deles da noção de ‘aleatoriedade’ nas mutações como matéria prima da evolução.
Esse ceticismo do mecanismo mutação-seleção natural chegou ao conhecimento de eminentes biólogos evolucionistas. Em questão de meses foi agendada uma reunião com a presença de diversos cientistas darwinistas para discutirem o problema com o grupo de Eden. [3]
No seu discurso de abertura, Sir Peter Brian Medawar, [4] prêmio Nobel em Medicina (1960), reconheceu a existência de um amplo sentimento de ceticismo sobre a questão do acaso na evolução, sentimento este que ele bem definiu como: “algo está faltando na teoria ortodoxa”. [5]
D. S. Ulam, matemático, argumentou ser altamente improvável que o olho pudesse ter evoluído pelo acúmulo de pequenas mutações, pois o número de mutações seria tão imenso e o tempo disponível não seria bastante suficiente para que elas surgissem.
Medawar disse que os matemáticos estavam pensando ao contrário na sua avaliação científica. Ele salientou que o olho tinha evoluído e que esta questão simplesmente não era considerada duvidosa.
O problema da plausibilidade de o olho não ter evoluído foi considerado como sendo devido a erros ou lapsos nas equações dos matemáticos. O biólogo Ernst Mayr, da Harvard University, disse: “De algum modo ou de outro, ajustando estes resultados, nós vamos nos sair bem. Nós nos confortamos com o fato de que a evolução [do olho] aconteceu”. [6]
Os dois grupos de cientistas foram extremamente sensíveis quanto à conexão e percepção dos alegados defeitos do neoDarwinismo como sendo criacionismo. Schutzenberger, cético, disse: “Há uma lacuna considerável na teoria neodarwinista da evolução, e nós cremos que esta lacuna é de tal natureza que uma conexão não pode ser feita dentro da atual concepção da biologia”.
C. H. Waddington, darwinista, replicou: “O seu argumento é simplesmente que a vida deve ter surgido por criação especial”. Schutzenberger e outros cientistas responderam “Não”! [7]
A reunião no Wistar Institute, em termos retóricos, resultou num ‘beco sem saída’, mas deixou um documento importante para a história da ciência biológica: Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution: as objeções contra os mecanismos darwinistas eram feitas agora em termos matemáticos e empíricos.
Não foram apenas os matemáticos os únicos céticos a levantar tais questões nos anos 60 do século 20. Em 1969, o jornalista e filósofo britânico Arthur Koestler organizou o Alpbach Symposium [Simpósio Alpbach] Beyond Reductionism [Além do Reducionismo] com “o expresso propósito de reunir biólogos críticos do Darwinismo ortodoxo”. [8]
Koestler convidou apenas “personalidades na vida acadêmica com autoridade inquestionável nas suas áreas respectivas que, no entanto, compartilham desse santo descontentamento”. [9] Koestler escreveu um livro com o mesmo título provocador do simpósio: Beyond Reductionism. [10]
Este antievolucionismo científico nem sempre questionou a macroevolução, mas sempre atacou o mecanismo de mutação e seleção natural. O exemplo mais importante deste gênero é o livro L’Evolution du Vivant[11] do renomado zoólogo francês Pierre Grassé. Não tendo um substituto detalhado para o mecanismo de Darwin, Grassé sugeriu apenas que “fatores internos misteriosos” nos organismos os capacitam a evoluir em complexidade e diversidade e que somente os fósseis podem lançar a luz definitiva sobre a história da evolução .
Ele concluiu o seu livro de maneira inusitada e provocadora: “É possível que neste domínio, a biologia, impotente, dê lugar à metafísica”.
Theodosius Dobzhansky, biólogo da Columbia University, um dos fundadores do neoDarwinismo e considerado o pai da genética moderna, escreveu uma resenha respeitosa, mas resistente a Grassé:
“Postular que a evolução é ‘orientada’ por alguma força desconhecida não explica nada... Mas rejeitar o que é conhecido e apelar para alguma futura descoberta misteriosa que possa explicar tudo, é contrário ao conceituado método científico”.
Dobzhansky resumiu assim o livro de Grassé:
“O livro de Grassé é um ataque frontal a todos os tipos de Darwinismo. O propósito dele é de ‘destruir o mito da evolução, como um fenômeno simples, entendido e explicado’, e demonstrar que a evolução é um mistério sobre o qual pouco é, e talvez possa ser, conhecido”.
Apesar de discordar, Dobzhansky demonstrou respeito pelo caráter e reputação científica de Grassé:
“Ora, alguém pode discordar de Grassé, mas não ignorá-lo. Ele é o mais distinto dos zoólogos franceses, o editor de 28 volumes do Traité de Zoologie, autor de numerosas investigações originais, e ex-presidente da Academia de Ciência. O seu conhecimento do mundo vivo é enciclopédico”. [ênfase adicionada] [12]
Esse conhecimento enciclopédico de biologia por Grassé pesou muito na consideração do seu forte ceticismo sobre o papel da seleção natural na macroevolução.
Foi em 1962 que surgiu um livro que foi lido, citado, discutido, debatido e amplamente aplicado em várias áreas do conhecimento humano por historiadores, filósofos e cientistas: A Estrutura das Revoluções Científicas de Thomas Kuhn. [13] Neste livro, Kuhn desmanchou a visão tradicional de que a ciência era estável, gradualmente progressiva e estritamente objetiva. A obra de Kuhn surgiu justamente numa época em que ocorriam os primeiros ataques sofisticados contra o Darwinismo.
As idéias de Kuhn faziam claramente parte de uma sinergia de críticas científicas e de modos de questionamentos diferentes que tornou possível o que antes era impensável - a imagem do paradigma darwinista como uma fase prolongada, mas passageira e cheia de um fenômeno kuhniano: um paradigma em crise ‘esconde as suas anomalias’.
O Darwinismo que antes era considerado o ‘paradigma final’ da evolução que apenas podia ser estendido, preenchido e refinado, pela visão kuhniana, pode agora ser superado.
Grassé disse que a evidência dos fósseis reina suprema na demonstração do que realmente ocorreu na evolução, mas desde os dias de Darwin os paleontólogos têm buscado em vão a confirmação dessa história.
O problema da ausência persistente de gradualismo nas séries de fósseis levou Niles Eldredge (Curador de Invertebrados no Museu Americano de História Natural) e Stephen Jay Gould a elaborarem nos anos 70 do século 20 um novo modelo de mudança evolutiva chamado de equilíbrio pontuado:
“A extrema raridade de formas transicionais no registro fóssil persiste como o negócio secreto da paleontologia. As árvores genealógicas que adornam nossos livros-texto têm dados somente nas extremidades e nódulos de seus galhos; o resto é inferência, por mais que razoável, não é a evidência dos fósseis... Eu não quero de nenhuma maneira impugnar a validade potencial do gradualismo. Eu somente quero destacar que isso nunca foi ‘visto’ nas rochas”.[14] [ênfase inexistente]
O que antes era o negócio secreto da paleontologia Gould tornava público:
“... a história da maioria dos fósseis das espécies inclui duas características inconsistentes com o gradualismo: (1) Estase. A maioria das espécies não exibe mudança direcional durante a sua existência na Terra. Elas aparecem no registro fóssil parecendo muito semelhantes quando desapareceram; a mudança morfológica geralmente é limitada e sem direção. (2) Surgimento abrupto. Em qualquer área local, uma espécie não surge gradualmente pela transformação constante de seus ancestrais; ela aparece de uma vez e ‘plenamente formada’”. [15]
A proposta do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould foi uma solução revolucionária e conservadora. Modestamente revolucionária porque, contra Darwin, argumentavam que a porção significante da evolução não ocorre na transformação gradual de populações grandes e centrais, mas rapidamente em saltos evolutivos nas populações pequenas e isoladas em milhares de anos em vez de milhões de anos.
Com a teoria do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould tornou mais fácil elaborar um caso cogente contra a macroevolução, embora isso não fosse a idéia que eles quiseram encorajar. O reconhecimento desta anomalia significante - a descontinuidade das formas biológicas - iniciou um processo conceitual de crise kuhniana na biologia evolutiva.
Outras manifestações de ceticismo antidarwinista ocorreram antes de 1985 que ajudaram a moldar o terreno da retórica. Sir Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe argumentaram no livro Evolution from Space [16] que os processos aleatórios não poderiam ter formado a maquinaria bioquímica da célula, especialmente as enzimas.
Eles chegaram a esta conclusão após terem calculado essa probabilidade: seria 1 em 1040.000. Embora tenham proposto uma hipótese esdrúxula de panspermia, [17] eles afirmaram:
“A teoria de que a vida foi organizada por uma inteligência tem, nós cremos, uma probabilidade muito maior do que 1 em 1040.000 de ser a explicação correta dos muitos fatos discutidos em capítulos precedentes... As especulações do [livro] Origem das Espécies se mostraram errôneas... É irônico que os fatos científicos derrubem Darwin mas deixam William Paley, uma figura de deboche para o mundo científico há mais de um século, ainda no torneio com uma chance de ser o vencedor definitivo”. [18]

Uma linha cética mais prudente veio de Colin Patterson, do Museu Britânico. Já em 1981 ele era conhecido pela sua reputação de livre pensador herético na sua área de cladística [a taxonomia das espécies e outros grupos]. [19] Em 1981 este evolucionista agnóstico niilista ia de conferência em conferência fazendo a famosa pergunta embaraçosa aos cientistas:
“Vocês podem me dizer uma coisa que vocês sabem sobre a evolução, absolutamente qualquer coisa que seja verdadeira? Eu tentei essa pergunta com a equipe de geologia do Museu Field de História Natural e a única resposta que eu obtive foi silêncio. Eu a tentei com os membros do seminário de Morfologia Evolutiva na Universidade de Chicago, um corpo muito prestigiado de evolucionistas, e tudo que eu consegui lá foi silêncio por um longo tempo e eventualmente uma pessoa disse ‘Eu sei uma coisa - não deve ser ensinada no ensino médio’”. [20]

Apesar da fama que a experiência de Miller-Urey ganhou em 1953 e de aparecer até hoje em livros-texto de biologia, a teoria da evolução química se tornou uma área problemática após investigação interdisciplinar de químicos, biólogos, físicos, astrônomos, geólogos e geoquímicos para descobrir os caminhos pelos quais a natureza produziu os tijolos construtores da vida (nucleotídeos e aminoácidos) e a sua subseqüente ligação com cadeias de polímeros (proteínas, DNA e RNA) resultando em estruturas maiores e mais complexas chamadas de ‘protocélulas’.
Outro livro importante neste ceticismo sobre a origem e a evolução da vida é The Mystery of Life's Origin de Charles Thaxton, Walter Bradley e Roger Olsen. [21]

2 – A Crítica Secular Radical Antidarwinista de Michael Denton
Em 1985, Michael Denton, um bioquímico e médico britânico então desconhecido, publicou o livro Evolution: A Theory in Crisis [Evolução: Uma Teoria em Crise]. A tese radical desenvolvida por Denton é a inadequação epistêmica das idéias fundamentais da teoria da evolução de Darwin:
“Nenhum dos dois axiomas fundamentais da teoria macroevolutiva de Darwin - o conceito de continuidade na natureza... e a crença de que todo o design adaptivo da vida resultou de um processo cego aleatório - foram validados por uma única descoberta empírica ou avanço científico desde 1859”.[22]
Este livro de Denton serviu de ímpeto inicial, inspiração e razões do Movimento do Design Inteligente [MDI] nos Estados Unidos. Juntamente com o livro The Mystery of Life’s Origin, Denton praticamente estabeleceu o modelo retórico de valores, estilos de comunicação, propósitos, perspectivas e pressuposições do que veio a ser o genre retórico do Design.
A tese de Denton é construída em três etapas:
(1) ele estabelece a divisão entre as duas teorias de Darwin (‘teoria especial’ de especiação, chamada de ‘microevolução’ e da ‘teoria geral’ da evolução de todas as formas de vida a partir de um ancestral comum, chamada de ‘macroevolução’). Darwin já havia feito esta distinção no Origem das Espécies;

(2) Uma feliz concessão a Darwin de que a modesta teoria da microevolução tem boa razão de ser aceita por todos os biólogos e o público, mas adverte ser ilegítimo extrapolar a macroevolução da microevolução, cap. 4;


(3) Sujeitar a teoria da macroevolução de Darwin à investigação empírica: taxonomia, homologia, fósseis, morfologia hipotética de intermediários, análise estatística de processos de busca aleatória (caps. 5-9, 13), biologia molecular (caps. 11-12), a origem da vida e a evidência de seqüências de aminoácidos em proteínas.

