Estudos sobre o RNA sob fogo

quarta-feira, abril 25, 2012

RNA studies under fire

High-profile results challenged over statistical analysis of sequence data.

Erika Check Hayden

25 April 2012

High-throughput RNA sequencing has yielded some unexpected results in the past few years — including some that seem to rewrite conventional wisdom in genetics. But a few of those findings are now being challenged, as computational biologists warn of the statistical pitfalls that can lurk in data-intensive studies.

The latest case centres on imprinted genes. Humans and most other animals inherit two copies of most genes, one from each parent. But in some cases, only one copy is expressed; the other copy is silenced. In such cases, the gene is described as being imprinted. In July 2010, a team led by Catherine Dulac and Christopher Gregg, both then at Harvard University in Cambridge, Massachusetts, published a study
1 in Science estimating that 1,300 mouse genes — an order of magnitude more than previously known — were imprinted.

Now, researchers are arguing that a flawed analysis led Dulac and Gregg to vastly over­estimate imprinting in their paper. “The reason this paper was published in Scienceis that they made this big claim that they saw an order-of-magnitude more genes that are imprinted, and I don’t think that’s true,” says Tomas Babak, a computational biologist at Stanford University in California, who challenged the study in a paper
2 published on 29 March.

Dulac counters that she and her team “absolutely stand by those data”, adding that they have confirmed some of their findings by other means. The situation resembles an ongoing debate over another RNA-sequencing paper
3 published in 2011. In that study, Vivian Cheung of the University of Pennsylvania in Philadelphia and her colleagues reported evidence that RNA editing — which creates differences between a gene’s DNA sequence and the RNA sequence it gives rise to — is “widespread” in the human genome. RNA editing had been seen before, but the finding that it was so frequent challenges the central dogma, which holds that an organism’s genes are transcribed faithfully.

Other scientists have argued that Cheung’s results arose largely from errors in data analysis and that the true extent of RNA editing is probably no greater than previously thought4. Cheung did not respond to Nature’s request for comment on this story, but she has stood by her results.
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Porque o darwinismo é falso – Parte 3/3


Porque o darwinismo é falso – Parte 3/3 

Biogeografia 

Argumentos teológicos também são proeminentes no Origem das espécies. Por exemplo, Darwin argumentou que a distribuição geográfica das coisas vivas não fazia sentido se as espécies tivessem sido criadas separadamente, mas faria sentido no contexto de sua teoria. Casos como “a presença de espécie peculiar de morcegos em ilhas oceânicas e a ausência de todos os demais mamíferos terrestres,” Darwin escreveu, “são fatos completamente inexplicáveis na teoria de atos independentes de criação.” Em particular: “Por que, pode ser perguntado, tem a suposta força criadora produziu morcegos e nenhum dos outros mamíferos nas ilhas remotas?” Segundo Darwin, “no meu ponto de vista, esta questão pode ser facilmente respondida; pois nenhum mamífero terrestre pode ser transportado por um espaço vasto de mar, mas os morcegos podem cruzar voando.”34 

Mas Darwin sabia que a migração não pode explicar todos os padrões de distribuição geográfica. Ele escreveu no Origem das espécies que “a identidade de muitas plantas e animais, nos cumes das montanhas, separadas uma das outras por centenas de quilômetros de planícies, onde as espécies alpinas, possivelmente, não poderiam existir, é um dos casos mais surpreendentes conhecido de mesma espécie vivendo em pontos distantes sem a aparente possibilidade delas terem migrados de um ponto para o outro.” Darwin argumentou que uma idade do gelo recente “oferece uma simples explicação desses fatos.” Plantas e animais do Ártico que estivessem “quase que naquela ocasião” poderiam ter crescido em toda parte na Europa e América do Norte, mas “quando o calor retornou plenamente, as mesmas espécies, que então tinham vivido juntas nas planícies europeias e norte-americanas, novamente seriam encontradas nas regiões árticas do Velho e do Novo Mundo, e em muitos cumes de montanhas isoladas bem distantes umas das outras.”35 

Assim, alguns casos de distribuição geográfica podem não ser devido à migração, mas à divisão de uma população antes grande e bem distribuída em pequenas populações isoladas — que os biólogos modernos chamam de “vicariância.” Darwin argumentou que todas as distribuições modernas das espécies podiam ser explicadas por essas duas possibilidades. Mas, há muitos casos de distribuição geográfica que nem a migração e nem a vicariância parecem ser capaz de explicar. 

Um exemplo é a distribuição mundial de aves que não voam, ou as “ratites.” Inclusas estão as avestruzes na África, siriemas na América do Sul, emas e casuares na Austrália, e kiwis na Nova Zelândia. Uma vez que essas aves não voam, explicações baseadas na migração sobre vastas distâncias oceânicas são implausíveis. Depois que a deriva continental foi descoberta no século 20, pensou-se que as diversas populações poderiam ter se separado com as massas terrestres. Mas as avestruzes e kiwis são por demais recentes; os continentes já tinham se separado quando essas espécies se originaram. Assim, nem a migração nem a vicariância explicam a biogeografia dos ratites.36 

Outro exemplo são os caranguejos de água doce. Estudados intensivamente pelo biólogo italiano Giuseppe Colosi nos anos 1920s, esses animais completam seu ciclo de vida exclusivamente em hábitats de água doce e são incapazes de sobreviver à exposição prolongada de água salgada. Hoje, muitas espécies muito semelhantes são encontradas em lagos e rios amplamente separados na América Central e do Sul, África, Madagascar, Europa meridional, Índia, Ásia e Austrália. As evidências fóssil e molecular indicam que esses animais se originaram muito depois de os continentes terem se separados, assim, sua distribuição é inconsistente com a hipótese de vicariância. Alguns biólogos especulam que os caranguejos podem ter migrados por “transporte transoceânico” em troncos ocos, mas isso parece improvável dado a incapacidade deles em tolerar água salgada. Assim, nem a vicariância tampouco a migração fornecem uma explicação convincente para a biogeografia desses animais.37 

Uma explicação alternativa foi sugerida na metade do século 20 por Léon Croizat, um biólogo francês que cresceu na Itália. Croizat descobriu que a teoria de Darwin “parecia não concordar de jeito nenhum com certos aspectos de fatos importantes da natureza,” especialmente os fatos de biogeografia. Na verdade, ele concluiu, “por ora, o darwinismo é apenas uma camisa de força… um odre totalmente decrépito para guardar vinho novo.” Croizat não argumentou a favor de atos de criação independentes; em vez disso, ele propôs que em muitos casos uma espécie primitiva amplamente dispersa se dividiu em fragmentos, depois seus remanescentes evoluíram em novas espécies em localidades paralelas, separadas, que eram extraordinariamente semelhantes. Croizat chamou este processo de evolução paralela de “ortogênese.” Os neodarwinistas, como Ernst Mayr, todavia, salientaram que não existe mecanismo para ortogênese, o que implica —contrário ao darwinismo— que a evolução é guiada em certas direções; por isso eles rejeitaram a hipótese de Croizat.38 

No seu livro Why Evolution Is True, Coyne (igual a Darwin) atribui a biogeografia de ilhas oceânicas à migração, e outras determinadas distribuições à vicariância. Mas Coyne (diferente de Darwin) reconhece que esses dois processos não podem explicar tudo. Por exemplo, a anatomia interna dos mamíferos marsupiais é tão diferente da anatomia interna dos mamíferos placentários que os dois grupos são considerados como tendo se separado há muito tempo atrás. Mas, existem esquilos marsupiais voadores, tamanduás e toupeiras na Austrália que extraordinariamente aparentam esquilos voadores placentários, tamanduás e toupeiras em outros continentes, e essas formas de vida se originaram muito depois de os continentes terem se separado. 

