É design inteligente, idiota!

terça-feira, dezembro 11, 2007

É design inteligente, idiota!

Eu sei que o título deste blog baseado numa frase do ex-presidente americano Bill Clinton, foi muito apelativo. Não peço desculpas. Mas agora que tenho a sua atenção, leia e entenda do que se trata com a leitura abaixo do artigo de Marcelo Gleiser.

Uma verdadeira aula de contorcionismo epistemológico e de materialismo filosófico mascarado de naturalismo metodológico.

JC E-Mail 3407, de 10 de dezembro de 2007

49. A mão da criação, artigo de Marcelo Gleiser

Nos animais e plantas todos os aminoácidos são canhotos

Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo". Artigo publicado na “Folha de SP”:

Eu sei que o título dessa coluna é meio apelativo. Peço desculpas. Mas agora que tenho sua atenção, explico do que se trata. A vida, feito as suas mãos, pode ser destra ou canhota. Quer dizer, não a vida em si, mas as moléculas que compõem os seres vivos.

Que existem preferências já sabemos, mesmo ao nível macroscópico. Por exemplo, cerca de 15% da população é canhota; a maioria dos moluscos que tem uma concha espiralada tem, também um sentido prioritário de rotação (algo que vale a pena confirmar).

O mistério dessa chamada "quiralidade" é que, no laboratório, quando os aminoácidos e os açúcares que compõem as proteínas e DNA dos seres vivos são sintetizados artificialmente, moléculas com orientação destra e canhota aparecem na mesma proporção, 50% de cada.

Nos animais e plantas todos os aminoácidos são canhotos e todos os açúcares são destros. Por que essa assimetria fundamental? Será que ela é determinante para a vida? Será que, se seres vivos forem achados em outros planetas deste e de outros sistemas estelares, terão a mesma assimetria?

Quando cientistas se deparam com esse tipo de desequilíbrio no mundo natural, procuram logo por uma explicação lógica. Dizer que isso é uma coincidência, mesmo que uma possibilidade viável, não é muito interessante.

Além do mais, só podemos afirmar que algo é uma coincidência após eliminarmos todas as outras possibilidades, o que não é nada fácil. Melhor é imaginar que existe algum mecanismo, alguma força que seleciona a orientação espacial das moléculas.

A hipótese mais conhecida usa uma assimetria da física de partículas, ligada ao decaimento radioativo: das quatro forças fundamentais da natureza, a gravitacional, a eletromagnética e as forças nucleares forte e fraca, apenas a última exibe uma assimetria entre as orientações espaciais. Portanto, nada mais natural do que tentar usar essa assimetria como explicação.

Se estiver correta, o efeito seria o mesmo por todo o Universo. O problema é que a força fraca atua a distâncias subnucleares, isto é, dentro do núcleo atômico. É difícil imaginar que ela possa ter algum papel em escalas moleculares, que são muito maiores.

Fora isso, o efeito é muito muito pequeno, e pode ser corrompido por outros maiores. Esse colunista provou recentemente que essa explicação é inviável. Temos que procurar por um outro caminho, então.

Outra idéia é que luz ultravioleta e outros tipos de radiação podem influenciar a orientação espacial das moléculas. De fato, esse efeito foi demonstrado no laboratório com vários tipos de radiação. Mas como usar essa idéia na vida primitiva, ou mesmo antes da vida, em eras "pré-bióticas"?

Se a nuvem rica em hidrogênio que gerou o sistema solar há pouco menos de cinco bilhões de anos tiver passado por uma região no espaço rica nesses tipos de radiação, o efeito pode ser ativado. Especula-se que, talvez, a nuvem tenha passado perto de uma estrela de nêutrons, que pôde irradiá-la, ou numa região onde estrelas nascem, também rica em radiação.

O problema, aqui, é encontrar essas estrelas e identificar a radiação correta; fora isso, ela tem que sobreviver durante muito tempo para ser efetiva, algo que não é fácil. De qualquer forma, foram encontrados vestígios de aminoácidos com orientação como a dos da Terra em meteoritos provenientes dos confins do Sistema Solar.

Será que fomos todos irradiados e a orientação molecular da vida na Terra veio do espaço? Ainda não sabemos. Eu tenho minha própria teoria, mas hoje não sobrou espaço para explicá-la. Fica para a próxima!
(Folha de SP, 9/12)

Uma múmia que ainda vai assustar a Nomenklatura científica

JC E-Mail 3407, de 10 de dezembro de 2007

52. Múmia permitirá estudo de dino em movimento

“Ter a pele completa, além dos ossos, é importante, porque com isso conseguimos saber qual o volume máximo de músculos do animal”, explicou Manning

Carlos Orsi escreve para “O Estado de SP”:

O paleontólogo britânico Phil Manning, principal pesquisador envolvido no estudo de Dakota, o fóssil de dinossauro de 67 milhões de anos encontrado nos EUA com vestígios de tecidos moles - incluindo o invólucro de pele completo, além de tendões e ligamentos - diz que a descoberta permitirá determinar como o animal se movia, sua força e velocidade.

“Ter a pele completa, além dos ossos, é importante, porque com isso conseguimos saber qual o volume máximo de músculos do animal”, explicou Manning, em entrevista por telefone ao Estadao.com.br. “Com isso, é possível estimar sua velocidade. É por isso que estamos tão entusiasmados. Os modelos de movimento que faremos serão muito mais precisos.”

Dakota, cuja descoberta foi anunciada publicamente na última segunda-feira (4/12), foi saudado como uma das mais completas “múmias de dinossauro” já encontradas. “Múmia”, no caso, é o apelido dado aos fósseis que apresentam sinais de tecidos moles, além de ossos e dentes.

Manning afirma que o animal, um hadrossauro - herbívoro cujo nome significa “lagarto com bico de pato” -, renderá vários anos de estudo, a começar pela explicação do equilíbrio químico que manteve os tecidos moles livres de decomposição, até serem fossilizados.

No momento, os cientistas analisam os dados gerados por uma tomografia computadorizada do fóssil. A equipe já concluiu que Dakota tinha um traseiro 25% maior que o esperado para hadrossauros - o que poderá mudar a imagem comum desses animais, que com o músculo extra seriam corredores muito mais velozes do que se imaginava, capazes de deixar o Tiranossauro rex para trás.
(O Estado de SP, 8/12)

Aprender ciência desse jeito? Assim não dá! Assim não dá!

JC E-Mail 3407, de 10 de dezembro de 2007

6. Só 30% têm mais de 4 horas de aula de ciência, leitura e matemática

Nos países que formam a elite da educação mundial, maioria dos alunos cumpre carga horária semanal superior

Renata Cafardo e Simone Iwasso escrevem para “O Estado de SP”:

A maioria dos estudantes dos países que fazem parte da elite da educação mundial tem mais de quatro horas semanais de aulas de ciência, leitura e matemática. No Brasil, a quantidade de alunos com carga horária semelhante não passa dos 30%. Cruzamento feito pelo Estado a partir das notas e do perfil das escolas na avaliação internacional Pisa mostra que o Brasil fica atrás em vários indicadores que influenciam na aprendizagem.

A lista foi elaborada com base nos rankings de leitura, matemática e ciência de 2006, divulgados na semana passada, e inclui Finlândia, Hong Kong, Coréia, Canadá, Taiwan, Bélgica, Nova Zelândia, Austrália, Holanda e Suíça. Os brasileiros obtiveram cerca de 150 pontos a menos que os estudantes dessas nações. O Pisa foi realizado por 400 mil alunos de 15 anos em 57 países. Ao mesmo tempo, diretores responderam questionários sobre as escolas.

“Há muito que o Brasil precisa enxergar a partir da experiência dos países bem-sucedidos na educação, que alcançaram há muito tempo nível de formação alto e não têm as desigualdades que temos aqui. Muitas das crianças que estão agora na escola são a primeira geração escolarizada de suas famílias”, afirma Maria Auxiliadora Seabra Rezende, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretária de Educação do Tocantins. “Nesses lugares, dificilmente você vai encontrar crianças que só ficam de três a quatro horas na escola, como é o normal no país”, diz ela.

Pela legislação brasileira, o ensino fundamental e médio deve ter mínimo de 800 horas anuais, cumpridas em pelo menos 200 dias úteis. Cada dia letivo precisa ser composto por pelo menos quatro horas. Não há carga horária mínima estabelecida para cada disciplina, o que fica a cargo das redes de ensino.

Mesmo assim, muitos gestores não respeitam as normas legais, diz a secretária de Educação de Natal e vice-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Ensino (Undime), Justina Iva. Pelos dados do Pisa, só 11,3% dos alunos brasileiros têm mais de quatro horas semanais de ciência, por exemplo. “Mesmo com o calendário definido, as escolas às vezes emendam feriados, fazem passeios e dizem que cumpriram a carga horária.”

A baixa carga horária é muitas vezes conseqüência da superlotação das escolas, que faz com que haja até quatro períodos de aulas para turmas diferentes em um só dia. E, ao mesmo tempo, se discute no país o incentivo ao ensino em período integral. “É importante ter as disciplinas específicas e outras como teatro, música, dança”, diz a educadora da Unicamp Maria Márcia Sigrist. “Há uma mentalidade que precisa mudar e que inclui a elite.

Pessoas com alto poder aquisitivo não colocam seus filhos em estudo integral porque acham que seria uma punição. Preferem que eles fiquem em casa assistindo TV”, diz Ilona Becskeházy, diretora executiva da Fundação Lemann.
(O Estado de SP, 9/12)

A privatização do ensino superior é negócio da China: não dá mais pra esperar, Brasil!

Este é um assunto que merece ser debatido com a sociedade, mas as universidades públicas brasileiras devem sim ser privatizadas.

JC E-Mail 3407, de 10 de dezembro de 2007

11. Wan-hua Ma: Estudante deve pagar por ensino superior público

Para pesquisadora, tarifa na Universidade viabiliza expansão e faz aluno estudar mais

Fábio Takahashi escreve para a “Folha de SP”:

A cobrança pelo ensino superior começou na China em 1997. No Brasil, a cobrança é vetada pela Constituição, que determina "gratuidade do ensino público". Boa parte da Academia defende este modelo, pois entende que é dever do poder público oferecer educação.

A cobrança de taxas faz parte das reformas que o governo chinês começou a implementar nos anos 90 para aumentar o número de estudantes no ensino superior. O país conseguiu elevar o percentual de jovens no ensino superior de 3,4% em 1991 para 26,4% quinze anos depois. No Brasil, o percentual está em 17,5%, segundo dados da Unesco (braço das Nações Unidas para a educação).

Outra mudança foi a expansão de cursos superiores de caráter mais profissionalizante, com duração entre 2 e 3 anos, que já representam quase a metade das matrículas. No Brasil, eles são menos de 1%.

A China busca melhorar também em qualidade, o que já aparece em rankings internacionais. No ranking do jornal britânico "The Times" há três universidades chinesas entre as 100 melhores do mundo. A de Pequim é a de maior destaque entre elas (36ª). A melhor brasileira é a USP (175ª).