Esses capítulos questionam duas pedras fundamentais darwinianas de macroevolução - o mecanismo (seleção de mutações aleatórias) e o fenômeno da ‘continuidade biológica’ (a interconexão das coisas vivas numa linhagem contínua de descendência. Denton pergunta: Há evidência empírica de transições, ou nós plausivelmente podemos reconstruir uma série de intermediários hipotéticos?
Com esses questionamentos, Denton avança para uma tese central radical: A macroevolução - o contínuo desenvolvimento evolutivo através da seleção de mutações aleatórias - não é apoiada por descobertas em qualquer área da biologia. A teoria não é apoiada por evidência empírica nem por experimentos conceituais, isto é, por tentativas de se reconstruir caminhos evolutivos plausíveis.
A pergunta que alguns na Academia não querem que seja feita, e que a GM não divulga, é: Se é este o verdadeiro estado da evidência, por que a comunidade científica diz ao público que a teoria de Darwin não é mais uma TEORIA, mas um FATO?
No seu último capítulo, Denton tenta responder esta pergunta apresentando a segunda tese importante, com um corolário kuhniano: É a ‘prioridade do paradigma’ que torna esses problemas e anomalias darwinianas invisíveis. Ele conclui que enquanto não surgir uma teoria naturalista melhor do que o paradigma de Darwin, ele deve ser e será considerado como verdade científica.
Denton desenvolveu no seu livro a lógica anti-narrativa. São dois tipos distintos de anti-narrativas. A primeira subverte e inverte a história ortodoxa da ascensão do Darwinismo, mudando de um triunfo da verdade para o mergulho numa nova Idade das Trevas, a tirania do dogma que entorpece as mentes: a teoria darwinista se transformou num axioma auto-evidente que não há necessidade de prova.
Nesta anti-narrativa histórica revisionista, antigos dissidentes são mencionados - Cuvier, Owen, Agassiz e Pictet, e mais recentes como Goldschmidt e Hoyle. Denton salienta que o criticismo deles, empiricamente baseados, nunca foi respondido satisfatoriamente.
A outra narrativa é a ‘narrativa da história da ciência’ (cap. 3). Aqui Denton mostra como que a teoria de Darwin se transformou ao longo do tempo em um dogma incontestável:
“Ao passar dos anos após a revolução darwiniana, e assim que a evolução se tornou mais e mais consolidada em dogma, a gestalt da continuidade impôs-se em cada faceta da biologia. As descontinuidades da natureza não podiam mais ser percebidas. Conseqüentemente, o debate ficou inativo e havia menos necessidade de justificar a idéia da evolução pela referência aos fatos”.[23]
Uma dissensão contra Darwin se torna "por definição irracional e especialmente irritante se os dissidentes afirmarem estarem apresentando uma crítica racional". Denton acrescenta: "É irônico refletir isso enquanto que Darwin considerou uma vez ser herético questionar a imutablilidade das espécies, hoje em dia é herético questionar a idéia da evolução".
Denton finaliza este capítulo com uma citação de Paul Feyerabend sobre o poder do dogma metafísico em modelar a imagem da verdade, onde "a estabilidade atingida, a aparência de verdade absoluta, é nada a não ser o resultado de um conformismo absoluto". Essa verdade funciona como mito, e "o mito é, portanto, de nenhuma relevância objetiva, ele continua a existir somente como resultado do esforço da comunidade de crentes e dos seus líderes, sejam esses agora sacerdotes ou ganhadores do prêmio Nobel. O seu 'sucesso' é inteiramente fabricado pelo homem". [24]
Todavia, Denton considera que a teoria “ainda é, como no tempo de Darwin, uma hipótese altamente especulativa completamente sem apoio direto concreto e muito distante daquele axioma auto-evidente que muitos dos seus mais agressivos defensores gostariam que nós acreditássemos”. [25]
Um fato digno de menção é que o livro Evolution: A Theory in Crisis influenciou um número expressivo de professores universitários americanos que se tornaram céticos de Darwin - um deles iniciou o MDI: Phillip Johnson.

Notas:

[1] Vide Xenophon, Memorabilia of Socrates, Book I, chapter 4; Plato, The Laws, Book X.
[2] SCHILLER, F.C. S., “Darwinism and Design Argument,” in Schiller, Humanism: Philosophical Essays (Nova
York: The Macmillan Co., 1903, p. 141. Este ensaio foi primeiramente publicado no Contemporary
Review em junho de 1897.
[3] MOORHEAD, P. S. e KAPLAN, M. M., eds. Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of
Evolution (Filadélfia: Wistar Institute Press, 1967)
[4] Medawar nasceu no Brasil, mas nunca optou pela nacionalidade brasileira. Seria o nosso primeiro laureado com o Prêmio Nobel.
[5] MOORHEAD, P. S. e KAPLAN, M. M., op. cit. vol. 5 p. xi.
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] Outros eminentes participantes: Holgar Hyden (neurobiólogo), Paul Weiss e W. H. Thorpe (zoólogos), David McNeil (lingüista) e Jean Piaget (psicólogo e educador).
[9] KOESTLER, Arthur. Beyond Reductionism. Londres: Hutchinson & Co. Ltd., 1969, p. 2
[10] KOESTLER, Arthur. Beyond Reductionism. Londres: Hutchinson & Co. Ltd., 1969
[11] Traduzido em inglês como Evolution of Living Organisms. Nova York: Academic Press, 1977.
[12] Citado por Phillip Johnson in Darwin on Trial, Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1993, 2a. ed., p. 174-75.
[13] KUHN, Thomas. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 1998, 5a. ed.
[14] GOULD, Stephen Jay. The Panda’s Thumb. Nova York: W. W. Norton, 1980.
[15] Ibid, in The Episodic Nature of Evolutionary Change, p. 182.
[16] HOYLE, Fred e WICKRAMASINGHE, Chandra. Evolution from Space. Londres: J. M. Dent, 1981.
[17] Ibid. A especulação absurda de Hoyle é de que uma inteligência alienígena habitou dissimuladamente na Terra em forma de numerosas espécies de insetos.
[18] Ibid, p. 96.
[19] Vide Evolution: A Theory in Crisis, de Michael Denton, p. 138-139.
[20] Esta palestra foi gravada sem o consentimento de Patterson, mas numa entrevista com o jornalista Tom Bethell ele reafirmou esta sua posição. Vide Deducing from Materialism in National Review, 29 de agosto de 1986, p. 43.
[21] THAXTON, Charles, BRADLEY, Walter e OLSEN, Roger. The Mystery of Life's Origin. Nova York:
Philosophical Library, 1984. Este livro é considerado o ponto inicial do MDI. Edição esgotada.
[22] DENTON, Michael Denton. Evolution: A Theory in Crisis. Bethesda, MD: Adler & Adler, 1986, p. 345.
[23] Ibid, p. 74.
[24] FEYERABEND, Paul. Problems of Empiricism in Beyond the Edge of Certainty, R. G. Colodny, 1965, p. 176.
[25] Ibid, p. 77.

A psicose ultradarwinista

Marx e Freud, como paradigmas científicos, já morreram, mas há muito tempo Darwin não está se sentindo muito bem. Embora morto epistemicamente, quem sabe Freud pode nos ajudar a compreender ‘a doença darwinista’. Este texto é baseado em um artigo de Monica Weinberg, jornalista da revista VEJA, sobre COMO as autoridades do atual governo federal negam que há uma crise ética em nosso governo.

Sigmund Freud desenvolveu a psicanálise. É uma maneira de se tratar certas desordens da mente examinando-se as memórias da vida passada do paciente, suas experiências, seus sonhos, etc., numa tentativa de se descobrir as causas escondidas desta doença.

A psicanálise tem uma interessante definição para a insistência dos darwinistas negarem a existência de uma tremenda crise epistêmica que enfrenta o neodarwinismo: ela é chamada de psicose – uma séria desordem da mente que pode produzir mudança de caráter e fazer com que alguém perca a noção da realidade. Esta doença é associada com a reconstrução de uma realidade alucinatória, o fruto de um trauma entre o ego e o mundo real.

Para os especialistas, a alucinação darwinista consiste em inventar uma estória que corre paralela aos fatos, e, além disso, eles esperam que alguém creia nisso.

Há manifestações de uma doença psicótica que Anna Freud, a filha mais nova de seis filhos de Sigmund Freud, lidou no seu livro The Ego and the Mechanisms of Defense (1936). Ela descreve vários processos adaptativos pelas quais os estados emocionais dolorosos e não desejados são resistidos ou tornados mais suportáveis. Um deles é a “negação em fantasia” – para proteger-se de uma realidade desagradável, o indivíduo deixa de ver o mundo como ele é e inventa outro onde a vida é mais prazerosa. Quando os darwinistas vêm a público negar a existência das insuficiências epistêmicas da teoria geral da evolução, eles acreditam ser capazes de produzir como efeito uma nova realidade que protege e blinda ‘o longo argumento’ Darwin das críticas, mesmo as cientificamente fundamentadas.

De acordo com Anna, este comportamento é esperado de ocorrer na infância, a fase quando as fantasias são saudáveis para um desenvolvimento psíquico saudável, mas na fase adulta – e o darwinismo já tem quase 150 anos – é um sinal doentio de psicose.

Neste estado psicótico darwinista, os especialistas detectam um pouco de egocentrismo. De acordo com esta análise, quando eles negam publicamente de que não há nenhuma crise epistêmica com o neodarwinismo, que não há dissidentes, eles acreditam que são capazes de produzir uma nova realidade, mas essa também é outra visão alucinatória darwinista.

Qualquer semelhança com o que porta-vozes da Nomenklatura científica vêm dizendo ultimamente não é mera coincidência. É psicose mesmo!

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

Como não criticar o Design Inteligente

Os oponentes do DI, e não são poucos, talvez ainda não se aperceberam que nas suas críticas de o DI não ser testável e nem falsificável, estão se metendo numa situação epistemológica Catch-22 e academicamente muito embaraçosa.

Vão ter que escolher agora entre duas coisas: o DI não é testável ou o DI não é falsificável, ou como bem diz o ditado matuto, mas sábio – “Não dá para assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”.

Se o DI não é testável e nem falsificável, como tem sido freqüentemente aqui publicado, então NUNCA poderia ser argumentado que os exemplos de ‘mau design’ demonstram que o DI está errado.

Além disso, se o DI não é testável e nem falsificável, quem deveria ser veementemente criticado por isso é Kenneth Miller, um biólogo americano, que apresentou o Type III Secretory System (TTSS) como evidência de que o DI está errado. Vide: The Flagellum Unspun: The Collapse of Irreducible Complexity in “Debating Design: From Darwin to DNA”, W. Dembski e M. Ruse, editores, Cambridge: Cambridge University Press, 2004.
Ora, além de o DI ser freqüentemente apresentado como tendo tais insuficiências epistêmicas, se o DI é uma hipótese não testável e nem falsificável, ela só pode ser uma hipótese que “nem errada” é (Wolfgang Pauli), mas uma hipótese que “nem errada” é, não pode também ser demonstrada como errada!

Se o DI não sugeriu hipóteses que, a princípio, poderiam ser demonstradas como não verdadeiras, então por que os críticos do DI são tão ‘entusiasmados’ com o Type III Secretory System (TTSS) [Sistema Secretor Tipo 3] defendido por Miller?

Os críticos ainda não se deram conta de que, ao apresentarem o Type III Secretory System (TTSS), impensadamente, eles estão proclamando que o DI é uma hipótese testável e falsificável e que a testaram e descobriram que está errada. Ora, não dá para sair por aí dizendo que o DI não é testável e nem falsificável e depois dizer – nós demonstramos que o DI está errado!
Seja lá qual for a crítica ao DI… você não pode assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Pano rápido!

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Nota: Este texto foi uma réplica a dois professores de Biologia de duas renomadas universidades pública e privada. O editor de uma newsletter científica não publicou por razões mais do que óbvias!

Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

A TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE – Parte 3

Baseado nas obras dos teóricos do Design Inteligente: William A. Dembski e Michael J. Behe.

Plano de pesquisas propostas pela TDI

Freqüentemente os oponentes e críticos do DI afirmam que a TDI não é ciência porque não tem um plano para verificação experimental. Mas o DI tem esse plano de verificação. Atualmente são dez os temas de pesquisa,[i] mas somente cinco são aqui brevemente considerados:

· Métodos de detecção de design. Técnicas, métodos e critérios de detecção de design intencional são amplamente empregados em várias ciências especiais (a ciência de investigação criminal, a criptografia, a arqueologia, a inteligência artificial (cf. o teste de Turing) e a busca por inteligência extraterrestre [SETI - Search for Extraterrestrial Intelligence]). Os critérios da complexidade irredutível de Behe e da complexidade especificada de Dembski precisam estar no centro dessa discussão com mais seriedade pela academia brasileira.[ii]
· Informação biológica. Como que a matéria foi formada em maneiras muito especiais a fim de constituir a vida? Dembski aborda esse problema no seu livro No Free Lunch, mas há necessidade de mais trabalho e pesquisa nesta área.
· Complexidade mínima. Coisas vivas são sistemas complexos constituídos de sub-sistemas complexos que por sua vez consistem de outros sub-sistemas até que um nível de organização é atingido que é quimicamente simples. Essa complexidade mínima fornece confirmação decisiva de design inteligente?
· Capacidade de evolução. As limitações na capacidade de evolução por meio de mecanismos materiais se constituem em evidências de design intencional.
· O princípio de “engenharia metodológica”. Os sistemas biológicos precisam ser compreendidos como sistemas de engenharia: origem, construção, operação, falha de operação, desgaste, reparo, modificação (acidental ou por design intencional).

Conclusão circunstancial:

A visão darwinista da vida está rapidamente perdendo o contato com a realidade e com o design intencional que permeia o mundo no nível bioquímico - um mundo sobre o qual Darwin nada sabia. São muitas as anomalias, que têm resistido todas as tentativas de serem resolvidas pelos procedimentos existentes do paradigma atual, mas a velha guarda do darwinismo, mesmo sabendo que as suas “idéias não correspondem aos fatos” [Cazuza], não está e nem ficará quieta: existe atualmente nos Estados Unidos uma inquisição sem fogueiras para os que criticam cientificamente o darwinismo[iii].

No seu livro The End of Christendom, Malcolm Muggeridge escreveu: “Eu estou mesmo convencido de que a teoria da evolução, especialmente na extensão na qual tem sido aplicada, será uma das maiores de todas as piadas nos livros de história do futuro. A posteridade irá se maravilhar como uma hipótese muito superficial e tão dúbia pôde ser aceita com a incrível credulidade que tem sido aceita”.

A visão darwinista, porém, como os ‘epiciclos’ de Ptolomeu, recusa-se em procurar a porta de saída paradigmática, para ser substituída por uma nova visão baseada na realidade: Design Inteligente.

Bibliografia sobre a TDI:
1. BEHE, Michael J., A caixa preta de Darwin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

2. BUELL, Jon e HEARN, Virginia, (eds.), Darwinism: Science or Philosophy? Dallas, TX:
Foundation for Thought and Ethics, 1993.

3. DEMBSKI, William A., The Design Inference: Eliminating Chance Through Small
Probabilities. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.

4. ________. No Free Lunch: Why Specified Complexity Cannot Be Purchased
without Intelligence. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2002.

5. ________. The Design Revolution: Answering the Thoughest Questions About Intelligent
Design. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2004.

6. GONZALEZ, Guillermo e RICHARDS, Jay W., The Privileged Planet: How Our Place in the Cosmos is Designed for Discovery. Washington, D.C.: Regnery Publishing, Inc., 2004. Um tratado excepcional sobre a evidência de design derivado da astronomia e cosmologia.

7. MENUGE, Angus. Agents Under Fire: Materialism and the Rationality of Science. Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2004.

8. THAXTON, Charles B.; BRADLEY, Walter L.; OLSEN, Roger L., The Mystery of Life’s Origin: Reassessing Current Theories. Nova York: Philosophical Library, 1984. Sem dúvida, o livro que lançou a base científica para a moderna TDI.

Bibliografia sobre as implicações culturais da TDI:
1. CAMPBELL, John Angus e MEYER, Stephen, Darwin, Design, and Public Education. Michigan: Michigan University Press, 2003.