Coyne atribuiu às semelhanças a “um processo muito conhecido chamado evolução convergente.” Segundo Coyne, “É realmente bem simples. As espécies que vivem em hábitats semelhantes irão experimentar pressões de seleção semelhantes de seu ambiente, de modo que elas podem evoluir adaptações semelhantes, ou convergir vindo a parecer e se comportar muito parecido muito embora elas não sejam relacionadas.” Coloque junto a ancestralidade comum, a seleção natural, e a origem das espécies (“especiação”), “adicione o fato que as áreas distantes do mundo podem ter hábitats semelhantes, e você tem a evolução convergente — e uma explicação simples de um importante padrão geográfico.”39 

Isso não é o mesmo que a “ortogênese” de Croizat pela qual as populações de uma espécie, após se tornar separada das demais, evolui paralelamente devido a alguma força diretiva interna. Segundo a “evolução convergente” de Coyne, os organismos que são fundamentalmente diferentes uns dos outros evoluem através da seleção natural para se tornarem superficialmente semelhantes porque eles habitam ambientes semelhantes. O mecanismo para ortogênese é interno, enquanto que o mecanismo para convergência é externo. Todavia, nos dois casos, o mecanismo é crucial: sem ele, a ortogênese e a convergência são palavras simplesmente descrevendo padrões biogeográficos, e não explicações de como surgiram esses padrões. 

Assim, a mesma pergunta pode ser feita sobre a convergência que foi feita à ortogênese: Qual é a evidência para o mecanismo proposto? De acordo com Coyne, o mecanismo de convergência envolve a seleção natural e especiação. 

Seleção e especiação 

Coyne escreveu que Darwin “tinha pequena evidência direta para a seleção agindo em populações naturais.” Na verdade, Darwin não evidencia direta de seleção natural; o melhor que ele pode fazer no Origem das espécies foi “dar uma ou duas ilustrações imaginárias.” Somente um século mais tarde que Bernard Kettlewell forneceu o que ele chamou de “a evidencial perdida de Darwin” para a seleção natural —uma mudança na proporção de mariposas salpicadas claras e escuras que Kettlewell atribuiu a camuflagem e predação por aves.40 

Desde então, os biólogos têm descoberto várias evidências diretas de seleção natural. Coyne descreveu algumas delas, inclusive um aumento mediano na profundidade dos bicos dos tentilhões das Ilhas Galápagos, e uma mudança no tempo de floração em plantas selvagens de mostarda no sul da Califórnia —os dois casos devido à seca. Como Darwin, Coyne também compara a seleção natural com a seleção artificial usadas em cruzamento de plantas e animais. 

Mas esses exemplos de seleção —natural bem como artificial— envolve somente pequenas mudanças dentro das espécies existentes. Os criadores de animais eram familiares com tais mudanças antes de 1859, e é por isso que Darwin não escreveu um livro intitulado Como Espécies Existentes Mudam ao Longo do Tempo; ele escreveu um livro intitulado Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural. “Darwin chamou sua grande obre de Origem das espécies,” escreveu o biólogo evolucionista de Harvard, Ernst Mayr, em 1982, “porque ele estava plenamente consciente do fato de que a mudança de uma espécie em outra era o problema mais fundamental da evolução.” Mas, Mayr tinha escrito anteriormente, “Darwin falhou em resolver o problema indicado pelo título de sua obra.” Em 1997, o biólogo evolucionista Keith Stewart Thomson escreveu: “Uma questão de tarefa inacabada para os biólogos é a identificação da prova/evidência indisputável da evolução,” e “a prova/evidência indisputável da evolução é a especiação, não é adaptação local e diferenciação de populações.” Antes de Darwin, o consenso era que as espécies podiam variar somente dentro de certos limites; na verdade, séculos de seleção artificial tinha, aparentemente, demonstrado tais limites experimentalmente. “Darwin tinha que demonstrar que os limites podiam ser quebrados,” escreveu Thomson, “e nós também.”41 

Em 2004, Coyne e H. Allen Orr publicaram um livro detalhado intitulado Speciation [Especiação], no qual eles salientaram que os biólogos não tinham sido capazes de concordar sobre uma definição de “espécie” porque nenhuma única definição serve para todos os casos. Por exemplo, uma definição aplicável a organismos vivos, sexualmente reprodutores pode não fazer nenhum sentido quando aplicado a fósseis ou bactérias. Na verdade, existe mais do que 25 definições de “espécie.” Qual definição é a melhor? Coyne e Orr argumentaram que, “quando for decidir sobre um conceito de espécie, alguém deve primeiro identificar a natureza do ‘problema de espécie’ de alguém, e depois escolher o conceito que melhor resolve aquele problema.” Como a maioria dos demais darwinistas, Coyne e Orr favorecem o “conceito biológico de espécie” [Biological Species Concept – BSC] de Ernst Mayr, pois conforme este conceito - “espécies são grupos de populações naturais que podem se cruzar e que são isoladas reprodutivamente de outros tais grupos.” No seu livro Why Evolution Is True, Coyne explica que o conceito biológico de espécie é “aquele que os evolucionistas preferem quando estudam a especiação, porque leva qualquer um ao cerne da questão evolucionária. Sob o BSC, se alguém puder explicar como as barreiras reprodutivas evoluíram, esse alguém explicou a origem das espécies.”42 

Teoricamente, as barreiras reprodutivas surgem quando as populações geograficamente separadas divergem geneticamente. Mas Coyne descreve cinco “casos de especiação ocorrendo na hora” que envolve um mecanismo diferente: a duplicação de cromossomo, ou “poliploidia.”43 Isso geralmente acontece após a hibridização entre duas espécies de plantas existentes. A maioria dos híbridos é estéril porque seus cromossomos incompatíveis não podem se separar apropriadamente a fim de produzir pólen fértil e ovários; ocasionalmente, contudo, os cromossomos em um híbrido, duplica espontaneamente, produzindo dois pares perfeitamente combináveis e fazendo possível a reprodução. O resultado é uma planta fértil que reprodutivamente isolada dos dois progenitores — uma nova espécie, conforme o BSC. 

Mas a especiação por poliploidia (“especiação secundária”) tem sido observada somente em plantas. Isso não fornece evidência a favor da teoria de Darwin de que as espécies se originam através da seleção natural, e nem para a teoria neodarwinista de especiação pela separação geográfica e divergência genética. Na verdade, Segundo o biólogo evolucionista Douglas J. Futuyma, a poliploidia “não concede novas e importantes características morfológicas… [e] nem causa a evolução de novos gêneros” ou níveis mais altos na hierarquia biológica.44 

Desse modo, a especiação secundária não resolve o problema de Darwin. Somente a especiação primária —a divisão de uma espécie em duas através da seleção natural —seria capaz de produzir o padrão de árvore ramificada da evolução darwinista. Mas ninguém tem observado a especiação primária. A prova/evidência indisputável da evolução nunca foi encontrada.45 

Ou será que a prova/evidência indisputável da evolução foi encontrada? 