Ma veio ao Brasil para participar de um seminário promovido pela Assembléia Legislativa de São Paulo, em parceria com professores da USP, com o objetivo de discutir políticas adotadas em outros países, para servirem de base para a proposição de possíveis novas leis. A pesquisadora concedeu a entrevista à Folha, em inglês, na semana passada.

- Como a sra. analisa a atual situação do ensino superior chinês?
Após um forte crescimento nos últimos anos, o ensino superior tornou-se papel-chave no desenvolvimento da China, na produção de tecnologia e de capital humano. Para isso, alteramos o sistema, diversificando-o, pois não havia recursos para incluir todos os alunos em universidades de pesquisa. Estas são muito caras, precisam de laboratórios caros, por exemplo. Há também uma questão do mercado de trabalho. Não seria possível absorver todos esses alunos formados em ambiente extremamente acadêmico. O mercado de trabalho requer pessoas com diversos níveis de conhecimento. Para resolver um problema no computador, por exemplo, você não precisa de alguém com doutorado. Um técnico, formado em até três anos, estará muito bem capacitado. Também se economiza tempo e dinheiro dos estudantes [um curso de engenharia na China dura seis anos]. Para os países ricos, não faz tanta diferença você ter um doutor cuidando de problemas técnicos de um computador. Mas nós, países em desenvolvimento, não podemos seguir nessa direção, porque exige muito dinheiro. Claro que você pode ser um doutor, mas é preciso ter outras opções.

- Como a expansão do ensino superior foi financiada?
Em 1999, o governo estabeleceu que todas as universidades deveriam aumentar as vagas em 30%. Houve aumento de recursos do governo, mas insuficiente. Nosso investimento em educação é de apenas 2,7% do PIB [no Brasil, é de 4,7%]. Há uma forte pressão para que o governo aumente os recursos para o ensino superior.

- O que a sra. acha da cobrança de taxas aos estudantes?
Uma boa qualidade de ensino público beneficia o estudante. Claro que também é bom para a sociedade ter cidadãos bem formados, mas há benefícios privados para os alunos também. Eles conseguem bons empregos. Se você considerar esse benefício privado ao cidadão, ele então tem a responsabilidade de pagar pelo ensino. Na China, em geral, o estudante de universidade pública paga 20% dos custos do seu curso.

- Foi difícil implementar esse sistema?
Foi, mas fomos testando aos poucos, primeiro em um grupo pequeno de estudantes, por dois, três anos, no começo dos anos 90. Os resultados foram positivos. Os alunos passaram a estudar mais, porque viram o sacrifício que suas famílias fizeram para pagar. E os pais também ficaram contentes, porque os filhos passaram a estudar duro. Então, percebeu-se que o modelo funcionaria. Agora, todas as instituições cobram taxas. O custo ao aluno nas universidades públicas é o mesmo, 5.000 renminbi [moeda chinesa] ao ano [equivalente a R$ 1.200], que são pagos uma vez, em setembro. Parece pouco, mas os nossos salários são baixos, comparados com o de vocês do Brasil. O sistema causou um problema, porque há famílias que não podem pagar. Então foram criados programas de empréstimo, de bolsa-trabalho, entre outros. Mas o sistema ainda não é perfeito.

- O ensino superior chinês prioriza alguma área?
Estamos tentando construir universidades de classe mundial [de ponta], basicamente nas áreas científicas, como engenharia e ciência da computação. São áreas que têm grande impacto econômico.

- Em quais pontos o Brasil pode seguir o modelo chinês?
Não conheço tanto a situação brasileira. Mas, em geral, o conhecimento de outras línguas é importante, para se poder aproveitar a comunidade internacional [a China é o país que mais envia estudantes aos EUA]. Entender a língua de um outro país é um modo interessante de a pessoa entender como essa cultura funciona. Se você não sabe isso, não saberá como negociar com esse país.

- Professores e pesquisadores na China têm total liberdade?
Não vejo controle do governo. As pessoas sempre falam que não temos liberdade. Não sei o porquê disso.

Docente fez pós em escola americana

A professora Wan-hua Ma, 51, é, ela própria, exemplo da internacionalização que os estudantes universitários chineses estão buscando.

Após concluir a graduação em literatura e língua inglesa na Universidade Jilin (China), os seus próximos passos acadêmicos foram nos EUA.

Foi lá que ela completou o mestrado e o doutorado, na Universidade Cornell, na área de educação. Em seu doutorado, ela pesquisou especificamente políticas de ensino superior.

Atualmente, ela é professora da Escola de Educação da Universidade de Pequim (China), onde pesquisa políticas internacionais de educação superior. Também coordena a cátedra da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) de pesquisa em ensino superior.

Em 2003, foi professora visitante na Universidade de Berkeley (EUA). Ma é casada com um docente da Universidade de Pequim e tem um filho, de 21 anos.
(Folha de SP, 10/12)

Que tal o ensino de ciência através das evidências???

sábado, dezembro 08, 2007

Interessante este artigo de Ana Maria de Abreu no jornal Valor Econômico publicado com acesso aberto no JC E-Mail Edição 3406 Sexta-Feira, 07 de Dezembro de 2007:

6. Fórmulas para o ensino de ciência dar certo no país

Aluno brasileiro é péssimo nessa área, mostra pesquisa, mas iniciativas que o põem em contato com o uso prático das disciplinas científicas podem reverter a situação

Ana Maria de Abreu Laurenza escreve para o “Valor Econômico”:

Os estudantes brasileiros fizeram péssima figura na área de ciências em avaliação coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Um grupo de alunos brasileiros de 7ª e a 8ª séries da escola fundamental e do ciclo médio foi selecionado em 630 escolas públicas e particulares para o exame e ficou em 52º lugar entre 57 países. Fora a margem de erro, na qual o Brasil ocuparia o 49º lugar ou 54º, é mais uma prova de que o ensino de ciências é precário.

A má notícia foi divulgada na terça-feira pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação (MEC), coordenador nacional do exame internacional de avaliação.

Mas dias melhores podem vir. Depois de 50 anos do primeiro concurso Cientista do Amanhã, de 1957, é possível que astronomia, biologia, física, química e matemática deixem de aterrorizar a maioria dos alunos. Melhor, passem a se revelar nos canteiros de plantas da escola, no mofo da merenda estragada, nos relâmpagos das chuvas de verão, nas proporcionalidades matemáticas da construção escolar.

É tudo ciência, é tudo verdade? Não. Trata-se de respeitar e estimular nas crianças a curiosidade, matéria-prima de todo cientista. E fazê-las trabalhar com o meio ambiente que as cerca. Observar, perceber as transformações, descobrir o que transforma, de que maneira, tentar explicar o mesmo fenômeno de outras formas. E argumentar desde pequeno, sem considerar o interlocutor um inimigo.

"Distinguir o fato da interpretação", ensina a professora Miriam Krasilchik, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "Pulverizar experimentos. É um aprendizado importante da cidadania. Para aprender a decidir baseado em fatos, respeitando diferenças e melhorando a qualidade da própria comunidade", diz.

Faz tempo que o Brasil persegue um modelo eficaz para ensinar ciências, na tentativa de reduzir a incorporação de modelos prontos, adquirindo desenvoltura tecnológica própria.

Isaac Roitman, diretor de Políticas e Programas Temáticos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e presidente da Comissão Nacional de Avaliação da Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lembra-se do "Manifesto dos Pioneiros da Educação" de 1932, quando o diagnóstico da nossa organização escolar foi severo: tudo desarticulado e fragmentado.

Nos anos 1950, chegou-se ao diagnóstico similar do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da Inovação lançado pelo governo federal no dia 20, que pretende destinar 1,5% do PIB para a inovação. Faltavam incentivos para a pesquisa, necessitava-se formar professores-pesquisadores que aplicassem nas salas de aula os princípios de independência intelectual que o trabalho regular da investigação dá.

Os órgãos de fomento CNPq e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep, do MCT); Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes, do MEC) e mais tarde as Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais (FAPs) foram criados na década de 1950.

A substituição de importações acelerou a indústria, a urbanização mudou a cara do Brasil rural e nos anos 1960 surgia a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento de Ensino de Ciências, com recursos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), sob direção do médico-cientista Isaias Raw. A fundação produzia equipamentos médico-eletrônicos para financiar o ensino.

"Essa iniciativa dos anos 1970 introduziu laboratórios portáteis de física, química e biologia e a coleção 'Cientistas'", recorda Roitman. Sob coordenação pedagógica da professora Miriam Krasilchik, a Editora Abril lançou 50 biografias acompanhadas por kit de laboratório. Newton transformou-se em um fenômeno de vendas - 200 mil exemplares.

União de forças

O bolor encontrado em setembro de 1928 pelo escocês Alexander Fleming em seu laboratório no St. Mary Hospital em Londres não teria se transformado em penicilina sem a expertise do próprio Fleming e dos cientistas Howard Floney e Ernst Chain, além da estrutura da Universidade de Oxford em 1940. Junção de forças que valeu o Nobel de Medicina de 1945 para os três e nos salvou das infecções bacterianas até os anos 1970.

Política pública de ensino depende de personagens e ações, públicos e privados. E o segredo é a articulação dos fatores, em um processo dinâmico de longo prazo, no qual não faltam acidentes de percurso, descontinuidades que geralmente entram em cena para satisfazer ambições eleitorais, boicotes por ferir privilégios ou indolência por não compensar à altura.

Na história das políticas públicas do ensino de ciências nos Estados Unidos, depois do lançamento do Sputnik pela União Soviética, em 1957, o Estado americano, e não os governos, ao lado de instituições, programou diferentes ações públicas para responder à pergunta: por que os EUA não lançaram o primeiro satélite no espaço?

Para o médico brasileiro Miguel Nicolelis, co-diretor do Instituto de Neurociência da Universidade de Duke, Carolina do Norte, e do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lily Safra, nosso Sputnik é a formação de recursos humanos para pôr em andamento o ciclo virtuoso da ciência: conhecimento-inovação-comércio-retorno econômico.

No instituto de Natal funciona a Escola Alfredo Monteverde, que ensina ciências de forma experimental para as crianças no período em que não estão na escola pública. "São 800 alunos, 600 em Natal e 200 em Macaíba [cidade a 20 quilômetros da capital, IDH 0,66]. Descobrimos que há talentos em Macaíba, o que faltava era revelá-los."

Nicolelis acredita que é necessário envolver a família no aprendizado, dispor de bons laboratórios, da informática. O cientista propôs ao MEC replicar o projeto para um milhão de alunos em dois anos a R$ 140,00/mês por aluno.

Já para Roitman, nosso Sputnik é a leitura real da realidade social, "que tem graves defeitos de juízo de valor, morais e éticos, é repleta de violência e não conta com um sistema para detectar talentos na escola básica e lhes dar um futuro diferenciado".

No ensino de ciências da pré-escola ao ensino médio, o MEC dá as diretrizes e parte dos recursos (em 2007 gastou mais de R$ 1,8 milhão para apoiar 69 eventos) e o MCT dá o apoio, por meio de bolsas de iniciação científica, feiras de ciência, museus e produtos de divulgação científica.