2. DEMBSKI, William A. (ed.), Mere Creation: Science, Faith and Intelligent Design. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1998.

3. _______. Intelligent Design: The Bridge Between Science and Theology. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1999.

4. DEMBSKI, William A., e KUSHINER, James M. (eds.). Signs of Intelligence: Understanding Intelligent Design. Grand Rapids, MI: Brazos Press, 2001.

5. DEMBSKI, William A. (ed.), Uncommon Dissent: Intellectuals Who Find Darwinism Unconvincing. Wilmington, DE: ISI Books, 2004.
6. DEMBSKI, William A. e RUSE, Michael. Debating Design: From Darwin to DNA. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

7. HUNTER, Cornelius G., Darwin’s God: Evolution and the Problem of Evil. Grand Rapids, MI: Brazos Press, 2001.

8. _______. Darwin’s Proof: The Triumph of Religion Over Science. Grand Rapids, MI: Brazos Press, 2003. A religião aqui é o darwinismo.

9. JOHNSON, Phillip E., JOHNSON, Phillip E., Darwin on Trial. Downers Grove, IL:InterVarsity Press, 1991.

10. _______. Reason in the Balance: The Case Against Naturalism in Science, Law and Education. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1995.

11. _______. Defeating Darwinism by Opening Minds. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1997. Traduzido para o português no Brasil, mas encontra-se esgotado.

12. _______. Objections Sustained: Subversive Essays on Evolution, Law and Culture. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1998.

13. _______. The Wedge of Truth: Splitting the Foundations of Naturalism. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000. Traduzido para o português como Ciência, Intolerância e Fé - A Cunha da Verdade: rompendo os fundamentos do naturalismo.

14. _______. The Right Questions: Truth, Meaning and Public Debate. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2002.

Bibliografia sobre a história da TDI e o MDI:

1. O’LEARY, Denyse. By Chance or by Design? Minneapolis, MN: Augsburg Fortress, 2004. Escrito por uma jornalista canadense visando os leigos.

2. WOODWARD, Thomas. Doubts About Darwin: A History of Intelligent Design. Grand Rapids, MI: Baker Books, 2003.
[i] DEMBSKI, William A., The Design Revolution, p. 310-17.

[ii] A ilação, errônea, da maioria dos acadêmicos brasileiros de que a TDI é criacionismo e o total desconhecimento da obra de Dembski são, para este Autor, as causas da alienação da TDI por parte da Academia. A TDI cai ou se estabelece pelos seus próprios méritos que precisam ser devidamente considerados: se o design encontrado na natureza for demonstrado cientificamente que é aparente, não detectável e produto de leis e processos naturais não guiados como o acaso, necessidade, mutações e seleção [não é atributo de inteligência???] natural nós tiramos a TDI da mesa de debate como teoria que se propõe substituir as teorias da origem e evolução da vida atuais.

[iii] Nos Estados Unidos, a maior democracia do mundo, não é crime criticar o governo, mas criticar Darwin é considerado crime de lèse majesté. Vários professores universitários, que de alguma forma sofreram sanções acadêmicas, são mencionados por Angus Menuge in Agents Under Fire, p. 200-01. A razão maior para nós do NBDI protegermos atualmente os professores e alunos de universidades públicas e privadas que são simpáticos à TDI deve-se a esse tipo de ‘patrulhamento ideológico’. A ‘liberdade de cátedra’ e o debate de diversidade de idéias foi jogada na lata do lixo. No Brasil não é menos diferente. Razão disso? A toxina do materialismo filosófico travestido de metodologia científica.

A TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE – Parte 2

Baseado nas obras dos teóricos do Design Inteligente: William A. Dembski e Michael J. Behe.

Detectando design em biologia

1. O argumento da complexidade especificada (William Dembski) [i]:

Para determinar se os organismos biológicos exibem complexidade especificada,[ii] os teóricos do DI focalizam em sistemas identificáveis (ex.: enzimas individuais, caminhos metabólicos e máquinas moleculares). Esses sistemas não somente são especificados por seus requisitos funcionais independentes, mas também exibem um alto grau de complexidade.

A complexidade especificada, como Dembski a desenvolve na sua obra, incorpora cinco elementos importantes:

A) Uma versão probabilística de complexidade aplicável aos eventos: a probabilidade pode ser vista como uma forma de complexidade. Elas variam inversamente: quanto maior a complexidade, muito menor será a probabilidade. O termo complexidade em complexidade especificada refere-se à improbabilidade.

B) Padrões condicionalmente independentes: os padrões que na presença de complexidade (ou improbabilidade) impliquem em ação de inteligência devem ser independentes do evento cujo design está em questão. O modo de caracterizar essa independência de padrões é através da noção probabilística de independência condicional. O termo especificada em complexidade especificada refere-se a tais padrões condicionalmente independentes - são as especificações.

C) Recursos probabilísticos: são o número de oportunidades para um evento acontecer ou ser especificado. Um evento aparentemente improvável pode tornar-se bem provável assim que suficientes recursos probabilísticos sejam fatorados. Por outro lado, tal evento pode permanecer improvável mesmo após todos os recursos probabilísticos disponíveis tenham sido fatorados. Os recursos probabilísticos são replicadores (o número de oportunidades para um evento ocorrer) e especificadores (o número de oportunidades para especificar um evento). Para um evento de probabilidade ser razoavelmente atribuído ao acaso, o número não pode ser pequeno demais.

D) Uma versão especificadora de complexidade aplicada aos padrões. Por serem padrões, as especificações exibem graus de complexidade variadas. Um grau de especificação de complexidade determina quantos recursos especificadores devem ser fatorados quando calculando o nível de improbabilidade necessária para excluir o acaso. Quanto mais complexo o padrão, mais recursos especificadores devem ser fatorados. Os matemáticos chamam a generalização disso de complexidade de Kolmogorov. A baixa complexidade especificadora é importante na detecção de design porque ela garante que um evento cujo design está em questão não foi simplesmente descrito após o fato e depois arrumado como se pudesse ser descrito como tendo ocorrido antes do fato.

E) Um número limite de probabilidade universal. Os recursos probabilísticos vêm em quantidades limitadas no universo observável. Os cientistas calculam que haja em torno de 1080 de partículas elementares. As propriedades da matéria são tais que as transições de um estado para o outro não pode ocorrer muito mais rápido do que 1045 por segundo (o tempo de Planck, a menor de todas as unidades de tempo fisicamente significativa). O universo mesmo é um bilhão de vezes mais recente do que 1025 segundos (admitindo-se que o universo tenha entre 10 a 20 bilhões de anos). Se qualquer especificação de um evento ocorrendo no universo físico requer pelo menos uma partícula elementar para especificá-lo e que tal especificação não pode ser gerada mais rapidamente do que o tempo de Planck, então essas limitações cosmológicas implicam que o número total de eventos especificados através da história cósmica não pode exceder 1080 x 1045 x 1025 = 10150. Assim, qualquer evento especificado de probabilidade menor do que 1 em 10150 permanecerá improvável mesmo após todos os recursos probabilísticos concebíveis do universo visível tenham sido fatorados. Isto é, qualquer evento especificado tão improvável quanto esse jamais poderia ser atribuído ao acaso. Para algo exibir complexidade especificada significa que corresponde a um padrão condicionalmente independente (especificação) de baixa complexidade especificadora, mas onde o evento correspondente àquele padrão ele tem uma probabilidade menor do que o número limite de probabilidade universal (10150) e portanto tem alta complexidade probabilística. Emile Borel, matemático francês, propôs 1 em 1050 como um limite de probabilidade universal, abaixo do qual (10-50) o acaso pode ser definidamente excluído, i.e., qualquer evento específico tão improvável quanto esse nunca poderia ser atribuído ao acaso.[iii]

Para explicarmos algo, nós empregamos três amplos meios de explanação: acaso, necessidade e design. Como um critério para detectar design, a complexidade especificada nos capacita decidir qual desses meios de explanação é aplicável. Ela faz isso respondendo a três perguntas sobre a coisa que estamos tentando explicar: É contingente? É complexo(a)? É especificado(a). Dispondo essas perguntas seqüencialmente como nódulos de decisão num gráfico, nós podemos representar a complexidade especificada como um critério para detectar design: o chamado “Filtro Explanatório” de Dembski.[iv]

Assim, onde for possível existir corroboração empírica direta, o design intencional estará realmente presente sempre que a complexidade específica estiver presente.

2. O argumento da complexidade irredutível (Michael Behe):

No livro A Caixa Preta de Darwin,[v] Michael Behe, professor de Bioquímica na Lehigh University, Pensilvânia, conecta a complexidade especificada ao design biológico através do seu conceito de complexidade irredutível.[vi] Behe define um sistema como irredutivelmente complexo se ele consistir de um subsistema[vii] de diversas partes interrelacionadas que removendo-se até mesmo uma parte torna a função básica do sistema irrecuperável.

Para Behe, a complexidade irredutível é um indicador seguro de design. Um sistema bioquímico irredutivelmente complexo que Behe considera é o flagelo bacteriano. O flagelo é um motor rotor movido por um fluxo de ácidos com uma cauda tipo chicote (ou filamento) que gira entre 20.000 a 100.000 vezes por minuto e cujo movimento rotatório permite que a bactéria navegue através de seu ambiente aquoso.

Behe demonstra que essa maquinaria intrincada nesse motor molecular - incluindo um rotor (o elemento que imprime a rotação), um estator (o elemento estacionário), juntas de vedação, buchas e um eixo-motor - exige a interação coordenada de pelo menos quarenta proteínas complexas (que formam o núcleo irredutível do flagelo bacteriano) e que a ausência de qualquer uma delas resultaria na perda completa da função do motor. Behe argumenta que o mecanismo darwinista enfrenta graves obstáculos em tentar explicar esses sistemas irredutivelmente complexos.[viii] No livro No Free Lunch, William Dembski demonstra como que a noção de complexidade irredutível de Behe se constitui numa instância particular de complexidade especificada. [ix]

Assim que um componente essencial de um organismo exibe complexidade especificada, qualquer design atribuível àquele elemento passa para o organismo como um todo. Para atribuir design a um organismo, ninguém precisa demonstrar que cada aspecto do organismo tem design intencional. Organismos, como todos os objetos materiais, são produtos de uma história e assim sujeitos à ação desgastante de fatores puramente materiais. Automóveis, por exemplo, ficam velhos e exibem os efeitos da corrosão, de granizo, e de forças de fricção. Mas isso não faz com que eles tenham menos design intencional. Do mesmo modo, os teóricos do DI argumentam que os organismos, embora exibindo os efeitos da história (e isso inclui os fatores darwinistas como mutações genéticas e seleção natural), também incluem um núcleo não eliminável que tem design intencional que não pode ser explicado unicamente por aqueles fatores.

O design inteligente e as tradições religiões

A principal ligação do DI com as tradições religiosas é através do argumento de design. Talvez o argumento de design mais conhecido seja o de William Paley. Ele publicou o seu argumento em 1802 no livro Natural Theology [Teologia Natural]. O subtítulo é surpreendente: Evidences of the Existence and Attributes of the Deity, Collected from the Appearances of Nature [Evidências da existência e atributos da divindade, coletadas das aparências da natureza]. O projeto de Paley era examinar os aspectos do mundo natural (que ele chamou de “aparências da natureza”) e delas tirar conclusões sobre a existência e atributos de uma inteligência responsável pelo design daqueles aspectos (Paley identificou como sendo o Deus do cristianismo).

De acordo com Paley, se alguém encontrar um relógio num campo (e assim não ter todo conhecimento de como surgiu o relógio), a adaptação das peças do relógio para dizer as horas garante que ele é o produto de uma inteligência. Assim também, de acordo com Paley, as maravilhosas adaptações dos meios para os fins nos organismos (como a complexidade do olho humano com a sua capacidade de visão) garantem que os organismos são produtos de uma inteligência. A TDI atualiza o argumento do relojoeiro de Paley à luz da contemporânea teoria matemática da informação[x] e da biologia molecular, pretendendo trazer este argumento de design para dentro da ciência.

Ao argumentar a favor do design dos sistemas naturais, a TDI é mais modesta do que os argumentos de design da teologia natural. Para teólogos da natureza como Paley, a validade do argumento de design não dependia da fertilidade das idéias teóricas de design para a ciência, mas no uso metafísico e teológico que alguém pudesse obter do design. Um teólogo da natureza pode apontar para a natureza e dizer, “Claramente, o designer deste ecossistema valorizou a variedade em detrimento à elegância”. Um teórico do DI tentando fazer de verdade uma pesquisa teórica de design naquele ecossistema pode responder, “Embora isso seja uma intrigante possibilidade teológica, como um teórico do DI eu preciso manter a pesquisa focalizada nos caminhos informacionais capazes de produzir essa variedade”.

No seu livro Crítica da Razão Pura, Immanuel Kant afirmou que o máximo que o argumento do design pode estabelecer é “um arquiteto do mundo que está limitado pela adaptabilidade do material com que trabalha, não um criador de mundo à cuja idéia [mente] tudo está sujeito”. Longe de rejeitar o argumento de design, Kant fez objeção quanto à extrapolação de seu uso. Para Kant, o argumento do design estabelecia legitimamente um arquiteto (isto é, uma causa inteligente cujas realizações de objetivos são limitadas pelos materiais do qual o mundo é feito), mas nunca pode estabelecer um criador que origina os próprios materiais que o arquiteto então modela.

O DI é totalmente consoante com essa observação de Kant. A criação é sempre sobre a fonte ontológica do mundo. O DI, como a ciência que estuda os sinais de inteligência, é sobre os arranjos de materiais preexistentes que apontam para uma inteligência. Portanto, a criação e o DI são bem diferentes.[xi]

Pode haver criação sem DI e DI sem criação. Por exemplo, pode haver uma doutrina da criação na qual Deus cria o mundo de tal maneira que nada sobre o mundo aponta para design. O zoólogo evolucionista Richard Dawkins escreveu um livro intitulado O relojoeiro cego: porque a evidência da evolução revela um universo sem design.[xii] Mesmo que Dawkins possa estar certo sobre o universo não revelar nenhuma evidência de design intencional, logicamente não se conclui que ele não foi criado. É logicamente possível que Deus tenha criado um mundo que não forneça nenhuma evidência de design. Por outro lado, é logicamente possível que o mundo esteja cheio de sinais de inteligência mas não foi criado. Esta era a visão dos antigos estóicos, no qual o mundo era eterno e não criado, mas mesmo assim um princípio racional impregnava o mundo todo e produzia marcas de inteligência nele.

