Lewontin e o manifesto ortodoxo, 'fundamentalista', xiíta do materialismo filosófico, chique e perfumado, que posa como se fosse ciência

sábado, junho 05, 2010

“A nossa disposição de aceitar as afirmações científicas que vão de encontro ao senso comum é a chave para um entendimento da verdadeira luta entre a ciência e o sobrenatural. Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de suas extravagantes promessas em relação à saúde e à vida, apesar da tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não comprovadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não é que os métodos e instituições da ciência de algum modo compelem-nos a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas, ao contrário, somos forçados por nossa prévia adesão à concepção materialista do universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os não iniciados. Além disso, para nós o materialismo é absoluto; não podemos permitir que o 'Pé Divino' entre por nossa porta. Lewis Beck, o eminente especialista em Kant costumava dizer que se alguém acreditasse em Deus poderia acreditar em qualquer coisa. Apelar para uma divindade onipotente é permitir que a qualquer momento as regularidades da natureza possam ser quebradas, que milagres possam acontecer.”


Our willingness to accept scientific claims that are against common sense is the key to an understanding of the real struggle between science and the supernatural. We take the side of science in spite of the patent absurdity of some of its constructs, in spite of its failure to fulfill many of its extravagant promises of health and life, in spite of the tolerance of the scientific community for unsubstantiated just-so stories, because we have a prior commitment, a commitment to materialism. It is not that the methods and institutions of science somehow compel us to accept a material explanation of the phenomenal world, but, on the contrary, that we are forced by our a priori adherence to material causes to create an apparatus of investigation and a set of concepts that produce material explanations, no matter how counter-intuitive, no matter how mystifying to the uninitiated. Moreover, that materialism is absolute, for we cannot allow a Divine Foot in the door. The eminent Kant scholar Lewis Beck used to say that anyone who could believe in God could believe in anything. To appeal to an omnipotent deity is to allow that at any moment the regularities of nature may be ruptured, that miracles may happen.

Resenha Billions and Billions of Demons de Richard Lewontin do livro The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark de Carl Sagan.

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NOTA IMPERTINENTE DESTE BLOGGER:

Nota bene: este manifesto de Lewontin, ateu marxista, é uma declaração de fé no materialismo filosófico. Uma perversão do que realmente é ciência. O empiricismo aqui se torna um capacho subserviente de uma filosofia — o materialismo filosófico. Os fatos científicos são capachos subservientes de pressuposições aceitas a priori como se fossem a verdade final em ciência. Nada mais falso e abjeto.

O nome disso é execrável prostituição epistêmica, e é o que rege atualmente a Nomenklatura científica. Uma posição filosófica fundamentalista tão nefasta e perigosa quanto o fundamentalismo religioso. Razão? O fundamentalismo é pródigo em ‘eliminar’ dissidentes e hereges.

Eu sei do que estou falando. A Nomenklatura científica também: A Nomenklatura científica hoje é um perigoso fundamentalismo lewontiniano.


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