Os dois ministérios discutem o Programa de Incentivo e Valorização da Formação Científica na Educação Básica, que aborda incentivos para a formação do professor-pesquisador, diversidade curricular e de métodos de ensino e ampliação da Capes para o ensino básico, a chamada Capes do B.

Até agora, não há indicadores de que as bolsas de iniciação científica (42 mil neste ano) alteram a qualidade do ensino das ciências na escola fundamental, primeiro ciclo da básica. Recentemente, aprovou-se a extensão da bolsa júnior (6 mil bolsistas do ensino médio recebem R$ 100,00/mês; R$ 120,00 em 2008) para estudantes da 5ª à 8ª série, em fase de regulamentação. Segundo Roitman, trata-se de "um programa com enorme capilaridade social e interiorização pelo Brasil".

Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, diretora da Secretaria do Ensino Básico do MEC, acredita que o novo plano visa à prática e à reflexão. "Ele incentiva os professores e desperta o aluno para o estudo científico sistemático, no qual perceba quanto é insuficiente o senso comum para apreender o cotidiano", observa.

Projeto piloto

No Brasil, estão matriculados 55.942.047 alunos na escola básica pública, 33.282.663 na fundamental (Censo Escolar/2006). Os projetos pilotos de ensino de ciências conseguem atingir dezenas de milhares apenas. Exemplo de projeto piloto é o ABC da Iniciação Científica - Mão na Massa, com aval da Academia Brasileira de Ciências, que transforma conceitos científicos em experiências concretas e estimula o aluno a se expressar.

"Hands On" na sua versão americana, ele foi criado pelo Nobel de Física Leon Lederman. Nos anos 1990, ele achava que aprender ciências daria uma chance às crianças miseráveis que viviam em torno da Universidade de Chicago. Já a periferia de Paris motivou outro Nobel, George Charpak, a lançar a versão francesa - "La Main à la Pâte" - em 1996.

Em 2001, Ernst Wolfgang Hamburger, professor do Instituto de Física da USP e ex- diretor da Estação Ciência, próxima ao Mercado da Lapa, em São Paulo, coordenou a instalação no Brasil. Aos 72 anos e no Brasil desde 1938, Hamburger estuda a física dos organismos complexos, o que lhe dá fôlego para confrontar pessoas e condições que gravitam no universo do ensino das ciências.

"As ações são inúmeras, mas não chegam satisfatoriamente à sala de aula. Mas é inédito a Academia de Ciências na escola fundamental." Mão na Massa se espalha em 12 pólos pelo país.

Ivo Leite Filho, químico e doutor em Educação pela USP, ex-orientando do professor Hamburger, propõe o método "curiosismo-exploratório". "O aluno observa, registra, compara e associa os fenômenos da natureza, dos químicos. Anota em um diário de bordo." Quanto ao professor, orienta os trabalhos experimentais e mantém um acervo modesto, como relógio, cronômetro, fita métrica, filme revelado de raio X etc.

Esse método, semelhante ao Mão na Massa, propõe as experiências, o registro e dá um passo além. "O aluno escolhe um projeto para pesquisar e é orientado pelo professor. Na seqüência, a escola organiza seminários que mesclam diferentes projetos e séries." Uma proposta que familiariza o aluno mirim com a pesquisa acadêmica.

Leite Filho, coordenador nacional do SBPC Jovem, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, até 2006, consultor do MEC/Unesco até início deste ano, constata gargalos na política educacional de ciências: "MEC e MCT não estabelecem critérios claros de competência e a formação do professor não valoriza a pesquisa. Professores e alunos se desdobram nos eventos de ciência. Mas não se usa nem se divulga esse conhecimento de forma articulada. Se faz muita coisa, se pergunta pouco e se compartilha menos."

A maioria dos professores do primeiro ciclo da escola fundamental pública não tem profissionalização em ciências, o que os torna inseguros na sala de aula e pouco à vontade para participar de projetos experimentais como o Mão na Massa.

A falta de laboratórios e bibliotecas na maioria das escolas agrava a situação. Daí a ênfase dos educadores em criar incentivos que despertem professor e aluno para as ciências. Ou das instituições, como a exposição "O(s) Cinético(s)", em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, até 10 de fevereiro.

Um dia com o Mão na Massa

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) deu o ar da graça na manhã do dia 22 na Escola Municipal Franklin Augusto de Moura Campos, no Tucuruvi, em São Paulo, a menos de 50 metros do fétido Córrego da Paciência.

As 3ªs séries B, C, D, 90 meninos e meninas na faixa dos 9 anos, fizeram chover e observaram na experiência da filtragem a água fluir de modo diferente na argila, na areia e na terra boa para plantar.

Literalmente com a mão na massa, eles ajudaram as professoras Yara, Sonia e Almery, 37 anos na escola pública, com os preparativos.

Anderson pegou o gelo, as meninas pegaram a água quente (o Sol). No pote de plástico, meio envergado pelo calor (o que dá chance para a professora Almery alertar para a ação da temperatura), o filme de PVC tampava e suportava o gelo. Estava soprada a frente fria. Mais alguns minutos, gotas de "chuva" - o vapor d'água que bate no frio. Ao vivo, os três estados e o ciclo da água na natureza. Amanda, de 9 anos, descreveu a experiência.

Desde 2006, a coordenadora pedagógica da escola, Rosa Helena de Brito, participa do projeto que a Secretaria Municipal de Educação mantém com a Estação Ciência da USP, o ABC na Educação Científica - Mão na Massa, ao custo de R$ 400 mil por ano para a secretaria, envolvendo hoje 10 das 13 coordenadorias de ensino de São Paulo.

Na Franklin, a equipe dá duas aulas de ciências por semana. São três temas: ar, solo e água. Mais do que desenvolver o respeito pelo meio ambiente, a idéia é despertar e manter a curiosidade científica. Responder os porquês, observar, testar, descrever o fenômeno que a própria criança provoca. Enfrentar a ortografia, o estilo e a retórica para registrar o processo vivenciado.

O tema "solo" começou no jardim da Franklin, limpo e gramado aos sábados pela professora Almery e sua mãe, Lourdes, de 85 anos. Rosa foi aprender o método da Estação Ciência com a equipe do professor Ernst Wolfgang Hamburger. Em grupo, as coordenadoras municipais simulam atividades relacionadas ao conceito de ciências e aos objetivos da aprendizagem. Cada grupo tem um orientador. Rosa transmitiu o modelo para sua equipe, auxiliada pela supervisão da Estação.

A reforma do jardim foi o primeiro campo experimental dos alunos. Lá eles criaram minhoca e tatu-bola. Notaram que suas escapadelas terra adentro abrem caminhos para o ar, para a água. Que seu cocô e a água fornecem os sais minerais para as raízes manterem saudáveis o pau-ferro e o pau-brasil.

Recolheram amostras de terras diferentes, pesquisaram sua composição, classificaram. Observaram a erosão dos canteiros malcuidados. Na sala de aula, ajudaram a construir um terrário de acrílico para fazer chover com mais elegância. Orgulho da 3ª B. Um orgulho que só será superado pelo livreto sobre aquecimento global que cada aluno está escrevendo e ilustrando. Orgulho das professoras Yara, Sonia e Almery.
(Valor Econômico, 7/12)

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PERGUNTAS IMPERTINENTES DESTE BLOGGER:

Que tal redirecionar as verbas do ensino superior das universidades públicas para a rede pública do ensino médio e fundamental, e privatizar as universidades publicas???

Que tal o MEC/SEMTEC/PNLEM priorizar o ensino de ciência através das evidências??? Vide “Educação Baseada em Ciência” de Gary Thomas e Richard Pring, Porto Alegre, ARTMED, 2007. Nem mais, nem menos!

Dê uma "espiada" no livro The Design of Life

sexta-feira, dezembro 07, 2007



Dê uma espiada no PDF do livro The Design of Life de William Dembski e Jonathan Wells aqui.

Um blog sobre ciência e idéias

Eu adicionei o blog Ciência e Idéias à minha lista de blogs preferidos porque são inteligentes. Vale a pena visitar e "ouvir o outro lado" sobre esta questão controversa Design versus Darwin.

OCEANO: vida escondida

quinta-feira, dezembro 06, 2007

A exposição fotográfica OCEANO: vida escondida apresenta imagens inéditas de corais, águas-vivas e outros organismos marinhos de rara beleza estética. Venha apreciar estes seres dificilmente vistos fora do meio científico.



A exposição Oceano: vida escondida está na Base do Tamar-ICMBio de Ubatuba,SP a partir de 01 de dezembro de 2007 a 13 de janeiro de 2008. O Tamar fica na Rua Antonio Athanásio, 273, próximo ao Shopping Porto Itaguá e estará aberta à visitação diariamente das 10 às 20 horas.

Baixe fotos fantásticas aqui.

A influência subjetiva da evolução para a vida humana

Não sei como não tomei conhecimento há mais tempo deste importante evento “Implicações da evolução para a vida humana”, do Programa de Pós-graduação em História das Ciêncicias e da Saúde que se realiza hoje no Auditório do Museu da Vida – Casa de Oswaldo Cruz – Fiocruz, na Av. Brasil 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro, RJ.



Quinta, 6/12/2007
9:00 – Abertura

10:00 – Paulo Abrantes (Filosofia, UnB) – Darwinismo e o caráter anômalo da evolução humana

11:15 – Maurício Vieira (Sociologia, UFF)

13:45 - Yuri Leite (Biologia, UFES) – Doenças, sexo e a Rainha Vermelha

14:45 - Renan S. Freitas (Sociologia, UFMG) – Darwin, Popper e os pragmatistas

16:00 – Hilton da Silva (Antropologia, UFRJ) – Saúde, doença e processos microadaptativos em populações neotropicais brasileiras

Sexta, 7/12/2007
9:00 – Gustavo Caponi (Filosofia, UFSC) – A compreensão do vivente: para além da distinção entre as ciências do espírito e as ciências naturais

10:00 – Cláudia Russo (Biologia, UFRJ)

11:15 – Angela Oliva (Psicologia, UERJ) – Origens evolutivas do comportamento social

13:45 – Suzana Herculano-Houzal (Biologia, UFRJ) – Darwin tinha razão: o número de células no cérebro mostra que somos apenas grandes primatas

14:45 – Nélio Bizzo (Educação, USP) – Darwin e o homem: visões darwinistas na literatura brasileira do século XX

16:00 – Ricardo Waizbort (Biologia, Fiocruz) – Darwinismo ativo: o lugar do indivíduo na evolução biológica

Informações: darwinativo@yahoo.com.br ou pelo telefone (21)2590-3489.

PERGUNTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER:

Por que eventos assim como este e o mais recente realizado na USP não utilizam e-mails das instituições de ensino???

Eugenia, a biologia como farsa

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Já mencionei neste blog que as idéias têm conseqüências, mesmo as idéias científicas. Apesar de a Nomenklatura científica querer tirar Darwin da reta como um dos responsáveis (ele mostra seu racismo no livro pouco comentado The Descent of Man) pelo racismo, o darwinismo serviu sim de base científica para práticas racistas com o aval do estado.