As implicações do DI para as crenças das tradições religiosas são profundas. A ascensão da ciência moderna resultou num ataque vigoroso em todas as religiões que consideram o propósito, a inteligência, e a sabedoria como aspectos fundamentais e irredutíveis da realidade. O ápice desse ataque veio com a teoria da evolução de Darwin. A afirmação central da teoria de Darwin é que um processo material não guiado (variação aleatória e seleção natural entre outros mecanismos) poderia explicar a emergência de toda a complexidade e ordem biológicas. Em outras palavras, Darwin parecia demonstrar que o design em biologia (e, por implicação, na natureza em geral) era dispensável. Ao demonstrar que o design é indispensável para a compreensão científica do mundo natural, o DI está revigorando o argumento do design e ao mesmo tempo derrubando a concepção errônea de que a única forma de crença religiosa defensável é a que considera o propósito, a inteligência, e a sabedoria como subprodutos de processos materiais não inteligentes.


[i] O conceito de complexidade especificada foi usado pela primeira vez em 1973 por Leslie Orgel in The Origins of Life, e depois em 1999 por Paul Davies in The Fifth Miracle.

[ii] Na pesquisa da TDI, a complexidade especificada é um critério estatístico usado para identificar os efeitos de causa inteligente. Vide DEMBSKI, William. The Design Inference: Eliminating Chance Through Small Probabilities. Cambridge: Cambridge University Press, 1998. Esta obra é rigorosamente técnica e fundamental para a compreensão da TDI como uma teoria científica de detecção de design na natureza. Para uma leitura menos técnica, vide No Free Lunch: Why Specified Complexity Cannot Be Purchased without Intelligence. Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, Inc., 2002.

[iii] BOREL, Emile. Probabilities and life. New York: Dover Publications, 1962, p. 28

[iv] O “Filtro Explanatório” de Dembski aparece no livro The Design Inference, p. 37.

[v] BEHE, Michael. A caixa preta de Darwin. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.

[vi] O conceito de Behe de complexidade irredutível estabelece na verdade três pontos importantes: lógico, empírico e explanatório. Do ponto de vista lógico - certas estruturas provavelmente são inacessíveis a um caminho darwinista direto, mas certas estruturas biológicas também têm complexidade irredutível, logo, elas também devem ser inacessíveis a um caminho darwinista direto. O ponto de vista empírico é a falta de êxito, ampla e sistêmica da biologia evolutiva em descobrir caminhos darwinistas indiretos que resultem em estruturas biológicas de complexidade irredutível - o que existe são ‘fantasiosas especulações’: razão para se duvidar e até rejeitar que os caminhos darwinistas indiretos sejam a resposta para a complexidade irredutível. O ponto de vista explanatório é sobre a adequação causal - o efeito em questão é a complexidade irredutível de certas máquinas bioquímicas, como é que ela surgiu? Em bases lógico-matemáticas os caminhos darwinistas diretos são excluídos. A ausência de evidência científica dos caminhos darwinistas indiretos é tão completa quanto é para a existência do Saci Pererê. Resta somente a inteligência, pois é característica da inteligência causar a produção de complexidade irredutível: design inteligente.

[vii] Dembski se refere a este subsistema como o “núcleo irredutível do sistema” - partes que são indispensáveis à função básica do sistema.

[viii] O desafio da complexidade irredutível à evolução darwinista é real e não procede a afirmação de que as idéias de Behe tenham sido cientificamente refutadas: “A resposta que eu tenho recebido por repetir a afirmativa de Behe sobre a literatura evolucionária - que simplesmente destaca o ponto sendo implicitamente feito por muitos outros, como Crick, Denton, [Robert] Shapiro, Stanley, Taylor, Wesson - é que obviamente eu não tenho lido os livros certos. Há, eu estou convencido, evolucionistas que têm descrito como as transições em questão poderiam ter ocorrido. Todavia, quando eu pergunto em quais livros eu posso achar essas discussões, ou eu não recebo nenhuma resposta ou alguns títulos que ao examiná-los não contém de fato os relatos prometidos. Que tais relatos existam parece ser algo que é amplamente conhecido, mas eu ainda estou por encontrar quem saiba onde eles existem” [David Griffin, in Religion and Scientific Naturalismo: Overcoming the Conflicts, Albany, NY: State University of New York Press, 2000, p. 287, nota #23]; “Não há relatos darwinistas detalhados para a evolução de qualquer sistema bioquímico ou celular, somente uma variedade de especulações para que assim fosse. É notável que o darwinismo é aceito como uma explicação satisfatória para um assunto tão vasto - a evolução - com tão pouco exame rigoroso de quão bem funcionam as suas teses básicas em específicos exemplos esclarecedores de adaptação ou diversidade biológicas”. [James Shapiro, da Universidade de Chicago, in “In the Details... What?”, National Review, 16 de setembro de 1996:62-65]. Curioso que Shapiro fez o mesmo comentário em sua obra acadêmica “Genome System Architecture and Natural Genetic Engineering in Evolution”, Annals of the New York Academy of Sciences 870, 18 de maio de 1999:23-25.

[ix] DEMBSKI, William. No Free Lunch. Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, Inc., 2002, cap. 5, “The emergence of Irreducibly Complex Systems”, especialmente 5.10.

[x] A teoria de informação de Claude Shannon podia medir a capacidade de transporte de informação de uma dada seqüência de símbolos, mas não o conteúdo da informação.

[xi] O criacionismo científico está comprometido com as seguintes proposições:

CC1: Houve uma súbita criação do universo, da energia e da vida ex-nihilo.

CC2: As mutações e a seleção natural são insuficientes para realizar o desenvolvimento de todos os tipos de vida a partir de um único organismo.

CC3: Mudanças dos tipos de animais e plantas originalmente criados ocorrem somente dentro de limites fixados.

CC4: Há uma linhagem ancestral separada para humanos e primatas.

CC5: A geologia pode ser explicada pelo catastrofismo, principalmente pela ocorrência de um dilúvio mundial.

CC6: A Terra e os tipos de vida são relativamente recentes (na ordem de milhares ou dezenas de milhares de anos).

O design inteligente, por outro lado, está comprometido com as seguintes proposições:

DI1: A complexidade especificada e a complexidade irredutível são indicadores ou marcas seguras de design.

DI2: Os sistemas biológicos exibem complexidade especificada e empregam subsistemas de complexidade irredutível.

DI3: Os mecanismos naturalistas ou causas não-dirigidas não são suficientes para explicar a origem da complexidade especificada ou da complexidade irredutível.

DI4: Por isso, o design inteligente é a melhor explicação para a origem da complexidade especificada e da complexidade irredutível em sistemas biológicos.

[xii] Traduzido para o português do Brasil por Laura Teixeira Motta como O relojoeiro cego: A teoria da evolução contra o desígnio divino. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. Acertadamente traduziu ‘design intencional’, p. 18, no sentido epistêmico de design como efeito empiricamente detectável. Vide nota 1.

A TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE – Parte 1

Baseado nas obras dos teóricos do Design Inteligente: William A. Dembski e Michael J. Behe.

Introdução:

O debate sobre as origens e evolução do universo e da vida tem sido uma dialética muito controversa, principalmente depois que Darwin publicou o livro Origem das Espécies em 1859. Desde então, a fonte da controvérsia tem sido o design. Seria a aparência de design nos organismos (conforme exibido na sua complexidade funcional) o resultado de forças puramente naturais agindo sem previsão ou teleologia? Ou significaria previsão e teleologia genuínas? Aquele design seria empiricamente detectável e acessível à pesquisa científica? Quatro posições importantes emergiram devido a essas questões: o darwinismo, a auto-organização, a evolução teísta e o design inteligente.

As perguntas que teimam não se calar

Por que o darwinismo, apesar de tão inadequadamente apoiado[i] como teoria científica continua a acumular o apoio total do establishment acadêmico? O que continua a manter o darwinismo em circulação apesar de suas muitas falhas evidentes? Por que as alternativas que introduzem o design são excluídas do debate científico? Por que a ciência deve explicar somente recorrendo a processos naturais não guiados? Quem determina as regras da ciência? Há um código de “cientificamente correto” que, em vez de ajudar a nos levar à verdade, ativamente nos impede de perguntar certas questões e de chegar à verdade? O que é correto - a evolução naturalista ou design inteligente?

Os objetos, mesmo que nada sobre como surgiram seja conhecido, podem exibir características - design intencional - que sinalizem seguramente a ação de uma causa inteligente? Atualmente, esta é uma das perguntas proibida de ser feita em ciência, especialmente em biologia. Os exemplos mais precisos dessa atitude são de dois importantes cientistas evolucionistas:

“Os biólogos devem constantemente ter em mente que o que eles vêem não tem design intencional, mas evoluiu”. (ênfase inexistente).
- Francis Crick, What Mad Pursuit (1988)

“A biologia é o estudo de coisas complexas que dão a impressão de ter um design intencional”. (ênfase inexistente).
- Richard Dawkins, O relojoeiro cego (2001)

Contudo, como a pergunta mais importante para qualquer sociedade fazer é justamente aquela que é proibida, muitos biólogos e outros cientistas dispuseram-se a responder: o design é real ou aparente?


O que é a Teoria do Design Inteligente?[ii]

O surgimento de uma moderna teoria científica do Design Inteligente (TDI)[iii] e de uma comunidade de pesquisadores academicamente qualificados promovendo essa teoria (Movimento do Design Inteligente - MDI)[iv] há mais de dez anos nos Estados Unidos,[v] colocou novamente a questão das origens do universo e da vida em destaque na mídia e na academia.

O Design Inteligente (DI) é uma ciência, uma filosofia e um movimento para a reforma educacional. Como ciência, é um argumento contra a afirmação darwinista ortodoxa de que forças inconscientes como variação, herança genética, seleção natural e o tempo sejam capazes de explicar as principais características (complexidade e diversidade) do mundo biológico. Como filosofia, é uma crítica da filosofia da ciência dominante que limita a explicação apenas a causas puramente físicas ou materiais. Como programa de reforma educacional, é um movimento público para fazer do darwinismo - suas evidências, pressuposições filosóficas e táticas retóricas - objeto de uma discussão pública bem informada, ampla, civilizada, e vívida.

A TDI é uma teoria científica moderna que tenta responder essa pergunta científica proibida: Os objetos, mesmo que nada seja conhecido sobre como que eles surgiram, exibem características que sinalizam com segurança a ação de uma causa inteligente? Para ver o que epistemicamente está em jogo, consideremos a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. A evidência de design na estátua, criada sob encomenda da Arquidiocese do Rio de Janeiro pelo artista plástico francês Paul Landowski, é direta — testemunhas oculares viram os arquitetos, engenheiros e demais operários levantarem essa estrutura em cimento armado. Mas, e se não houvesse evidência direta de design para a estátua do Cristo Redentor? Se os humanos não existissem mais e se extraterrestres ao visitarem a Terra descobrissem a estátua do Cristo Redentor do jeito em que se encontra atualmente? Qual seria a conclusão deles diante da estátua? Acaso e necessidade? Ou design inteligente?

Nesse caso, o que sobre este objeto forneceria evidência circunstancial convincente de que foi devido à ação de uma inteligência e não do vento e da erosão ou do acúmulo lento e gradual de materiais de construção? Objetos com design intencional como o Cristo Redentor exibem aspectos característicos que apontam para uma inteligência. Tais aspectos ou padrões se constituem em sinais de inteligência. Os proponentes do DI, conhecidos como teóricos do design, tencionam estudar tais sinais formal, rigorosa e cientificamente.

A afirmação fundamental do DI é direta e muito inteligível, isto é: existem sistemas naturais que não podem ser adequadamente explicados em termos de forças naturais não-dirigidas e que exibem características que em quaisquer outras circunstâncias nós atribuiríamos à inteligência. Portanto, o DI pode ser definido como a ciência que estuda os sinais de inteligência.

Um método de detectar design

Porque um sinal não é a coisa significada, o DI não presume identificar nem focalizar os propósitos de um designer (a coisa significada), mas nos artefatos que resultam dos propósitos de um designer (o sinal). O que um designer tenciona ou propõe-se a fazer é uma questão interessante, e alguém pode até ser capaz de inferir algo sobre os propósitos de um designer a partir dos objetos com design intencional que um designer produz. No entanto, as intenções de um designer e até mesmo a sua natureza (se, por exemplo, o designer é um agente pessoal consciente ou um processo télico impessoal) está fora do objetivo do DI. Como programa de pesquisa científica, o DI investiga os efeitos da inteligência e não a inteligência em si. Na verdade, um dos aspectos mais vigorosos da TDI é que ela distingue o design do propósito do design.

O que torna o DI controverso, é porque ele se propõe a encontrar sinais de inteligência na natureza e, especificamente, em sistemas biológicos. De acordo com o biólogo evolucionista Francisco Ayala, o maior feito de Darwin foi demonstrar como que a complexidade organizada dos organismos podia ser obtida à parte de uma inteligência que utilize design. Portanto, o DI desafia diretamente o darwinismo e outras abordagens naturalistas quanto à origem e a evolução da vida.

A idéia de que uma inteligência intrínseca ou teleologia é inata e expressa através da natureza tem uma longa e turbulenta história intelectual e é crida por muitas tradições religiosas. Todavia, a principal dificuldade dessa idéia desde o tempo de Darwin, tem sido o de descobrir uma formulação conceitualmente poderosa de design que possa avançar a ciência de modo fértil. O que tem mantido o design fora do circuito científico desde a ascensão do darwinismo tem sido essa falta de métodos precisos para distinguir os objetos que foram inteligentemente causados dos que não foram.

Para que o design seja um conceito científico fértil, os cientistas têm de ter certeza de que eles podem determinar com confiança se algo tem design intencional. Johannes Kepler, por exemplo, pensou que as crateras na Lua tinham sido feitas inteligentemente pelos habitantes da Lua. Hoje nós sabemos que as crateras foram formadas por fatores puramente materiais (como colisão de meteoros). Este medo de atribuir design falsamente a alguma coisa, só para mais tarde vê-lo ser desacreditado, tem impedido o design de entrar no circuito científico. Mas os teóricos do DI argumentam que agora formularam métodos precisos e rigorosos para diferençar objetos com design intencional dos sem design intencional. Esses métodos, eles afirmam, os capacitam evitar o erro de Kepler e localizar o design com segurança em sistemas biológicos.