No seu livro Why Evolution Is True, Coyne afirma que a especiação primária foi observada em um experimento noticiado em 1998. Curiosamente, Coyne não mencionou isso no livro de 2004 que ele escreveu junto com Orr, mas o seu relato disso em 2009 vale a pena citar com todas as letras: 

“Nós até podemos ver a origem de uma nova espécie ecologicamente diversa de bactéria, tudo dentro de um único frasco de laboratório. Paul Rainey e seus colegas da Universidade Oxford colocaram uma cepa da bactéria Pseudomonas fluorescens em um pequeno frasco contendo caldo nutriente, e simplesmente observaram. (É surpreendente, mas verdadeiro que tal frasco contém realmente diversos ambientes. A concentração de oxigênio, por exemplo, é mais alta no topo e mais baixa no fundo.) Dentro de dez dias —não mais do que algumas centenas de gerações — o ancestral das bactérias `lisas´flutuando livremente, tinha evoluído em duas formas adicionais ocupando partes diferentes da proveta. Uma, chamada de ‘espalhadora de rugas’ formou um tapete em cima do caldo. A outras, chamada de ‘espalhadora difusa’ formou um tapete no fundo. O tipo de ancestral liso persistiu no ambiente líquido no meio da proveta. Cada uma das duas novas formas era geneticamente diferente do ancestral, tendo evoluído através da mutação e seleção natural para se reproduzir melhor em seus respectivos ambientes. Aqui, então, não é somente a evolução, mas a especiação ocorrendo no laboratório: a forma ancestral produziu, e coexistiu com dois descendentes ecologicamente diferentes, e nas bactérias tais formas são consideradas espécies distintas. Após um curto período de tempo, a seleção natural na Pseudomonas produziu uma “radiação adaptativas” em pequena escala, o equivalente de como os animais ou plantas formam espécies quando eles encontram novos ambientes numa ilha oceânica.”46 

Mas Coyne omite o fato de que quando as formas ecologicamente diferentes foram colocadas de volta no mesmo ambiente, elas “sofreram uma rápida perda de diversidade,” segundo Rainey. Nas bactérias, uma população distinta ecologicamente (chamada de “ecotipo”) pode sim se constituir numa espécie separada, mas somente se a distinção for permanente. Como o microbiologista evolucionista Frederick Cohan escreveu em 2002, espécies nas bactérias “são ecologicamente distintas uma das outras; e elas são irreversivelmente separadas.”47 A reversão rápida de distinções ecológicas quando as populações bacterianas no experimento de Rainey foram colocadas de volta no mesmo ambiente refuta a afirmação de Coyne de que o experimento demonstrara a origem de uma nova espécie. 

Exagerar a evidência para promover o darwinismo não é coisa nova. No caso dos tentilhões de Galápagos, a profundidade média dos bicos reverteu ao normal após a seca. Não houve evolução qua evolução, muito menos especiação. Mesmo assim Coyne escreveu no seu livro Why Evolution Is True que “tudo que nós exigimos da evolução por seleção natural foi amplamente documentado” pelas pesquisas dos tentilhões. Uma vez que as teorias científicas permanecem ou caem devido a evidência, a tendência de Coyne exagerar a evidência não é coisa boa para a teoria que ele está defendendo. Quando um livreto publicado em 1999 pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos chamou a mudança de bicos dos tentilhões de “um exemplo particularmente convincente de especiação,” o professor de Direito de Berkeley, e um crítico de Darwin, Phillip E. Johnson, escreveu no The Wall Street Journal: “Quando nossos principais cientistas têm que recorrer ao tipo de distorção que colocaria um corretor da Bolsa na cadeia, você sabe que eles estão em dificuldades.”48 

Então, existem instâncias observadas de especiação secundária —que não é o que o darwinismo precisa— mas nenhuma instância observada de especiação primária, nem mesmo em bactérias. O bacteriologista britânico Alan H. Linton procurou por relatos de confirmação de especiação primária e concluiu em 2001: “Não existe nenhuma na literatura afirmando que uma espécie foi demonstrada como tendo evoluído em outra espécie. As bactérias, a forma de vida independente mais simples de todas, são ideais para este tipo de pesquisa, com tempos de geração de vinte a trinta minutos, e as populações são alcançadas após dezoito horas. Mas, por 150 anos de ciência de bacteriologia, não existe nenhuma evidência de que uma espécie de bactéria se transformou em outra espécie.”49
Conclusões 

Darwin chamou seu livro Origem das espécies de “um longo argumento” para a sua teoria, mas Jerry Coyne nos deu um longo blefe. O livro Why Evolution Is True tenta defender a evolução darwinista pelo rearranjo do registro fóssil; pela deturpação do desenvolvimento dos embriões vertebrados; por ignorar a evidência para a funcionalidade dos alegados órgãos vestigiais e o DNA não codificante, e depois promover o darwinismo com argumentos teológicos sobre “design ruim”, por atribuir alguns padrões biogeográficos para convergência devido a supostos processos “bem conhecidos” de seleção natural e de especiação; e depois exagerar a evidência a favor da seleção e especiação e fazer parecer como se elas pudessem realizar o que o darwinismo exige delas. 

A evidência concreta revela que as principais características do registro fóssil são embaraçosas para a evolução darwinista; que o desenvolvimento embrionário inicial é mais consistente com origens separadas do que com ancestralidade comum; que o DNA não codificante é plenamente funcional, e contrário às predições neodarwinistas; e que a seleção natural não pode realizar nada mais a não ser seleção artificial —o que significa dizer, mudanças mínimas dentro das espécies existentes. 

Diante de tal evidência, qualquer outra teoria científica teria sido, provavelmente, abandonada há muito tempo. Julgado pelos critérios normais da ciência empírica, o Darwinismo é falso. Ele permanece apesar da evidência, e o entusiasmo de Darwin e seus seguidores em defendê-lo com argumentos teológicos sobre a criação e design sugere que a sua permanência não tem nada a ver com a ciência.50 

Apesar disso, os estudantes de biologia podem achar útil o livro de Coyne. Considerando-se a informação exata e a liberdade de exercer o pensamento crítico, os estudantes podem aprender do livro Why Evolution Is True como que os darwinistas manipulam a evidência e a misturam com teologia a fim de reciclar uma teoria falsa que já deveria ter sido descartada há muito tempo. 

Notas 

34 Darwin, The Origin of Espécies, Chapters XIII (pp. 347-352) and XV (p. 419). Disponível online (2009) aqui.

35 Darwin, The Origin of Espécies, Chapters XII (pp. 330-332). Disponível online (2009) aqui.

36 Alan Cooper, et al., C. Mourer-Chauviré, C.K. Chambers, A. von Haeseler, A.C. Wilson & S. Paabo, “Independent origins of New Zealand moas and kiwis,” Proceedings of the National Academy of Sciences USA 89 (1992): 8741-8744. Disponível online (2008) aqui.

Oliver Haddrath & Allan J. Baker, “Complete mitochondrial DNA genome sequences of extinct birds: ratite phylogenetics and the vicariance biogeografia hypothesis,” Proceedings of the Royal Society of London B 268 (2001): 939-945. 