Leia o brilhante artigo de Pietra Diwan, mestre em história pela PUC-SP e autora do livro Raça pura: uma história da eugenia no Brasil e no mundo (Contexto, 2007) publicada na revista História Viva edição 49 - Novembro 2007

No século XIX o racismo ganhou status científico por meio de uma doutrina que inspirou governos e intelectuais de todo o mundo. Leia mais aqui.

Pietra Diwan
Historiadora, mestre em História pela PUC/SP e especialista em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela Universidade de Granada (Espanha). Foi editora-assistente da revista História Viva e atualmente desenvolve pesquisa sobre as concepções de beleza e saúde na eugenia norte-americana e sua influência no Brasil. É autora do livro Raça Pura.

Nós não vimos nada disso na exposição-louvaminhice "Darwin" no MASP, e nem veremos nas comemorações de beija-mão e beija-pé de Darwin em 2009. Haja objetividade histórica...


Brasil: Viva a bandidocracia!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Com a absolvição do ilibado senador Renan Calheiros, o dia 4 de dezembro de 2007 passa para a história do Brasil como o dia em que o Senado brasileiro instituiu a bandidocracia!



Hoje eu senti imenso orgulho de ser brasileiro, pois agora o dístico de nossa bandeira vai ser “CORRUPÇÃO É PROGRESSO”!

Hoje nós somos todos bandidocratas! Viva a bandidocracia!!!

Dicionário de Biografias Científicas

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Dicionário de Biografias Científicas
Cesar Benjamin (editor)
2.696 páginas ISBN: 978-85-85910-92-1 3 volumes R$ 360.00

Concebido e editado originalmente pelo American Council of Learned Societies, que congrega 45 associações culturais e científicas dos Estados Unidos, o Dictionary of Scientific Biography (DSB) se tornou fonte permanente de consulta para professores, estudantes, jornalistas e outros profissionais. De Aristóteles a Galileu, de Francis Bacon a Descartes, de Pasteur a Einstein, de Santo Tomás de Aquino a Freud, de Leonardo da Vinci a Darwin, de Euler a Von Newmann, os nomes mais relevantes da história do conhecimento científico e da filosofia da ciência são focalizados.

O caráter multidisciplinar da obra (que inclui ciências humanas e naturais), o alto nível dos textos (assinados pelos maiores especialistas mundiais de cada assunto, em um total de centenas de colaboradores de diversas nacionalidades) e a combinação de informações factuais e discussão ampla sobre a contribuição de cada biografado — tudo isso faz desse Dicionário uma obra sem igual.

Após um extenso e cuidadoso trabalho de preparação, que durou quatro anos, apresentaremos a edição brasileira do Dicionário, com 329 ensaios distribuídos em três volumes de grande formato, com 8.250 laudas de texto e milhares de gráficos, figuras e equações, além de preciosas indicações bibliográficas. A edição brasileira contou com um editor geral, César Benjamin, e quinze tradutores selecionados. Cinco revisores técnicos contribuíram permanentemente: o matemático Elon Lages Lima, do Instituto de Matemática Pura e Aplicada; o físico Nelson Studart, do Departamento de Física da Universidade de São Carlos; o químico Armando Celso Fabriani, do Instituto Militar de Engenharia; e o historiador da ciência Roberto de Andrade Martins, do Instituto de Filosofia da Universidade de Campinas.

Como Alfred Russel Wallace foi “engabelado” na primazia da teoria da evolução pela seleção natural

Outro dia eu mencionei neste blog que Alfred Russel Wallace tinha sido “engabelado” pela camarilha de Down na primazia da teoria da evolução pela seleção natural. Pistas de como Darwin, Lyell e Hooker se articularam “sinistramente” podem ser lidas nas entrelinhas do verbete abaixo:

Alfred Russel Wallace
(Reino Unido, 1823-1913)

No início de 1837, Wallace foi a Londres para viver temporariamente com o irmão John. Enquanto lá esteve, assistiu a palestras no Salão de Ciência e se familiarizou com as idéias socialistas de Robert Owen, bem como com as idéias dos céticos religiosos (seu agnosticismo começou nesse momento e, numa época posterior, o impediu de considerar com seriedade as concepções ortodoxas, primordialmente com conotações religiosas, sobre a formação de novas espécies). No verão seguinte, foi aprendiz de seu irmão William, um topógrafo, com quem trabalhou a maior parte do tempo até meados de dezembro de 1843. [...]

Em 1845, a morte de seu irmão William forçou Wallace a voltar durante um breve período ao trabalho de levantamento topográfico e construção, mas ele continuou a ler, coletar e se corresponder com Bates. Em 1847, sugeriu insolentemente a Bates que transferissem seus esforços de coleta ao continente proibido da América do Sul e ganhassem seus próprios sustentos com a coleta de objetos de história natural. “A Voyage up the River Amazon” [Uma viagem pelo Rio Amazonas] de W. H. Edwards, publicado em 1847, os estimulou a fazer uma jornada à bacia amazônica, que Wallace explorou de 1848 a 1852.

Embora tenha conquistado uma reputação científica por seu excelente trabalho no Amazonas, Wallace perdeu a maior parte de seu material e quase a própria vida quando seu navio pegou fogo e afundou no Atlântico durante a viagem de volta. Depois de seu resgate e chegada à Inglaterra, Wallace decidiu embarcar em outra longa expedição, dessa vez para o Arquipélago Malaio (atualmente Indonésia e Malásia). Durante aquele período de extensa exploração (1854-1862), Wallace formulou o princípio da seleção natural e fez muitas outras descobertas fundamentais em biologia, geologia, geografia, etnografia e outras ciências naturais. [...]

O estímulo imediato para Darwin, contudo, foi um artigo escrito por Wallace intitulado “On the Tendency of Varieties to Depart Indefinitely From the Original Type” [Sobre a Tendência de as Variedades Divergirem Indefinidamente do Tipo Original]. Depois de publicar seu artigo sobre evolução em 1855, Wallace tinha continuado a busca por um mecanismo evolutivo. Muito doente com a malária enquanto esteve na grande ilha de Gilolo [na Indonésia], a cerca de 16 quilômetros de Ternate, ele formulou o princípio da seleção natural, o agora famoso mecanismo de evolução; ao retornar a Ternate, enviou em 9 de março de 1858 um artigo (e uma carta de apresentação) a Darwin expondo sua descoberta há tanto perseguida. As evidências atuais sugerem que a “bomba” chegou à Mansão Down [residência de Darwin] no terceiro (ou quarto) dia de junho de 1858.

Determinados de que seu amigo Darwin deveria receber o reconhecimento de prioridade, Lyell e Hooker decidiram que o artigo de Wallace deveria ser apresentado perante a Sociedade Lineana de Londres juntamente com um excerto de um ensaio de Darwin sobre a seleção natural e uma carta de Darwin a Asa Gray discutindo a divergência (1/7/1858). Comentários introdutórios de Hooker e Lyell enfatizaram que a prioridade da descoberta era de Darwin, e o artigo de Wallace foi apresentado por último. Wallace nem sequer foi consultado sobre essas questões. Ficou sabendo da apresentação somente depois que os artigos já tinham sido publicados em 20 de agosto de 1858. Os textos concentraram-se na seleção natural e na divergência das espécies, e não nos argumentos gerais para a evolução. A “Origem” de Darwin foi publicada em fins de novembro de 1859.

Trecho do verbete escrito por H. Lewis McKinney (Universidade do Kansas, EUA), in
“Dicionário de Biografias Científicas” (publicado pela editora Contraponto, 2.696 págs., R$ 360).

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Quem quiser saber mais detalhes sobre este “imbroglio”, leia o livro “Darwinism: The Refutation of a Myth” por Sören Lovtrup, Londres, Croom Helm, 1987. Lamentavelmente esgotado.

É, quem tem QI [Quem indica] é outra coisa! Rusell não tinha QI, estava muito longe e nada pôde fazer...

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O caderno Mais! da Folha de São Paulo, de 02/12/2007 trouxe um especial intitulado “O bê-á-bá da ciência” sobre a publicação do “Dicionário de Biografias Científicas” pela editora Contraponto. Obra fundamental para historiadores de ciência e outros interessados.

A Nomenklatura científica sugere “Solução final” para os teóricos e proponentes do Design Inteligente

A Nomenklatura científica internacional e tupiniquim está se preparando devidamente para as celebrações de beija-mão e beija-pé de Darwin em 2009. Louvaminhice abjeta e despudorado culto à personalidade que não cabe em ciência. Nesta ocasião, os darwinistas vão tentar cooptar os de concepções religiosas com o canto da sereia epistemológico de que é possível sim “crer em Darwin” e “crer” nos seus relatos religiosos de criação sem problemas.

Nada mais patentemente falso desde 1871: St. George Jackson Mivart, “o distinto zoólogo” [Darwin o nomeou assim na 6ª. ed. do Origem das Espécies], tentou compatibilizar as hipóteses transformistas de Wallace-Darwin com as visões de criação do cristianismo no seu livro “Genesis of Species”: foi expulso do círculo íntimo de Darwin, e perseguido ferozmente por Thomas Huxley que, juntamente com Hooker, destruiu a carreira acadêmica de Mivart. Haja objetividade científica e liberdade acadêmica.

Sabedores de que esta estratégia não vai funcionar em 2009, a Nomenklatura científica, preocupada com o crescimento dos teóricos e defensores da teoria do Design Inteligente, move uma verdadeira “caça às bruxas” contra professores e pesquisadores simpáticos às teses de que o design é empiricamente detectado na natureza. Depoimentos de vários professores e pesquisadores vítimas desta “inquisição sem fogueiras” na maior democracia do mundo vão ser apresentados no documentário “EXPELLED” [Expulsos] que conta com a participação até de vários darwinistas célebres como Richard Dawkins.

Agentes do DI infiltrados na Nomenklatura científica obtiveram o seguinte memorando que está sendo enviado para todos os agentes da KGB [guarda-cancelas epistêmicos, oops peer-reviewers é mais chique] sobre a “Solução Final” esperada de todos os teóricos e defensores do DI:

“Há mais de 2000 anos os defensores do design inteligente insistem em existir, o que está se tornando uma provocação intolerável no século 21. Não há empregos para eles nas universidades, nem nos institutos de pesquisas de todo o mundo, e mesmo assim eles insistem em não tomar a única ação, que não somente resolveria o problema deles, mas nos garantiria a paz acadêmica tão merecida, e devolveria a tranqüilidade para a Academia e organizações científicas: o suicídio acadêmico coletivo deles.

Eles não podem alegar que não são responsáveis por esta situação Catch-22 que eles chegaram agora. Com um mínimo de previdência eles todos nasceriam em multiversos, evitando assim, a atual atmosfera de confronto de teorias científicas estabelecidas. Recusando-se a desaparecer voluntariamente, os defensores do design inteligente dão uma prova de intransigência da parte deles, e eles não podem reclamar da radicalização do outro lado.”