Como uma teoria de origem biológica e de desenvolvimento, a afirmação central do DI é que somente causas inteligentes explicam adequadamente as estruturas biológicas de informação complexa e que essas causas são empiricamente detectáveis. Afirmar que causas inteligentes são empiricamente detectáveis é afirmar a existência de métodos bem-definidos que, baseados nos aspectos observáveis do mundo, podem distinguir com segurança causas inteligentes de causas naturais não dirigidas.

Muitas ciências especiais já desenvolveram tais métodos para fazer essa distinção - notadamente a ciência de investigação criminal, a criptografia, a arqueologia, a inteligência artificial (cf. o teste de Turing) e a busca por inteligência extraterrestre (SETI - Search for Extraterrestrial Intelligence). A capacidade de eliminar acaso e necessidade é essencial para todos esses métodos científicos. Sempre que esses métodos detectam a causação inteligente, a entidade subjacente que descobrem é a informação. David Baltimore, biólogo molecular americano (prêmio Nobel em 1975) afirmou: “A biologia moderna é uma ciência de informação”. A TDI apropriadamente formulada é uma teoria de informação. Dentro dessa teoria, a informação se torna um indicador confiável de causação inteligente bem como um objeto apropriado para investigação científica.

O astrônomo Carl Sagan escreveu um livro sobre a busca por inteligência extraterrestre chamado Contato, que mais tarde virou filme. A trama e os extraterrestres eram fictícios, mas Sagan baseou os métodos de detecção de design dos astrônomos do SETI exatamente na prática científica. Na vida real, até agora os pesquisadores do SETI[vi] não tiveram êxito em detectar convincentemente sinais de design intencional do espaço sideral, mas se encontrarem tal sinal, como os astrônomos no filme fizeram, eles também vão inferir design intencional.

Por que os radioastrônomos no filme Contato chegaram a uma inferência de design dos sinais de rádio que eles monitoraram do espaço? Os pesquisadores do SETI escutam milhões de sinais de rádio coletados do espaço sideral através de computadores programados para reconhecerem padrões preestabelecidos. Esses padrões servem como peneira. Os sinais que não se encaixam em nenhum dos padrões passam pela peneira e são classificados como aleatórios.

Ano após anos recebendo sinais aleatórios aparentemente sem significado, os pesquisadores do filme Contato descobriram um padrão de batimentos (1) e pausas (0) que correspondiam à seqüência de todos os números primos entre 2 e 101.[vii] (Os números primos são divisíveis somente por si mesmos e por um). Aquilo surpreendeu e chamou a atenção dos radioastrônomos, e eles imediatamente inferiram uma causa inteligente. Quando uma seqüência começa com duas batidas (11) e depois uma pausa (0), três batidas (111) e depois uma pausa (0), e continua por todos os números primos até o número com cento e uma batidas, os pesquisadores precisam e devem inferir a presença de uma inteligência extraterrestre.

Eis aqui a razão dessa inferência: não há nada nas leis da Física que exija que os sinais de rádio tomem uma forma ou outra. A seqüência de números primos é, portanto, contingente em vez de necessária. Além disso, a seqüência de números primos é longa e portanto complexa. Se a seqüência fosse extremamente pequena e por isso não teria complexidade, facilmente poderia ter acontecido por acaso. Finalmente, a seqüência não era meramente complexa mas também exibia um padrão ou especificação independentemente dada (não era apenas uma velha seqüência de números qualquer, mas uma seqüência matematicamente significante - os números primos).

A inteligência deixa atrás de si uma marca registrada ou assinatura - que dentro da comunidade do DI é agora chamada de complexidade especificada. Um evento exibe complexidade especificada se for contingente e, portanto, não necessário; se for complexo e por isso não prontamente repetido pelo acaso; e se for especificado no sentido de exibir um padrão dado independentemente. Um evento meramente improvável não é suficiente para eliminar o acaso - ao jogar uma moeda muitas vezes para o ar, alguém testemunhará um evento altamente complexo ou improvável. Mesmo assim, não terá nenhuma razão em atribuí-lo a qualquer coisa a não ser ao acaso.

A coisa importante a respeito das especificações é que elas sejam dadas objetivamente e não sejam impostas arbitrariamente nos eventos após o fato. Por exemplo, se um arqueiro lançar flechas em direção a uma parede e depois pintar o alvo na mosca ao redor delas, o arqueiro impôs um padrão após o fato. Por outro lado, se os alvos foram colocados antes (“especificados”), e depois o arqueiro os acerta com exatidão, legitimamente chega-se à conclusão de que assim ocorreu por design intencional.

A combinação de complexidade e especificação apontou convincentemente aos radioastrônomos no filme Contato para uma inteligência extraterrestre. A evidência era puramente circunstancial - os radioastrônomos nada sabiam sobre os alienígenas responsáveis pelo sinal ou como o transmitiram. Os teóricos do DI afirmam que a complexidade especificada fornece evidência circunstancial convincente de inteligência. Conseqüentemente, a complexidade especificada é um marcador empírico de inteligência confiável, do mesmo modo que as impressões digitais são marcadores empíricos confiáveis da presença de um indivíduo. Além disso, os teóricos do DI argumentam que fatores puramente materiais não podem explicar adequadamente a complexidade especificada.

[i] A insuficiência epistêmica de alguns aspectos do darwinismo é considerada até por cientistas evolucionistas.

[ii] “Na literatura do DI, algumas referências a ‘design’ não são relativas a design como causa (detectável ou não), mas ao design como efeito empiricamente detectável. É importante que estes dois sentidos de design sejam cuidadosamente distinguidos. O sentido epistêmico de design (efeito detectável) é muito mais restringido do que o sentido ontológico (causa). Algum design genuíno pode não deixar rastro detectável. Um assassino inteligente pode forjar uma morte acidental ou natural, e assim tornar indetectável um design maligno. Como conceito empírico-epistêmico o design deve ser restringido àqueles casos onde o acaso e a lei [natural] podem ser excluídos com segurança. Todavia, o design pode estar operando incógnito mesmo quando o acaso e a lei [natural] não podem ser excluídos como explicações. Uma sugestão é que o design, como efeito empírico, pode ser identificado com a manifestação de um certo tipo de informação, a informação complexa especificada (ICE), que é a idéia por trás do filtro explanatório proposto por William Dembski [in The Design Inference (Cambridge: Cambridge University Press, 1998)]” . MENUGE, Angus. Agents Under Fire: Materialism and the Rationality of Science, Lanham, MD: Rowman & Littlefield Publishers, Inc., 2004, p. 17. [Minha ênfase].
[iii] A TDI satisfaz os quatro critérios do modelo dedutivo-nomológico de explicação científica dos fenômenos: A) A explicação que oferece pode ser feita em forma de um argumento dedutivo; B) Contém pelo menos uma lei geral (lei da pequena probabilidade), e esta lei é exigida para a derivação da coisa a ser explicada (neste caso, a natureza da causa do evento em questão); C)Tem conteúdo empírico porque depende tanto da observação do evento e de fatos empíricos relevantes para determinar a probabilidade objetiva de sua ocorrência; D) As frases constituindo a explicação são verdadeiras (até onde sabemos), porque em princípio elas levam em consideração todos os fatores relevantes disponíveis antes do evento que se está tentando explicar. GORDON, Bruce L., “Is Intelligent Design Science? - The Scientific Status and Future of Design-Theoretic Explanations”, in Signs of Intelligence, p. 209.

[iv] Atualmente são mais de 450 acadêmicos (com Ph. D.), alguns professores em universidades como Stanford, Princeton, Yale, Universidade de Idaho, Universidade do Texas, Universidade da Califórnia (Berkeley), Universidade de San Francisco, Universidade da Georgia (Henry F. Schaeffer, cinco vezes indicado para o prêmio Nobel, o terceiro químico mais citado no mundo), Universidade de Notre Dame, entre outras renomadas instituições de ensino.

[v] Este Autor considera o livro The Mystery of Life’s Origin (Nova York: Philosophical Library, Inc., 1984) de Charles Thaxton, Walter Bradley e Roger Olsen como a obra seminal do MDI. Ao receber em 1984 uma cópia autografada por um dos autores, Charles Thaxton, nem imaginava a revolução científica que este livro provocaria anos mais tarde e que estaria envolvido na promoção da TDI no Brasil. Vide Doubts About Darwin, de Thomas Woodward, Grand Rapids, MI: Baker Books, 2003, sobre a história do DI.

[vi] Os leigos também podem participar do projeto SETI usando seus computadores na busca de sinais de inteligência extraterrestre. Maiores informações: http://www.seti.org.

[vii] O padrão contendo a seqüência de números primos de 2 a 101 apresentado no filme Contato:

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Morreu há um quarto de século e ainda não foi enterrado!

Em 1980 Stephen Jay Gould afirmou que o neodarwinismo estava morto, mas que teimava continuar sendo ortodoxia nos livros-texto de Biologia (“Is a new theory of evolution emerging?”, in Paleobiology 6:119-130). Mais recentemente Lynn Margulis, bióloga, no último encontro sobre a teoria da evolução em 2005 nas ilhas Galápagos também fez a mesma afirmação: o neodarwinismo está morto!
Essas vozes dissonantes precisam ser ouvidas. Não é de hoje que Jeffrey H. Schwartz, professor de antropologia da Universidade de Pittsburgh, se posiciona consistentemente contra o paradigma neodarwinista. Exemplo mais recente é o seu artigo no New Anatomist (30Jan2006) juntamente com o professor de Bioquímica da Universidade de Salerno, Bruno Maresca. A argumentação inicial deles é clara: o neodarwinismo falhou e não se encaixa com as evidências encontradas na natureza.
Na seção intitulada “Molecular and Morphological Contradiction” (p. 39-40), Maresca e Schwartz escrevem:
“Current evolutionary theory assumes various molecular phenomena. For instance, under a constant mutation rate, new phenotypes should emerge gradually, because, as Morgan ([1916]) argued, the chance of a mutation affecting a trait would be increased by an earlier mutation affecting the same trait. Although not demonstrating this experimentally, Morgan ([1916]) believed that evolution proceeds via the accumulation of small mutations that gradually push phenotypic change in a particular direction.

But the premise that one mutation can increase the likelihood of another following it along similar lines is contradicted by the random nature and statistically insignificant probability of mutation. Morgan's experiments also did not produce new phenotypes; they only manipulated the frequency of extant Drosophila variants. Thus, the early genetic rationale for gradual evolutionary change, which ultimately informed the evolutionary synthesis, was not grounded in fact (Schwartz,[1999a]). In addition, many of Morgan's (Morgan et al.,[1926]) observations record the loss, not acquisition, of phenotypic properties (e.g., the eyeless mutant in Drosophila). Other observations that may appear profound do not represent the introduction of new genetic material, e.g., the bithorax mutant.

Mutation in the Ubx gene may cause duplication of a segment in the Drosophila embryo (Duncan,[1996]), but this does not demonstrate how the original single pair of wings and associated structures emerged.”

Eles prosseguem:

“Since a commonly assumed mechanism underlying morphological change is point mutation (a simple event statistically), the time required to produce change should be predictable because mutational events occur with a known and constant (although low) frequency.

Thus, if new genetic material arising via regularly occurring but rare mutation events accumulates, species transformation should also occur at a constant and predictable rate. Yet the metazoan fossil record shows the opposite: the sudden appearance of fully developed, major morphological novelties (i.e., bony skeletons, jaws and teeth, limbs with zeugopods) in many different kinds of animals, as well as of different kinds of animals (e.g., insects)...”

Schwartz também é professor de História e Filosofia da Ciência na Universidade de Pittsburgh, “fellow” no Centro de Filosofia da Ciência daquela universidade e da eminente World Academy of Arts and Science. Ele também propôs uma nova teoria da evolução na sua obra seminal “Sudden Origins: Fossils, Genes, and the Emergence of Species” (John Wiley & Sons, 2000).

Naquele livro, Schwartz dá atenção às teorias mais antigas que sugerem que o modelo darwinista de evolução, como uma adaptação contínua e gradual ao ambiente, não dá a devida importância às lacunas no registro fóssil supondo que os fósseis intermediários simplesmente ainda não foram achados. Antes, Schwartz argumenta, eles não foram encontrados porque simplesmente não existem, pois a evolução não é necessariamente gradual, mas freqüentemente expressões súbitas e dramáticas de mudança que começaram a nível celular por causa das forças radicais ambientais tais como o calor e o frio extremos em anos anteriores.

Ora, se o neodarwinismo não explica “o longo argumento” transformista de Darwin, o que explica então? William Provine, da Universidade Cornell, foi mais contundente do que Lynn Margulis. Naquele encontro nas ilhas Galápagos, ele disse: “Nós precisamos de outra teoria da evolução”!

Pensar que em 1998 dialoguei e dialogo com vários autores de livros-texto de Biologia e professores de universidades públicas apontando as muitas insuficiências epistêmicas deste paradigma. Os verdadeiramente científicos ouviram as críticas, mas não acolheram as sugestões de revisão dos seus textos, e nem o diálogo objetivo e civil no JC E-Mail. O MEC então, nem deu a devida atenção para a análise crítica da abordagem da evolução nos livros didáticos enviado em 2003 e novamente em 2005, onde apontei essas inúmeras insuficiências, evidências distorcidas e até duas fraudes a favor do FATO da teoria geral da evolução perpetuadas nos melhores livros-texto de Biologia do ensino médio.

Estar do lado de luminares assim como Gould, Margulis, Schwartz, Maresca, e, em certa medida, até de Provine, me deixa muito orgulhoso! E deveras vindicado!!!

Pensar que a ciência é a busca da verdade... Não importa aonde as evidências forem dar. Ciência e mentira não podem andar lado a lado.

Pro bonum scientia – enterrem este paradigma morto!

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

O MEC não adverte: os livros-texto de Biologia do ensino médio fazem mal à educação - Parte 3

Críticas à Abordagem da Evolução em Livros Didáticos de Biologia
3. Os embriões de vertebrados e os desenhos de Haeckel

AMABIS & MARTHO Cap. 27 Teorias da evolução, p. 548-68, especialmente a p. 550 (1997).