John Harshman, E.L. Braun, M.J. Braun, C.J. Huddleston, R.C.K. Bowie, J.L. Chojnowski, S.J. Hackett, K.-L. Han, R.T. Kimball, B.D. Marks, K.J. Miglia, W.S. Moore, S. Reddy, F.H. Sheldon, D.W. Steadman, S.J. Steppan, C.C. Witt & T. Yuri, “Phylogenomic evidence for multiple losses of flight in ratite birds,” Proceedings of the National Academy of Sciences USA 105 (2008): 13462-13467. Abstract disponível online (2008) aqui.

Giuseppe Sermonti, “L'evoluzione in Italia - La via torinese / How Evolução Came to Italy - The Turin Connection,” Rivista di Biologia/Biology Forum 94 (2001): 5-12. Disponível online (2008) aqui.

37 Giuseppe Colosi, “La distribuzione geografica dei Potamonidae,” Rivista di Biologia 3 (1921): 294-301. Disponível online (2009) aqui.

Savel R. Daniels, N. Cumberlidge, M. Pérez-Losada, S.A.E. Marijnissen & K.A. Crandall, “Evolution of Afrotropical freshwater crab lineages obscured by morphological convergence,” Molecular Phylogenetics and Evolution 40 (2006): 227–235. Disponível online (2009) aqui.

R. von Sternberg, N. Cumberlidge & G. Rodriguez. “On the marine sister groups of the freshwater crabs (Crustacea: Decapoda: Brachyura),” Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research 37 (1999): 19–38.

Darren C.J. Yeo, et al., “Global diversity of crabs (Crustacea: Decapoda: Brachyura) in freshwater,” Hydrobiology 595 (2008): 275-286.

38 Léon Croizat, Space, Time, Form: The Biological Synthesis. Publicado pelo autor (Deventer, Netherlands: N. V. Drukkerij Salland, 1962), p. iii.

Robin C. Craw, “Léon Croizat's Biogeographic Work: A Personal Appreciation,” Tuatara 27:1 (August 1984): 8-13. Disponível online (2009) aqui.

John R. Grehan, “Evolution By Law: Croizat's ‘Orthogeny’ and Darwin's ‘Laws of Growth’,” Tuatara 27:1 (August 1984): 14-19. Disponível online (2009) aqui.

Carmen Colacino, “Léon Croizat’s Biogeography and Macroevolution or… ‘Out of Nothing, Nothing Comes’,” The Philippine Scientist 34 (1997): 73-88.

Ernst Mayr, The Growth of Biological Thought (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1982), p. 529-530.

39 Coyne, Why Evolution Is True, p. 92-94. 

40 Coyne, Why Evolution Is True, p. 116.

Darwin, The Origin of Species, Capítulo IV (p. 70). Disponível online (2009) aqui

H. B. D. Kettlewell, “Darwin’s Missing Evidence,” Scientific American 200 (March, 1959): 48-53. 

41 Ernst Mayr, The Growth of Biological Thought (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1982), p. 403.

Ernst Mayr, Populations, Species and Evolution (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1963), p. 10.

Keith Stewart Thomson, “Natural Selection and Evolution's Smoking Gun,” American Scientist 85 (1997): 516-518. 

42 Jerry A. Coyne & H. Allen Orr, Speciation (Sunderland, MA: Sinauer Associates, 2004), p. 25-39.

Coyne, Why Evolution Is True, p. 174. 

43 Coyne, Why Evolution Is True, p. 188. 

44 Douglas J. Futuyma, Evolution (Sunderland, MA: Sinauer Associates, 2005), p. 398. 

45 Wells, The Politically Incorrect Guide to Darwinism and Intelligent Design, Capítulo Cinco (“The Ultimate Missing Link”), p. 49-59. 

46 Coyne, Why Evolution Is True, p. 129-130. 

47 Paul B. Rainey & Michael Travisano. “Adaptive radiation in a heterogeneous environment,” Nature 394 (1998): 69-72.

Frederick M. Cohan, “What Are Bacterial Species?” Annual Review of Microbiology 56 (2002): 457-482. Disponível online (2009) aqui

48 Coyne, Why Evolution Is True, p. 134.

National Academy of Sciences, Science and Creationism: A View from the National Academy of Sciences, Second edition (Washington, DC: National Academy of Sciences Press, 1999), Chapter on “Evidence Supporting Biological Evolution,” p. 10. Disponível online (2009) aqui.

Phillip E. Johnson, “The Church of Darwin,” The Wall Street Journal (August 16, 1999): A14. Disponível online (2009) aqui

49 Alan H. Linton, “Scant Search for the Maker,” The Times Higher Education Supplement (April 20, 2001), Book Section, p. 29. 

Frederick M. Cohan, “What Are Bacterial Species?” Annual Review of Microbiology 56 (2002): 457-482. Disponível online (2009) aqui

50 Paul A. Nelson, “The role of theology in current evolutionary reasoning,” Biology and Philosophy 11 (October 1996): 493 - 517. Abstract disponível online (2009) aqui

Jonathan Wells, “Darwin’s Straw God Argument,” Discovery Institute (December 2008). Disponível online (2009) aqui.

Jonathan Wells, “Darwin’s Straw God Argument,” Discovery Institute (December 2008). Disponível online (2009) aqui

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NOTA DESTE BLOGGER:

Esta é a primeira vez que dedico uma postagem a alguém. Na verdade é dedicada a Francisco Salzano, Sergio Pena e demais signatários de uma carta enviada ao presidente da Academia Brasileira de Ciências, manifestando preocupação e se sentirem afrontados com o avanço e defesa da teoria do Design Inteligente por cientistas da ABC.

Esse cientistas revelaram espírito anti-científico ao tentar intimidar vozes científicas dissidentes e céticas da robustez epistêmica das atuais teorias científicas sobre a origem e evolução do universo e da vida. A ciência qua experiência humana é sujeita a revisão e até simples descarte de suas mais queridas teorias, e não é impedindo a divulgação de ideias diferentes que se promove o avanço da ciência.

Francisco Salzano, Sergio Pena et al, que vergonha: vocês são contra a livre circulação e debates de ideias científicas nas universidades. A carta de vocês vai entrar na História da Ciência como exemplo mor de "patrulhamento ideológico", censura, e de uma profunda covardia ao não mencionar para o presidente da Academia Brasileira de Ciências o nome do cientista de renome e saber científico que promove a teoria do Design Inteligente no Brasil: o nome dele é Prof. Dr. Marcos Nogueira Eberlin, o segundo cientista brasileiro mais citado em publicações científicas.

Escrevi isso acima com profundo desprazer de um lado, e por outro lado uma profunda alegria de desafiar a Nomenklatura científica e mostrar as suas partes intestinais podres na defesa do materialismo filosófico que posa como se fosse ciência!!!

Aumentando o universo

terça-feira, abril 24, 2012


Copyright 2012.  Magnifying the Universe  by Number Sleuth.

Israel: 12 de maio de 1948 - 64 anos de independência

domingo, abril 22, 2012



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Para, por e com Israel, sempre! Apesar de [preencher as lacunas]

A crise da Grande Ciência - artigo de Steven Weinberg

The Crisis of Big Science

Construction of an underground shaft for the Superconducting Super Collider in Texas. The SSC was supposed to be the largest particle accelerator in the world, but its funding was canceled by Congress in 1993.