Paráfrase baseada em “Provocação” de Luis Fernando Veríssimo, O Estado de São Paulo, 26/04/2002, Caderno 2, p. 2. [1]

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Eu prometi a Darwin neste blog que não deixaria seus discípulos tupiniquins seguirem caminhos heterodoxos. Afinal de contas, Darwin escreveu numa carta que se a sua teoria da evolução por seleção natural precisasse de ‘ajuda externa’, ela seria ‘bullshit’...

Bah, tchê, pegaste pesado agora!!! Que nada, eu estou apenas representando o papel de um darwinista ortodoxo.

Situação Catch-22 em 2009.

NOTA:

1. “Os sem-terra insistem em existir, o que está se tornando uma provocação intolerável. Não há empregos para eles nas cidades, não há terra para eles no campo, e mesmo assim eles teimam em não tomar a única medida que não apenas resolveria seu problema como asseguraria a paz social e devolveria a tranqüilidade à comunidade e às classes produtoras. O suicídio coletivo.

Não podem alegar que não são responsáveis pela situação a que chegaram. Com um mínimo de previdência teriam todos nascido no Canadá, evitando assim o atual clima de confronto. Negando-se a desaparecer voluntariamente, os sem-terra dão uma lamentável prova de intransigência e não podem se queixar da radicalização do outro lado.”

“Provocação” de Luis Fernando Veríssimo, O Estado de São Paulo, 26/04/2002, Caderno 2, p. 2.

O atual credo da Nomenklatura científica

sábado, dezembro 01, 2007

Transcrevo abaixo o “credo científico” da Nomenklatura científica somente para reforçar a afirmação feita recentemente por Paul Davies, e postada neste blog, de que os cientistas também se utilizam da “fé” quando fazem ciência normal. É, mano, cientista também “reza” por um catecismo, e aí de quem mijar fora do caco, oops, não recitar e nem seguir “literalmente” o tão-falado, mas nunca plenamente definido e aceito método científico! Ele serve para todas as ciências? E as históricas como a teoria geral da evolução? Também passam por esse tal de “método científico”? Ai de quem não “aceitar” os a priori da ciência! Especialmente os a priori das hipóteses transformistas de Darwin, capice?

Uma leitura objetiva demonstra: os artigos de fé do credo científico da Nomenklatura científica, a “fé baseada nas evidências” não difere em nada da “fé baseada nas evidências” dos de concepções religiosas [argh, parafraseando Darwin, isso é como cometer assassinatos em série de cientistas ateus, agnósticos, céticos y otras cositas mais].

O credo científico [uma espécie de “catecismo menor”] da Nomenklatura científica é este:

1. A crença que o universo e a maneira na qual ele funciona pode ser entendido por uma espécie de inteligência limitada [nós humanos] através de métodos empíricos (uma pressuposição necessária).

2. A crença de que os verdadeiros padrões causais que explicam a origem e o desenvolvimento subseqüente do universo e da vida na Terra podem ser atribuídos a forças básicas da natureza das quais são gerados fenômenos mais complexamente organizados.

3. A crença de que a consciência surgiu de propriedades químicas da matéria contida pelo organismo que tem consciência.

4. A crença de que reações químicas de matéria não-viva resultaram numa célula viva.

5. A crença que a ciência é capaz de explicar a origem do universo e a vida na Terra sem recorrer a quaisquer componentes causais télicos ou inteligentes.

6. A crença de que nenhum dado empírico pode ser obtido para apoiar as teorias de design inteligente.

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Comentário impertinente deste blogger:

O materialismo/naturalismo filosófico está impregnado nas afirmações 2-6. Isso demonstra que a boa ferramenta do naturalismo metodológico (surgiu do empirismo) foi seqüestrada para avançar a agenda materialista/naturalista: não há teleologia, nem design intencional no universo, e tudo o que nele existe e existirá é simplesmente mero produto do acaso e da necessidade.

Não podendo se libertar desse seqüestro epistêmico, pois os guarda-cancelas epistêmicos são muito poderosos, infelizmente a atual ciência, apesar de os atuais donos do poder jurarem de pés juntos e afirmarem o contrário, se tornou uma religião dogmática e fundamentalista. E em algumas instâncias devido às limitações do método científico: “Credo quia absurdum” [creio porque é absurdo].

Muito diferente da posição da turma do Design Inteligente: “Credo ut intelligam” [creio para poder entender].

Fui, tirando o chapéu para Bradford por esta contribuição.

50 anos de Geologia na USP

sexta-feira, novembro 30, 2007

Caminho das pedras

30/11/2007

Por Maristela Garmes

Agência FAPESP – A história do curso de geologia da Universidade de São Paulo (USP) poderá ser conhecida na edição comemorativa do livro Geologia USP – 50 Anos, produzida pelo Instituto de Geociências (IGc) daquela universidade. O lançamento do livro será nesta sexta-feira (30/11), às 18h, na Escola Politécnica.

A obra reúne um conjunto de depoimentos diversificados que apresentam a história do curso a partir de diferentes pontos de vista, de acordo com o coordenador da obra e professor do IGc, Celso de Barros Gomes. Os textos, escritos por egressos do curso, são tratados por perspectivas pessoais, profissionais e acadêmicas. Segundo Gomes, a escassez de documentação escrita explica a opção por depoimentos.

“A idéia da publicação surgiu não apenas em função da comemoração dos 50 anos, mas também pelo fato de que precisávamos registrar nossas origens, o nosso processo de criação”, disse à Agência FAPESP.

A edição é pontuada com rico material iconográfico, incluindo fotos de época, mapas e reproduções de periódicos especializados, que contribuem para uma melhor compreensão e ilustração da história do curso. O prefácio é assinado pelo professor Shozo Motoyama, diretor do Centro Interunidade de História da Ciência da USP.

O curso de geociências, criado em 1957 pela então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, foi instalado em um suntuoso casarão na esquina da alameda Glete com a rua Guaianases, antiga residência do industrial carioca Jorge Street, no bairro dos Campos Elíseos, centro de São Paulo. Funcionou ali até 1969, quando foi criado o IGc e o curso foi transferido para o campus da Cidade Universitária.

Segundo Gomes, durante os primeiros 13 anos – que ficaram conhecidos como os “anos gletianos”, o curso de geologia se instalou em um espaço de aproximadamente 2 mil metros quadrados dividido em salas de aula, cantina, biblioteca, museu, secretaria, sala dos professores, laboratórios, oficinas e estacionamento de carros, propiciando um ambiente muito familiar e propício à aproximação. Era o chamado “efeito Glete”.
“O convívio humano, eu diria, foi um dos pontos mais marcantes da fase da Glete. No livro, tivemos a preocupação de caracterizar esses momentos com riqueza de detalhes”, explicou Gomes, que foi aluno da primeira turma formada em geologia pela USP, em 1960.

Em razão da falta de professores especializados em algumas áreas da geologia no país, foram contratados, nos anos iniciais do curso, vários professores estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos, que, além de ministrar aulas, também importaram equipamentos para os laboratórios.

Foi o caso de John Hamilton Reynolds, que trouxe o primeiro laboratório de geocronologia da América do Sul. O laboratório possibilitou o início e desenvolvimento de pesquisas sobre o período pré-cambriano brasileiro, principalmente com relação à deriva dos continentes americano e africano, levando geólogos da USP ao reconhecimento internacional.

Em 1969, com a reforma universitária e a transferência do curso para a Cidade Universitária, o IGc passou a ter amplo espaço físico, que, além da infra-estrutura necessária, atualmente conta com parque instrumental, museu com acervo considerado e diversificado, biblioteca que é referência nacional na área e dois importantes centros: de Pesquisas de Águas Subterrâneas (Cepas) e de Pesquisas Geocronológicas (CPGeo).

“Esses centros foram muito importantes para a consolidação da pesquisa científica da instituição e ainda têm papel fundamental na sua inserção internacional”, explicou Gomes.

Entre 1972 e 2006 foram defendidas e aprovadas 467 dissertações de mestrado e 370 teses de doutorado, totalizando 837 títulos atribuídos a alunos provenientes de várias regiões do país, além de alguns estrangeiros, especialmente da América do Sul. Ao longo de 50 anos, o curso de geologia formou mais de 1,5 mil profissionais.

Geologia USP — 50 anos
Autor: Celso de Barros Gomes (Org.)
Lançamento: 2007
Número de páginas: 541
Editora: Edusp
Local do lançamento: Escola Politécnica – Auditório “Professor Francisco Romeu Landi” – Av. Professor Luciano Gualberto, travessa 3, 380 – Cidade Universitária – São Paulo.

Mais informações: www.edusp.com.br

O espectro de Lamarck rondando o espectro da teoria da evolução de Darwin

Por essa Darwin não esperava. Justamente ele que se mostra lamarckista de carteirinha na 6ª. edição do Origem das Espécies, mas que espezinha Lamarck e outros precursores no esboço histórico explicando que apesar deles, Darwin locuta, evolutio finita, ver agora Lamarck podendo ser vindicado [e por tabela Darwin, o detrator mor de Lamarck] pelas evidências???

JC E-Mail 3400, de 29 de novembro de 2007

28. Ciência Hoje: A volta de Lamarck

Novas pesquisas no campo da biologia molecular sugerem que as idéias do cientista poderiam estar corretas

Quando se pensa em Lamarck, a primeira idéia que vem à lembrança é sua teoria sobre o pescoço da girafa, que cai por terra com a publicação de ‘A origem das espécies’ por Charles Darwin.

Entretanto, novas pesquisas no campo da biologia molecular sugerem que suas idéias poderiam estar corretas.

Franklin Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostra, na revista Ciência Hoje de novembro, que experimentos recentes com DNA vêm apontando para a possibilidade de que as mudanças adquiridas pelo material genético sejam transmitidas aos descendentes.

Para assinar a revista Ciência Hoje ou adquirir números avulsos, ligue para 0800-7278999 ou (21) 2109-8999.

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Perguntas impertinentes deste blogger:

1. Se as novas pesquisas no campo da biologia molecular do século XXI sugerem que as idéias de Lamarck poderiam estar corretas, caem por terra as hipóteses transformistas de ‘A origem das espécies’ por Charles Darwin do século XIX???

2. Os autores de livros-texto de Biologia vão reparar o “dano moral” cometido contra Lamarck ao longo de várias décadas??? Atenção MEC/SEMTEC/PNLEM para mais esta correção em futuras edições de livros didáticos do ensino médio.

3. Ué, o que está acontecendo com o mantra do fato, Fato, FATO da evolução anunciado pelos muazzins da Nomenklatura científica [meus amigos muçulmanos que me perdoem, e, por favor, nada de fatwa para comigo] de que Darwin já tinha explicado para nós COMO se dá a evolução???

4. Quando será lançado Darwin 3.0? Vão ter que mudar o nome agora? Lamarwin Redivivus???

O que Darwin viu no Brasil além das mulatas?