Darwin estava ciente dos problemas com o registro fóssil, incluindo a explosão cambriana, desse modo ele se voltou para a embriologia para fornecer a melhor evidência para a sua teoria de que todos os animais são descendentes de um animal comum. Darwin acreditava que a semelhança de embriões de vertebrados nos seus estágios iniciais revela a sua ancestralidade comum, e ele considerou aquelas semelhanças embriológicas “até aqui a mais forte classe de fatos a favor” de sua teoria (“Origem das espécies”, cap. 13; Francis Darwin, ed., “The Life and Letters of Charles Darwin”, Vol. 2, p. 311).

Logo após a publicação do “Origem das Espécies”, o biólogo alemão Ernst Haeckel elaborou alguns desenhos para ilustrar o ponto de Darwin mostrando que os embriões de vertebrados são quase que idênticos nos seus primeiros estágios. Contudo, alguns dos colegas de Haeckel o acusaram de fraude por fazer os embriões parecerem muito mais similares do que realmente são.

Na verdade, os desenhos de Haeckel descrevem enganosamente a evidência em três respeitos: eles selecionam da ampla variedade de embriões de vertebrados somente aqueles que se aproximam mais de se encaixar na teoria de Darwin, eles distorcem aqueles embriões selecionados para fazê-los parecer mais semelhantes do que são realmente e eles omitem completamente os estágios iniciais dos embriões - nos quais as dessemelhanças são evidentes. (A dessemelhança no estágio inicial não apóia a teoria de Darwin, mas deve ser invalidada pela teoria...).

Estas distorções dos fatos encorajaram a Haeckel e Darwin na sua crença de os vertebrados recapitulam a sua história evolutiva (“filogenia”) durante o seu desenvolvimento embrionário (“ontogenia”) - uma crença que Haeckel imortalizou com a frase “a ontogenia recapitula a filogenia”. Hoje os cientistas sabem que esta doutrina é falsa. A fraude de Haeckel, originalmente revelada no tempo de Darwin é periodicamente redescoberta. Em 1997, um grupo de embriologistas comparou os desenhos de Haeckel com fotografias de verdadeiros embriões de vertebrados. Numa entrevista com a publicação especializada Science, o líder do grupo declarou: “Parece que isso está se revelando ser uma das mais famosas fraudes em biologia”.

Em 2000, o eminente biólogo evolucionista de Harvard, Stephen Jay Gould, escreveu que os desenhos de Haeckel dos embriões de vertebrados “exageraram as semelhanças pelas idealizações e omissões. Ele também, em alguns casos - num procedimento que somente pode ser chamado de fraudulento - simplesmente copiou a mesma figura muitas e muitas vezes”.

Apesar disso, os desenhos de Haeckel ou as suas versões redesenhadas têm aparecido nos livros didáticos de Biologia como evidência a favor da evolução por mais de um século. Não há desculpa para isso. “Nós temos, eu penso, o direito”, Gould escreveu em 2000, “de ficarmos assombrados e envergonhados pelo século de reciclagem tola que tem resultado na persistência destes desenhos em um grande número, se não a maioria, dos livros didáticos modernos”.

Alguns autores de livros didáticos têm respondido às críticas substituindo os desenhos de Haeckel por fotografias de verdadeiros embriões de vertebrados. Todavia, mesmo assim, os embriões selecionados geralmente estão nos estágios intermediários dos embriões de galinha e de mamíferos que resultam ser semelhantes entre si. As fotografias de estágios mais no início, ou de outras classes de vertebrados - que não exibem uma semelhança óbvia entre si - são omitidas.

AMABIS & MARTHO (2002) não estão mais reciclando os desenhos fraudulentos de Haeckel, mas ainda estão mostrando aos estudantes somente aquela parte da evidência que resulta encaixar na teoria de Darwin, e omitindo as evidências que a teoria tem dificuldades em explicar. Ao não informarem os alunos que omitiram este ícone da evolução na sua edição revista e atualizada de 2002, AMABIS & MARTHO não podem capacitar os estudantes a terem uma mente crítica e independente sem acesso a essas dificuldades e inconsistências da teoria sintética da evolução [neodarwinismo] e de como “compreender as ciências como construções humanas, entendendo que elas se desenvolvem por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas...” e que “a ciência não tem respostas definitivas para tudo, sendo uma de suas características a possibilidade de ser questionada e de se transformar”.


4. As mariposas de Manchester (Biston betularia) - Melanismo industrial
AMABIS & MARTHO (1997), Cap. 27 Teorias da evolução, p.548-68, especialmente a p. 558.

Para a segunda parte de sua teoria, “modificação”, Darwin apoiou-se principalmente na seleção natural como o mecanismo da evolução. O próprio Darwin não tinha evidência direta da seleção natural, então ele se apoiou nos exemplos de cruzamento doméstico e “um ou dois exemplos imaginários” da natureza (“Origem das Espécies”, capítulo 4, p. 95). Foi somente um século após a publicação de “Origem das Espécies” que o médico britânico Bernard Kettlewell afirmou ter encontrado a “evidência perdida de Darwin” nas mariposas de Manchester (Biston betularia).

Antes do início dos anos 1800s, quase todas as mariposas eram claras. Contudo, durante a Revolução Industrial as populações de mariposas mudaram para uma coloração mais escura. De acordo com a teoria da evolução, a mudança ocorreu porque as mariposas escuras ficavam melhor camufladas nos troncos das árvores escurecidos pela poluição, e assim mais prováveis de sobreviver a aves predadoras. No começo dos anos 1950s, Kettlewell realizou vários experimentos nos quais ele liberou as mariposas cativas claras e escuras nos troncos de árvores claros e escuros, e observou à medida que as aves comiam as mais visíveis, e no dia seguinte calculou as porcentagens das mariposas sobreviventes. Os seus dados pareciam apoiar a teoria de Darwin. As mariposas de Manchester tornaram-se a história clássica da seleção natural em ação, geralmente ilustrada com fotografias de mariposas claras e escuras em troncos de árvores claros e escuros.

Nos anos 1960s a legislação do meio-ambiente na Grã-Bretanha reduziu a poluição, e as mariposas claras retornaram. Contudo, retorno delas em muitas localidades precedeu às mudanças significantes na cor dos troncos das árvores, levantando questões sobre a história clássica. Pelos idos dos anos 1980s, ficou claro que as mariposas (Biston betularia) normalmente não repousam em troncos de árvores. Em diversas décadas de pesquisa de campo, envolvendo dezenas de milhares de mariposas, somente 47 foram encontradas repousando ao ar livre e apenas 6 daquelas foram encontradas em posições expostas nos troncos das árvores. As fotografias dos livros didáticos, descobriu-se, foram ‘montadas’ - em muitos casos espetando-se ou colando-se as mariposas mortas aos troncos das árvores.

Nos anos 1950s, quando os especialistas ainda acreditavam que as mariposas do gênero Biston betularia repousavam naturalmente nos troncos das árvores, os experimentos de Kettlewell pareciam válidos e não havia nada de errado com a ‘montagem’ das fotografias. Mas quando se tornou evidente que a história clássica era falsa, os livros didáticos deveriam ter começado a alertar os alunos para o fato. As fotografias ‘montadas’ deveriam ter sido retiradas ou pelo menos serem apropriadamente rotuladas. Exige-se legalmente dos empreendimentos comercias que rotulem honestamente seus produtos e propagandas, os livros de ciência não deveriam fazer menos do que isso.

A verdade sobre a história das mariposas Biston betularia é conhecida há muitos anos (vide a bibliografia abaixo). Artigos em publicações científicas especializadas e jornais populares têm noticiado a respeito desde 1998, e a história foi até o assunto de um livro popular em 2002. Em outubro de 2002, o jornal The New York Times incluiu as fotografias ‘montadas’ de mariposas Biston betularia numa galeria de exemplos famosos de “fraude científica”.

Simplesmente não cabia mais desculpa para AMABIS & MARTHO continuarem a dar informações erradas para os estudantes sobre a história das mariposas de Manchester, muito menos acompanhando a história com ilustrações falsas e enganadoras (1997, p. 558). AMABIS & MARTHO (2002) não reproduziram mais esta ‘fraude científica’ a favor do ‘fato’ da seleção natural em ação, mas não informam aos alunos a razão por que da omissão desse ícone da evolução. Isso não capacita os alunos a compreender a existência das ‘zonas de incertezas’ existentes na biologia evolutiva, nem o que isso significa para a suficiência epistêmica da teoria da evolução e tampouco como “as ciências como construções humanas... se desenvolvem por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas...”

Conclusão

Como bem disse Stephen Hawking, “... uma boa teoria descreverá uma vasta série de fenômenos com base em uns poucos postulados simples e fará previsões claras que podem ser testadas. Se as previsões concordam com as observações, a teoria sobrevive àquele teste, embora nunca se possa provar que esteja correta. Por outro lado, se as observações discordam das previsões, é preciso descartar ou modificar a teoria. (Pelo menos, é isso que deveria acontecer. Na prática, as pessoas muitas vezes questionam a exatidão das observações, a confiabilidade e o caráter moral de seus realizadores), p. 31, in ”O universo numa casca de noz” [São Paulo: Mandarim, 2001].

Em ciência, é a confiança racional das evidências encontradas na natureza que deve nortear a aceitação ou não de um paradigma e não as preferências ideológicas. Contrariando a Dobzhansky, em biologia nada faz sentido a não ser à luz das evidências. A questão da origem e evolução da vida ainda não foi cientificamente estabelecida, as evidências continuam dizendo um sonoro não a Darwin et al.

As fraudes e as distorções sobre as teorias da origem e evolução da vida são veladas e diariamente omitidas do público leitor não-especializado nas revistas, jornais e televisão, e especialmente dos alunos do ensino médio e superior pelos conteúdos seletivos e distorcidos dos livros didáticos. Por muito menos do que isso um juiz mandaria fraudadores no serviço público e privado para a cadeia, mas quando o assunto é Darwin, o MEC, a Academia e a mídia se calam e tentam intimidar e execrar seus críticos.

O MEC não dispõe de um grupo de analistas para avaliar criticamente os livros didáticos de Ciências do ensino médio. Todavia, algum conteúdo de biologia evolutiva já foi analisado separadamente por BIZZO (1994). O MEC foi alertado por este Autor em 2003 através da análise-relatório “As Teorias da Origem e Evolução da Vida no Ensino Médio do Brasil - Uma análise científica crítica e sugestão de implementações”, e novamente em 2005, sobre o uso distorcido das evidências e a manutenção de duas fraudes amplamente conhecidas pelos biólogos para apoiar o ‘fato’ da evolução nos livros-texto. Até agora nada de substancial foi feito publicamente em relação à improbidade científica da abordagem da evolução nos livros didáticos de Biologia do ensino médio.

Os principais senões de AMABIS & MARTHO (1998 e 2002) são:

• Falha em apresentar exata e imparcialmente os sérios problemas científicos trazidos pelas evidências contra a teoria da evolução darwinista.

• A omissão das discordâncias entre os biólogos evolucionistas sobre as afirmações teóricas e dos pontos de vistas de cientistas que duvidam do darwinismo nas suas bases teóricas fundamentais devido aos últimos avanços em bioquímica, paleontologia, embriologia, genética, teoria da informação e outras áreas científicas.

Esta análise preliminar conclui que, nas duas edições de Fundamentos da Biologia Moderna, AMABIS & MARTHO falharam repetidamente nas exigências preconizadas pelos PCNs na falta de exatidão e análise crítica. A evidência científica da teoria darwinista foi abordada sem crítica e sem identificação de suas fraquezas. Nesse processo, os Autores não levaram em conta a evidência científica publicada e ensinam alguns erros factuais sérios.

Apesar de o livro-texto “Fundamentos da Biologia Moderna”, ter melhor traduzido o espírito dos atuais PCNs, ao manter algumas daquelas evidências distorcidas a favor do fato da teoria da evolução geral e de não abordar as “inúmeras zonas de incerteza... que surgiram nas ciências da evolução biológica” (MORIN, 2000:16), propedeuticamente não atingiu o preconizado pela LDB 9.394/96, pelos atuais PCNs (1999) e nem à proposição da educação para o futuro feita por Morin à UNESCO. AMABIS & MARTHO e os demais autores de livros didáticos de Biologia sabem que “a ciência não tem respostas definitivas para tudo, sendo uma de suas características a possibilidade de ser questionada e de se transformar”, mas não aplicam esse juízo epistêmico em relação a Darwin. Para a Academia, quando o assunto é Darwin, Darwin locuta, causa finita! Darwin disse, assunto encerrado!

AMABIS & MARTHO dizem que certas características encontradas nos objetos bióticos dão uma “falsa impressão de que foram intencionalmente projetadas com um fim específico” (2002:457). Processo cego, aleatório, inconsciente e inconseqüente ao longo de bilhões de anos ou design inteligente? Parafraseando o espírito científico liberal de Darwin: Uma conclusão satisfatória só poderá ser alcançada através do exame e confronto dos fatos e argumentos em prol deste ou daquele ponto de vista, e tal coisa seria impossível de se fazer nesta análise preliminar.

O MEC não adverte: os livros-texto de Biologia do ensino médio fazem mal à educação - Parte 2

Críticas à Abordagem da Evolução em Livros Didáticos de Biologia
1. A origem da vida - Teoria da evolução química (Teoria de Oparin-Haldane e o experimento de Miller-Urey)

AMABIS & MARTHO (1997), Cap. 1 Breve História das Origens, p. 2-15, (2002), Cap. 2 A origem da biosfera, p. 2-15 (2004).

A teoria da evolução de Darwin aplica-se somente às coisas vivas. Darwin nunca propôs uma teoria sobre a origem da vida, mas especulou como que a vida poderia ter começado num “pequeno lago quente” (Francis Darwin, ed., "The Life and Letters of Charles Darwin", Vol. 2, p. 202). A teoria da evolução química geralmente apresentada nos livros didáticos é a de Oparin-Haldane dos anos 1930s do século 20.

AMABIS & MARTHO 1997 e 2002 mencionam os aspectos teóricos da evolução química, mas não mencionam seus autores: Oparin e Haldane. Foi tão-somente no começo da década de 1950 do século 20 que Stanley Miller, então aluno de pós-graduação na Universidade de Chicago, realizou um experimento no laboratório de seu professor Harold Urey, iniciando assim a moderna pesquisa da origem da vida.