Last year physicists commemorated the centennial of the discovery of the atomic nucleus. In experiments carried out in Ernest Rutherford’s laboratory at Manchester in 1911, a beam of electrically charged particles from the radioactive decay of radium was directed at a thin gold foil. It was generally believed at the time that the mass of an atom was spread out evenly, like a pudding. In that case, the heavy charged particles from radium should have passed through the gold foil, with very little deflection. To Rutherford’s surprise, some of these particles bounced nearly straight back from the foil, showing that they were being repelled by something small and heavy within gold atoms. Rutherford identified this as the nucleus of the atom, around which electrons revolve like planets around the sun.

This was great science, but not what one would call big science. Rutherford’s experimental team consisted of one postdoc and one undergraduate. Their work was supported by a grant of just £70 from the Royal Society of London. The most expensive thing used in the experiment was the sample of radium, but Rutherford did not have to pay for it—the radium was on loan from the Austrian Academy of Sciences.

Nuclear physics soon got bigger. The electrically charged particles from radium in Rutherford’s experiment did not have enough energy to penetrate the electrical repulsion of the gold nucleus and get into the nucleus itself. To break into nuclei and learn what they are, physicists in the 1930s invented cyclotrons and other machines that would accelerate charged particles to higher energies. The late Maurice Goldhaber, former director of Brookhaven Laboratory, once reminisced:

The first to disintegrate a nucleus was Rutherford, and there is a picture of him holding the apparatus in his lap. I then always remember the later picture when one of the famous cyclotrons was built at Berkeley, and all of the people were sitting in the lap of the cyclotron.

1.

After World War II, new accelerators were built, but now with a different purpose. In observations of cosmic rays, physicists had found a few varieties of elementary particles different from any that exist in ordinary atoms. To study this new kind of matter, it was necessary to create these particles artificially in large numbers. For this physicists had to accelerate beams of ordinary particles like protons—the nuclei of hydrogen atoms—to higher energy, so that when the protons hit atoms in a stationary target their energy could be transmuted into the masses of particles of new types. It was not a matter of setting records for the highest-energy accelerators, or even of collecting more and more exotic species of particles, like orchids. The point of building these accelerators was, by creating new kinds of matter, to learn the laws of nature that govern all forms of matter. Though many physicists preferred small-scale experiments in the style of Rutherford, the logic of discovery forced physics to become big.

In 1959 I joined the Radiation Laboratory at Berkeley as a postdoc. Berkeley then had the world’s most powerful accelerator, the Bevatron, which occupied the whole of a large building in the hills above the campus. The Bevatron had been built specifically to accelerate protons to energies high enough to create antiprotons, and to no one’s surprise antiprotons were created. What was surprising was that hundreds of types of new, highly unstable particles were also created. There were so many of these new types of particles that they could hardly all be elementary, and we began to doubt whether we even knew what was meant by a particle being elementary. It was all very confusing, and exciting.

After a decade of work at the Bevatron, it became clear that to make sense of what was being discovered, a new generation of higher-energy accelerators would be needed. These new accelerators would be too big to fit into a laboratory in the Berkeley hills. Many of them would also be too big as institutions to be run by any single university. But if this was a crisis for Berkeley, it wasn’t a crisis for physics. New accelerators were built, at Fermilab outside Chicago, at CERN near Geneva, and at other laboratories in the US and Europe. They were too large to fit into buildings, but had now become features of the landscape. The new accelerator at Fermilab was four miles in circumference, and was accompanied by a herd of bison, grazing on the restored Illinois prairie.

By the mid-1970s the work of experimentalists at these laboratories, and of theorists using the data that were gathered, had led us to a comprehensive and now well-verified theory of particles and forces, called the Standard Model. In this theory, there are several kinds of elementary particles. There are strongly interacting quarks, which make up the protons and neutrons inside atomic nuclei as well as most of the new particles discovered in the 1950s and 1960s. There are more weakly interacting particles called leptons, of which the prototype is the electron.

There are also “force carrier” particles that move between quarks and leptons to produce various forces. These include (1) photons, the particles of light responsible for electromagnetic forces; (2) closely related particles called W and Z bosons that are responsible for the weak nuclear forces that allow quarks or leptons of one species to change into a different species—for instance, allowing negatively charged “down quarks” to turn into positively charged “up quarks” when carbon-14 decays into nitrogen-14 (it is this gradual decay that enables carbon dating); and (3) massless gluons that produce the strong nuclear forces that hold quarks together inside protons and neutrons.
...

Read more here/Leia mais aqui: The New York Times Review of Books

Origem das espécies permanece como um dos tópicos em evolução mais controverso e menos compreendido

Speciation with gene flow in a heterogeneous virtual world: can physical obstacles accelerate speciation?

Abbas Golestani1,*, Robin Gras1,2 and Melania Cristescu2,3

+Author Affiliations

1School of Computer Science, University of Windsor, Windsor, Canada
2Department of Biology, University of Windsor, Windsor, Canada
3Great Lakes Institute, University of Windsor, Windsor, Canada

Author for correspondence (golesta@uwindsor.ca).

Abstract

The origin of species remains one of the most controversial and least understood topics in evolution. While it is being widely accepted that complete cessation of gene-flow between populations owing to long-lasting geographical barriers results in a steady, irreversible increase of divergence and eventually speciation, the extent to which various degrees of habitat heterogeneity influences speciation rates is less well understood. Here, we investigate how small, randomly distributed physical obstacles influence the distribution of populations and species, the level of population connectivity (e.g. gene flow), as well as the mode and tempo of speciation in a virtual ecosystem composed of prey and predator species. We adapted an existing individual-based platform, EcoSim, to allow fine tuning of the gene flow's level between populations by adding various numbers of obstacles in the world. The platform implements a simple food chain consisting of primary producers, herbivores (prey) and predators. It allows complex intra- and inter-specific interactions, based on individual evolving behavioural models, as well as complex predator–prey dynamics and coevolution in spatially homogenous and heterogeneous worlds. We observed a direct and continuous increase in the speed of evolution (e.g. the rate of speciation) with the increasing number of obstacles in the world. The spatial distribution of species was also more compact in the world with obstacles than in the world without obstacles. Our results suggest that environmental heterogeneity and other factors affecting demographic stochasticity can directly influence speciation and extinction rates.
 speciation, gene flow, individual-based simulation, predator–prey system,

Received February 28, 2012.
Accepted March 29, 2012.
This journal is © 2012 The Royal Society

Proceedings of the Royal Society B Biological Sciences

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Professores, pesquisadores e alunos de universidades públicas e privadas com acesso ao site CAPES/Periódicos podem ler gratuitamente este artigo do Proceedings of the Royal Society B Biological Sciences e de mais 22.444 publicações científicas.

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NOTA DESTE BLOGGER:

Nota bene, este é um artigo com revisão por pares, e os autores dizem logo na primeira linha que a origem das espécies é um dos (tem muito mais) tópicos mais controverso e menos compreendido em evolução. ALGUÉM ME BELISQUE!!! A Nomenklatura científica mente ao afirmar para o público que Darwin, o homem que teve a maior ideia que toda a humanidade já teve, EXPLICOU a origem das espécies.