JC E-Mail 3400, de 29 de novembro de 2007

3. Reunião Regional do Vale do São Francisco: O que Darwin viu no Brasil?

Segundo Ildeu de Castro Moreira, Darwin e muitos outros observaram a fauna e flora brasileiras e aprenderam muito com os nativos brasileiros e sul-americanos em geral sobre o assunto

O físico, professor da UFRJ e diretor do Depto. de Difusão e Popularização da Ciência do MCT, Ildeu de Castro Moreira, traçou uma panorama da ciência do século 19, mostrando diversas informações da viagem feita por Charles Robert Darwin, de 1832 até 1837, a bordo o navio Beagle e também que ele, e outros naturalistas, utilizaram muito dos conhecimentos tradicionais para realizarem suas descobertas e teorias.

Ildeu mostrou passo a passo a viagem do cientista britânico em terras brasileiras. Darwin chegou em 20 de fevereiro de 1832 a Fernando de Noronha; depois eles vão a Salvador (28 de fevereiro), Abrolhos (29 de março), Rio de Janeiro (4 de abril), e partem para Montevidéu em 5 de julho. Depois, em agosto de 1836, o Beagle retorna ao Brasil e pára mais cinco dias em Salvador e mais cinco em Recife.


Vendedoras de aluá, de manuê e de sonhos no Rio de Janeiro, por volta de 1830, em estampa de Jean Baptiste Debret

Segundo ele, tanto no Brasil como em outros países da América do Sul, como a Argentina, Darwin estudou uma rica variedade de características geológicas, fósseis, organismos vivos e coletou um enorme número de espécimes, muitos deles novos para a ciência. Porém, diz Ildeu, Darwin e outros cientistas sempre tiveram a ajuda das populações locais. “Não quero diminuir o papel importantíssimo que tiveram os naturalistas do século XIX, mas ninguém é gênio isolado. O conhecimento local dos nativos foi importante, o conhecimento é uma construção coletiva”, disse.

Para defender essa idéia, que segundo ele não é tão bem aceita por diversos historiadores, ele cita uma passagem do diário de viagem de Darwin, em que o cientista diz que um menino que o acompanhou numa expedição no RJ tinha tamanha facilidade em encontrar os animais que mesmo se ele, Darwin, tivesse a ajuda de algum animal traidor ele não teria tanto sucesso quanto o menino.

O co-descobridor da Teoria da Evolução e muitas vezes diminuído em sua importância história, Alfred Russel Wallace, que passou quatro anos na Amazônia, diz Ildeu, também cita em suas anotações, pelo nome, mais de 130 pessoas que o ajudaram aqui. “Ele também diz que ao chegar não conseguia distinguir a diferença entre as palmeiras da Amazônia, mas que os seus guias distinguiam cada uma. Ele diz que depois de quatro anos estava quase tão bom como os nativos”.

[NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER: Há fortes suspeitas de plágio das idéias de Wallace rondando Darwin, um episódio sombrio até hoje mal abordado e mal explicado pela historiografia “mainstream”. Darwin, Lyell e Hooker levaram para o túmulo a artimanha que fizeram para garantir a “primazia” da descoberta da Teoria da Evolução para Darwin. Wallace, não tinha QI (Quem Indica). Um dia desses eu conto sobre esta insidiosa “armação” da Camarilha de Down. Huxley ficou de fora. Por quê?].

Wallace diz também em seu diário de viagem que “durante minha estada na região Amazônica, aproveitei cada oportunidade para determinar os limites de espécies, e logo descobri que o Amazonas, o Rio Negro e o Madeira formam limites além dos quais certas espécies nunca passam. Os caçadores nativos estão perfeitamente a par deste fato, e sempre cruzam o rio quando desejam procurar animais particulares que são achados já na margem do outro lado do rio, mas nunca do lado anterior. Aproximando-nos das cabeceiras dos rios eles cessam de ser uma fronteira, e a maioria das espécies são achadas em ambos os lados”.

Ele também cita um guia, em especial: “O velho guia [Isidoro] (...) labutara outrora na floresta, estando a par não só dos nomes de todas as árvores, como também de suas propriedades e empregos. Era um homem de temperamento quase taciturno, exceto quando se irritava com nossa incrível incapacidade de compreender suas explicações. (...) O fato é que ele realmente gostava de exibir seus conhecimentos sobre assuntos acerca dos quais ainda nos encontrávamos no estágio da mais completa ignorância, mas cuja aprendizagem queríamos efetivamente alcançar. Seu método de ensino constava de uma série de rápidas observações sobre as árvores à medida que íamos passando por elas.”

Outra declaração, retirada do livro "Reise in Brasilien”, de 1983, de Spix e Martius, ajuda na tese de Ildeu: “Eles podem distinguir as partes externas e internas do corpo e os diferentes animais e plantas com grande precisão e, não raro, indicam as relações das coisas da natureza umas com as outras. Assim, por exemplo, a denominação indígena de vários macacos e de certas palmeiras foram para nós um guia na investigação de espécies, porque quase cada espécie tem seu nome indígena."

O físico e historiador da ciência também cita que era muito comum na época quadros, como os de Debret, que mostravam cientistas acompanhados de escravos ou nativos em suas pesquisas. Um deles, chamado “Os escravos do naturalista”, mostra escravos caçando borboletas, levando pássaros e outros animais.

Em outro, hilário, chamado “Bates captura um jacaré na Amazônia”, a pintura mostra o cientista fora da água e uns dez índios tentando pegar o jacaré. Ildeu brinca: “Não fui eu quem deu o nome desse quadro, mas dá pra perceber que os nativos tinham bastante importância nas expedições na floresta”.
(Luís Henrique Amorim)

Mais de 90.000 visitantes!!!

Este blogger está muito contente: atingiu a marca de mais de 90.000 visitantes!!!



Fonte

Conto especialmente com a ajuda da galera dos meninos e meninas de Darwin, bem como da Nomenklatura científica e Grande Mídia tupiniquins para atingir ainda em dezembro de 2007 a marca de 100.000 visitantes.

Muito obrigado a todos vocês que são a razão do meu sucesso. Afinal de contas, 11 entre 10 darwinistas lêem o meu blog!

Nota impertinente deste blogger: Por que será que a Grande Mídia em Pindorama ainda não entrevistou este "fenômeno midiático"??? Eu ainda vou ser objeto de entrevista do caderno Mais! da Folha de São Paulo, não é mesmo Claudio Angelo???

USP lidera ranking de visitantes do blog "Desafiando a Nomenklatura científica"

quinta-feira, novembro 29, 2007

Parabéns aos professores e alunos de graduação e pós-graduação da USP que no mês de novembro de 2007 lideraram o ranking de visitantes deste blog: 3%. Em segundo lugar ficou a UFMG com 2%. A USP superou até a Yale University em número de visitantes. Yale teve somente 1%.



Fonte.

É como eu escrevo aqui neste blog: 11 entre cada 10 darwinistas visitam o blog "Desafiando a Nomenklatura Científica"!!!

Obrigado pessoal da USP por fazer deste blog o blog científico # 1 do Brasil, e sem falsa modéstia, até da América Latina!

Pro bonum publico: as reações do DI e da Nomenklatura científica americana

A PBS - a TV Cultura dos gringos levou ao ar recentemente um documentário contra a teoria do Design Inteligente: "Judgment Day: Intelligent Design" [Dia do Juízo: Design Inteligente.

O Discovery Institute reagiu e publicou o "The Theory of Intelligent Design: A Briefing Packet for Educators" voltado para os educadores. Baixe gratuitamente aqui.

Incomodados com o avanço da teoria do Design Inteligente junto ao grande público, a Nomenklatura científica de Tio Sam reagiu e, pasmem, contrariando o espírito científico, criou e lançou em 28 de novembro de 2007 a primeira publicação guarda-cancelas, oops por pares [peer reviewers é mais chique] para blindar a teoria geral da evolução de Darwin de todas as críticas, mesmo as científicas, de serem consideradas nas salas de aulas.

Segundo Niles Eldredge e seu filho Greg Eldredge, um professor de ciência do ensino médio, chegou a hora de ajudar os educadores da ciência a reagirem às fortes pressões que os criacionistas exercem na educação pública americana. Eles se juntaram com a editora científica Springer para lançarem esta nova publicação esdrúxula que execra e proíbe o questionamento das teses transformistas de Darwin.

Baixe aqui gratuitamente a primeira edição de “Evolution: Education and Outreach” [São 21 artigos].

Eldredge, Stephen Jay Gould deve estar envergonhado de você, um guarda-cancela epistêmico, quando deveria favorecer o verdadeiro espírito científico: investigar e seguir as evidências aonde elas forem dar.

Springer, Wissenschaft macht freie!

Como blindar a teoria da evolução de Darwin das críticas científicas

terça-feira, novembro 27, 2007

Não sei porque me lembrei de um professor universitário lá do Nordeste que foi marxista-leninista na juventude: ele lia as notícias nos jornais e panfletos comunistas, e pensava que ao meio-dia a revolução iria começar no Brasil.

Trago este pouco de nostalgia ideológica para lembrar de Karl Marx e uma de suas predições que até agora não se cumpriu, e como que os demais teóricos marxistas deram um jeito nisso. Marx disse que sob o capitalismo os operários se tornariam cada vez mais insatisfeitos e a revolução seria inevitável. Errou feio, pois a condição dos operários melhorou. Veio Lênin e modificou a teoria: é claro que a condição dos operários melhorou, mas foi porque os capitalistas estavam subornando os operários para deixá-los pacificados conforme tinha previsto a teoria marxista.

Se não for X, então Y; se não for Y, então Z, se não for Z, então todo o ABC. Essa “blindagem epistêmica” lembra alguma teoria científica? Como vocês são maldosos, gente. É a teoria geral da evolução de Darwin.

Se você ainda não leu o novo livro de Michael Behe, “The Edge of Evolution” [pode ser encontrado e encomendado na Livraria Cultura], eu vou adiantar um pouco aqui como que os Lênines atuais fizeram para blindar a teoria geral da evolução do Grande Timoneiro de Down de um suposto ‘deslize epistêmico’.

No livro, Behe menciona uma predição de Ernst Mayr, o último Papa da Evolução, feita nos anos 1960s baseada na teoria darwinista de que a busca por genes homólogos seria pura perda de tempo. Bem, os Lênines atuais usam agora os genes homólogos como evidência corroborando a teoria. Afinal de contas, a existência de tais genes tinha sido predita pela teoria (confirmação da teoria após os fatos encontrados, capice???).

Mano, o que é que nós podemos dizer sobre uma teoria que facilmente prediz “X” e o “não-X”??? Navalha de Occam, oops de Popper neles!!! Especialmente as seções 19 e 20 do livro “A Lógica da Pesquisa Científica” (São Paulo: Cultrix; Edusp, 1975), no qual Popper discute os “estratagemas convencionalistas” elaborados para livrar a teoria da falsificação.



Origem da foto aqui.