Naquela década, os cientistas acreditavam que a atmosfera da Terra primitiva consistia principalmente de vapor d’água, hidrogênio e gases ricos em hidrogênio tais como metano e amônia. Miller colocou estes gases num aparato de vidro e os submeteu a uma descarga elétrica simulando relâmpagos. Uma semana mais tarde, ele verificou que o aparato continha uma mistura de moléculas orgânicas que incluía alguns aminoácidos - os tijolos construtores de proteínas. Depois que ele relatou os seus resultados em 1953, o experimento de Miller foi incorporado mundialmente nos livros didáticos de Biologia para mostrar que os cientistas estavam começando a entender a origem da vida.

Todavia, nos anos 1960s, os geoquímicos chegaram à conclusão de que a atmosfera da Terra primitiva provavelmente continha um pouco de hidrogênio (que, sendo leve demais, teria subido para o espaço exterior), mas em vez disto consistia de gases vulcânicos tais como dióxido de carbono e nitrogênio. Quando o experimento de Miller-Urey é repetido com dióxido de carbono (CO2), nitrogênio (N2) e vapor de água em vez de hidrogênio, metano, amônia e vapor de água, os aminoácidos não são produzidos. Já por volta da década de 1980, a maioria dos geoquímicos tinha concluído que o experimento de Miller-Urey era imensamente irrelevante para a origem da vida.

Apesar de tudo isso, AMABIS & MARTHO (1997 e 2002) continuam apresentando o experimento completo com desenho e fotografia do aparato original de Miller como evidência de que os tijolos construtores podiam ter se formado espontaneamente na Terra primitiva. Apesar de informarem aos estudantes de que a atmosfera da Terra primitiva era provavelmente bem diferente da mistura de gases usados no experimento, não informam que quando o experimento é repetido com uma mistura real ele simplesmente não funciona. Sem destacar os problemas sérios com o experimento de 1953, AMABIS & MARTHO (1997 e 2002) informam aos alunos que misturas de gases mais reais ainda produzem “diverso tipos de moléculas orgânicas” (2002, p. 8), sem informá-los de que aquelas moléculas incluem elementos químicos tóxicos tais como cianureto e formoldeído, mas não inclui aminoácidos.

A verdade é que os cientistas estão cada vez mais longe de entender como que os tijolos construtores da vida se formaram na Terra primitiva, e mais longe ainda de entender como que as células se formaram de tais tijolos construtores. Ao não informarem aos estudantes de que a origem da vida ainda permanece um mistério impenetrável, AMABIS & MARTHO (1997 e 2002) dão aos alunos a falsa impressão de que os cientistas fizeram grandes avanços em compreendê-la. Para o atual conhecimento científico sobre a origem da vida, vide
http://www.issol.org/archive/newsF99.html/#summaries

Apesar de instarem aos alunos a compreensão de polêmicas sobre a origem dos seres vivos, ao darem uma versão errônea do significado do agora já abandonado experimento de Miller-Urey, e induzirem os estudantes ao erro sobre o atual estado da pesquisa da origem da vida, AMABIS & MARTHO (1997 e 2002), não capacitam os estudantes na “sua autonomia intelectual e do pensamento crítico” (LDB 9394/96).

2. A árvore da vida de Darwin e a “explosão cambriana”

AMABIS & MARTHO, (1997) Cap. 28 As grandes linhas da evolução, p. 569-80; (2002) Cap. 25 História evolutiva da vida, p. 472-87

Darwin chamou a sua teoria de “descendência com modificação”. O termo “descendência” refletia a crença de Darwin de que todos os organismos descendem de um ancestral comum que viveu num passado distante. A única ilustração no livro de Darwin, “Origem das Espécies” [Belo Horizonte: Villa Rica, 1994, p. 123] mostra o padrão da “árvore da vida” que alguém esperaria encontrar no registro fóssil se a teoria de Darwin fosse verdadeira. O ancestral comum apareceria primeiro, na base da árvore; as pequenas diferenças entre os indivíduos finalmente se tornariam espécies diferentes, e as principais diferenças que distinguem os grupos modernos de organismos (chamados de “filo”) apareceriam por último. Os principais filos incluem os anelídeos (minhocas e sanguessugas), moluscos (mexilhões e caracóis), artrópodes (lagostas e insetos), equinodermos (estrela do mar e ouriços-do-mar) e cordatos (peixes e mamíferos).

Contudo, no registro fóssil, a maioria dos principais filos aparece plenamente formada no começo do período geológico conhecido como Cambriano, sem evidência fóssil de que eles se diversificaram a partir de um ancestral comum. Darwin estava ciente desta discrepância, admitindo no “Origem das Espécies” que “determinadas espécies do mesmo grupo teriam aparecido subitamente nas rochas fossilíferas mais antigas que se conhecem”. Ele chamou este problema de “sério” que “por ora, o caso ainda deverá permanecer inexplicável, podendo ser usado como argumento de peso contra as idéias que aqui defendemos” (“Origem das Espécies”, Cap. 9, p. 236-37). Esse argumento considerado de peso por Darwin sequer é mencionado por AMABIS & MARTHO (1997 e 2002).

Darwin temia que o registro fóssil pudesse por sua própria natureza ser tão incompleto que uma solução para o problema não seria nunca encontrada; mas ele tinha esperanças de que a futura coleta de fósseis pudesse, pelo menos, fornecer alguma evidência de que os animais compartilhassem um ancestral comum. Todavia, um século e meio depois o problema é mais sério do que nunca. Os paleontólogos pensaram uma vez que os animais pré-cambrianos pudessem ter sido pequenos demais para serem detectados, mas fósseis unicelulares microscópicos muito mais antigos do que o período cambriano têm sido descobertos desde então. Os paleontólogos também costumavam pensar que os animais pré-cambrianos não podiam ter sido fossilizados porque eles eram de corpos moles, mas agora está claro que a maioria dos animais fossilizados na “explosão cambriana” era de corpos moles.

O surgimento geologicamente súbito dos principais filos de animais tornou-se conhecido como “a explosão cambriana”, ou o “Big Bang da vida”, e muitos paleontólogos o consideram como uma das mais surpreendentes características do registro fóssil. Ele tem sido o assunto de artigos recentes em publicações amplamente lidas tais como a revista Scientific American e em 1995 foi até capa da revista Time.

AMABIS & MARTHO (1997 e 2002) lidaram com o registro fóssil como evidência a favor do ‘fato’ da evolução, mas não mencionaram o desafio que a explosão cambriana representa epistemicamente à teoria de Darwin. Assim, eles não capacitam nossos alunos a analisar, revisar e criticar explicações científicas, inclusive as teorias e hipóteses quanto aos seus graus de possibilidade de serem verificadas cientificamente verdadeiras ou não, usando tão-somente evidências e informações científicas.

O MEC não adverte: os livros-texto de Biologia do ensino médio fazem mal à educação - Parte 1

Críticas à Abordagem da Evolução em Livros Didáticos de Biologia
Introdução

Nós vivemos em um mundo influenciado profundamente pelo desenvolvimento científico e pela tecnologia. Por isso, o MEC - Ministério da Educação, na administração do ministro Paulo Renato Souza, por intermédio da SEMTEC - Secretaria de Educação Média e Tecnológica, organizou o projeto de reforma do ensino médio “por dois fatores de natureza muito diversa”: o econômico e o volume de informações (revolução do conhecimento), por entender que a formação do educando deve priorizar “a aquisição de conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade de utilizar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação”. (Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio - PCN, 1999, p. 15).

No nível do ensino Médio, o MEC propôs “a formação geral, em oposição à formação específica”, mas com “o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender, criar, formular, ao invés do simples exercício de memorização”. Esse projeto de reforma curricular do Ensino Médio teve por objetivo “facilitar o desenvolvimento dos conteúdos, numa perspectiva de interdisciplinaridade e contextualização”, pois a interdisciplinaridade estabelece “ligações de complementaridade, convergência, interconexões e passagens entre os conhecimentos” (PCN, 1999, p. 16, 18, 26).

A Lei de Diretrizes Básicas (LDB) 9.394/96 preconiza no Art. 35, I, III que o ensino médio tem entre suas finalidades habilitar o educando a ser capaz de continuar aprendendo, a ter autonomia intelectual e pensamento crítico. Os PCNs do Ensino Médio, nas suas Diretrizes Curriculares Nacionais (Competências e Habilidades das Ciências Naturais) afirmam que o currículo deve permitir ao educando “compreender as ciências como construções humanas, entendendo que elas se desenvolvem por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas...” e que “a ciência não tem respostas definitivas para tudo, sendo uma de suas características a possibilidade de ser questionada e de se transformar”.

Fundamentados nos PCNs, nossos livros didáticos de Biologia do ensino médio abordam a Teoria do Big Bang, a hipótese de Oparin-Haldane e o experimento de Miller-Urey para explicar a origem do universo e da vida. Quanto à explicação da origem e evolução das espécies, a Teoria Sintética Moderna da Evolução (ou neodarwinismo) foi o paradigma acolhido pelo documento do MEC (PCN, p. 116, 219, 222) mesmo com suas já sabidas insuficiências epistêmicas em três níveis fundamentais:

A. Questões de Padrão, diz respeito à grande escala geométrica da história biológica: Como os organismos são inter-relacionados, e como que nós sabemos isso?

B. Questões de Processo, diz respeito aos mecanismos de evolução, e os vários problemas em aberto naquela área, e

C. Questões sobre a questão central: a origem e a natureza da complexidade biológica - a “complexidade biológica” diz respeito à origem daquilo que faz com que os organismos sejam claramente o que são: complexidade especificada da informação biológica.

Exatidão e objetividade são aspectos importantes esperados em um livro de ciência. Há muitos problemas com o livro Fundamentos da Biologia Moderna, de AMABIS & MARTHO (1998 e 2002): ignora totalmente as sérias dificuldades que o darwinismo enfrenta com a evidência e o crescente número de cientistas céticos do poder criativo da seleção natural como mecanismo evolutivo responsável pela diversidade e complexidade dos seres vivos.

A seguinte análise examina o tratamento da evolução darwinista no livro didático Fundamentos da Biologia Moderna, focalizando os quatro tópicos padrões importantes na abordagem da teoria evolucionista e verifica se cada tópico foi devidamente coberto de modo a capacitar os alunos a “compreender as ciências como construções humanas, entendendo que elas se desenvolvem por acumulação, continuidade ou ruptura de paradigmas...” e que “a ciência não tem respostas definitivas para tudo, sendo uma de suas características a possibilidade de ser questionada e de se transformar”.

Uma visão crítica dos especialistas e pesquisadores

Recente publicação do MEC, “Ensino Médio: Construção Política - Sínteses das Salas Temáticas” (2003), na seção sobre o livro didático, destacou que “alguns livros didáticos apresentam reducionismos grosseiros e transposições simplificadas da realidade, o que compromete o aprendizado do aluno” e que “há muitos livros de má qualidade em que o conhecimento é apresentado de forma fragmentada, incluindo muitas vezes conceitos errados ou distorcidos” (p. 42). O artigo “Girafas, mariposas e anacronismos didáticos”, de Isabel Rebelo Roque, publicado na revista Ciência Hoje, vol. 34, no. 200, p. 64-67, de dezembro de 2003, abordou parcialmente esta inusitada situação.

Mais recentemente em 2004, Rosana Tidon e Richard C. Lewontin publicaram o artigo “Teaching evolutionary biology”, (Genetics and Molecular Biology 27, 1, 124-131, 2004) analisando o ensino da teoria da evolução no ensino médio brasileiro. A evolução foi considerada como fator integrador em diversas áreas da Biologia de maneira complexa e interativa, e que isso exige uma profunda compreensão do assunto e do conhecimento em diversas áreas. Segundo os autores, esse “conhecimento é freqüentemente inacessível para a maioria dos profissionais especializados, inclusive dos professores” do ensino médio.

Nesse artigo, Tidon e Lewontin consideraram as interpretações biológicas incorretas da parte dos professores e alunos, o currículo transdisciplinar e a inadequação do conteúdo dos livros didáticos como sendo fatores responsáveis pelo ensino e aprendizagem sofríveis da teoria da evolução. Apesar de apontarem sugestões para melhorar o ensino da evolução, em nenhuma instância o neodarwinismo foi considerado uma teoria epistemicamente insuficiente para explicar a origem e a evolução da vida.

Muito antes, no pequeno artigo “O convite de Darwin” publicado na revista Galileu, seção Idéias, Agosto de 2003, p. 42, ficou demonstrado que a situação era muito mais grave do que tão-somente esses dois anacronismos levantados por Rebelo Roque. Aquele artigo criticou en passant o tratamento dado à teoria da evolução de Darwin em nossos melhores livros didáticos de biologia do ensino médio brasileiro, tendo em vista a habilitação do educando em aprender, ter autonomia intelectual e pensamento crítico e da compreensão do significado da ciência preconizados naqueles documentos legais do MEC.

Destacamos que os livros didáticos repetidamente falham em satisfazer esses requisitos da LDB 9.394/96 e dos atuais PCNs. Como regra geral, os autores cobrem a evidência científica a favor da teoria darwinista sem nenhuma crítica, sem sequer identificar suas fraquezas científicas fundamentais discutidas em atualizada literatura científica por abalizados especialistas evolucionistas. No processo, os livros didáticos também distorcem a evidência científica publicada e ensinam uma série de erros factuais e duas fraudes (Uma centenária - os embriões de Haeckel e outra mais recente - as Mariposas de Manchester).

No tópico “Currículo” do documento “Ensino Médio: Construção Política - Síntese das Salas Temáticas”, p. 38 o MEC destacou que “as disciplinas escolares propostas permanecem sendo as mesmas que tradicionalmente compõem o currículo escolar: sua escolha e seus conteúdos não são problematizados. Com isso, os conteúdos tradicionalmente ensinados são naturalizados, tratados como universais, como se não tivéssemos de discutir a quem interessam esses saberes, quais relações de poder sustentam e quais valores e visões de mundo privilegiam”.

Na seção “Livros didáticos”, Propostas, p. 46, afirma-se que na construção do livro didático os eixos norteadores são “educação, comunicação e conhecimento” e quando se pensa a educação e a comunicação “pensa-se na linguagem como não neutra, com significado, dialógica, que não procura consensos, mas que expressa contradições”. Nossos livros didáticos de Biologia, na abordagem da teoria da evolução, privilegiam a visão do naturalismo filosófico travestido de ciência, são consensuais quando existem sabidas contradições de opiniões de abalizados especialistas na literatura especializada sobre as evidências encontradas na natureza que, em vez de apoiar as teorias da origem e evolução da vida, demonstram sua insustentável suficiência epistêmica.