NADA MAIS FALSO! Uma leitura despreocupada, mas objetiva, revela que Darwin na sua obra (confusa) Origem das espécies, não explicou a origem das espécies e nem as variações (aspecto biológico que ele mais abordou no livro).

Gente, eu fico é cada vez mais decepcionado com a historiografia mainstream que tece loas sobre loas sobre Darwin ter sido o homem que colocou a ciência da Biologia num patamar científico que não tinha antes. NADA MAIS FALSO! A literatura científica demonstra que desde 1859 Darwin não explicou e nem explica a origem das espécies!!! Alguém se habilita explicar a origem das espécies? Francisco Salzano, Sergio Pena???

Francisco Salzano, Sergio Pena et al, ouçam o que disse Carl Sagan: não há desculpas para a supressão de novas ideias!!!

sábado, abril 21, 2012

A frase de Sagan abaixo caí como uma luva de pelica para rebater a carta assinada por Francisco Salzano, Sergio Pena et al, ao presidente da Academia Brasileira de Ciências onde eles manifestaram "preocupação com a tentativa de popularização de ideias retrógradas que afrontam o método científico, fundamentadas no criacionismo, também chamado como 'design inteligente', e expressaram ter ficado "afrontados pela divulgação de conceitos sem fundamentação científica por pesquisadores de reconhecido saber em outras áreas da Ciência."

"A minha opinião que defendo fortemente é que, não importa quão heterodoxo o processo de raciocínio ou quão intragáveis as conclusões, não há desculpa para qualquer tentativa de suprimir novas ideias, muito menos por cientistas comprometidos com o livre intercâmbio de ideias."

"My own strongly held view is that no matter how unorthodox the reasoning process or how unpalatable the conclusions, there is no excuse for any attempt to suppress new ideas, least of all by scientists committed to the free exchange of ideas." Carl Sagan

Pela ótica de Sagan, o veredito sobre a tentativa canhestra de Salzano, Pena et al de silenciar críticos e oponentes das atuais teorias sobre a origem do universo e da vida, a aceitação e promoção de novas ideias por membros da Academia Brasileira de Ciências, como a teoria do Design Inteligente, além de ser uma atitude infantil e ridícula, é INDESCULPÁVEL!!!

Pano rápido!!! mas esta carta solerte vai ficar de exemplo-mor como age fortuitamente a Nomenklatura científica para com aqueles que ousam pensar diferente: são antropofágicos e destruidores de carreiras acadêmicas! Eu sei do que estou falando, e eles também. Um dia desses eu conto essa história...

21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado por lutar pela independência do Brasil.

Francisco Salzano e Sergio Pena, quem diria, Stephen Jay Goul foi um 'criacionista acidental'

sexta-feira, abril 20, 2012

O eminente biólogo britânico John Maynard Smith observou:

"Gould ocupa uma posição bem curiosa, particularmente neste lado do Atlântico. Por causa da excelência de seus ensaios, ele veio a ser visto pelos não biólogos como o preeminente téorico evolucionário. Em contrapartida, os biólogos evolucionistas com quem tenho discutido o trabalho dele tendem a considerá-lo como um homem cujas ideias são tão confusas que não vale a pena se importar com elas, mas alguém que não deve ser publicamente criticado porque, pelo menos, ele está do nosso lado contra os criacionistas… [Gould] está dando aos não biólogos um quadro imensamente falso do estado da teoria evolucionária."

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NOTA DESTE BLOGGER:

Eu admiro muito Stephen Jay Gould, um evolucionista honesto, que por três décadas teve a coragem de dizer à Nomenklatura científica: Darwin está nu! e uma nova teoria geral da evolução deve ser elaborada.

Pelos seus artigos e livros, muitos o consideraram "um criacionista acidental". Será que o Francisco Salzano, Sergio Pena e os demais signatários da carta ao presidente da Academia Brasileira de Ciências vão ficar "afrontados" com a revelação desta particularidade sobre Gould por Maynard Smith???

Gould foi um ferrenho critico e oponente da teoria do Design Inteligente.

VII Congresso Latino-Americano sobre Ciência e Religião Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global

quinta-feira, abril 19, 2012

VII Congresso Latino-Americano sobre Ciência e Religião
Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – University of Oxford, 2-4 outubro de 2012
Rio de Janeiro, Brazil
O Ian Ramsey Centre for Science and Religion da Universidade de Oxford, unindo forças com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro organizarão o VII Congresso Latino-Americano sobre ciência e Religião: “Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global”.
O VII Congresso Latino-Americano será realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil. Será patrocinado pela Fundação Decyr, o instituto CECIR (UPAEP) e apoiado pelos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Religião (PUC SP, Brasil) e de Teologia (PUC-Rio). Este congresso é parte de uma longa tradição de congressos sobre o tema que começou em Puebla, México, em 2002, com o I Congresso Latino-Americano: Ciência e Religião, uma Nova Cultura de Colaboração, organizado pela Fundação Decyr e o Instituto Cecir. Esta tradição continuou com congressos na Argentina, México e Cuba. Veja os congressos passados.
A América Latina apresenta uma perspectiva única no âmbito do diálogo internacional sobre as relações entre ciência e religião. Não só é uma região geográfica rica em tradições religiosas, mas também é onde as perspectivas acadêmicas continental e anglo-saxã se encontram, proporcionando soluções originais para problemas regionais e globais.
A complexidade inerente encontrada nas relações entre ciência e religião historicamente tem sido estudada a partir de uma destas perspectivas, mas muito poucas vezes a partir de uma abordagem que complementa as duas tradições. Este é o tipo de abordagen que se poderia esperar de estudiosos latino-americanos, oferecendo novos modos de investigar estas questões. As 'Grandes Questões' que geralmente são discutidas sobre a relação supracitada incluem tópicos difíceis e variados como, por exemplo, a origem do universo e da vida, a possibilidade e modalidade da ação de Deus no mundo, a capacidade da ciência para explicar a liberdade humana, a especificidade da pessoa humana, entre outros.
Entre os convidados internacionais do VII Congresso Latino-Americano que aceitaram participar, encontram-se: Prof. Peter Harrison (Research Professor and Director of the Centre of the History of European Discourses, University of Queensland, Australia), Prof. Ronald Numbers (Hilldale and William Coleman Professor of the History of Science and Medicine, University of Wisconsin–Madison, US), Prof. Marcelo Gleiser (Appleton Professor of Natural Philosophy and Professor of Physics and Astronomy, Dartmouth College) and Dr. Andrew Pinsent (Ian Ramsey Centre, University of Oxford).
O VII Congresso Latino-Americano: Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global convoca a acadêmicos de todas as ciências, filósofos, teólogos, historiadores, antropólogos, educadores, etc., para enviar resumos de documentos com no máximo 350 palavras para avaliação, oferecendo exposições não superiores a 20 minutos com 10 minutos de discussão. As perspectivas e abordagens que propiciam o envolvimento com as grandes questões do universo e com um novo diálogo entre ciência-religião são múltiplas e se convida especialmente a apresentação de novos métodos para facilitar e iluminar tal diálogo.
A Comissão acadêmica do Congresso convoca, por conseguinte, exposições em qualquer uma das seguintes áreas:
História, Filosofia e Sociologia do Diálogo Ciência-Religião
Teologia e Ciência Contemporânea
Antropologia: o problema da pessoa
Religiões e Cosmovisões Nativas Prehispânicas e a Ciência Contemporânea
Filosofia da Religião e Ciência Contemporânea
Psicologia e Religião
Ciências Cognitivas da Religião
Ateísmo, Religião e Ciência
Emergência e Complexidade
Educação em Ciência e Religião
O VII Congresso Latino-Americano: Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global será realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brazil.
Os idiomas da conferência serão o Português, Castelhano e Inglês.
O prazo máximo para o envio dos resumo é 30 de junho, 2012 (anexar breve CV). Enviar a latin.america@theology.ox.ac.uk
O VII Congresso Latino-Americano sobre Ciência e Religião: Perspectivas Latino-Americanas – Diálogo Global é possível graças à generosidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, como instituição anfitriã. O Congresso aprecia igualmente o generoso patrocínio da Fundação John Templeton. As opiniões expressas pelos participantes são próprias e não refletem necessariamente o ponto de vista dos patrocinadores e os organizadores do congresso.
Comissão Acadêmica:
Dr. Eduardo Rodrigues da Cruz (PUC-SP, Brasil)
Dr. Luís Corrêa Lima (PUC-Rio, Brasil)
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (PUC-Rio, Brasil)
Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos (USP, Brasil)
Dr. Andrew Pinsent (Oxford)
Dr. Ignacio Silva (Oxford)
Dr. Alexander Moreira-Almeida (UFJF, Brasil)
Dr. Charbel Nino El-Hani (UFBA, Brasil)
Dr. Antônio Augusto Passos Videira (UERJ, Brasil)
Dr. Rafael Vicuña (U Catolica, Chile)
Dr. Lucio Florio (U Catolica, Argentina)
Dr. Eugenio Urrutía Albisúa (UPAEP, México)
Comitê Organizador:
Dr. Eduardo Cruz (Brasil)
Dr. Luís Corrêa Lima (Brasil)
Dr. Abimar Oliveira de Moraes (Brasil)
Dr. Andrew Pinsent (Oxford)
Dr. Ignacio Silva (Oxford)
Dr. Alexander Moreira-Almeida (Brasil)
Dr. Lucio Florio (Argentina)
Dr. Eugenio Urrutía Albisúa (México)
Dr. Pablo A. Zunino (Brasil)
Frederik Moreira dos Santos (Brasil)
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NOTA DESTE BLOGGER:
Será que o Francisco Salzano, Sergio Pena e os demais cientistas signatários de uma carta enviada recentemente ao presidente da Academia Brasileira de Ciências, irão enviar desta vez um manifesto expressando sua preocupação com a realização deste congresso que vai considerar "ideias retrógradas que afrontam o método científico". Será que eles vão se sentir "afrontados" com os conceituados membros do Comitê Organizador e da Comissão Acadêmica pela "divulgação de conceitos sem fundamentação científica por pesquisadores de reconhecido saber em outras áreas da Ciência"???