Popper escreveu, “Sempre que o sistema ‘clássico’ for ameaçado pelos resultados de novas experiências que podem ser interpretadas como falsificações... o sistema aparecerá como inabalável pelo convencionalista.” E aí, NOTA BENE, Popper passa a explicar os estratagemas que os convencionalistas adotarão para lidar com as inconsistências perturbadoras que surgiram entre as predições da teoria e os resultados das experiências:

1. Culpe o nosso domínio inadequado do sistema.

2. Sugira a adoção de hipóteses ad hoc (auxiliares) para socorrer o sistema.

3. Sugira correções dos instrumentos de medição.

4. Modifique as definições usadas na teoria. [‘Novilíngua’ de Orwell???]

5. Adote uma atitude cética em relação ao observador cujas observações ameacem o sistema excluindo suas observações da ciência porque (a) elas são insuficientemente apoiadas; (b) elas não são científicas; (c) elas não são objetivas.

6. Chame o experimentador de mentiroso, y otras cositas mais.

Está soando algo familiar com o comportamento da Nomenklatura científica e a Grande Mídia internacional e tupiniquim em relação aos teóricos e proponentes da Teoria do Design Inteligente? Qualquer semelhança é a pura verdade.

Tarefa para casa: relacione quantos “estratagemas convencionalistas” de Popper têm sido usados contra a teoria do Design Inteligente?

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Sobre os ombros de um gigante

Robert G. Wesson “falou e disse”: o fato, Fato, FATO da evolução é ilusionismo!!!

domingo, novembro 25, 2007

Robert G. Wesson foi um professor de ciência política, evolucionista convicto, mas crítico do darwinismo devido à sua insuficiência epistêmica fundamental: COMO é que ocorre o fato, Fato, FATO da evolução.

Evolucionista honesto, Wesson escreveu o livro “Beyond Natural Selection” [Além da seleção natural], contrariando o dogma do paradigma da seleção natural [vide nossos melhores autores de livros-texto de Biologia, Amabis e Martho et al.] incensado pela Nomenklatura científica como explicando a origem e a evolução das espécies, e indo de encontro ao beija-mão-beija-pé de Darwin hoje tão corriqueiro e vulgar (“culto de personalidade” que deixaria o camarada Mao Tse-tung envergonhado) em pleno século XXI de pós-modernidade cética de todas as verdades (menos Darwin, capice, Darwin locuta, scientia finita):

“Embora uma grande maioria dos biólogos aceite a teoria de Darwin com poucas qualificações, muitos duvidaram dela desde o tempo que Darwin a propos até neste século [XX], quando foi sistematizada na síntese neodarwinista. A ortodoxia se tornou bem firme, especialmente nos anos 196os. Contudo, recentemente, tem havido crescentes tendências duvidando que o papel da seleção natural seja tão grande quanto tem sido assumido, e um crescente número de biólogos crêem que ela não é uma resposta plenamente satisfatória. A sua inadequação é uma tese deste livro. ... À luz da vasta quantidade de conhecimento de todos os aspectos das criaturas vivas que se acumularam no último século, e especialmente nas ultimas décadas, este livro procura apresentar uma crítica bem baseada e objetiva do darwinismo. ... Infelizmente, contudo, apontar a necessidade de uma melhor explicação significa atacar uma teoria que os cientistas acham útil, se não sempre satisfatória. Eles certamente não querem render a doutrina aceita a menos que eles tenham algo melhor. Uma resposta natural à crítica é, “O que você tem de melhor para colocar no lugar?” A seleção natural é creditada com proezas aparentemente milagrosas porque nós queremos uma resposta e não temos outra.” (Wesson, R.G., 1991, “Beyond Natural Selection,” MIT Press: Cambridge MA, Reprinted, 1994, pp.xii-xiii). [1]

Fui, pensando na galera dos meninos e meninas de Darwin que não é capaz de aceitar críticas às insuficiências fundamentais do neodarwinismo no contexto da justificação teórica.

Que venga logo Darwin 3.0!!! Pero no olviden el Design Inteligente, capice?

NOTA:

1. “Although a large majority of biologists accept Darwin's theory with few qualifications, many were dubious of it from the time Darwin proposed it until well into this century, when it was systematized in the neo-Darwinist synthesis. The orthodoxy became very firm, especially in the 1960s. Recently, how ever, there have been increasing tendencies to doubt that the role of natural selection is as great as has been assumed, and a growing number of biologists believe that it is not a wholly satisfactory answer. Its inadequacy is a thesis of this book. ... In the light of the vast amount of knowledge of all aspects of living creatures piled up in the last century and especially in the last decades, this book seeks to present a soundly based and objective critique of Darwinism. ... Unhappily, however, pointing out the need for a better explanation means attacking a theory that scientists find useful, if not always satisfying. They certainly do not want to surrender the accepted doctrine unless they have something better. A natural rejoinder to criticism is, What do you have better to put in its place? Natural selection is credited with seemingly miraculous feats because we want an answer and have no other.” (Wesson, R.G., 1991, “Beyond Natural Selection,” MIT Press: Cambridge MA, Reprinted, 1994, pp.xii-xiii).

Trabalhos apresentados no IX Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico

IX Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico

Dia 22 de novembro (quinta-feira)

8:00 - 9:00 Credenciamento dos congressistas

9:00 - 10:00 horas: Abertura dos trabalhos, com homenagem a jornalistas científicos brasileiros.

A mesa será integrada pelo presidente da ABJC (Wilson da Costa Bueno), pelo presidente da Fapesp (Dr. Celso Lafer), pelo diretor científico da Fapesp (Dr. Carlos Brito Cruz), pelo dr. Ildeu de Castro Moreira (MCT), pelo Dr. Carlos Vogt (diretor do Labjor/Unicamp) e pelo dr. Sebastião Squirra (diretor da Faculdade de Comunicação Multimidia/UMESP).

10:00 - 10h30 horas: Intervalo para café

10:30 - 12:00 horas: Mesa-redonda - A experiência brasileira de Jornalismo Científico

Marcelo Leite ( colunista de Ciência Folha de S. Paulo)
Sergio Brandão/José Renato Monteiro (Vídeociência/Ver Ciência)
Mariluce Moura (PesquisaFapesp e rádio Eldorado)

Presidente da mesa: Simone Bortoliero ( professora UFBA e diretora da ABJC)

12:00 - 13:00 horas: Intervalo para almoço

13:00 - 14:30 horas: Sessão de trabalhos orais 1

Coordenadora: Eliana Lima (Jornalista, Embrapa Meio Ambiente, Conselho Fiscal da ABJC)

1) Autora: Dalira Lúcia Cunha Maradei Carneio. E-mail: dalicunha@ras.ufu.br
Título: Trocando em miúdos - um relato de divulgação científica na rádio universitária da Universidade Federal de Uberlândia.

2) Autora: Flavia Amaral Rezende. E-mail: _flavia_a_rezende@uol.com.br
Título: O desafio de abrir a "caixa-preta" nem sempre acontece.

3) Autores: Lina Rocha Fernandes Távora, Lea Cunha Bastos e Cristiane Vasconcelos de Mesquita: E-mails: linatavora@ceftru.unb.br; leacunha@ceftru.unb.br; leacunha@gmail.com; crisvasconcelos@ceftru.unb.br.
Título: Ciência e comunicação no CEFTRU/UNB: um guia de práticas de comunicação para projetos do Ceftru.

4) Autores: Maria da Graça Soares Mascarenhas e Heitor Shimizu . E-mail: graca@trieste.fapesp.br
Título: Divulgação Científica: a experiência da Fapesp.

5) Autores: Raquel Aguiar e Paulo Roberto Vasconcelos Silva -Fiocruz-RJ. E-mail: jornalismo@ioc.fiocruz.br
Título: Papel das coordenações de comunicação atuando em instituições de ciência e tecnologia no contexto de reprodução da informação: estudo de caso do Instituto Oswaldo Cruz.

6) Autores: Isabel Veloso Alves Pereira; Maurício de Paula Kanno; Richard Domingues Dulley e Paulo Roberto Martins. E-mail: isabelveloso@gmail.com; mauricio@kanno.com.br; dulley@iea.usp.br e marpaulo@ipt.br
Título: Engajamento público em nanotecnlogia; divulgação científica através de bate-papos virtuais.

14:30 - 16:00 horas: Sessão de trabalhos orais 2

Coordenador: Roberto Medeiros (Jornalista, Laboratório Síncrotron, Conselho Fiscal da ABJC)

1) Autora: Carla de Oliveira Tôzzo E-mail: carlatozo@uol.com.br
Título: O papel da divulgação científica na formação das crianças; a experiência da Estação Ciência.

2) Autora: Maria da Graça Miranda de França Monteiro. E-mail: mgracamonteiro@yahoo.com.br
Título: Palavra de especialista: quando os jornalistas e cientistas se unem na produção de sentidos.

3) Autores: Myrian Regina Del Vecchio de Lima e Célio Mamoru Nozaki Yano. E-mail: myriandel@gmail.com e celiomny@gmail.com
Título: A relação jornalista-cientista após o surgimento de novas ferramentas de comunicação.

4) Autores: Paulo Cezar Rosa, Alessandra de Falco e Vanderli Duarte de Carvalho. E-mail: paulocezarrosa@uol.com.br; le_falco@yahoo.com.br; vanderli.duarte@unifesp.br
Título: Mídia e política de ciência e tecnologia - C&T: cobertura dos meios de comunicação sobre a política nuclear no Brasil.

5) Autor: Paulo Américo Lima Rocha da Costa. E-mail: paulorocho@yahoo.com.br / pauloameriko@gmail.com
Título: Mídia e conhecimento científico do público infanto-juvenil:uma análise comparativa entre as produções pública e privada de TV, com base na Educomunicação.

6) Autores: Marcos Wandir Nery Lobão ; Jaqueline Neves Moreira e Maria Beatriz Colucci E-mail: wandir@itp.org.br ; Jaqueline@infonet.com.br e bcolucci@uol.com.br
Título: Implantação da Agência de Divulgação Científica do Instituto de Tecnologia e Pesquisa-ITP.


16:00 - 16:30 horas: Intervalo para café

16:30 - 18:00 horas: Sessão de trabalhos orais 3

Coordenadora: Fabíola de Oliveira (Jornalista, Assessoria da SBPC, Conselho Fiscal da ABJC)

1) Autor: Carlos Fioravanti: E-mail: chfioravanti@terra.com.br
Título: O tempo e o vento: o papel da mídia na formulação da agenda política sobre mudanças climáticas.

2) Autora: Flávia Natércia da Silva Medeiros. E-mail: fnatercia@yahoo.com
Título: Descoberta x Invenção: a naturalização das células-tronco na imprensa brasileira.

3) Autora: Maria Fernanda Marques Fernandes - E-mail: fernanda.marques@gmail.com
Título: Nanotecnologia: um desafio para o jornalismo científico.

4) Autores: Marcia Rocha da Silva e Lena Vania Ribeiro Pinheiro (IBICT).
E-mail: mar_sea@ibict.br e lenavania@ibict.br
Título: Análise de metrias para dimensionar o acesso, o uso e a repercussão do portal de divulgação científica Canal Ciência.

5) Autora: Suely Mara Ribeiro Figueiredo. E-mail: suelyfigueiredo@gmail.com
Título: A responsabilidade epistemológica do jornalismo científico: uma proposta.