Já em 2000, Edgar Morin, francês, um dos maiores filósofos contemporâneos, escreveu o livro Os sete saberes necessários à educação do futuro. Mesmo sendo academicamente evolucionista, na sua sugestão à UNESCO para a educação do futuro, Morin assim se expressou:

“As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incerteza. A educação deveria incluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas (microfísica, termodinâmica, cosmologia), nas ciências da evolução biológica e nas ciências históricas”. (MORIN, 2000:16, ênfase inexistente).


São essas inúmeras zonas de incertezas que levaram a muitos cientistas duvidar do processo darwinista não guiado de variação aleatória e seleção natural e considerá-lo insuficiente para explicar a complexidade altamente ordenada encontrada nos sistemas biológicos, nítida evidência de desenvolvimento direcionado ou “design inteligente”.

Nesta análise abordaremos tão-somente quatro aspectos teóricos da evolução no livro-texto “Fundamentos da Biologia Moderna” de José Mariano Amabis (Professor-Doutor do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da USP, Coordenador de Educação do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP) e Gilberto Rodrigues Martho (Licenciado em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da USP), São Paulo: Editora Moderna, 3ª edição revista e atualizada, 2002, impressão de 2004, contrastado com a 2ª edição revista, 1997, impressão de 1998.

Darwin admitiu existirem sérias objeções científicas à sua teoria. Escreveu quatro capítulos sobre elas (quase 30% do seu livro!), salientando que suas inferências poderiam ter interpretações diferentes, visões extremas da evolução:


“Estou bem a par do fato de existirem neste volume pouquíssimas afirmativas acerca das quais não se possam invocar diversos fatos passíveis de levar a conclusões diametralmente opostas àquelas às quais cheguei. Uma conclusão satisfatória só poderá ser alcançada através do exame e confronto dos fatos e argumentos em prol deste ou daquele ponto de vista, e tal coisa seria impossível de se fazer na presente obra”. (1994:36) [Ênfase inexistente].

Metodologia da análise

A análise das duas edições de Fundamentos da Biologia Moderna de AMABIS & MARTHOS foram restringidas na cobertura dos seguintes tópicos:


1. A origem da vida. A experiência de Miller-Urey de 1953 que produziu os tijolos químicos construtores da vida a partir da simulação de uma atmosfera primitiva de metano, amônia, hidrogênio e vapor de água.

2. O Big Bang da vida. A explosão cambriana, na qual os principais grupos de animais surgiram de modo relativamente súbito no registro fóssil em vez de se originarem de um ancestral comum, conforme implica a ‘árvore da vida’ de Darwin.

3. Descendência com modificação - ancestral comum. Fotos ou gravuras de semelhanças em embriões de vertebrados usadas como evidência de ancestralidade comum.

4. A evolução em ação através da seleção natural. Fotos ou gravuras das mariposas de Manchester repousando em troncos de árvores usadas para ilustrar as experiências demonstrando a evolução em ação.
Diante do convite de Darwin para o exame e confronto dos fatos e argumentos, da sugestão de Morin do ensino das zonas de incertezas e da proposta da LDB 9.394/96 para a formação ética e desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico do educando vamos examinar e confrontar a abordagem desses quatro aspectos teóricos da evolução abordados por AMABIS & MARTHO no seu livro-texto Fundamentos da Biologia Moderna.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Darwin deve estar se revirando no seu túmulo na Abadia de Westminster!

Pobre Darwin! As evidências encontradas na natureza não apóiam a sua teoria geral da evolução, mas mesmo assim ela continua sendo aceita a priori e agora, durma-se com um barulho desses, precisa de ajuda de religiosos pontificando ‘ex-cathedra’ que a teoria geral da evolução é um fato científico incontestável! Darwin deve estar se revirando no seu túmulo na Abadia de Westminster!!!

No dia 19/01/2006 o jornal “O Globo” trouxe a seguinte notícia:

“Igreja Católica reafirma apoio a Darwin e diz que design inteligente não é ciência”.RIO - A Igreja Católica reafirmou seu apoio à teoria evolucionista num artigo em que elogia uma decisão judicial americana que considerou a teoria do “design inteligente” não científica. O jornal L'Osservatore Romano, do Vaticano, disse que ensinar o design inteligente - segundo o qual a vida é tão complexa que só pode ter sido criada por uma inteligência superior - junto com a teoria da evolução de Darwin causa confusão.
"O design inteligente não pertence à ciência e não há justificativa para a exigência de que seja ensinado como teoria científica junto com a explicação de Darwin", sustenta o artigo publicado na edição de terça-feira do jornal do Vaticano. Segundo o artigo, a Igreja aceita o evolucionismo.
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Quem ‘reafirmou seu apoio à teoria evolucionista’ não foi a Igreja Católica, e sim alguns cientistas católicos que tiveram sua opinião publicada no jornal L’Osservatore Romano. B16 (é assim que chamo carinhosamente a Bento 16) ainda não publicou a posição oficial da ICR sobre a Teoria do Design Inteligente (TDI) e a Evolução.
Um ponto no qual os leitores foram e continuam sendo enganados pela Grande Mídia, é afirmação espúria de que a TDI afirma ser “a vida... tão complexa que só pode ter sido criada por uma inteligência superior”. Isso é uma deslavada mentira que precisa ser denunciada, e vindo de religiosos, a coisa fica muito mais complicada. Eles sabem quem é o Pai da mentira...
Como a mentira tem perna curta, uma leitura rápida, mas objetiva estabelecerá que em nenhuma instância da literatura do DI seus teóricos afirmam ser “a vida é tão complexa que só pode ter sido criada por uma inteligência superior”, ou um poder superior, um criador, um alienígena, ou deus, ou seja o que os mal-intencionados queiram colocar no fim dessa caricatura de mau gosto sobre a TDI.

A TDI não é um argumento baseado na ignorância, mas é um argumento a partir daquilo que nós sabemos: certos eventos na natureza e no universo são melhor explicados por causas inteligentes.

Darwin merecia melhor apoio. Não de religiosos, mas das evidências encontradas na natureza. Elas continuam dizendo não ao ‘naturalista inglês’!

Ossos que fascinam, mas que ainda provocam grande desentendimento!

Interessante o artigo “Ossos que fascinam” de Marcelo Marthe na revista VEJA 1940, de 25.01.06, p. 102-104. As fotos dos dinossauros estão esplêndidas. Muito interessante trazer a história de como Stephen Jay Gould “um dos principais teóricos da biologia” ficou tão fascinado com a exposição no Museu de História Natural de Nova York e “teve o primeiro lampejo de sua vocação”. Muito mais interessante foi a identificação dos religiosos como os únicos oponentes às idéias de Darwin. Nada mais falso e jornalisticamente inaceitável.

Quando o assunto é Darwin, as editorias de ciência e os jornalistas científicos da Grande Mídia nacional e internacional parecem dispor de apenas uma macro Control + Alt + Dissensão a Darwin= criacionistas [religiosos, fundamentalistas, etc.].

Marthe foi muito feliz e infeliz ao mesmo tempo. Muito feliz porque a maioria dos leigos desconhece a obra de Gould. Muito infeliz porque Gould, “um dos principais teóricos da biologia do século XX”, propôs a teoria do equilíbrio pontuado que, apesar de salvar Darwin do vexame – ausência dos elos intermediários no registro fóssil, ‘bombardeava’ a sua hipótese gradualista. Sem os elos intermediários, Darwin disse que a sua teoria ruiria por terra.

Marthe sabia disso, os leitores não especializados não, mas Gould é um exemplo de cientista, não religioso, se ‘opondo’ às idéias fundamentais do naturalista Darwin. Eu desejo sinceramente que Marthe não atraia sobre si a ira dos ultradarwinistas ao chamar Darwin, ‘o maior cientista de todos os tempos’, de mero ‘naturalista inglês’.

Nada mais oportuno seria VEJA abordar num especial objetivo as muitas insuficiências epistêmicas das atuais teorias da origem e evolução da vida. Ou sobre a dissensão a Darwin que está ocorrendo em escala mundial entre cientistas que são céticos da seleção natural e as mutações serem responsáveis pela evolução da complexidade e diversidade das coisas bióticas.

Sábado, Janeiro 21, 2006

O contra-ataque da Nomenklatura científica

Após a publicação do nosso artigo “Uma reação típica da Nomenklatura científica” replicando o artigo “Contra a liberdade indiscriminada de expressão” de Claudio Weber Abramo, na casa de máquinas do “SS Darwinic” foi enviado urgentemente o sinal: “Estamos afundando e precisamos de socorro!” E o socorro veio prestamente com o artigo “A cruzada dos criacionistas contra Darwin e o evolucionismo” do Prof. Dr. Orlando Tambosi, então Professor de Filosofia e Ética do Curso de Jornalismo da UFSC.
O artigo do professor Orlando Tambosi, foi historicamente atualizado por conveniência ideológica. Nosso primeiro artigo “Desnudando Darwin: Ciência ou Ideologia? ou A relação incestuosa da mídia brasileira com a Nomenklatura científica” , salientou que a Academia não debate as dificuldades neodarwinistas e a mídia brasileira as omite dos leitores. O artigo “Uma reação típica da Nomenklatura científica” já refutava Tambosi.
Considerar o lado religioso não contribuiria para o debate. O diálogo não é entre surdos: Criacionistas x Darwinistas. A questão aqui é: como se faz jornalismo científico. A evolução é questionada por “evolucionistas agnósticos”. O artigo de Tambosi não causou surpresa. É a norma da Nomenklatura científica: “Na falta de argumentos científicos, refutem ad-hominem...!”
O Observatório da Imprensa publicou a nossa réplica a Tambosi: “O contra-ataque da Nomenklatura científica”, mas o website do Curso de Jornalismo da UFSC se negou a publicá-lo apesar de nossa solicitação. O nome disso em jornalismo é deixar de ‘ouvir o outro lado’, mas atende também pelo nome de CENSURA!

Uma reação típica da Nomenklatura científica

Quando o assunto é o questionamento da teoria geral da evolução de Darwin, mesmo que esse questionamento seja científico, a primeira coisa que os ultradarwinistas tentam fazer é desqualificar os oponentes e identificá-los imediatamente como sendo criacionistas. Não contentes com isso, tentam cercear a livre circulação desse questionamento. Exemplo maior disso é o artigo ‘camisa-de-força’ de Abramo - Contra a liberdade indiscriminada de expressão publicado no Observatório da Imprensa.
Desde a sua primeira intervenção, Abramo não respondeu a contento aos problemas levantados, tentou desqualificar este Autor do debate científico e se fez de vítima do obscurantismo epistemológico. A teoria da evolução não é, como afirmou Abramo, uma “...explicação...[entre as disponíveis] a mais simples”. Ela é uma das teorias científicas mais complicada e complexa (uma leitura mais aplicada do assunto leva a esta conclusão...) e “que nenhuma outra racionalmente aceitável se apresenta para tomar o seu lugar”. Há sim uma outra: design inteligente, mas Abramo, juntamente com a Nomenklatura científica (apesar de haver literatura científica de peso há mais de 20 anos propondo “design” como hipótese válida) já pontificou que ela não é racionalmente aceitável... Leia-se A caixa preta de Darwin, de Michael J. Behe, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.
A liberdade de expressão é uma das maiores conquistas das sociedades democráticas. Juntamente com outros companheiros, lutei por ela na universidade durante os chamados ‘anos de chumbo’. Como a liberdade de expressão é uma das maiores conquistas de cidadania, não podia ficar calado diante da intimidação de ‘guarda-cancelas epistemológicos’. Vide Uma reação típica da Nomenklatura científica.

Crítica nebulosa ou devastadora ao darwinismo?

As considerações expostas no artigo Desnudando Darwin: ciência ou ideologia ou A relação incestuosa da mídia brasileira com a Nomenklatura científica publicado no Observatório, sobre as muitas dificuldades teórico-empíricas de neodarwinismo e da cumplicidade escancarada da Grande Mídia nacional com a Nomenklatura, não foram devidamente rebatidas por Cláudio Weber Abramo no seu artigo Crítica nebulosa ao darwinismo, como era de se esperar de um crítico com mestrado em Lógica e Filosofia da Ciência.
Uma das táticas de todos os ultradarwinistas fundamentalistas, Abramo é um deles, é sempre intimidar seus oponentes, mesmo os científicos, com ataques ad hominem, polarizar a questão como sendo ciência vs. religião, desqualificá-los do debate e não lidar cientificamente com a questão fundamental: as insuficiências epistêmicas da teoria geral da evolução.
Réplica à altura e imediata ao texto de Abramo veio com o artigo Crítica nebulosa ou devastadora ao darwinismo?

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Quando o assunto é Darwin, a grande mídia (GM) está com o ‘rabo preso’!

Foi uma década escrevendo em vão para os editores de ciência e diretores de redação das maiores revistas brasileiras semanais como Veja e Época e as de divulgação científica popular como Galileu e Superinteressante, e jornais expressivos como a Folha de São Paulo, criticando-os pela falta de isenção na cobertura sobre o darwinismo, especialmente as insuficiências epistêmicas de sua teoria geral da evolução, que resolvi me queixar para o ‘bispo’ da GM – o Observatório da Imprensa http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

Após a leitura do livro A caixa preta de Darwin de Michael Behe, (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997), http://www.zahar.com.br/, percebi – quando o assunto é Darwin, a GM está com o ‘rabo preso’, não com o leitor e nem com o jornalismo objetivo, imparcial, liberal e pluripartidário, mas com a visão ‘ex cathedra’ da Nomenklatura científica que não admite questionamentos. Mesmo os questionamentos científicos!

(Confira clicando aqui)

Desafiando a Nomenklatura científica

Desafiando a Nomenklatura científica

Por que o termo "Nomenklatura"?

“Nomenklatura é um termo emprestado de Milovan Djilas (1911-1995), líder comunista dissidente e escritor, nascido em Polja, Montenegro. Suas críticas ao Partido Comunista, em 1954, levaram à sua expulsão e prisão entre 1956 e 1966. O que Djilas contestou foram dogmas ideológicos de uma classe dominante. É nesse sentido que empregamos o termo”.
In “O contra-ataque da nomenklatura científica”

(Observatório da Imprensa)

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