Francisco Salzano e Sergio Pena: Dobzhansky, quem diria, um evolucionista teísta, oops criacionista!!!

Recentemente, Francisco Salzano, Sergio Pena e outros cientistas, enviaram uma carta ao presidente da Academia Brasileira de Ciências, expressando sua preocupação com a "popularização de ideias retrógradas que afrontam o método científico, fundamentadas no criacionismo, também chamado como 'design inteligente". Além disso, esses signatários se sentiram "afrontados pela divulgação de conceitos sem fundamentação científica por pesquisadores de reconhecido saber em outras áreas da Ciência".

Já respondemos a essa tentativa canhestra de silenciar vozes dissidentes na Academia Brasileira de Ciências questionando cientificamente a robustez das teorias da origem e evolução do universo e da vida no contexto de justificação teórica, e defendendo a plausibilidade científica da teoria do Design Inteligente.


Nem sei por que Theodor Dobzhansky me veio à mente. Eu me lembrei de sua famosa frase, que virou mantra darwinista:

"Nada em biologia faz sentido a não ser à luz da evolução".
Com isso, os darwinistas ortodoxos fundamentalistas querem dizer que o fundamento da biologia é a teoria da evolução. Esta frase é usada ad nauseam pelos darwinistas.

Eu vou destacar novamente esta declaração dobzhanskyana feita numa palestra para professores de ciência, e publicada no American Biology Teacher, 1973 [1 MB PDF].
Agora vem a parte que os discípulos de Darwin omitem intencionalmente ou por desconhecerem a palestra de Dobzhansky na sua totalidade. Sua palestra é um exemplo maior de "acomodacionismo". Por exemplo, Dobzhansky confessa diante de uma plateia de professores de ciência:

"Eu sou um criacionista e evolucionista. [SIC ULTRA PLUS 1] A evolução é o método de criação de Deus, ou o método de criação da Natureza. A Criação não é um evento que aconteceu em 4004 AC; é um processo que começou alguns 10 bilhões de anos atrás e ainda está funcionando".
...

A doutrina evolucionária [SIC ULTRA PLUS 2] entra em choque com a fé religiosa? Não entra em choque. É um crasso erro confundir as Sagradas Escrituras como se fossem livros didáticos elementares de astronomia, geologia, biologia e antropologia. Somente se os símbolos forem construídos para significar aquilo que eles não foram destinados a significaria surgir conflitos imaginários e insolúveis. … o crasso erro resulta em blasfêmia: o Criador é acusado de engano sistemático". Theodosius Dobzhansky, in “Nothing in Biology Makes Sense Except in the Light of Evolution” (1973).

Rapaz, Dobzhansky, o garoto propaganda de a evolução ser a pedra angular da biologia, era evolucionista teísta. Traduzindo em miúdos:


Dobzhansky era criacionista!!!

Eu, se fosse o Francisco Salzano, o Sergio Pena e os demais signatários daquela carta "cala boca" enviada ao presidente 
da Associação Brasileira Ciências, e a Galera dos meninos e meninas de Darwin, enfiava a minha viola no saco e não usaria mais o "mantra dobzhanskyano", pois ao propor o "acomodacionismo" da evolução e a fé, ele estava promovendo "popularização de ideias retrógradas que afrontam o método científico, fundamentadas no criacionismo"...

Fui, nem sei por que, rindo, feliz da vida por Dobzhansky...

Thomas Kuhn em retrospectiva

terça-feira, abril 17, 2012

Thomas Kuhn em retrospectiva


David Tyler


17/04/2012


Já se passaram 50 anos desde que o livro The Structure of Scientific Revolutions [A estrutura das revoluções científicas] apresentou uma perspectiva radicalmente diferente sobre o modo como os cientistas realizam seu trabalho. A maioria dos leitores deste livro teria familiaridade com o método científico, que define a maneira como a ciência deve funcionar. Mas o "método científico" dos livros didáticos subestima as contribuições criativas fornecidas pelos cientistas, e Thomas Kuhn sabia que a História da Ciência fornece evidência abundante demonstrando que os fatores humanos merecem um perfil muito maior em nosso pensamento. Mesmo assim, ele sabia que o seu livro era iconoclástico:


"Kuhn não estava totalmente confiante sobre como o livro Structure seria recebido. A ele fora negado estabilidade no emprego na Universidade Harvard, em Cambridge, Massachusetts, alguns anos antes, e ele escreveu a diversos correspondentes após o livro ter sido publicado que ele sentia que tinha  ido "muito além da conta". Todavia, dentro de meses, algumas pessoas estavam proclamando uma nova era no entendimento da ciência. Um biólogo brincou que todos os comentários poderiam ser agora datados com precisão: seus próprios esforços tinha aparecido "no ano 2 A.K.", antes de Kuhn. Uma década mais tarde, Kuhn tinha recebido tanta correspondência sobre o livro que ele se desesperou se novamente ele conseguiria fazer algum trabalho."