6) Autores: Tattiana Teixeira; Elaine Manini e Mayara Rinaldi E-mail: tattiana@cce.ufsc.br
Título: O uso da infografia no jornalismo científico brasileiro - uma análise a partir das revistas Superinteressante e Saúde.

18:00- 19:00 horas - Encerramento dos trabalhos e Sessão de Posters


Dia 23 de novembro: (sexta-feira)


9:00- 10:30 horas: Mesa-redonda - Criatividade e Arte e na Divulgação de CT&I

Michel Sitnik ( assessor de Comunicação Social da Estação Ciência
João Garcia (Assessor de Imprensa do IPT)
Ricardo Alexino (Rádio e TV Unesp-Bauru)
Presidente da mesa: Wilson da Costa Bueno (Presidente da ABJC e professor da USP)

10:30 - 11:00 horas: Intervalo para café

11:00 - 12:30 horas: Mesa-Redonda - Jornalismo Científico e Políticas de CT&I

José Monserrat Filho (Jornal da Ciência -SBPC)
Ildeu de Castro Moreira (Departamento. de Popularização da Ciência e Difusão da Ciência e Tecnologia - MCT)
Wanda Jorge (Labjor-Unicamp/Revistas Ciência e Cultura e Inovação)
Presidente da Mesa: Graça Caldas (Diretora da ABJC e professora da UMESP)

12:30 - 13:30 horas: Intervalo para almoço

13:30 - 15:00: horas: Sessão de trabalhos orais 4

Coordenadora: Vera Regina Toledo Camargo (Labjor/Unicamp)

1) Autora: Audre Cristina Alberguini. audrecris@yahoo.com
Título: A ciência nos telejornais brasileiros (O papel educativo e a compreensão pública das matérias de CT&I.

2) Autora: Alice Mitika Koshiyama. E-mail: alicemitika@yahoo.com
Título: Feminismo e saúde da mulher.

3) Autora: Juliana Miura e Marluce Freire Lima Araújo. E-mail: jmiura@sct.embrapa.br
Título: A informação científica no programa de rádio Prosa Rural.

4) Autores: Juliano Maurício de Carvalho e Mateus Yuri. E-mail: mpassos@faac.unesp.br
Título: A contribuição da revista Piauí para uma cultura científica.

5) Autores: Márcia Rocha e Simone Bortoliero. E-mail: márcia_rocha@uol.com.br; bortolie@ufba.br
Título: O Jornalismo Científico na Bahia: a experiência da Seção "Observatório" do Jornal A Tarde".

6) Autor: Fabrício Fonseca Ângelo. E-mail: fabricioangelo@yahoo.com.br
Título: 25 Anos Do Programa Radis: uma análise sobre a relação Comunicação, Saúde e Meio Ambiente.

15:00 - 15:30: horas: Intervalo para café

15:30-17:00 Mesa-redonda - Desafios e Perspectivas do Jornalismo Científico

Mônica Teixeira (Site InovaçãoUnicamp e TV Cultura)
Ilana Polistchuck (Agência Eletrônica Notisa)
Luisa Massarani (SciDev.Net e Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz)
Presidente da mesa: Cilene Victor ( Diretora da ABJC e editora da ComCiência Ambiental)

17:00 - 17:30 horas: Encerramento dos trabalhos

17:30 - 19:00 horas: Assembléia Geral da ABJC


Trabalhos aprovados para apresentação em formato pôster

1) Autores: Adriana Lima, Marina Mezzacappa, Vera Toledo de Carmargo e Carlos Vogt. E-mail: ahlima@terra.com.br; marinamez@gmail.com; verartc@unicamp.br
Título: Labjor/Unicamp: A formação do divulgador científico em um espaço de diálogos entre jornalistas e cientistas.

2) Autor: Carlos Fioravanti. E-mail: chfioravanti@terra.com.br
Título: O poder sobre a terra: as relações de força entre estado, comunidade científica e mídia.

3) Autores: Carlos Antonio Teixeira. E-mail: carlos.teixeira@unasp.edu.br
Título: Histórias em Quadrinhos e cartuns como contributição para a divulgação científica e para o empoderamento em saúde.

4) Autora: Joana Casturina da Silva. E-mail: jo@cnpdia.embrapa.br
Título: Ação para preservação da memória agrícola brasileira como ativo estratégico na sociedade do conhecimento.

5) Autor: Jônatas Bussaor do Amaral. E-mail: amaraljb@gmail.com
Título: Divulgação científica para comunidades carentes: Projeto Almeida sai da escola.

6) Autores: Jorge Kanehide Ijuim; Greicy Mara França; Daniela Cristina Ota;
David Trigueiro dos Santos e José Marcio Licerre (UFMS) E-mail: ijuim@uol.com.br
Título: Núcleo de Jornalismo Científico/UFMS.

7) Autores: Juliano Maurício de Carvalho, Mateus Yuri Ribeiro da Silva Passos, Aline Emi Naoe, Érica Masiero Nering, Fábio de Lima Alvarez e João Guilherme da Costa Franco D"Arcadia. E-mail: ericanergin@faac.unesp.br
Título: Toque da Ciência-Divulgação Científica Colaborativa.

8) Autores: Luiz Paulo Juttel, Davi Santaella, Enio Rodrigo Barbosa Silva, Flávia Dourado Maia, Murilo Alves Pereira,Hércules Menezes, Antonio Carlos Rodrigues de Amorim e Paulo Martins. E-mail: lpjuttel@brturbo.com.br
Título: Bem me quer, Mal me quer: a arte que fala de biotecnologia.

9)Autores: Possik PA, Toledo T, Oliveira A, Triunfol. E-mail: triunfol@mac.com
Título: Gene-Papo, o boletim eletrônico do Dna vai à escola: notícia e informação como mecanismo de criação de rede.

10) Autores: Tattiana Teixeira ; Fabiane de Souza e Juliana Passos. E-mail: tattiana@cce.ufsc.br
Título: Ciência em pauta: situação da divulgação científica na UFSC.

11) Autores: Triunfol, M e Vasconcelos ATR. E-mail: mtrinfuol@lncc.br
Título: A crônica científica como mecanismo de divulgação do web-site do Labinfo, Lncc.

12) Autores: Luiza Helena de Almeida Bragion e Patrícia Lauretti. E-mail: luizabragion@gmail.com e patlaure@unicamp.br
Título: Divulgação científica E TV Universitária: experiência da TV Unicamp.

13) Autor: Carlos Antonio Teixeira. E-mail: carlos.teixeira@unasp.edu.br
Título: O Jornal da Paulista (1987-2003): a história de um jornal universitário e sua correlação com a divulgação científica.

14) Autores: Ana Paula Freire e Michelle Portela. E-mail: anapaulafreire@globo.com
Título: Sistema de C&T no Amazonas e a difusão do conhecimento.

15) Autores: Jaqueline Neves Moreira e Vitor Curvelo Fontes Belém E-mail: Jaqueline@infonet.com.br e vitor_belem@hotmail.com
Título: Percepção da divulgação científica dos alunos do curso de Jornalismo da Universidade Tiradentes e dos pesquisadores do Instituto de Tecnologia e Pesquisa.

16) Autores: Carlos Vogt, Anita Marsaioli, Fábio Reynol e Celira Caparica Santos E-mail: celiracaparicasantos@gmail.com
Título: CinAPCe e IQ-Unicamp: a divulgação científica e as ações de popularização da área de Química.

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Aguardem que os trabalhos apresentados serão publicado pela ABJC - Associação Brasileira de Jornalismo Científico.

Será que algum desses trabalhos questionou o comportamento da Grande Mídia Tupiniquim quando a questão Darwin???

Paul Davies “falou e disse”: sem fé é impossível... fazer ciência!!!

Eu vou sair um pouco da linha editorial deste blog, e fazer o papel de ‘advogado do Diabo’ em defesa dos de concepções religiosas que são epistemicamente massacrados pelos materialistas/naturalistas quando afirmam a superioridade da ciência em relação à religião: a primeira, dizem os mandarins, não é dogmática e é passível de revisão e mudança (menos com Darwin, capice, Darwin locuta, scientia finita), e que a segunda, a fé religiosa é algo irracional e não tem vez em ciência. Mentira deslavada deles, oops não corresponde com a verdade é melhor, pois sempre afirmei neste blog que os cientistas têm “fé” em suas teorias, hipóteses e modelos, y otras cositas mais.

Pelas declarações feitas no artigo “Taking Science on Faith” (Algo como “Aceitando a ciência pela fé” — Argh, isso é como cometer um genocídio de proporções hecatômbicas!), Paul Davies, renomado físico teórico e cosmólogo inglês, Arizona State University, onde está estabelecendo o BEYOND: Center for Fundamental Concepts in Science [ALÉM: Centro de Conceitos Fundamentias em Ciência] deverá receber a punição devida pela Nomenklatura científica. Não existe Glasnost nem Perestroika no atual reino das trevas secularistas pós-modernas que seqüestrou a boa ciência. Davies, aguarde, você vai ser chamado à chincha pela KGB nos Estados Unidos. Aguardem.

“A ciência, nós somos repetidamente informados, é a forma de conhecimento mais confiável sobre o mundo porque ela é baseada em hipóteses testáveis.

O problema é que a ciência tem o seu próprio sistema de crença baseada na fé. Toda a ciência procede na pressuposição de que a natureza é ordenada num modo racional e inteligível, que o universo é governado por leis matemáticas confiáveis, imutáveis, absolutas, universais de origem não especificada.

Em primeiro lugar, a própria noção de lei física é uma noção teológica, um fato que deixa muitos cientistas embaraçados. Os cristãos vêm Deus como sustentando a ordem natural além do universo, enquanto que os físicos pensam sobre suas leis como habitando uma esfera abstrata transcendente de perfeitas relações matemáticas. Até que a ciência proponha uma teoria testável das leis do universo, a sua afirmação de estar livre de fé é manifestamente fraudulenta. [1]

Uau, quem afirma que a ciência não opera pela fé é FRAUDADOR. Haja fraudadores, conheço aos montes artigos de fraudadores com esta afirmação subjetiva da superioridade da ciência como forma de conhecimento humano.

Fraudadores!!! Davies, cara, você pegou pesado, e eu não queria estar na sua pele: a Nomenklatura científica é antropofágica dos discursos desviantes do materialismo/naturalismo filosófico falsamente chamado de ciência.

NOTA:

1. “SCIENCE, we are repeatedly told, is the most reliable form of knowledge about the world because it is based on testable hypotheses.

The problem is that science has its own faith-based belief system. All science proceeds on the assumption that nature is ordered in a rational and intelligible way, that the universe is governed by dependable, immutable, absolute, universal, mathematical laws of an unspecified origin.

The very notion of physical law is a theological one in the first place, a fact that makes many scientists squirm. Christians envisage God as upholding the natural order from beyond the universe, while physicists think of their laws as inhabiting an abstract transcendent realm of perfect mathematical relationships. Until science comes up with a testable theory of the laws of the universe, its claim to be free of faith is manifestly bogus.”

Condensed from New York Times by PAUL DAVIES November 24, 2007