Após duas décadas, o "Structure tinha alcançado o status de arrasa quarteirão". As vendas estavam beirando a casa de um milhão de cópias e numerosas edições em línguas estrangeiras tinham sido publicadas. "O livro se tornou a obra acadêmica mais citada de todas as ciências humanas e sociais entre 1976 e 1983." Esta última estatística foi a chave para entender o seu destino subsequente: o livro foi como um imã para os sociólogos de ciência porque a sua mensagem era sobre a face humana da ciência. Embora Kuhn começou sua carreira acadêmica como físico, ele passou para a História e Filosofia da Ciência. O que ele tinha a dizer era menos atraente para a comunidade científica.

A palavra-chave para Kuhn foi "paradigma". Originalmente, a palavra foi usada para se referir a um exemplo definido, padrão ou modelo. Mais tarde, foi associada com um referencial teórico para entende entender um aspecto do mundo em nosso redor. A abordagem de Kuhn se baseou nesses dois significados e lhes deu novas profundidades de significados.

"[Kuhn] separou seus significados intencionais em dois grupos. Um significado se referia às teorias e métodos dominantes de uma comunidade científica. O segundo significado, que Kuhn argumentou era tanto mais original e mais importante, referia-se aos exemplares ou problemas modelos, os exemplos trabalhados nos quais os estudantes e os jovens cientistas iniciam seus estudos/pesquisas. Assim como Kuhn reconheceu a significância de seu treinamento em Física, os cientistas aprenderam através da aprendizagem imersiva; eles tiveram que aprimorar o que o químico e filósofo de ciência húngaro Michael Polanyi tinha chamado de "tácito conhecimento" ao trabalhar através de grandes coleções de exemplares em vez de memorizar regras explícitas ou teoremas. Mais do que a maioria de especialistas do seu tempo, Kuhn ensinou os historiadores e filósofos a considerar a ciência como prática em vez de silogismo."

A análise de  foi, e continua sendo, uma grande influência no meu pensamento. Sua primeira contribuição foi demonstrar que o progresso crescente na ciência é somente parte da história. Isso é uma parte importante, e tende a dominar o pensamento da maioria dos cientistas ativos. Kuhn explicou como as anomalias na teoria são abordados: a ciência normal considera as anomalias como problemas a ser resolvidos gradualmente, enquanto que os cientistas revolucionários consideram as anomalias como indicadores para outra maneira melhor de abordar a evidência e definir os problemas. Descobrir aquela melhor maneira conduz a um novo quadro conceitual e se constitui em uma revolução científica.

Tendo contribuído com este entendimento de revoluções na ciência, Kuhn também lançou luz em algumas disputas que acontecem antes e depois dessas revoluções. Há disputas expressas com palavras fortes; cientistas mostram emoção; pessoas se sentem afrontadas!

[NOTA DESTE BLOGGER 1: Recentemente Francisco Salzano, Sergio Pena e vários cientistas enviaram uma carta ao presidente da Academia Brasileira de Ciência dizendo-se "afrontados" pelo avanço e divulgação da teoria do Design Inteligente entre membros da ABC. Vide aqui.]


Kuhn explicou que as pessoas que desenvolveram paradigmas diferentes de entendimento da evidência acham muito difícil de comunicar uma com a outra. 

"Mais controverso foi a afirmação de Kuhn que os cientistas não têm como comparar conceitos nos dois lados de uma revolução científica. Por exemplo, a ideia de 'massa' no paradigma newtoniano não é a mesma como no paradigma einsteiniano, argumentou Kuhn; cada conceito tira o significado de teias de ideias, práticas e resultados separados. Se os conceitos científicos  estiverem presos em maneiras específicas de ver o mundo, como uma pessoa que vê somente um aspecto da figura pato-coelho de um psicólogo de Gestalt, então como é possível comparar um conceito com outro? Para Kuhn, os conceitos eram incomensuráveis: nenhuma medida comum poderia ser encontrada com que relacioná-los, porque os cientistas, argumento ele, sempre interrogam a natureza através de um dado paradigma."



          Uma figura ambígua na qual o cérebro muda entre ver um coelho e um pato.

(Source here)

Esses insights são extremamente úteis quando se considera questões controversas em nossos dias. Considere a questão de design inteligente, por exemplo. Durante o surgimento da ciência, os acadêmicos trabalhavam com paradigmas que eram capazes de lidar com o conceito de design na natureza - e eles encontravam design em toda a parte. Com as influências secularizantes do Iluminismo veio uma aceitação do Deísmo - e assim o design era admitido somente até onde pudesse ser empurrado para os começos da história  natural. Mais tarde veio a ascensão do materialismo e naturalismo e o desejo de redefinir a ciência exclusivamente em termos de causação natural, e isso  nos levou ao ponto de vista do mundo evolucionário e a exclusão rígida do  design inteligente da ciência. Essas mudanças paradigmáticas foram acompanhadas por uma incapacidade em entender os acadêmicos com outro paradigma diferente: daí a representação de qualquer um que defenda o design inteligente como um defensor da anti-ciência e da superstição.

Hoje a análise kuhniana mesma está sob fogo de pessoas que são profundamente influenciadas pela cosmovisão materialista. Elas se apegam às ênfases positivistas com uma paixão que está parecendo cada vez mais como fervor religioso.

[NOTA DESTE BLOGGER 2: Foi justamente este "fervor religioso" que vi na carta assinada por Francisco Salzano, Sergio Pena e vários cientistas, enviada ao presidente da Academia Brasileira de Ciência, por causa do avanço e divulgação da teoria do Design Inteligente entre cientistas de renome da ABC. Vide aqui.]

Todavia, é bom ler esta resenha na revista Nature. Há certamente áreas de divergência com Kuhn, mas não percamos de vista sua abordagem magistral e  ilustradora.

"Mesmo assim, nós ainda podemos admirar a destreza de Kuhn em abordar ideias desafiadoras com uma mistura fascinante de exemplos da psicologia, história, filosofia e mais além. Dificilmente precisamos concordar com cada  uma das proposições de Kuhn para usufruirmos - nos beneficiarmos - deste livro clássico." 
In retrospect: The Structure of Scientific Revolutions

David Kaiser

Nature, 484, 164-166 (12 April 2012) | doi:10.1038/484164a

David Kaiser marks the 50th anniversary of an exemplary account of the cycles of scientific progress.

The Structure of Scientific Revolutions: 50th Anniversary Edition
Thomas S. Kuhn (with an introduction by Ian Hacking) Univ. Chicago Press: 2012. 264 pp. ISBN: 9780226458113



Vide a edição brasileira: A estrutura das revoluções científicas, São Paulo,  Perspectiva, 2010, 10a. edição.